Sumário
Data: 14 e 15/01/2014
Local: Sala de reuniões do 8º andar (14/01) e do
20º andar (15/01) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF
Horário de início: 16h31 (14/01) e 16h48 (15/01)
Horário de término: 19h36 (14/01) e 19h57
(15/01)
Presentes:
Membros do Copom
Alexandre Antonio Tombini
– Presidente
Aldo
Luiz Mendes
Altamir
Lopes
Anthero
de Moraes Meirelles
Carlos
Hamilton Vasconcelos Araújo
Luiz
Awazu Pereira da Silva
Luiz
Edson Feltrim
Sidnei
Corrêa Marques
Chefes de Departamento (presentes em 14/01)
Bruno Walter Coelho
Saraiva – Departamento de Assuntos Internacionais
Daso Maranhão Coimbra
– Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
Eduardo José Araújo
Lima – Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente em 15/01)
João Henrique de
Paula Freitas Simão – Departamento de Operações do Mercado Aberto
Márcio Barreira de
Ayrosa Moreira – Departamento das Reservas Internacionais
Renato Jansson Rosek
– Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais
Tulio José Lenti
Maciel – Departamento Econômico
Demais participantes (presentes em 14/01)
Gustavo Paul Kurrle –
Assessor de Imprensa
Otávio Ribeiro Damaso
– Chefe de Gabinete da Presidência
Os membros do Copom
analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e
para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária,
cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
Evolução recente da
economia
1.
A
inflação medida pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo
(IPCA) foi de 0,92% em dezembro, 0,13 ponto percentual (p.p.)
maior do que a registrada em dezembro de 2012. Dessa forma, a inflação
acumulada em 2013 atingiu 5,91% (ante 5,84% em 2012). Os preços livres
aumentaram 7,29% em 2013 (6,56% em 2012); e os preços administrados, 1,54%
(3,65% em 2012). Especificamente sobre os preços livres, os de bens
comercializáveis aumentaram 6,01% em 2013 (4,47% no ano anterior), e os de bens
não comercializáveis, 8,43% (8,46% em 2012). Por sua vez, os preços do segmento
de alimentos e bebidas aumentaram 8,48% em 2013 (9,86% em 2012); e os dos
serviços, 8,75% (mesmo valor observado em 2012). Em síntese, as informações
disponíveis sugerem certa persistência da inflação, o que reflete em parte o fato
de a inflação de serviços seguir em níveis elevados.
2.
A
média das variações mensais das medidas de inflação subjacente, calculadas pelo
Banco Central, passou de 0,54% em novembro para 0,76% em dezembro. Assim, a
variação acumulada em doze meses atingiu 6,28% (0,68 p.p.
acima da registrada em dezembro de 2012). Especificamente, o núcleo do IPCA por
médias aparadas com suavização se deslocou de 0,45% em novembro para 0,58% em
dezembro; o núcleo por dupla ponderação, de 0,52% para 0,79%; o núcleo por exclusão
de monitorados e de alimentação no domicílio, de 0,60% para 0,96%; o núcleo por
médias aparadas sem suavização, de 0,55% para 0,72%; e o núcleo por exclusão,
que descarta dez itens de alimentação no domicílio, bem como combustíveis, de
0,57% para 0,74%. O índice de difusão ficou em 69,3% em dezembro (ante 70,7% no
mesmo mês do ano anterior).
3.
O
Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) avançou 0,69% em
dezembro, na comparação mensal, e 5,52% no acumulado em doze meses (8,10% em 2012).
O principal componente do IGP-DI, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), aumentou
5,07% em 2013 (9,13% em 2012), com recuo de 1,76% nos preços de produtos
agropecuários em 2013 e elevação de 7,87% nos de produtos industriais. O Índice
de Preços ao Consumidor (IPC), segundo componente mais importante do IGP-DI,
variou 5,63% em 2013 (5,74% em 2012); e o Índice Nacional de Custo da
Construção (INCC), componente de menor peso no IGP-DI, 8,09% (7,12% em 2012),
em parte, reflexo de pressões de custos de mão de obra, que variaram 9,77% no
período. Por sua vez, o Índice de Preços ao Produtor/Indústria de Transformação
(IPP/IT), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), aumentou 0,62% em novembro em relação ao mês anterior (5,47% em doze
meses). O Copom avalia que os efeitos do comportamento dos preços no atacado
sobre a inflação para os consumidores dependerão das condições atuais e
prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de preços em relação
à trajetória futura da inflação.
