Sumário
Data: 20 e 21/1/2015
Local: Sala de reuniões do 8º andar (20/1) e do 20º
andar (21/1) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF
Horário de início: 16h12 (20/1) e 16h14 (21/1)
Horário de término: 19h59 (20/1) e 19h19
(21/1)
Presentes:
Membros do Copom
Alexandre Antonio
Tombini – Presidente
Aldo
Luiz Mendes
Altamir
Lopes
Anthero
de Moraes Meirelles
Carlos
Hamilton Vasconcelos Araújo
Luiz
Awazu Pereira da Silva
Luiz
Edson Feltrim
Sidnei
Corrêa Marques
Chefes de Departamento (presentes em 20/1)
Bruno Walter Coelho
Saraiva – Departamento de Assuntos Internacionais
Daso Maranhão Coimbra
– Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
Eduardo José Araújo
Lima – Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente em 21/1)
João Henrique de
Paula Freitas Simão – Departamento de Operações do Mercado Aberto
Márcio Barreira de
Ayrosa Moreira – Departamento das Reservas Internacionais
Renato Jansson Rosek
– Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais
Tulio José Lenti
Maciel – Departamento Econômico
Demais participantes (presentes em 20/1)
Gustavo Paul Kurrle –
Assessor de Imprensa
Otávio Ribeiro Damaso
– Chefe de Gabinete da Presidência
Os membros do Copom
analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e
para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária,
cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
Evolução recente da
economia
1.
A
inflação medida pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo
(IPCA) foi de 0,78% em dezembro, 0,27 ponto percentual (p.p.) acima da
registrada no mês anterior. Dessa forma, a inflação acumulada em 2014 atingiu
6,41% (5,91% em 2013), com os preços livres aumentando 6,72% (7,29% em 2013), e
os administrados, 5,32% (1,54% em 2013). Especificamente sobre preços livres,
os de itens comercializáveis aumentaram 5,95% em 2014 (6,01% em 2013), e os de
não comercializáveis, 7,43% (8,43% em 2013). Note-se ainda que os preços no
segmento de alimentos e bebidas aumentaram 8,03% em 2014 (8,48% em 2013), e os
dos serviços, 8,33% (8,75% em 2013). Em síntese, as informações disponíveis
sugerem certa persistência da inflação, o que se reflete, em parte, na dinâmica
dos preços no segmento de serviços.
2.
A
média das variações mensais das medidas de inflação subjacente, calculadas pelo
Banco Central, deslocou-se de 0,34% em novembro para 0,66% em dezembro, e,
assim, a variação acumulada em doze meses atingiu 6,32% (0,04 p.p. acima da
registrada em dezembro de 2013). Especificamente, o núcleo por dupla ponderação
deslocou-se de 0,38% em novembro para 0,68% em dezembro; o núcleo por exclusão
de monitorados e de alimentação no domicílio, de 0,31% para 0,87%; o núcleo por
exclusão, que descarta dez itens de alimentação no domicílio, bem como
combustíveis, de 0,33% para 0,73%; o núcleo por médias aparadas sem suavização,
de 0,32% para 0,53%; e o núcleo por médias aparadas com suavização, de 0,38%
para 0,49%. O índice de difusão situou-se em 68,4% em dezembro (1,0 p.p. abaixo
do registrado em dezembro de 2013).
3.
O
Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) aumentou 1,14% em novembro
e 0,38% em dezembro, com variação acumulada em doze meses se posicionando em 3,78%
(5,52% em dezembro de 2013). O principal componente do IGP-DI, o Índice de
Preços ao Produtor Amplo (IPA), variou 2,15% em doze meses (5,07% em dezembro
de 2013), 4,40% no segmento de produtos agropecuários e 1,32% no de produtos
industriais. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), segundo componente mais
importante do IGP-DI, aumentou 6,86% em doze meses até dezembro (5,64% em dezembro
de 2013); e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), componente de
menor peso no IGP-DI, 6,94% (8,09% em dezembro de 2013), em parte, reflexo de
pressões de custos de mão de obra, que variaram 8,49% no período. Por sua vez,
o Índice de Preços ao Produtor/Indústria de Transformação (IPP/IT), calculado
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), avançou 1,16% em novembro,
com variação em doze meses de 4,56%. O Copom avalia que os efeitos do
comportamento dos preços no atacado sobre a inflação ao consumidor dependerão
das condições atuais e prospectivas da demanda e das expectativas dos
formadores de preços em relação à trajetória da inflação.
