Sumário
Data: 1º e 2/4/2014
Local: Sala de reuniões do 8º andar (1º/4) e do 20º
andar (2/4) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF
Horário de início: 16h12 (1º/4) e 16h04 (2/4)
Horário de término: 19h38 (1º/4) e 19h46
(2/4)
Presentes:
Membros do Copom
Alexandre Antonio
Tombini – Presidente
Aldo
Luiz Mendes
Altamir
Lopes
Anthero
de Moraes Meirelles
Carlos
Hamilton Vasconcelos Araújo
Luiz
Awazu Pereira da Silva
Luiz
Edson Feltrim
Sidnei
Corrêa Marques
Chefes de Departamento (presentes em 1º/4)
André Barbosa
Coutinho Marques – Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos
Especiais
Ariosto Revoredo de
Carvalho – Departamento das Reservas Internacionais
Bruno Walter Coelho
Saraiva – Departamento de Assuntos Internacionais
Daso Maranhão Coimbra
– Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
Eduardo José Araújo
Lima – Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente em 2/4)
João Henrique de
Paula Freitas Simão – Departamento de Operações do Mercado Aberto
Tulio José Lenti Maciel
– Departamento Econômico
Demais participantes (presentes em 1º/4)
Gustavo Paul Kurrle –
Assessor de Imprensa
Otávio Ribeiro Damaso
– Chefe de Gabinete da Presidência
Os membros do Copom
analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e
para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária,
cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
Evolução recente da
economia
1.
A
inflação medida pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo
(IPCA) atingiu 0,69% em fevereiro, 0,09 ponto percentual (p.p.)
acima da registrada em fevereiro de 2013 e 0,14 p.p.
maior que a de janeiro de 2014. Dessa forma, a inflação acumulada em doze meses
recuou para 5,68% em fevereiro (ante 6,31% em fevereiro de 2013), com os preços
livres aumentando 6,28% (7,86% em fevereiro de 2013), e os preços administrados,
3,71% (1,53% em fevereiro de 2013). Especificamente sobre preços livres, os de itens
comercializáveis aumentaram 5,25% em doze meses (6,43% em fevereiro de 2013), e
os de não comercializáveis, 7,19% (9,13% em fevereiro de 2013). Por sua vez, os
preços no segmento de alimentos e bebidas, sensibilizado por fatores
climáticos, aumentaram 6,31% no mesmo período (12,49% em fevereiro de 2013), e
os dos serviços, 8,20% (8,66% até fevereiro de 2013). Em síntese, as
informações disponíveis sugerem certa persistência da inflação, o que reflete,
em parte, a dinâmica dos preços no segmento de serviços.
2.
A
média das variações mensais das medidas de inflação subjacente, calculadas pelo
Banco Central, deslocou-se de 0,53% em janeiro para 0,70% em fevereiro, e, assim,
a variação acumulada em doze meses atingiu 6,18% (0,21 p.p.
acima da registrada em fevereiro de 2013). Especificamente, o núcleo por dupla
ponderação deslocou-se de 0,55% em janeiro para 0,69% em fevereiro; o núcleo
por exclusão de monitorados e de alimentação no domicílio, de 0,52% para 0,92%;
o núcleo por médias aparadas sem suavização, de 0,54% para 0,57%; e o núcleo
por exclusão, que descarta dez itens de alimentação no domicílio, bem como
combustíveis, de 0,50% para 0,79%. Por sua vez, o núcleo do IPCA por médias
aparadas com suavização passou de 0,55% para 0,51%. O índice de difusão situou-se
em 63,8% em fevereiro (8,5 p.p. abaixo do registrado em
fevereiro de 2013).
3.
O
Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) avançou 0,85% em fevereiro,
após alta de 0,40% em janeiro, e 6,30% no acumulado em doze meses (8,24% em fevereiro
de 2013). O principal componente do IGP-DI, o Índice de Preços ao Produtor
Amplo (IPA), aumentou 6,15% em doze meses (9,24% em fevereiro de 2013), com elevação
de 0,47% nos preços de produtos agropecuários e de 8,41% nos preços de produtos
industriais. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), segundo componente mais
importante do IGP-DI, variou 5,95% em doze meses até fevereiro (6,04% em fevereiro
de 2013); e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), componente de
menor peso no IGP-DI, 8,04% (7,18% em fevereiro de 2013), em parte, reflexo de
pressões de custos de mão de obra, que variaram 9,57% no período. Por sua vez,
o Índice de Preços ao Produtor/Indústria de Transformação (IPP/IT), calculado
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), variou 0,51% em
fevereiro e 8,24% em doze meses. O Copom avalia que os efeitos do comportamento
dos preços no atacado sobre a inflação ao consumidor dependerão das condições
atuais e prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de preços em
relação à trajetória futura da inflação.