4.
O
Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) incorpora estimativa
para a produção mensal dos três setores da economia, bem como para impostos
sobre produtos, e constitui importante indicador coincidente da atividade
econômica. Em outubro, o IBC-Br variou 0,8% em relação ao mês anterior e 2,7%
em relação a outubro de 2012. O Purchasing Managers'
Index (PMI) composto referente ao Brasil apontou intensificação da
atividade econômica pelo quarto mês consecutivo em dezembro. Por sua vez, o
Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getulio Vargas (FGV),
recuou em dezembro e, dessa forma, reverteu avanço observado no mês anterior,
de acordo com a série livre de influências sazonais. Já a confiança do
empresário industrial, medida pelo Índice de Confiança da Indústria (ICI), aumentou
em dezembro, a exemplo do que havia ocorrido em novembro. O Índice de Confiança
de Serviços (ICS) também avançou em dezembro. No que se refere à agricultura, o
Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do IBGE, projeta
crescimento de 0,7% na produção de grãos em 2014, em relação a 2013.
5.
A
economia brasileira cresceu 2,2% no terceiro trimestre de 2013, em relação ao
mesmo trimestre do ano anterior, após crescer 3,3% no segundo trimestre, na mesma
base de comparação. Segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, após crescer 1,8%
no segundo trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) diminuiu 0,5% no terceiro
trimestre, na comparação com o trimestre imediatamente anterior. Dessa forma, a
taxa de crescimento acumulada em quatro trimestres se deslocou de 2,0% para
2,3%. Sob a ótica da demanda agregada, o consumo das famílias continuou em
expansão, com crescimento de 1,0% no terceiro trimestre, ante o anterior, e de
2,3% em relação ao mesmo trimestre de 2012 – quadragésimo aumento consecutivo
nessa base de comparação. Por sua vez, o consumo do governo cresceu 1,2% em
relação ao trimestre anterior e 2,3% em relação ao mesmo trimestre de 2012. Já
a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aumentou 7,3% em relação ao mesmo
trimestre de 2012, não obstante haver recuado 2,2% em relação ao trimestre
anterior.
6.
Após
crescimento de 0,6% em outubro, a atividade fabril recuou 0,2% em novembro, de
acordo com a série livre de influências sazonais, divulgada pelo IBGE. Assim, a
produção industrial em novembro superou em 0,4% a observada em novembro de
2012. Entre janeiro e novembro, a produção física da indústria aumentou 1,4% em
comparação ao mesmo período de 2012, com destaque para a produção de veículos
automotores (com expansão de 9,0%), bem como para a de outros equipamentos de
transporte, e refino de petróleo e produção de álcool (com expansão de 7,8% e
7,7%, respectivamente). Note-se ainda que a produção aumentou em 16 ramos de
atividade, dos 27 pesquisados, nessa mesma base de comparação. O indicador PMI
do setor industrial aponta expansão em dezembro. De acordo com dados divulgados
pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o faturamento real da indústria
de transformação cresceu 4,6% entre janeiro e outubro de 2013, comparativamente
ao mesmo período do ano anterior, e o número de horas trabalhadas cresceu 0,1%.
7.
Entre
as categorias de uso, de acordo com dados dessazonalizados pelo IBGE, a
produção de bens de capital recuou em novembro (2,6%); ao passo que a de bens
intermediários, a de bens de consumo duráveis e a de bens semiduráveis e não
duráveis aumentaram 1,2%, 0,3% e 0,3%, respectivamente. No que se refere à
variação acumulada em doze meses até novembro, houve crescimento de 11,6% na
produção de bens de capital e de 0,8% na de bens de consumo duráveis; recuo de
0,4% na produção do setor de bens de consumo semiduráveis e não duráveis; e
estabilidade na produção do setor de bens intermediários.