4.
O
Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) incorpora estimativas
para a produção mensal dos três setores da economia, bem como para impostos
sobre produtos, e constitui importante indicador coincidente da atividade
econômica. Em novembro de 2014, o IBC-Br recuou 1,30% em relação a novembro de
2013 e, ajustado sazonalmente, 0,04% em relação a outubro de 2014. O Purchasing Managers’ Index (PMI)
composto para o Brasil se deslocou de 48,1 em novembro para 49,2 em dezembro; nível
este que sugere contração da atividade. Por sua vez, o Índice de Confiança do
Consumidor (ICC), da Fundação Getulio Vargas (FGV), avançou 0,9% em dezembro.
Apesar da evolução favorável na margem, o índice continua em nível baixo em
termos históricos. Já o Índice de Confiança de Serviços (ICS) avançou 1,3%
entre novembro e dezembro de 2014, enquanto o Índice de Confiança da Indústria
(ICI) recuou 1,5% em dezembro, influenciado pela piora das avaliações em
relação à situação atual. No que se refere à agricultura, o Levantamento
Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do IBGE, projetava, em dezembro,
crescimento de 5,2% na produção de grãos em 2015, em relação à de 2014.
5.
A
atividade fabril recuou 0,7% em novembro, após avançar 0,1% em outubro, de
acordo com a série livre de influências sazonais, divulgada pelo IBGE. Assim, o
setor industrial acumula variação negativa de 3,2% até novembro de 2014. Na
série sem ajuste sazonal, a produção industrial diminuiu 5,8% em novembro, em
relação ao mesmo mês do ano anterior, com resultados negativos nas quatro
categorias de uso e em 22 dos 26 ramos pesquisados. De acordo com dados
divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o faturamento real da
indústria de transformação recuou 4,9% de outubro para novembro, de acordo com
a série livre de influências sazonais, e encontra-se em nível 4,8% menor do que
o registrado em novembro de 2013. O indicador PMI do setor industrial, por seu
turno, avançou para 50,2 em dezembro, retornando ao intervalo de crescimento.
6.
Entre
as categorias de uso, comparando-se a produção de outubro e novembro, de acordo
com a série com ajuste sazonal, bens de consumo duráveis (-2,1%) e bens de
consumo semi e não duráveis (-1,3%) registraram recuos mais acentuados. O setor
de bens de capital observou redução de 0,2%, enquanto o setor de bens
intermediários registrou estabilidade. Comparando-se a produção de novembro com
a do mesmo mês de 2013, houve redução nas quatro categorias: bens de consumo
duráveis (-11,0%), bens de capital (-9,7%), bens intermediários (-5,8%) e bens
de consumo semi e não duráveis (-3,1%).
7.
A
taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa
Mensal de Emprego (PME) situou-se em 4,8% em novembro, com aumento de 0,1 p.p.
em relação ao mês anterior e de 0,2 p.p. em relação a novembro de 2013. Dados
divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram geração de 8,4
mil postos de trabalho formais em novembro, pior resultado para o mês desde 2008.
Em suma, dados disponíveis indicam estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho,
embora alguns dados apontem processo de acomodação.
8.
