Sumário
Data: 2 e 3/9/2014
Local: Sala de reuniões do 8º andar (2/9) e do 20º
andar (3/9) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF
Horário de início: 16h19 (2/9) e 16h43 (3/9)
Horário de término: 19h28 (2/9) e 19h22
(3/9)
Presentes:
Membros do Copom
Alexandre Antonio
Tombini – Presidente
Aldo
Luiz Mendes
Altamir
Lopes
Anthero
de Moraes Meirelles
Carlos
Hamilton Vasconcelos Araújo
Luiz
Awazu Pereira da Silva
Luiz
Edson Feltrim
Sidnei
Corrêa Marques
Chefes de Departamento (presentes em 2/9)
Bruno Walter Coelho
Saraiva – Departamento de Assuntos Internacionais
Daso Maranhão Coimbra
– Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
Eduardo José Araújo
Lima – Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente em 3/9)
João Henrique de
Paula Freitas Simão – Departamento de Operações do Mercado Aberto
Márcio Barreira de
Ayrosa Moreira – Departamento das Reservas Internacionais
Renato Jansson Rosek
– Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais
Tulio José Lenti
Maciel – Departamento Econômico
Demais participantes (presentes em 2/9)
Gustavo Paul Kurrle –
Assessor de Imprensa
Otávio Ribeiro Damaso
– Chefe de Gabinete da Presidência
Rodrigo Lage de
Araújo – Coordenador do Departamento Econômico
Os membros do Copom analisaram
a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para a
economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo
objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
Evolução recente da
economia
1.
A
inflação medida pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo
(IPCA) atingiu 0,01% em julho, 0,02 ponto percentual (p.p.) abaixo da
registrada em julho de 2013 e 0,39 p.p. abaixo da registrada em junho de 2014.
Dessa forma, a inflação acumulada em doze meses se deslocou para 6,50% em julho
(6,27% em julho de 2013), com preços livres aumentando 7,07% (7,86% em julho de
2013), e preços administrados, 4,63% (1,31% em julho de 2013). Especificamente
sobre preços livres, os de itens comercializáveis aumentaram 7,11% em doze
meses (6,81% em julho de 2013), e os de não comercializáveis, 7,04% (8,80% em julho
de 2013). Note-se ainda que os preços no segmento de alimentos e bebidas
aumentaram 7,70% em doze meses até julho (11,41% em julho de 2013), e os dos
serviços, 8,45% (8,48% até julho de 2013). Em síntese, as informações
disponíveis sugerem certa persistência da inflação, o que reflete, em parte, a
dinâmica dos preços no segmento de serviços.
2.
A
média das variações mensais das medidas de inflação subjacente, calculadas pelo
Banco Central, deslocou-se de 0,62% em junho para 0,19% em julho, e, assim, a
variação acumulada em doze meses atingiu 6,66% (0,40 p.p. acima da registrada
em julho de 2013). Especificamente, o núcleo por dupla ponderação deslocou-se
de 0,61% em junho para 0,21% em julho; o núcleo por exclusão de monitorados e
de alimentação no domicílio, de 0,73% para 0,01%; o núcleo por exclusão, que
descarta dez itens de alimentação no domicílio, bem como combustíveis, de 0,71%
para 0,19%; o núcleo por médias aparadas sem suavização, de 0,47% para 0,17%; e
o núcleo por médias aparadas com suavização, de 0,56% para 0,35%. O índice de
difusão situou-se em 59,0% em julho (3,9 p.p. acima do registrado em julho de
2013).
3.
O
Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), após recuar 0,63% em
junho, diminuiu 0,55% em julho, com variação acumulada em doze meses de 5,05% (4,84%
em julho de 2013). O principal componente do IGP-DI, o Índice de Preços ao
Produtor Amplo (IPA), variou 3,97% em doze meses (4,02% em julho de 2013), 1,88%
no segmento de produtos agropecuários e 4,76% no de produtos industriais. O
Índice de Preços ao Consumidor (IPC), segundo componente mais importante do
IGP-DI, aumentou 6,85% em doze meses até julho (5,80% em julho de 2013); e o
Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), componente de menor peso no
IGP-DI, 7,51% (7,80% em julho de 2013), em parte, reflexo de pressões de custos
de mão de obra, que variaram 8,48% no período. Por sua vez, o Índice de Preços
ao Produtor/Indústria de Transformação (IPP/IT), calculado pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), diminuiu 0,29% em julho, com
variação em doze meses de 3,45%. O Copom avalia que os efeitos do comportamento
dos preços no atacado sobre a inflação ao consumidor dependerão das condições
atuais e prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de preços em
relação à trajetória da inflação.