8.
A
taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa
Mensal de Emprego (PME), sem ajuste sazonal, recuou para 4,6% em novembro,
repetindo, assim, o mínimo da série histórica observado em dezembro de 2012. A
taxa de desocupação também atingiu o mínimo da série histórica iniciada em
2002, de acordo com a série dessazonalizada pelo Banco Central (5,1%), o que,
em parte, reflete redução da população economicamente ativa (PEA). Ainda de
acordo com a PME, o rendimento médio real habitual cresceu 3,0% em novembro,
comparado a igual mês do ano anterior; e a massa salarial real, 2,3%, na mesma
base de comparação. Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego
(MTE) mostram criação de 47,5 mil postos de trabalho formais em novembro (ante
46,1 mil em novembro de 2012). Em suma, dados disponíveis indicam estreita
margem de ociosidade no mercado de trabalho, embora existam alguns sinais de
moderação na margem.
9.
De
acordo com dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE, o
volume de vendas do comércio varejista ampliado cresceu 2,2% em outubro de
2013, em relação ao mesmo mês do ano anterior, e o do comércio varejista
restrito, 5,3%. As variações mês a mês foram de 1,8% e de 0,2%,
respectivamente, de acordo com as séries dessazonalizadas. Em doze meses, a
taxa de crescimento do comércio ampliado foi de 3,9%, com expansão em todos os
dez segmentos pesquisados. O Índice de Confiança do Comércio (ICOM), medido
pela FGV, registrou a quinta alta consecutiva em dezembro, em razão de melhoras
na percepção da situação atual. O Copom avalia que a trajetória do comércio
continuará sendo influenciada pelas transferências governamentais, pelo ritmo
de crescimento da massa salarial real e pela expansão moderada do crédito.
10. O Nível de Utilização
da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de
transformação, calculado pela FGV, sem ajuste sazonal, alcançou 84,9% em
dezembro (84,8% em dezembro de 2012) e, na série dessazonalizada pela FGV,
84,2%. A utilização da capacidade no setor de bens de capital ficou em 81,8%.
No setor de bens de consumo, de bens intermediários e de materiais de
construção, a utilização da capacidade se posicionou em 84,6%, 85,1% e 90,1%,
respectivamente. Por sua vez, a absorção de bens de capital cresceu 11,3% no
período de doze meses até novembro.
11. O saldo da balança
comercial alcançou US$2,6 bilhões em 2013 (US$19,4 bilhões em 2012). Esse
resultado adveio de exportações de US$242,2 bilhões e de importações de
US$239,6 bilhões, com recuo de 0,2% e avanço de 7,4%, respectivamente, em
relação ao ano anterior. Por sua vez, o deficit em transações correntes acumulado em doze meses
atingiu US$81,1 bilhões em novembro, equivalente a 3,7% do PIB. Já os
investimentos estrangeiros diretos totalizaram US$62,8 bilhões em doze meses
até novembro, equivalentes a 2,8% do PIB.
12. Na economia global, as
perspectivas apontam ritmo mais intenso da atividade em importantes economias
maduras. Na Europa, em que pese avanços recentes, altas taxas de desemprego,
aliadas à consolidação fiscal e incertezas políticas, constituem elementos de
contenção de investimentos e do crescimento. Note-se que indicadores
antecedentes compostos, divulgados pela Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE), referentes a novembro, e indicadores
coincidentes PMI, referentes a dezembro, apontam melhoras na margem em diversas
economias avançadas e emergentes, em especial no setor manufatureiro, com
perspectivas de crescimento compatíveis com a tendência ou acima desta. Em
relação à política monetária, o banco central norte-americano (Federal Reserve) iniciou processo de
redução gradual do programa de compra de ativos, no entanto, de modo geral,
prevalecem posturas acomodatícias nas economias maduras. Da mesma forma, nas
economias emergentes, a política monetária se apresenta predominantemente
expansionista. A inflação continua em níveis moderados ou baixos nos Estados
Unidos (EUA), na Zona do Euro e no Japão.
