Notas da 200ª Reunião do
Comitê de Política Monetária (Copom)
do Banco Central do Brasil
19 e 20 de julho de 2016
Banco Central do Brasil
200ª Reunião do Copom
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Data: 19 e 20/7/2016
Local: Sala de reuniões do andar (19/7) e do 20º andar (20/7) do Edifício-Sede do Banco Central do
Brasil Brasília DF
Horário de início: 14h31 (19/7) e 14h30 (20/7)
Horário de término: 18h04 (19/7) e 18h02 (20/7)
Presentes:
Membros do Copom
Ilan Goldfajn Presidente
Anthero de Moraes Meirelles
Carlos Viana de Carvalho
Isaac Sidney Menezes Ferreira
Luiz Edson Feltrim
Otávio Ribeiro Damaso
Reinaldo Le Grazie
Sidnei Corrêa Marques
Tiago Couto Berriel
Chefes de Departamento (presentes em 19/7)
Andre Minella Departamento de Assuntos Internacionais
Ariosto Revoredo de Carvalho Departamento das Reservas Internacionais
Eduardo José Araújo Lima Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente em 20/7)
Flávio Túlio Vilela Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
João Henrique de Paula Freitas Simão Departamento de Operações do Mercado Aberto
Renato Jansson Rosek Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais
Tulio José Lenti Maciel Departamento Econômico
Demais participantes (presentes em 19/7)
Gustavo Paul Kurrle Assessor de Imprensa
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para
a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas
fixadas pelo Conselho Monetário Nacional para a inflação. Material suplementar a estas Notas, com
análise da evolução recente de indicadores da conjuntura econômica, está disponível no sítio do Banco
Central do Brasil (http://www.bcb.gov.br?COPOMMATSUP200).
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200ª Reunião do Copom
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A) Atualização da conjuntura
econômica e do cenário básico do
Copom
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1. Alguns indicadores divulgados desde a última
reunião do Copom mostram perspectiva de
estabilização da atividade econômica no curto prazo.
Em particular, há sinais de interrupção da queda do
investimento e da produção industrial. Estas
evidências de estabilização são corroboradas por
alguns sinais incipientes de melhora nas
perspectivas futuras da atividade econômica, como
os componentes de expectativas de índices de
confiança e expectativas de crescimento do PIB
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para 2017 apuradas pela pesquisa Focus.
2. Entretanto, a economia segue operando com
nível elevado de ociosidade dos fatores de
produção, refletido nos índices de utilização da
capacidade da indústria e, principalmente, na taxa de
desemprego.
3. No âmbito externo, à decisão do Reino Unido de
sair da União Europeia (“Brexit”), seguiu-se breve
período de oscilações nos preços de ativos nos
mercados financeiros. Sinalizações de estímulos
adicionais por parte de autoridades monetárias de
algumas economias centrais contribuíram para
estabilizar os mercados financeiros e criar um
ambiente de curto prazo relativamente benigno
para economias emergentes. No entanto, a dinâmica
da recuperação da economia global permanece
frágil, com incertezas quanto ao seu crescimento e
riscos deflacionários em importantes economias
desenvolvidas. Os possíveis desdobramentos
econômicos do Brexit contribuíram para um
aumento das incertezas de médio e longo prazos e
produziram revisões negativas das projeções de
crescimento para o Reino Unido e para a Zona do
Euro. Nos Estados Unidos, o FOMC
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tem sinalizado
que deverá proceder de forma mais gradual na
normalização de sua política monetária. Entretanto,
as trajetórias de juros sinalizadas por seus membros
continuam acima da trajetória inferida a partir de
instrumentos financeiros, o que pode levar a
correções adiante.
1
A menos de menção explícita em contrário, esta
atualização leva em conta as mudanças ocorridas desde a
reunião anterior do Copom.
2
Produto Interno Bruto.
3
Federal Open Market Committee.
4
Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo.
5
O Copom utiliza o termo “projeções condicionais” para
enfatizar que as projeções nos cenários de referência e de
4. Voltando à economia doméstica, índices de
preços mostraram inflação acima das expectativas
no curto prazo, resultado de elevação de preços de
alimentos e, talvez, de maior persistência da
inflação. Tais resultados contribuíram para um
aumento das expectativas apuradas pela pesquisa
Focus para a inflação medida pelo IPCA
4
para o ano
corrente, que se situam em torno de 7,25%. Já para
2017, as expectativas de inflação do IPCA reportadas
na mesma pesquisa apresentaram recuo de
aproximadamente 0,20 ponto percentual (p.p.)
desde a última reunião do Copom.