4.
O
Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) incorpora estimativas
para a produção mensal dos três setores da economia, bem como para impostos
sobre produtos, e constitui importante indicador coincidente da atividade
econômica. Em junho de 2014, o IBC-Br variou -2,15% em relação a junho de 2013
e, ajustado sazonalmente, -1,48% em relação ao mês anterior. O Purchasing Managers’ Index (PMI)
composto para o Brasil atingiu 49,6 em agosto, indicando declínio marginal na
produção do setor privado pelo quinto mês consecutivo, com o primeiro aumento
na produção do setor industrial desde março sendo parcialmente contrabalançado
pela queda moderada na atividade do setor de serviços. Por sua vez, o Índice de
Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getulio Vargas (FGV), após avançar
por dois meses, recuou 4,3% em agosto, atingindo o menor patamar desde abril de
2009. Já o Índice de Confiança da Indústria (ICI) e o Índice de Confiança de
Serviços (ICS), ambos da FGV, recuaram em agosto pelo oitavo mês consecutivo e
encontram-se no menor patamar desde abril de 2009. No que se refere à
agricultura, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do IBGE,
projeta, em julho, crescimento de 2,6% na produção de grãos em 2014, em relação
a 2013.
5.
O
Produto Interno Bruto (PIB) a preços de mercado contraiu 0,6% no segundo trimestre
de 2014, após recuar 0,2% no trimestre anterior, de acordo com dados
dessazonalizados pelo IBGE. Na comparação com o mesmo trimestre do ano
anterior, a variação foi de -0,9% no segundo trimestre (1,9% no primeiro
trimestre). Sob a ótica da demanda agregada, o consumo das famílias avançou 0,3%
no segundo trimestre de 2014 ante o trimestre anterior, de acordo com dados
dessazonalizados, e 1,2% em relação ao mesmo trimestre de 2013. Por sua vez, o
consumo do governo recuou 0,7% na margem e cresceu 0,9% em relação ao mesmo
trimestre do ano anterior. Já a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) recuou 5,3%
em relação ao trimestre anterior e 11,2% em relação ao mesmo trimestre de 2013.
6.
Após
cinco meses consecutivos de queda, a atividade fabril cresceu 0,7% em julho, de
acordo com a série livre de influências sazonais, divulgada pelo IBGE. Na série
sem ajuste sazonal, houve diminuição de 3,6% em julho em relação ao mesmo mês
do ano anterior. Assim, o setor industrial acumula variação negativa de 2,8% no
ano. Na comparação com igual mês do ano anterior, foram observados resultados
negativos em 3 das 4 grandes categorias econômicas e em 16 dos 26 ramos
pesquisados. De acordo com dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria
(CNI), o faturamento real da indústria de transformação caiu 5,7% de maio para junho
de 2014, de acordo com a série livre de influências sazonais. O indicador PMI
do setor industrial, por seu turno, aponta, em agosto, a primeira expansão em
cinco meses.
7.
Entre
as categorias de uso, comparando-se os níveis de produção de julho com os
registrados em junho, de acordo com a série com ajuste sazonal, o maior avanço ocorreu
em bens de consumo duráveis (20,3%), seguido por bens de capital (16,7%) e bens
de consumo semi e não duráveis (0,7%). Por outro lado, ocorreu queda em bens intermediários
(0,3%). Comparando-se os níveis de produção de julho com os registrados no
mesmo mês de 2013, observa-se avanço apenas na produção de bens semi e não
duráveis (0,6%). Já os setores de bens duráveis, bens de capital e bens
intermediários apresentaram queda de 13,7%, 6,4% e 3,6%, respectivamente.
8.