13. O preço do barril de
petróleo do tipo Brent recuou
ligeiramente desde a última reunião do Copom. Cabe ressaltar que a complexidade
geopolítica que envolve o setor de petróleo tende a acentuar o comportamento
volátil dos preços, que é reflexo, também, da baixa previsibilidade de alguns
componentes da demanda global e do fato de o crescimento da oferta depender de
projetos de investimentos de longa maturação e de elevado risco. Desde a última
reunião do Copom, os preços internacionais das commodities agrícolas recuaram 3,3%, e os preços das commodities metálicas aumentaram 4,9%. Por
sua vez, o Índice de Preços de Alimentos, calculado pela Organização das Nações
Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), recuou 3,5% em doze meses até
dezembro de 2013.
Avaliação
prospectiva das tendências da inflação
14.
Os
choques identificados, e seus impactos, foram reavaliados de acordo com o novo
conjunto de informações disponível. O cenário considerado nas simulações
contempla as seguintes hipóteses:
a) projeta-se
estabilidade nos preços da gasolina e do gás de bujão, para o acumulado de
2014;
b) a projeção aponta
elevação de 7,5%, para o acumulado de 2014, na tarifa residencial de
eletricidade;
c) projeta-se
estabilidade da tarifa de telefonia fixa, para o acumulado de 2014;
d) a projeção de
reajuste, construída item a item, para o conjunto de preços administrados por
contrato e monitorados, para o acumulado de 2014, foi mantida em 4,5%, mesmo
valor considerado na reunião do Copom de novembro; e
e) a projeção de
reajuste para o conjunto dos preços administrados por contrato e monitorados,
para o acumulado de 2015, é de 4,5%. Essas projeções baseiam-se em modelos de
determinação endógena de preços administrados, que consideram, entre outras
variáveis, componentes sazonais, inflação de preços livres e inflação medida
pelo Índice Geral de Preços (IGP).
15. A trajetória estimada
para a taxa do swap pré-DI de 360
dias indica spread sobre a taxa
Selic, no cenário de referência, de 0 ponto base (p.b.)
e 42 p.b. para o quarto trimestre de 2014 e de 2015,
respectivamente.
16. Considera-se como
indicador fiscal o superavit primário estrutural
que deriva das trajetórias de superavit
primário, tanto para 2014 quanto para 2015, conforme parâmetros estabelecidos
no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO)/2014. Dessa forma, em
determinado período, o impulso fiscal equivale à variação do superavit
estrutural em relação ao observado no período anterior.
17. Desde a última
reunião do Copom, a mediana das projeções coletadas pelo Departamento de
Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin)
para a variação do IPCA em 2014 elevou-se de 5,92% para 6,00%. Para 2015, a
mediana das projeções de inflação encontra-se em 5,50%.
18. O cenário de
referência leva em conta as hipóteses de manutenção da taxa de câmbio em
R$2,40/US$ e da taxa Selic em 10,00% ao ano (a.a.) em todo o horizonte relevante.
Nesse cenário, a projeção para a inflação de 2014 aumentou em relação ao valor
considerado na última reunião, e permanece acima da meta de 4,5% fixada pelo
Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, que leva em conta as
trajetórias de câmbio e de juros coletadas pelo Gerin
com analistas de mercado, no período imediatamente anterior à reunião do Copom,
a projeção de inflação para 2014 também aumentou em relação ao valor
considerado na reunião de novembro e permanece acima da meta para a inflação. Para 2015, em ambos os cenários, a projeção
de inflação se posiciona acima da
meta.