4.
O
Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) incorpora estimativa
para a produção mensal dos três setores da economia, bem como para impostos
sobre produtos, e constitui importante indicador coincidente da atividade
econômica. Em janeiro de 2014, o IBC-Br ajustado sazonalmente variou 1,3% em
relação ao mês anterior e 0,9% em relação a janeiro de 2013. O Purchasing Managers’ Index
(PMI) composto para o Brasil apontou aceleração da atividade econômica em fevereiro,
com expansão tanto no setor manufatureiro quanto no de serviços. Por sua vez, o
Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getulio Vargas (FGV), ficou
praticamente estável entre fevereiro e março de 2014 e permanece abaixo da
média histórica do índice. Já a confiança do empresário industrial, medida pelo
Índice de Confiança da Indústria (ICI), recuou em março e atingiu o menor
patamar desde junho de 2009. Após a terceira queda no ano, o índice mantém-se
abaixo da média histórica pelo 13º mês consecutivo. O Índice de Confiança de
Serviços (ICS) também recuou em março. No que se refere à agricultura, o
Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do IBGE, projeta
crescimento de 1,1% na produção de grãos em 2014, em relação a 2013.
5.
O
Produto Interno Bruto (PIB) a preços de mercado cresceu 0,7% no quarto
trimestre de 2013, após recuar 0,5% no trimestre anterior, de acordo com dados
dessazonalizados pelo IBGE. Na comparação com o mesmo trimestre do ano
anterior, expandiu 1,9% (ante 2,2% no terceiro trimestre). Dessa forma, a economia
brasileira cresceu 2,3% em 2013. Sob a ótica da demanda agregada, o consumo das
famílias cresceu 0,7% no quarto trimestre, ante o anterior, de acordo com dados
dessazonalizados, e 1,9% em relação ao mesmo trimestre de 2012, configurando a quadragésima
primeira expansão consecutiva nessa base de comparação. Por sua vez, o consumo
do governo cresceu 0,8% na margem e 2,0% em relação ao último trimestre de 2012.
Já a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) avançou 0,3% em relação ao trimestre
anterior e 5,5% em relação ao mesmo trimestre de 2012.
6.
A
atividade fabril avançou 0,4% em fevereiro, após crescimento de 3,8% em janeiro,
de acordo com a série livre de influências sazonais, divulgada pelo IBGE. Em
relação ao mesmo mês do ano anterior, houve avanço de 5,0% em fevereiro,
interrompendo dois meses de taxas negativas consecutivas (-2,6% em dezembro de
2013 e -2,2% em janeiro de 2014), com destaque para a produção de veículos
automotores, que cresceu 7,0% no mês, segundo resultado positivo consecutivo. O
setor industrial prosseguiu com a melhora no seu ritmo produtivo, expresso não
só no segundo resultado positivo consecutivo na comparação com o mês
imediatamente anterior, mas também no perfil disseminado de taxas positivas, já
que 19 dos 27 ramos de atividade expandiram a produção em fevereiro. O indicador
PMI do setor industrial aponta pequena expansão em fevereiro, com crescimento
no número de novos pedidos. De acordo com dados divulgados pela Confederação
Nacional da Indústria (CNI), o faturamento real da indústria de transformação cresceu
6,0% na passagem de janeiro para fevereiro de 2014, de acordo com a série livre
de influências sazonais (12,4% em relação a fevereiro de 2013).
7.
Entre
as categorias de uso, a produção de bens de consumo duráveis (20,9%) e bens de
capital (12,4%) assinalaram crescimento de dois dígitos em fevereiro, na
comparação interanual mensal. Os segmentos de bens de consumo semi e não
duráveis e de bens intermediários também apontaram taxas positivas, 3,6% e
1,1%, respectivamente. No que se refere à variação acumulada em doze meses até fevereiro,
houve crescimento de 12,5% e 1,3% na produção de bens de capital e de bens de
consumo duráveis, respectivamente. Já a atividade no setor de bens intermediários
e de bens semiduráveis e não duráveis recuou 0,1% e 0,4%, respectivamente,
nessa mesma base de comparação.