O
IBGE divulgou resultados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) referentes a julho
de 2014 para apenas 4 das 6 regiões metropolitanas usualmente pesquisadas, em
razão de paralisação de servidores. Nesse sentido, ainda serão conhecidos os
dados relativos a Salvador e a Porto Alegre. A taxa de desocupação ficou
estável em julho nas quatro regiões divulgadas, em relação ao mês anterior. Em
relação a julho de 2013, a taxa declinou 1,1 p.p. no Rio de Janeiro, 1,0 p.p.
em Recife, 0,9 p.p. em São Paulo e 0,2 p.p. em Belo Horizonte. Dados divulgados
pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram criação de 11,8 mil postos
de trabalho formais em julho, a menor geração líquida para o mês desde 1999. Em
suma, dados disponíveis indicam estreita margem de ociosidade no mercado de
trabalho, embora as evidências apontem acomodação na margem.
9.
De
acordo com dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE, o
volume de vendas do comércio varejista restrito avançou 0,8% em junho, em
relação ao mesmo mês do ano anterior. Por sua vez, o volume de vendas do
comércio ampliado, que inclui o setor automobilístico e o setor de materiais de
construção, diminuiu 6,1% em junho, na mesma base de comparação. As variações
mensais foram de -0,7% e -3,6%, respectivamente, de acordo com as séries
dessazonalizadas. Em doze meses, a taxa de crescimento do comércio ampliado foi
de 1,9%, com expansão em oito dos dez segmentos pesquisados. O Índice de
Confiança do Comércio (ICOM), medido pela FGV, recuou em agosto, refletindo
piora do quadro atual, e atingiu novo mínimo da série histórica iniciada em
março de 2010. O Copom avalia que a trajetória do comércio continuará sendo
influenciada pelas transferências governamentais, pelo ritmo de crescimento da
massa salarial real e pela expansão moderada do crédito.
10. O Nível de Utilização
da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação, calculado pela
FGV, sem ajuste sazonal, alcançou 83,6% em agosto e, na série dessazonalizada,
83,2%. Entre as categorias de uso da indústria, de acordo com as séries com
ajuste sazonal, as que mostram Nuci mais elevado são as de material para
construção (88,2%) e de bens intermediários (84,7%), seguidas pelas de bens de
consumo duráveis (83,1%), de capital (81,2%) e de consumo não duráveis (80,5%).
Por sua vez, a absorção de bens de capital recuou 0,4% no período de doze meses
encerrado em junho.
11. O saldo da balança
comercial atingiu US$6,4 bilhões em doze meses até agosto. Esse resultado
adveio de exportações de US$239,4 bilhões e de importações de US$233,0 bilhões,
com avanço de 0,3% e recuo de 1,3%, respectivamente, em relação ao acumulado
até agosto de 2013. Por sua vez, o deficit
em transações correntes acumulado em doze meses atingiu US$78,4 bilhões em julho,
equivalente a 3,5% do PIB. Já os investimentos estrangeiros diretos totalizaram
US$64,0 bilhões na mesma base de comparação, equivalentes a 2,8% do PIB.
12. No que se refere à
economia global, indicadores antecedentes apontam crescimento compatível com a
tendência em importantes economias maduras e emergentes. Particularmente sobre
a Europa, em que pesem avanços recentes, altas taxas de desemprego, aliadas à
consolidação fiscal e a incertezas políticas constituem elementos de contenção
de investimentos e do crescimento. Em relação à política monetária, o banco
central norte-americano (Federal Reserve)
deu continuidade à redução da compra de ativos e, de modo geral, prevalecem
posturas acomodatícias nas economias maduras. Nas economias emergentes, prevalecem
posturas de política monetária relativamente menos acomodatícias. A inflação
continua em níveis moderados ou baixos nas economias maduras; e, nas
emergentes, em níveis mais elevados.
13. O preço do barril de
petróleo do tipo Brent manteve-se em
patamar próximo a US$105 desde a reunião anterior do Copom. Cabe ressaltar que
a complexidade geopolítica que envolve o setor de petróleo tende a acentuar o
comportamento volátil dos preços, que é reflexo, também, da baixa
previsibilidade de alguns componentes da demanda global e do fato de o
crescimento da oferta depender de projetos de investimentos de longa maturação
e de elevado risco. Desde a reunião anterior do Copom, os preços internacionais
das commodities agrícolas e metálicas
caíram 2,70% e 0,14%, respectivamente. Por sua vez, o Índice de Preços de
Alimentos, calculado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e
Alimentação (FAO), recuou 1,7% em doze meses até julho de 2014.