5. As projeções condicionais
5
nos cenários para a
inflação produzidos pelo Copom mantiveram-se
relativamente estáveis nos horizontes relevantes
6
para a condução da política monetária desde sua
última reunião, mas recuaram em relação às
projeções divulgadas no último Relatório de
Inflação.
6. Para o conjunto de preços administrados por
contrato e monitorados, projeta-se variação de 6,6%
em 2016, 0,2 p.p. abaixo do valor projetado na
reunião do Copom de junho. Para 2017, considera-se
variação de 5,3%, 0,3 p.p. acima do valor projetado
na última reunião.
7. O cenário de referência supõe, entre outras
hipóteses, taxas de juros e câmbio inalteradas em
14,25% ao ano (a.a.) e R$3,25/US$, respectivamente,
por todo o horizonte de projeção. Esse cenário
aponta para inflação em torno da meta de 4,5%
em 2017. Entretanto, cabe destacar que o mesmo
não ocorre sob as hipóteses do cenário de mercado,
que utiliza as trajetórias para taxas de juros e câmbio
apuradas pela pesquisa Focus. Nesse cenário, a
inflação para 2017 situa-se em torno de 5,3%.
8. Em resumo, o cenário básico do Comitê
contempla desinflação na economia brasileira nos
próximos anos. Para 2016, as projeções sob as
hipóteses dos cenários de referência e de mercado
apontam para inflação em torno de 6,75%. Para
2017, a desinflação até a meta ocorre sob as
hipóteses do cenário de referência. Entretanto, no
cenário de mercado, a desinflação ocorre em
velocidade aquém da perseguida pelo Comitê.
mercado dependem de hipóteses condicionantes para as
trajetórias futuras das taxas de juros e câmbio, dentre
outras variáveis.
6
O Copom utiliza o termo “horizontes relevantes” para a
condução da política monetária para se referir ao período
de tempo até que uma alteração nas condições monetárias
implementada num dado momento produza o máximo
efeito estimado sobre a inflação.
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200ª Reunião do Copom
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B) Riscos em torno do cenário básico
para a inflação
9. Há riscos de curto prazo para a inflação no Brasil.
A elevação recente nos preços de alimentos pode se
mostrar persistente, dado o processo de
transmissão dos preços do atacado para o varejo. Em
contrapartida, o período sazonalmente favorável
pode contribuir para uma reversão rápida desses
preços.
10. Adicionalmente, por um lado, períodos
prolongados de inflação alta e expectativas acima da
meta, como na experiência brasileira recente,
tendem a reforçar mecanismos inerciais e tornar o
processo de desinflação mais lento e custoso. Nesse
contexto, uma maior persistência inflacionária
requer uma persistência maior da política monetária.
Por outro lado, o processo contínuo de distensão do
mercado de trabalho e a desaceleração significativa
da atividade econômica podem, a princípio, produzir
uma desinflação mais rápida (por exemplo, no setor
de serviços) do que a refletida nas expectativas de
inflação medidas pela pesquisa Focus e nas
projeções condicionais produzidas pelo Copom.
11. O processo de implantação dos ajustes
necessários na economia, inclusive de natureza
fiscal, apresenta-se, ao mesmo tempo, como um
risco e uma oportunidade para o processo
desinflacionário em curso. Os riscos se
apresentariam caso houvesse percepção de que os
ajustes seriam abandonados, ou postergados
significativamente. Nesse cenário, o processo
desinflacionário tenderia a ser mais lento,
aumentando os custos de levar a inflação para a
meta. Por outro lado, os ajustes necessários na
economia podem ser aprovados e implementados
de forma mais célere, permitindo ganhos de
confiança e queda das expectativas de inflação.
Nesse caso, a redução de incertezas potencializaria
os efeitos do ajuste monetário em curso.
12. riscos inerentes à condução da política
monetária. Esta tem impacto sobre a economia com
defasagens longas, variáveis e incertas. Devido à
substancial incerteza associada a projeções de
inflação nos horizontes relevantes para a condução
da política monetária, em grande medida decorrente
da incidência natural de choques favoráveis e
desfavoráveis na economia ao longo do tempo, é de
se esperar que, mesmo sob condução apropriada da
política monetária, a inflação realizada oscile em
torno da meta. O Comitê deve procurar conduzir a
política monetária de modo que suas projeções de
inflação, inclusive no cenário de mercado, apontem
inflação na meta nos horizontes relevantes.
C) Discussão sobre a condução da
política monetária
13. Os membros do Comitê concordaram que houve
melhora perceptível do cenário macroeconômico e
que indicadores recentes mostram perspectiva de
estabilização da atividade econômica no curto prazo.