8.
A
taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa
Mensal de Emprego (PME) atingiu um mínimo para os meses de fevereiro (5,1%) desde
o início da série, em 2002, e representa redução de 0,5 p.p.
em relação à taxa observada em fevereiro de 2013. De acordo com a série
dessazonalizada pelo Banco Central, a taxa atingiu 5,0%. Ainda de acordo com a
PME, o rendimento médio real habitual cresceu 3,1% em fevereiro, quando
comparado a igual mês do ano anterior, e a massa salarial real, 4,1%, na mesma
base de comparação. Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego
(MTE) mostram criação de 260,8 mil postos de trabalho formais em fevereiro. A
geração líquida foi superior à observada em fevereiro de 2013 (123,4 mil). Em
suma, dados disponíveis indicam estreita margem de ociosidade no mercado de
trabalho, embora existam alguns sinais de moderação na margem.
9.
De
acordo com dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE, o
volume de vendas do comércio varejista restrito cresceu 6,2% em janeiro, em
relação ao mesmo mês do ano anterior. Por sua vez, o volume de vendas do comércio
ampliado, que inclui o setor automobilístico e o setor de materiais de
construção, aumentou 3,5% em janeiro, na mesma base de comparação. As variações
mensais foram de 0,4% e de 2,1%, respectivamente, de acordo com as séries
dessazonalizadas. Em doze meses, a taxa de crescimento do comércio ampliado foi
de 3,3%, com expansão em oito dos dez segmentos pesquisados. O Índice de
Confiança do Comércio (ICOM), medido pela FGV, recuou em março, principalmente por
causa da percepção da situação atual. O Copom avalia que a trajetória do
comércio continuará sendo influenciada pelas transferências governamentais,
pelo ritmo de crescimento da massa salarial real e pela expansão moderada do
crédito.
10. O Nível de Utilização
da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação, calculado pela
FGV, sem ajuste sazonal, alcançou 83,6% em março (83,3% em março de 2013) e, na
série dessazonalizada, 84,4%. A utilização da capacidade no setor de bens de
capital ficou em 82,9%. No setor de bens de consumo, de bens intermediários e
de materiais de construção, a utilização da capacidade se posicionou em 82,0%,
85,2% e 88,4%, respectivamente. Por sua vez, a absorção de bens de capital
cresceu 10,9% no período de doze meses encerrado em janeiro.
11. O saldo da balança
comercial atingiu US$1,7 bilhão em doze meses até fevereiro. Esse resultado
adveio de exportações de US$242,6 bilhões e de importações de US$240,9 bilhões,
com avanços de 1,1% e 6,5%, respectivamente, em relação ao acumulado até fevereiro
de 2013. Por sua vez, o deficit
em transações correntes acumulado em doze meses atingiu US$82,5 bilhões em fevereiro,
equivalente a 3,7% do PIB. Já os investimentos estrangeiros diretos totalizaram
US$65,8 bilhões na mesma base de comparação, equivalentes a 2,9% do PIB.
12. No que se refere à
economia global, indicadores antecedentes apontam perspectivas de crescimento
compatíveis com a tendência em economias maduras e emergentes. Especificamente
sobre a Europa, em que pesem avanços recentes, altas taxas de desemprego
aliadas à consolidação fiscal e a incertezas políticas ainda constituem
elementos de contenção de investimentos e do crescimento. Nas economias
emergentes, entretanto, observa-se alguma diminuição no ritmo de atividade. Em
relação à política monetária, o banco central norte-americano (Federal Reserve) continuou processo de
redução gradual do programa de compra de ativos; no entanto, de modo geral,
prevalecem posturas acomodatícias nas economias maduras. Nas economias
emergentes, a política monetária se apresenta menos expansionista, e em alguns
casos contracionista. A inflação continua em níveis moderados ou baixos nos
Estados Unidos (EUA), na Zona do Euro e no Japão.
13. O preço do barril de
petróleo do tipo Brent manteve-se em
patamar próximo a US$110 desde a última reunião do Copom. Cabe ressaltar que a
complexidade geopolítica que envolve o setor de petróleo tende a acentuar o
comportamento volátil dos preços, que é reflexo, também, da baixa
previsibilidade de alguns componentes da demanda global e do fato de o
crescimento da oferta depender de projetos de investimentos de longa maturação
e de elevado risco. Desde a última reunião do Copom, os preços internacionais
das commodities agrícolas aumentaram 7,7%,
enquanto os preços das commodities
metálicas recuaram 3,3%. Por sua vez, o Índice de Preços de Alimentos, calculado
pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), recuou
2,1% em doze meses até fevereiro de 2014.