Avaliação
prospectiva das tendências da inflação
14.
Os choques identificados, e seus impactos, foram
reavaliados de acordo com o novo conjunto de informações disponível.
15.
Para o conjunto de preços administrados por contrato
e monitorados, projeta-se variação de 5% em 2014, mesmo valor considerado na
reunião do Copom de julho. Essa projeção considera variações ocorridas, até
julho, nos preços da gasolina (-0,1%) e do gás de bujão (0,6%), bem como
hipóteses de redução de 6,3% nas tarifas de telefonia fixa e de aumento de
16,8% nos preços da energia elétrica. Os itens para os quais se dispõe de mais
informações foram projetados individualmente e, para os demais, as projeções se
baseiam em modelos de determinação endógena de preços administrados, que
consideram, entre outras variáveis, componentes sazonais, inflação de preços
livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP). Com base nesses
modelos, projeta-se variação de 6% para o conjunto dos preços administrados por
contrato e monitorados, em 2015, mesmo valor considerado na reunião do Comitê
de julho; e de 4,9% em 2016, ante 4,8% considerados na reunião de julho.
16.
A trajetória estimada para a taxa do swap pré-DI de 360 dias indica spread sobre a taxa Selic, no cenário de
referência, de 51 pontos base (p.b.) e 0 p.b. para o quarto trimestre de 2014 e
de 2015, respectivamente.
17.
Considera-se como indicador fiscal o superavit primário estrutural que deriva
das trajetórias de superavit
primário, tanto para 2014 quanto para 2015, conforme parâmetros estabelecidos
na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)/2014 e no Projeto de Lei de Diretrizes
Orçamentárias (PLDO)/2015, respectivamente. Dessa forma, em determinado
período, o impulso fiscal equivale à variação do superavit estrutural em relação ao observado no período anterior.
18.
Desde a última reunião do Copom, a mediana das
projeções coletadas pelo Departamento de Relacionamento com Investidores e
Estudos Especiais (Gerin) para a variação do IPCA em 2014 passou de 6,48% para
6,27% e, para 2015, de 6,10% para 6,29%.
19. O cenário de referência leva em conta as hipóteses de manutenção da taxa
de câmbio em R$2,25/US$ e da taxa Selic em 11,00% ao ano (a.a.) em todo o
horizonte relevante. Nesse cenário, a projeção para a inflação de 2014 diminuiu
em relação ao valor considerado na reunião anterior, mas permanece acima da
meta de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de
mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros coletadas pelo
Gerin com analistas de mercado, no período imediatamente anterior à reunião do
Copom, a projeção de inflação para 2014 diminuiu em relação ao valor
considerado na reunião de julho, mas também permanece acima da meta para a
inflação. Para 2015, em ambos os cenários, as projeções de inflação se
mantiveram estáveis, acima da meta; e, nos trimestres iniciais de 2016, as projeções
indicam que a inflação entra em trajetória de convergência.
Implementação
da política monetária
20. O Copom ressalta que
a evidência internacional, no que é ratificada pela experiência brasileira,
indica que taxas de inflação elevadas geram distorções que levam a aumentos dos
riscos e deprimem os investimentos. Essas distorções se manifestam, por exemplo,
no encurtamento dos horizontes de planejamento das famílias, empresas e
governos, bem como na deterioração da confiança de empresários. O Comitê
enfatiza, também, que taxas de inflação elevadas subtraem o poder de compra de
salários e de transferências, com repercussões negativas sobre a confiança e o
consumo das famílias. Por conseguinte, taxas de inflação elevadas reduzem o
potencial de crescimento da economia, bem como de geração de empregos e de
renda.