Essa perspectiva é corroborada pela melhora de
alguns indicadores prospectivos da atividade
econômica. Em relação à inflação, os membros do
Comitê também concordaram que houve
progressos. Entretanto, a desinflação em curso tem
procedido em velocidade aquém da almejada. Há
perspectiva de progresso nesta dimensão,
corroborada pela queda de medidas das
expectativas de inflação para 2017 e 2018.
14. No que tange à conjuntura internacional, alguns
membros do Comitê mostraram-se relativamente
otimistas no curto prazo em relação ao ambiente
para ativos de economias emergentes. Os mercados
financeiros reagiram positivamente às
possibilidades de estímulos adicionais sinalizadas
por algumas autoridades monetárias centrais após o
Brexit. Isso sugere que políticas monetárias retêm
capacidade de prover estímulo, a despeito dos níveis
das taxas de juros nas principais economias mundiais
e do tamanho dos balanços dos principais bancos
centrais. Essa possibilidade de estímulos adicionais
criou, de fato, um interregno benigno para os
referidos ativos.
15. Entretanto, todos os membros do Comitê
destacaram a presença de riscos de médio e longo
prazos no âmbito externo, associados à fragilidade
da recuperação da economia global. Em algumas
economias centrais, fatores não econômicos podem
constituir riscos de cauda. Apesar dos sinais recentes
mais tranquilizadores por parte do FOMC, todos os
membros do Comitê concordaram sobre a
necessidade de se monitorar o ritmo de
normalização da política monetária nos Estados
Unidos. Por último, alguns membros ponderaram
que o eventual fim do interregno benigno para
economias emergentes pode constituir um risco em
si mesmo.
16. Todos os membros do Comitê enfatizaram que
a continuidade dos esforços para aprovação e
implementação dos ajustes na economia,
notadamente no que diz respeito a reformas fiscais,
é fundamental para facilitar e reduzir o custo do
processo de desinflação. Não houve consenso sobre
a velocidade desses ajustes, o que sugere que
constituem, ao mesmo tempo, um risco e uma
oportunidade. Todos concordaram que as
implicações do processo de ajustes na economia
para a dinâmica da inflação dependem não somente
dos impactos de medidas de curto prazo sobre a
demanda agregada, mas também da percepção de
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200ª Reunião do Copom
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melhora da dinâmica das contas públicas no médio e
longo prazos. Os membros do Comitê ressaltaram
que o ajuste das contas públicas pode envolver
medidas com impactos diretos desfavoráveis sobre
a inflação, e que esse é um risco a ser monitorado.
17. O debate sobre o balanço de riscos para a
inflação focou, ainda, no grau de confiança na
desinflação em curso. Em horizontes mais próximos,
a ênfase foi no aumento recente dos preços de
alimentos e na discrepância de aproximadamente
0,5 p.p. entre as expectativas de inflação apuradas
pela pesquisa Focus e as projeções produzidas pelo
Copom para o ano corrente. Em horizontes mais
longos, os membros do Comitê debateram os
impactos do nível de ociosidade na economia e da
inflação corrente ainda elevada. Em particular,
destacaram as possíveis implicações dessa
conjuntura para a sensibilidade da inflação,
principalmente dos preços de serviços, ao nível de
ociosidade da economia e para a dinâmica da
inflação, notadamente o seu componente inercial.
Alguns membros ponderaram que, diante da
desaceleração econômica observada até aqui,
esperava-se uma queda maior da inflação. Outros
membros chamaram a atenção para a desinflação de
serviços observada. Alguns membros do Comitê
esperam que os efeitos desinflacionários do nível de
ociosidade na economia ainda possam vir a se
manifestar de maneira mais intensa.
18. Nesse contexto, todos os membros do Comitê
reconheceram progressos em relação às
perspectivas de desinflação da economia brasileira,
mas demonstraram preocupação com medidas de
expectativas de inflação apuradas pela pesquisa
Focus acima da meta para 2017 e com projeções do
Comitê para a inflação que se situam acima da meta
em horizontes de 18 ou mais meses, sob as hipóteses
do cenário de mercado.
D) Decisão de política monetária
19. O Copom concluiu que, tomados em conjunto, o
cenário básico e o atual balanço de riscos indicam
não haver espaço para flexibilização da política
monetária.
20. Diante disso, o Copom decidiu, por unanimidade,
manter a taxa Selic em 14,25% a.a., sem viés.
Votaram por essa decisão os seguintes membros do
Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Anthero de
Moraes Meirelles, Carlos Viana de Carvalho, Isaac
Sidney Menezes Ferreira, Luiz Edson Feltrim, Otávio
Ribeiro Damaso, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa
Marques e Tiago Couto Berriel.