Implementação
da política monetária
19. O Copom avalia que a
política monetária deve contribuir para a consolidação de um ambiente
macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Nesse sentido, reitera que,
no regime de metas para a inflação, orienta suas decisões de acordo com os
valores projetados para a inflação pelo Banco Central e com base na análise de
cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a
dinâmica dos preços. O Comitê entende, também, que riscos baixos para a
inflação subjacente no curto prazo tendem a reduzir incertezas em relação ao
comportamento futuro da inflação plena, facilitam a avaliação de cenários por
parte da autoridade monetária, assim como auxiliam no processo de coordenação
de expectativas dos agentes econômicos, em particular, dos formadores de
preços. Note-se, adicionalmente, que riscos baixos para a inflação subjacente
no curto prazo tendem a potencializar os efeitos das ações de política
monetária, fazendo com que elas possam afetar de forma mais duradoura a
dinâmica da inflação plena no futuro. Embora reconheça que outras ações de
política macroeconômica podem influenciar a trajetória dos preços, o Copom
reafirma sua visão de que cabe especificamente à política monetária manter-se
especialmente vigilante, para garantir que pressões detectadas em horizontes
mais curtos não se propaguem para horizontes mais longos.
20. O Copom considera
que, desde sua última reunião, os riscos para a estabilidade financeira global
permaneceram elevados, em particular, os derivados de mudanças na inclinação da
curva de juros em importantes economias maduras. Apesar de identificar baixa
probabilidade de ocorrência de eventos extremos nos mercados financeiros
internacionais, o Comitê pondera que o ambiente externo permanece complexo. Para
o Comitê, amparadas em dados positivos recentemente divulgados, mantiveram-se as
perspectivas de atividade global mais intensa ao longo do horizonte relevante
para a política monetária. De fato, há avanços nas economias maduras, inclusive
em países da Área do Euro, não obstante, de modo geral, permanecer limitado o
espaço para utilização de política monetária e prevalecer cenário de restrição
fiscal neste e nos próximos anos. Já em importantes economias emergentes, o
ritmo de atividade não tem correspondido às expectativas, em que pese a
resiliência da demanda doméstica. O Comitê destaca ainda evidências de
acomodação dos preços de commodities
nos mercados internacionais, bem como de focos de tensão e de volatilidade nos
mercados de moeda.
21. O Copom pondera que o
cenário central contempla ritmo de expansão da atividade doméstica relativamente
estável este ano, em comparação a 2013, e que informações recentes indicam, no
horizonte relevante para a política monetária, mudanças na composição da
demanda e da oferta agregada. A absorção interna vem se expandindo a taxas
maiores do que as de crescimento do PIB e, na visão do Comitê, tende a ser
beneficiada pelos efeitos de ações de política fiscal, da expansão moderada da
oferta de crédito (especialmente, do crédito ao consumo), do programa de
concessão de serviços públicos e do programa de permissão para exploração de
petróleo, entre outros fatores. Para o Comitê, entretanto, delineia-se ambiente
em que o consumo tenderia a continuar em crescimento, porém, em ritmo mais
moderado do que o observado em anos recentes; e os investimentos ganhariam
impulso. No que se refere ao componente externo da demanda agregada, o cenário
de maior crescimento global, combinado com a depreciação do real, milita no
sentido de torná-lo mais favorável ao crescimento da economia brasileira. Pelo
lado da oferta, o Comitê avalia que emergem perspectivas mais favoráveis à
competitividade da indústria e da agropecuária e que, no horizonte relevante
para a política monetária, o setor de serviços tenderia a crescer a taxas
menores do que as registradas em anos recentes. É plausível afirmar que esses
desenvolvimentos – somados a avanços em termos de qualificação da mão de obra –
traduzir-se-ão numa alocação mais eficiente dos fatores de produção da economia
e em ganhos de produtividade. O Comitê ressalta, ainda, que a velocidade de
materialização das mudanças acima citadas e dos ganhos delas decorrentes
depende do fortalecimento da confiança de firmas e famílias.