21. À vista disso, o
Copom avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um
ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Nesse sentido,
reitera que, no regime de metas para a inflação, orienta suas decisões de
acordo com os valores projetados para a inflação pelo Banco Central e com base
na análise de cenários alternativos para a evolução das principais variáveis
que determinam a dinâmica dos preços. O Comitê entende, também, que riscos
baixos para a inflação subjacente no curto prazo tendem a reduzir incertezas em
relação ao comportamento futuro da inflação plena, facilitam a avaliação de
cenários por parte da autoridade monetária, assim como auxiliam no processo de
coordenação de expectativas dos agentes econômicos, em particular, dos
formadores de preços. Note-se, adicionalmente, que riscos baixos para a
inflação subjacente no curto prazo tendem a potencializar os efeitos das ações
de política monetária, fazendo com que elas possam afetar, de forma mais
duradoura, a dinâmica da inflação plena no futuro. Embora reconheça que outras
ações de política macroeconômica podem influenciar a trajetória dos preços, o
Copom reafirma sua visão de que cabe especificamente à política monetária
manter-se especialmente vigilante, para garantir que pressões detectadas em
horizontes mais curtos não se propaguem para horizontes mais longos.
22. O Copom considera
que, desde sua última reunião, os riscos para a estabilidade financeira global
permaneceram elevados, em particular, os derivados de mudanças na inclinação da
curva de juros em importantes economias maduras. Apesar de identificar baixa
probabilidade de ocorrência de eventos extremos nos mercados financeiros
internacionais, o Comitê pondera que o ambiente externo permanece complexo.
Para o Comitê, não obstante dados recentemente divulgados terem se mostrado
menos positivos do que se antecipava, mantiveram-se as perspectivas de
atividade global mais intensa ao longo do horizonte relevante para a política
monetária. Há avanços nas economias maduras, com recuperação da atividade em
alguns países e intensificação do ritmo de crescimento em outros, apesar de nessas
economias, de modo geral, permanecer limitado o espaço para utilização de
política monetária e prevalecer cenário de restrição fiscal neste e nos
próximos anos. Já em importantes economias emergentes, o ritmo de atividade não
tem correspondido às expectativas, em que pese a resiliência da demanda
doméstica. O Comitê destaca as evidências de focos de tensão e de volatilidade
nos mercados de moedas, bem como as perspectivas de moderação na dinâmica dos
preços de commodities nos mercados
internacionais, a despeito de pressões localizadas recentemente observadas.
23. O Copom pondera que
as taxas de crescimento da absorção interna e do PIB se alinharam e que o ritmo
de expansão da atividade doméstica tende a ser menos intenso este ano, em
comparação ao de 2013. No médio prazo, o Comitê avalia que mudanças importantes
devem ocorrer na composição da demanda e da oferta agregada. Nesse contexto, o
consumo tende a crescer em ritmo mais moderado do que o observado em anos
recentes; e os investimentos tendem a ganhar impulso. No que se refere ao
componente externo da demanda agregada, o cenário de maior crescimento global,
combinado com a depreciação do real, milita no sentido de torná-lo mais
favorável ao crescimento da economia brasileira. Pelo lado da oferta, o Comitê
avalia que, em prazos mais longos, emergem perspectivas mais favoráveis à
competitividade da indústria, e também da agropecuária; e o setor de serviços
tende a crescer a taxas menores do que as registradas em anos recentes. Para o
Comitê, é plausível afirmar que esses desenvolvimentos – somados a avanços na
qualificação da mão de obra e ao programa de concessão de serviços públicos –
traduzir-se-ão numa alocação mais eficiente dos fatores de produção da economia
e em ganhos de produtividade. O Comitê ressalta, ainda, que a velocidade de
materialização das mudanças acima citadas e dos ganhos delas decorrentes
depende do fortalecimento da confiança de firmas e famílias.
24. O Copom observa que o
cenário central para a inflação leva em conta a materialização das trajetórias
com as quais trabalha para as variáveis fiscais e que se criam condições para
que, no horizonte relevante para a política monetária, o balanço do setor público
se desloque para a zona de neutralidade. O Comitê nota ainda que a geração de superavit primários compatíveis com as
hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação contribuiria para
criar uma percepção positiva sobre o ambiente macroeconômico no médio e no
longo prazo. Importa destacar, também, que a geração de superavit primários em patamares próximos à média dos gerados em
anos mais recentes contribuiria para diminuir o custo de financiamento da
dívida pública, com repercussões favoráveis sobre o custo de capital de modo
geral, o que estimularia o investimento privado no médio e no longo prazo.