De
acordo com dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE, o
volume de vendas do comércio varejista restrito avançou 1,0% em novembro, em
relação ao mesmo mês do ano anterior. Por sua vez, o volume de vendas do
comércio ampliado, que inclui o setor automobilístico e o setor de materiais de
construção, diminuiu 2,7% em novembro, na mesma base de comparação. As
variações mensais foram de 0,9% e de 1,2%, respectivamente, de acordo com as
séries dessazonalizadas. Em doze meses, a taxa de crescimento do comércio restrito
alcançou 2,6%, e a do ampliado, -1,2%, com expansão em 7 dos 10 segmentos
pesquisados. O Índice de Confiança do Comércio (ICOM), medido pela FGV, recuou 1,5%
em dezembro, refletindo a insatisfação com o desempenho deste final de ano. O
Copom avalia que a trajetória do comércio continuará sendo influenciada pelas
transferências governamentais, pelo ritmo de crescimento da massa salarial real
e pela expansão moderada do crédito.
9.
O
Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de
transformação, calculado pela FGV, sem ajuste sazonal, alcançou 81,9% em dezembro
e, na série dessazonalizada, 81,3%. Entre as categorias de uso da indústria, de
acordo com as séries com ajuste sazonal, as que mostram Nuci mais elevado são as
de material para construção (88,2%) e as de bens intermediários (82,6%),
seguidas pelas de bens de consumo duráveis (81,6%), de capital (78,3%) e de
consumo não duráveis (76,3%). Por sua vez, a absorção de bens de capital recuou
9,4% no período de doze meses encerrado em novembro.
10. O deficit da balança comercial atingiu US$3,9
bilhões em doze meses até dezembro. Esse resultado adveio de exportações de
US$225,1 bilhões e de importações de US$229,0 bilhões, com recuo de 7,0% e de 4,4%,
respectivamente, em relação ao acumulado até dezembro de 2013. Por sua vez, o deficit em transações correntes
acumulado em doze meses atingiu US$88,7 bilhões em novembro, equivalente a 4,0%
do Produto Interno Bruto (PIB). Já os investimentos estrangeiros diretos
totalizaram US$62,3 bilhões na mesma base de comparação, equivalentes a 2,8% do
PIB.
11. No que se refere à
economia global, indicadores antecedentes apontam, no horizonte relevante para
a política monetária, crescimento compatível com a tendência em importantes
economias maduras e emergentes. Particularmente sobre a Europa, em que pesem ações
de política monetária recentes, altas taxas de desemprego, aliadas à
consolidação fiscal e a incertezas políticas, constituem elementos de contenção
de investimentos e do crescimento. Em relação à política monetária, de modo
geral, nas economias maduras e emergentes prevalecem posturas acomodatícias. As
taxas de inflação permanecem em níveis baixos nas economias maduras e em níveis
relativamente elevados nas emergentes.
12. O preço do barril de
petróleo do tipo Brent recuou desde a
reunião anterior do Copom e atingiu patamares abaixo de US$50. Cabe ressaltar
que a complexidade geopolítica que envolve o setor de petróleo tende a acentuar
o comportamento volátil dos preços, que é reflexo, também, da baixa
previsibilidade de alguns componentes da demanda global e oferta. Desde a
reunião anterior do Copom, os preços internacionais das commodities agrícolas e metálicas recuaram 8,63% e 5,04%,
respectivamente. Por sua vez, o Índice de Preços de Alimentos, calculado pela
Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), recuou 8,5%
em doze meses até dezembro de 2014.
Avaliação
prospectiva das tendências da inflação
13.
Os choques identificados, e seus impactos, foram
reavaliados de acordo com o novo conjunto de informações disponível.
14.
Para o conjunto de preços administrados por contrato
e monitorados, projeta-se variação de 9,3% em 2015, ante 6,0% considerados na
reunião do Copom de dezembro. Entre outros fatores, essa projeção considera hipótese
de elevação de 8% no preço da gasolina, em grande parte, reflexo de incidência da
Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e da PIS/COFINS; de 3,0%
no preço do gás de bujão; de 0,6% nas tarifas de telefonia fixa; e de 27,6% nos
preços da energia elétrica,
devido ao repasse às tarifas do custo de operações de financiamento,
contratadas em 2014, da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). Os itens para os quais se dispõe de mais
informações foram projetados individualmente e, para os demais, as projeções se
baseiam em modelos de determinação endógena de preços administrados, que
consideram, entre outras variáveis, componentes sazonais, inflação de preços
livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP). Com base nesses
modelos, projeta-se, para o conjunto dos preços administrados por contrato e
monitorados, variação de 5,1% em 2016, ante 5,2% considerados na reunião do
Comitê de dezembro.