Avaliação
prospectiva das tendências da inflação
14. Os choques identificados, e seus impactos, foram reavaliados de acordo
com o novo conjunto de informações disponível.
15. Para o conjunto de preços administrados por contrato e monitorados, projeta-se
variação de 5% em 2014, ante 4,5% considerados na reunião do Copom de fevereiro.
Essa projeção considera variações ocorridas, até fevereiro, nos preços da
gasolina (0,6%) e do gás de bujão (0,3%), bem como as hipóteses de estabilidade
nas tarifas de telefonia fixa e de aumento de 9,5% nos preços da eletricidade.
Os itens para os quais se dispõe de mais informações foram projetados
individualmente e, para os demais, as projeções se baseiam em modelos de
determinação endógena de preços administrados, que consideram, entre outras
variáveis, componentes sazonais, inflação de preços livres e inflação medida
pelo Índice Geral de Preços (IGP). Com base nesses modelos, projeta-se variação
de 5% para o conjunto dos preços administrados por contrato e monitorados, em 2015,
ante 4,5% na última reunião do Comitê.
16. A trajetória estimada para a taxa do swap
pré-DI de 360 dias indica spread
sobre a taxa Selic, no cenário de referência, de 21 pontos base (p.b.) e 17 p.b. para o quarto
trimestre de 2014 e de 2015, respectivamente.
17. Considera-se como
indicador fiscal o superavit
primário estrutural que deriva das trajetórias de superavit primário, tanto para
2014 quanto para 2015, conforme parâmetros estabelecidos na Lei de Diretrizes
Orçamentárias (LDO)/2014. Dessa forma, em determinado período, o impulso fiscal
equivale à variação do superavit
estrutural em relação ao observado no período anterior.
18. Desde a última reunião do Copom, a mediana das projeções coletadas pelo
Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin)
para a variação do IPCA em 2014 elevou-se de 6,00% para 6,30%. Para 2015, a
mediana das projeções de inflação elevou-se de 5,70% para 5,80%.
19. O cenário de referência leva em conta as hipóteses de manutenção da taxa
de câmbio em R$2,30/US$ e da taxa Selic em 10,75% ao ano (a.a.) em todo o
horizonte relevante. Nesse cenário, a projeção para a inflação de 2014 aumentou
em relação ao valor considerado na última reunião e permanece acima da meta de
4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, que
leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros coletadas pelo Gerin com
analistas de mercado, no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a
projeção de inflação para 2014 também aumentou em relação ao valor considerado
na reunião de fevereiro e permanece acima da meta para a inflação. Para 2015,
em ambos os cenários, a projeção de inflação elevou-se em relação ao valor
considerado na reunião do Copom de fevereiro e se posiciona acima do valor
central da meta.
Implementação
da política monetária
20. O Copom ressalta que
a evidência internacional, no que é ratificada pela experiência brasileira,
indica que taxas de inflação elevadas geram distorções que levam a aumentos dos
riscos e deprimem os investimentos. Essas distorções se manifestam, por exemplo,
no encurtamento dos horizontes de planejamento das famílias, empresas e
governos, bem como na deterioração da confiança de empresários. O Comitê
enfatiza, também, que taxas de inflação elevadas subtraem o poder de compra de
salários e de transferências, com repercussões negativas sobre a confiança e o
consumo das famílias. Por conseguinte, taxas de inflação elevadas reduzem o
potencial de crescimento da economia, bem como de geração de empregos e de
renda.
21. À vista disso, o
Copom avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um
ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Nesse sentido,
reitera que, no regime de metas para a inflação, orienta suas decisões de
acordo com os valores projetados para a inflação pelo Banco Central e com base
na análise de cenários alternativos para a evolução das principais variáveis
que determinam a dinâmica dos preços. O Comitê entende, também, que riscos
baixos para a inflação subjacente no curto prazo tendem a reduzir incertezas em
relação ao comportamento futuro da inflação plena, facilitam a avaliação de
cenários por parte da autoridade monetária, assim como auxiliam no processo de
coordenação de expectativas dos agentes econômicos, em particular, dos
formadores de preços. Note-se, adicionalmente, que riscos baixos para a
inflação subjacente no curto prazo tendem a potencializar os efeitos das ações
de política monetária, fazendo com que elas possam afetar de forma mais
duradoura a dinâmica da inflação plena no futuro. Embora reconheça que outras
ações de política macroeconômica podem influenciar a trajetória dos preços, o
Copom reafirma sua visão de que cabe especificamente à política monetária
manter-se especialmente vigilante para garantir que pressões detectadas em
horizontes mais curtos não se propaguem para horizontes mais longos.