25. O Copom destaca que o
cenário central também contempla expansão moderada do crédito. Importa destacar
que, após anos em forte expansão – arrefecida com a introdução de medidas
macroprudenciais em finais de 2010 –, o mercado de crédito voltado ao consumo
passou por uma moderação, de modo que, nos últimos trimestres, observaram-se,
de um lado, redução de exposição por parte de bancos, de outro, desalavancagem
das famílias. No agregado, portanto, infere-se que os riscos no segmento de
crédito ao consumo vêm sendo mitigados. Em outra dimensão, o Comitê considera
oportunas iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por
intermédio de operações de crédito.
26. No mercado de
fatores, o Copom destaca a estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho
e pondera que, em tais circunstâncias, um risco significativo reside na
possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento
da produtividade e suas repercussões negativas sobre a inflação. Não obstante a
concessão, este ano, de reajuste para o salário mínimo não tão expressivo
quanto em anos anteriores, bem como a ocorrência nos últimos trimestres de
variações reais de salários mais condizentes com as estimativas de ganhos de
produtividade do trabalho, o Comitê avalia que a dinâmica salarial ainda
permanece originando pressões inflacionárias de custos.
27. Para o Copom, o fato
de a inflação atualmente se encontrar em patamares elevados reflete, em parte,
a ocorrência de dois importantes processos de ajustes de preços relativos na
economia – realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais e
realinhamento dos preços administrados em relação aos livres. O Comitê
reconhece que esses ajustes de preços relativos têm impactos diretos sobre a
inflação e reafirma sua visão de que a política monetária pode e deve conter os
efeitos de segunda ordem deles decorrentes. A propósito, para combater essas e
outras pressões inflacionárias, as condições monetárias foram apertadas, mas o
Comitê avalia que os efeitos da elevação da taxa Selic sobre a inflação, em
parte, ainda estão por se materializar. Além disso, é plausível afirmar que, na
presença de níveis de confiança relativamente modestos, os efeitos das ações de
política monetária sobre a inflação tendem a ser potencializados.
28. Diante disso,
avaliando a evolução do cenário macroeconômico e as perspectivas para a
inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 11,00% a.a.,
sem viés.
29. Votaram por essa
decisão os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini (Presidente),
Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton
Vasconcelos Araújo, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim e Sidnei
Corrêa Marques.
30. O Copom avalia que a
demanda agregada tende a se apresentar relativamente robusta no horizonte
relevante para a política monetária. De um lado, o consumo das famílias tende a
registrar ritmo moderado de expansão, devido a efeitos de fatores de estímulo
como o crescimento da renda e a expansão moderada do crédito; de outro,
condições financeiras relativamente favoráveis, concessão de serviços públicos,
ampliação das áreas de exploração de petróleo, entre outros, tendem a favorecer
a ampliação dos investimentos. Esses elementos e os desenvolvimentos no âmbito
parafiscal e no mercado de ativos são partes importantes do contexto no qual
decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a
convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas.
31. Apesar de a inflação ainda
se encontrar elevada, o Copom pondera que pressões inflacionárias ora presentes
na economia – a exemplo das decorrentes dos processos de realinhamentos de
preços citados anteriormente e de ganhos salariais incompatíveis com ganhos de
produtividade – tendem a arrefecer ou, até mesmo, a se esgotarem ao longo do
horizonte relevante para a política monetária. Em prazos mais curtos, some-se a
isso o deslocamento do hiato do produto para o campo desinflacionário. Nesse
contexto, é plausível afirmar que, mantidas as condições monetárias – isto é, levando
em conta estratégia que não contempla redução do instrumento de política monetária
–, a inflação tende a entrar em trajetória de convergência para a meta nos
trimestres finais do horizonte de projeção.
32. O Copom destaca que,
em momentos como o atual, a política monetária deve se manter vigilante, de
modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado
nos últimos doze meses, persistam no horizonte relevante para a política
monetária.
33. Ao final da reunião,
foi registrado que o Comitê voltará a se reunir em 28 de outubro de 2014, para
as apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar sobre a política
monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado nº 24.064, de 12 de junho de
2013.