15.
A trajetória estimada para a taxa do swap pré-DI de 360 dias indica spread sobre a taxa Selic, no cenário de
referência, de 9 pontos base (p.b.) e de 19 p.b. para o quarto trimestre de
2015 e de 2016, respectivamente.
16.
Considera-se como indicador fiscal o superavit primário estrutural que deriva
das trajetórias de superavit primário
de 1,2% do PIB em 2015 e de 2% do PIB em 2016. Cabe destacar, ainda, que, em
determinado período, o impulso fiscal equivale à variação do superavit estrutural em relação ao
observado no período anterior.
17.
Desde a última reunião do Copom, a mediana das
projeções coletadas pelo Departamento de Relacionamento com Investidores e
Estudos Especiais (Gerin) para a variação do IPCA em 2015 passou de 6,49% para
6,72% e, para 2016, de 5,70% para 5,60%.
18. O cenário de referência leva em conta as hipóteses de manutenção da taxa
de câmbio em R$2,65/US$ e da taxa Selic em 11,75% ao ano (a.a.) em todo o
horizonte relevante. Nesse cenário, a projeção para a inflação de 2015 aumentou
em relação ao valor considerado na reunião anterior e permanece acima da meta
de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado,
que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros coletadas pelo Gerin com
analistas de mercado, no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a
projeção de inflação para 2015 também se elevou em relação ao valor considerado
na reunião de dezembro e permanece acima da meta para a inflação. Para 2016, a
projeção de inflação permaneceu relativamente estável, tanto no cenário de
referência quanto no de mercado, em ambos os casos, acima da meta de 4,5%
fixada pelo CMN.
Implementação
da política monetária
19. O Copom ressalta que
a evidência internacional, no que é ratificada pela experiência brasileira,
indica que taxas de inflação elevadas geram distorções que levam a aumentos dos
riscos e deprimem os investimentos. Essas distorções se manifestam, por exemplo,
no encurtamento dos horizontes de planejamento das famílias, empresas e
governos, bem como na deterioração da confiança de empresários. O Comitê
enfatiza, também, que taxas de inflação elevadas subtraem o poder de compra de
salários e de transferências, com repercussões negativas sobre a confiança e o
consumo das famílias. Por conseguinte, taxas de inflação elevadas reduzem o
potencial de crescimento da economia, bem como de geração de empregos e de
renda.
20. À vista disso, o
Copom avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um
ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Nesse sentido,
reitera que, no regime de metas para a inflação, orienta suas decisões de
acordo com os valores projetados para a inflação pelo Banco Central e com base
na análise de cenários alternativos para a evolução das principais variáveis
que determinam a dinâmica dos preços. O Comitê entende, também, que riscos
baixos para a inflação subjacente no curto prazo tendem a reduzir incertezas em
relação ao comportamento futuro da inflação plena, facilitam a avaliação de
cenários por parte da autoridade monetária, assim como auxiliam no processo de
coordenação de expectativas dos agentes econômicos, em particular, dos
formadores de preços. Note-se, adicionalmente, que riscos baixos para a
inflação subjacente no curto prazo tendem a potencializar os efeitos das ações
de política monetária, fazendo com que elas possam afetar, de forma mais
duradoura, a dinâmica da inflação plena no futuro. Embora reconheça que outras
ações de política macroeconômica podem influenciar a trajetória dos preços, o
Copom reafirma sua visão de que cabe especificamente à política monetária
manter-se especialmente vigilante, para garantir que pressões detectadas em
horizontes mais curtos não se propaguem para horizontes mais longos.