22. O Copom considera
que, desde sua última reunião, os riscos para a estabilidade financeira global
permaneceram elevados, em particular os derivados de mudanças na inclinação da
curva de juros em importantes economias maduras. Apesar de identificar baixa
probabilidade de ocorrência de eventos extremos nos mercados financeiros
internacionais, o Comitê pondera que o ambiente externo permanece complexo.
Para o Comitê, amparadas em dados positivos recentemente divulgados,
mantiveram-se as perspectivas de atividade global mais intensa ao longo do
horizonte relevante para a política monetária. De fato, há avanços nas
economias maduras, inclusive em países da Área do Euro, não obstante, de modo
geral, permanecer limitado o espaço para utilização de política monetária e
prevalecer cenário de restrição fiscal neste e nos próximos anos. Já em
importantes economias emergentes, o ritmo de atividade não tem correspondido às
expectativas, em que pese a resiliência da demanda doméstica. O Comitê destaca
ainda que, não obstante pressões localizadas, recentemente observadas, as
perspectivas indicam moderação na dinâmica dos preços de commodities nos mercados internacionais; bem como que, nos mercados
de moeda, há evidências de tensão e de volatilidade.
23. O Copom pondera que o
ritmo de expansão da atividade doméstica tende a se manter relativamente
estável este ano, em comparação a 2013, bem como que informações recentes
indicam, no horizonte relevante para a política monetária, mudanças na
composição da demanda e da oferta agregada. O Comitê nota que a absorção
interna expande-se a taxas maiores do que as do PIB (que, todavia, se aproximam)
e tende a ser beneficiada, entre outros fatores, pelos efeitos de ações de
política fiscal, pela expansão moderada da oferta de crédito (especialmente do
crédito ao consumo), pelo programa de concessão de serviços públicos e de
permissão para exploração de petróleo. Nesse contexto, o consumo tende a
continuar em crescimento, porém, em ritmo mais moderado do que o observado em
anos recentes; e os investimentos ganhariam impulso. No que se refere ao
componente externo da demanda agregada, o cenário de maior crescimento global,
combinado com a depreciação do real, milita no sentido de torná-lo mais
favorável ao crescimento da economia brasileira. Pelo lado da oferta, o Comitê
avalia que emergem perspectivas mais favoráveis à competitividade da indústria
e da agropecuária e que, no horizonte relevante para a política monetária, o
setor de serviços tende a crescer a taxas menores do que as registradas em anos
recentes. É plausível afirmar que esses desenvolvimentos – somados a avanços em
termos de qualificação da mão de obra – traduzir-se-ão numa alocação mais
eficiente dos fatores de produção da economia e em ganhos de produtividade. O
Comitê ressalta, ainda, que a velocidade de materialização das mudanças acima
citadas e dos ganhos delas decorrentes depende do fortalecimento da confiança
de firmas e famílias.
24. O Copom observa que o
cenário central para a inflação leva em conta a materialização das trajetórias
com as quais trabalha para as variáveis fiscais e que se criam condições para
que, no horizonte relevante para a política monetária, o balanço do setor
público se desloque para a zona de neutralidade. O Comitê nota ainda que a
geração de superavit
primários compatíveis com as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções
de inflação, de um lado, contribuiria para arrefecer o descompasso entre as
taxas de crescimento da demanda e da oferta; de outro, contribuiria para criar
uma percepção positiva sobre o ambiente macroeconômico no médio e no longo
prazo. Importa destacar, também, que a geração de superavit primários em patamares
próximos à média dos gerados em anos mais recentes contribuiria para diminuir o
custo de financiamento da dívida pública, com repercussões favoráveis sobre o
custo de capital de modo geral, o que estimularia o investimento privado no
médio e no longo prazo.
25. O Copom destaca que o
cenário central também contempla expansão moderada do crédito. Ainda sobre esse
mercado, o Comitê considera oportunas iniciativas no sentido de moderar
concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito.
26. No mercado de
fatores, o Copom destaca a estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho
e pondera que, em tais circunstâncias, um risco significativo reside na
possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o
crescimento da produtividade e suas repercussões negativas sobre a inflação.
Não obstante a concessão este ano de reajuste para o salário mínimo não tão
expressivo quanto em anos anteriores, bem como a ocorrência nos últimos
trimestres de variações reais de salários mais condizentes com as estimativas
de ganhos de produtividade do trabalho, o Comitê avalia que a dinâmica salarial
permanece originando pressões inflacionárias de custos.
27. O Copom avalia que a
depreciação e a volatilidade da taxa de câmbio verificadas nos últimos
semestres ensejam uma natural e esperada correção de preços relativos. Para o
Comitê, os movimentos nos mercados domésticos de divisas, em certa medida,
refletem a transição dos mercados financeiros internacionais na direção da
normalidade, entre outras dimensões, em termos de liquidez e de taxas de juros.
Importa destacar ainda que, para o Comitê, a citada depreciação cambial, em que
pese acomodação recentemente observada, constitui fonte de pressão
inflacionária em prazos mais curtos. Somem-se a isso pressões localizadas que
ora se manifestam, especialmente, no segmento de alimentos in natura, embora, em princípio, trate-se de um choque temporário
que tende a reverter nos próximos meses.
28. O Copom pondera que a
elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos doze meses
contribui para que a inflação ainda mostre resistência, que, a propósito, tem
se mostrado ligeiramente acima daquela que se antecipava. Nesse contexto,
inserem-se também os mecanismos formais e informais de indexação e a percepção
dos agentes econômicos sobre a dinâmica da inflação. Tendo em vista os danos
que a persistência desse processo causaria à tomada de decisões sobre consumo e
investimentos, na visão do Comitê, faz-se necessário que, com a devida
tempestividade, o mesmo seja revertido. Dessa forma, o Copom entende ser
apropriado ajustar as condições monetárias.
29. Diante disso, o Copom
decidiu, por unanimidade, neste momento, elevar a taxa Selic
em 0,25 p.p., para 11,00% a.a., sem viés. O Comitê irá
monitorar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para
então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária.
30. Votaram por essa
decisão os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini (Presidente),
Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton
Vasconcelos Araújo, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz
Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques.
31. O Copom avalia que a
demanda agregada tende a se apresentar relativamente robusta. De um lado, o
consumo das famílias tende a continuar em ritmo moderado de expansão, devido
aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a expansão
moderada do crédito; de outro, condições financeiras relativamente favoráveis,
concessão de serviços públicos, ampliação das áreas de exploração de petróleo,
entre outros, sugerem expansão dos investimentos. Esses elementos e os
desenvolvimentos no âmbito parafiscal e no mercado de
ativos são partes importantes do contexto no qual decisões futuras de política
monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência tempestiva da
inflação para a trajetória de metas.
32. Para o Copom,
considerando-se a experiência brasileira na vigência do regime de metas,
infere-se que, de modo geral, as trajetórias de importantes indicadores econômicos
durante o atual ciclo de ajuste da taxa Selic, bem como as perspectivas para essas
trajetórias nos próximos trimestres, apresentam-se em linha com o que se
poderia antecipar. Dessa forma, as informações disponíveis sugerem que os
impulsos monetários introduzidos na economia desde abril de 2013 têm se
propagado normalmente por intermédio dos principais canais de transmissão e que
assim tendem a continuar nos próximos trimestres. Nesse sentido, como os
efeitos das ações de política monetária sobre a inflação são cumulativos e se
manifestam com defasagens, o Comitê entende que parte significativa da resposta
dos preços ao atual ciclo de aperto monetário ainda está por se materializar. Além
disso, é plausível afirmar que, na presença de níveis de confiança relativamente
modestos, os efeitos das ações de política monetária tendem a ser
potencializados.
33. O Copom destaca que,
em momentos como o atual, a política monetária deve se manter vigilante, de
modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado
nos últimos doze meses, persistam no horizonte relevante para a política
monetária.
34. Ao final da reunião,
foi registrado que o Comitê voltará a se reunir em 27 de maio de 2014, para as
apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar sobre a política
monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado nº 24.064, de 12 de junho de
2013.