21. O Copom considera
que, desde sua última reunião, permaneceram elevados os riscos para a
estabilidade financeira global, a exemplo dos derivados de mudanças na
inclinação da curva de juros em importantes economias maduras. Apesar de
identificar baixa probabilidade de ocorrência de eventos extremos nos mercados
financeiros internacionais, o Comitê pondera que o ambiente externo permanece
complexo. Para o Comitê, não obstante em 2014 as taxas de crescimento de
importantes economias terem sido menores do que se antecipava, prevalece
tendência de atividade global mais intensa ao longo do horizonte relevante para
a política monetária. Nesse sentido, as perspectivas indicam recuperação da
atividade em algumas economias maduras e intensificação do ritmo de crescimento
em outras, apesar de nessas economias, de modo geral, permanecer limitado o
espaço para utilização de política monetária e prevalecer cenário de restrição
fiscal. Importantes economias emergentes experimentam período de transição e,
por conseguinte, de moderação no ritmo de atividade, em que pese a resiliência
da demanda doméstica.
22. Ainda sobre os
mercados financeiros internacionais, o Copom destaca evidências de focos de
volatilidade nos mercados de moedas e moderação na dinâmica dos preços de commodities nos mercados internacionais.
Especificamente sobre o petróleo, o Comitê assinala que, independentemente do
comportamento dos preços domésticos da gasolina, a evolução dos preços
internacionais tende a se transmitir à economia doméstica tanto por meio de
cadeias produtivas como a petroquímica, quanto por intermédio das expectativas
de inflação.
23. O Copom pondera que
as taxas de crescimento da absorção interna e do PIB se alinharam e que o ritmo
de expansão da atividade doméstica este ano será inferior ao potencial. Para o
Comitê, o ritmo de atividade tende a se intensificar na medida em que a
confiança de firmas e famílias se fortaleça. Além disso, o Comitê avalia que,
no médio prazo, mudanças importantes devem ocorrer na composição da demanda e
da oferta agregada. O consumo tende a crescer em ritmo moderado; e os
investimentos tendem a ganhar impulso. Essas mudanças, somadas a outras ora em
curso, antecipam uma composição do crescimento de médio prazo mais favorável ao
crescimento potencial. No que se refere ao componente externo da demanda
agregada, o cenário de maior crescimento global, combinado com a depreciação do
real, milita no sentido de torná-lo mais favorável ao crescimento da economia
brasileira. Pelo lado da oferta, o Comitê avalia que, em prazos mais longos,
emergem perspectivas mais favoráveis à competitividade da indústria, e também
da agropecuária; o setor de serviços, por sua vez, tende a crescer a taxas
menores do que as registradas em anos recentes. Para o Comitê, é plausível
afirmar que esses desenvolvimentos – somados a avanços na qualificação da mão
de obra e ao programa de concessão de serviços públicos – traduzir-se-ão numa
alocação mais eficiente dos fatores de produção da economia e em ganhos de
produtividade.
24. O Copom observa que o
cenário central para a inflação leva em conta a materialização das trajetórias
com as quais trabalha para as variáveis fiscais. O Comitê pondera que, no
horizonte relevante para a política monetária, o balanço do setor público tende
a se deslocar para a zona de neutralidade, e não descarta a hipótese de migração
para a zona de contenção. O Comitê nota ainda que a geração de superavit primários compatíveis com as
hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação contribuirá para
criar uma percepção positiva sobre o ambiente macroeconômico no médio e no
longo prazo. Destaca, também, que essa trajetória de superavit primários fortalecerá a percepção de sustentabilidade do
balanço do setor público. Assim, contribui para diminuir o custo de
financiamento da dívida pública, com repercussões favoráveis sobre o custo de
capital de modo geral, em última instância, estimulando o investimento privado
no médio e no longo prazo. Especificamente sobre o combate a inflação, o Comitê
destaca que a literatura e as melhores práticas internacionais recomendam um desenho
de política fiscal consistente e sustentável, de modo a permitir que as ações
de política monetária sejam plenamente transmitidas aos preços.
25. O Copom destaca que o
cenário central também contempla expansão moderada do crédito. A esse respeito,
importa destacar que, após anos em forte expansão – arrefecida com a introdução
de medidas macroprudenciais em finais de 2010 –, o mercado de crédito voltado
ao consumo passou por moderação, de modo que, nos últimos trimestres,
observaram-se, de um lado, redução de exposição por parte de bancos, de outro,
desalavancagem das famílias. No agregado, portanto, infere-se que os riscos no segmento
de crédito ao consumo vêm sendo mitigados. Em outra dimensão, a exemplo de
ações recentemente implementadas, o Comitê considera oportunas iniciativas no
sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de
crédito.
26. No mercado de
fatores, o Copom destaca a estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho
e pondera que, em tais circunstâncias, um risco significativo reside na
possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o
crescimento da produtividade e suas repercussões negativas sobre a inflação.
Não obstante a concessão, este ano, de reajuste para o salário mínimo não tão
expressivo quanto em anos anteriores, bem como a ocorrência de variações reais
de salários mais condizentes com as estimativas de ganhos de produtividade do
trabalho, o Comitê avalia que a dinâmica salarial ainda permanece originando
pressões inflacionárias de custos.
27. Para o Copom, o fato
de a inflação atualmente se encontrar em patamares elevados reflete, em parte,
a ocorrência de dois importantes processos de ajustes de preços relativos na
economia – realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais e
realinhamento dos preços administrados em relação aos livres. O Comitê considera
ainda que, desde sua última reunião, entre outros fatores, a intensificação desses
ajustes de preços relativos na economia tornou o balanço de riscos para a
inflação menos favorável. Nesse contexto, o Comitê não descarta a ocorrência de
cenário que contempla elevação da inflação no curto prazo, antecipa que a
inflação tende a permanecer elevada em 2015, porém, ainda este ano entra em
longo período de declínio. Ao tempo em que reconhece que esses ajustes de
preços relativos têm impactos diretos sobre a inflação, o Comitê reafirma sua
visão de que a política monetária pode e deve conter os efeitos de segunda
ordem deles decorrentes.
28. Diante do acima
exposto, avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação,
o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 0,50 p.p., para 12,25%
a.a., sem viés.
29. Votaram por essa
decisão os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini (Presidente),
Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton
Vasconcelos Araújo, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim e Sidnei
Corrêa Marques.
30. O Copom avalia que a
demanda agregada tende a se apresentar relativamente robusta no horizonte
relevante para a política monetária. De um lado, o consumo das famílias tende a
registrar ritmo moderado de expansão, devido a fatores como o crescimento da renda
e a expansão moderada do crédito; de outro, condições financeiras relativamente
favoráveis, notadamente no caso de financiamento imobiliário, concessão de
serviços públicos, ampliação das áreas de exploração de petróleo, entre outros,
tendem a favorecer os investimentos. Por sua vez, as exportações tendem a ser
beneficiadas pelo cenário de maior crescimento de importantes parceiros
comerciais e pela depreciação do real. Para o Comitê, esses elementos e os
desenvolvimentos no âmbito parafiscal e no mercado de ativos são partes
importantes do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão
tomadas, com vistas a assegurar, no próximo ano, a convergência da inflação
para a meta de 4,5% estabelecida pelo CMN.
31. A propósito, o Copom avalia
que o cenário de convergência da inflação para 4,5% em 2016 tem se fortalecido.
Para o Comitê, contudo, os avanços alcançados no combate à inflação – a exemplo
de sinais benignos vindos de indicadores de expectativas de médio e longo prazo
– ainda não se mostram suficientes.
32. Ao final da reunião,
foi registrado que o Comitê voltará a se reunir em 3 de março de 2015, para as
apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar sobre a política
monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado nº 26.042, de 24 de junho de
2014.