22. O Copom observa que o
cenário central para a inflação leva em conta a materialização das trajetórias
com as quais trabalha para as variáveis fiscais e que se criam condições para
que, no horizonte relevante para a política monetária, o balanço do setor
público se desloque para a zona de neutralidade. O Comitê nota ainda que a
geração de superavit
primários compatíveis com as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções
de inflação, de um lado, contribuiria para arrefecer o descompasso entre as
taxas de crescimento da demanda e da oferta; de outro, contribuiria para criar
uma percepção positiva sobre o ambiente macroeconômico no médio e no longo
prazo. Importa destacar, também, que a geração de superavit primários em patamares
próximos à média dos gerados em anos mais recentes contribuiria para diminuir o
custo de financiamento da dívida pública, com repercussões favoráveis sobre o
custo de capital de modo geral, o que estimularia o investimento privado no
médio e no longo prazo.
23. O Copom destaca que o
cenário central também contempla expansão moderada do crédito. Ainda sobre esse
mercado, o Comitê considera oportunas iniciativas no sentido de moderar
concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito.
24. No mercado de
fatores, o Copom destaca a estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho
e pondera que, em tais circunstâncias, um risco significativo reside na possibilidade
de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da
produtividade e suas repercussões negativas sobre a inflação. Não obstante a
concessão este ano de reajuste para o salário mínimo não tão expressivo quanto
em anos anteriores, bem como a ocorrência nos últimos trimestres de variações reais
de salários mais condizentes com as estimativas de ganhos de produtividade do
trabalho, o Comitê avalia que a dinâmica salarial permanece originando pressões
inflacionárias de custos.
25. O Copom avalia que a
depreciação e a volatilidade da taxa de câmbio verificadas nos últimos semestres
ensejam uma natural e esperada correção de preços relativos. Para o Comitê, os movimentos
nos mercados domésticos de divisas, em certa medida, refletem perspectivas de
transição dos mercados financeiros internacionais na direção da normalidade,
entre outras dimensões, em termos de liquidez e de taxas de juros. Importa
destacar ainda que, para o Comitê, a citada depreciação cambial constitui fonte
de pressão inflacionária em prazos mais curtos. No entanto, os efeitos
secundários dela decorrentes, e que tenderiam a se materializar em prazos mais
longos, podem e devem ser limitados pela adequada condução da política
monetária.
26. O Copom pondera que a
elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos doze meses
contribui para que a inflação ainda mostre resistência, que, a propósito, tem
se mostrado ligeiramente acima daquela que se antecipava. Nesse contexto, inserem-se
também os mecanismos formais e informais de indexação e a percepção dos agentes
econômicos sobre a dinâmica da inflação. Tendo em vista os danos que a
persistência desse processo causaria à tomada de decisões sobre consumo e
investimentos, na visão do Comitê, faz-se necessário que, com a devida
tempestividade, o mesmo seja revertido. Dessa forma, o Copom entende ser
apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em
curso.
27. Diante disso, dando
prosseguimento ao processo de ajuste da taxa básica de juros, iniciado na
reunião de abril de 2013, o Copom decidiu por unanimidade, neste momento,
elevar a taxa Selic em 0,50 p.p., para 10,50% a.a.,
sem viés.
28. Votaram por essa
decisão os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini (Presidente),
Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton
Vasconcelos Araújo, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz
Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques.
29. O Copom avalia que a
demanda agregada tende a se apresentar relativamente robusta. De um lado, o consumo
das famílias tende a continuar em expansão, devido aos efeitos de fatores de
estímulo como o crescimento da renda e a expansão moderada do crédito; de
outro, condições financeiras favoráveis, concessão de serviços públicos,
ampliação das áreas de exploração de petróleo, entre outros, criam boas
perspectivas para os investimentos. Esses elementos e os desenvolvimentos no
âmbito parafiscal e no mercado de ativos são partes
importantes do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão
tomadas, com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a
trajetória de metas.
30. O Copom ressalta que
a evidência internacional, no que é ratificada pela experiência brasileira,
indica que taxas de inflação elevadas geram distorções que levam a aumentos dos
riscos e deprimem os investimentos. Essas distorções se manifestam, por
exemplo, no encurtamento dos horizontes de planejamento das famílias, empresas
e governos, bem como na deterioração da confiança de empresários. O Comitê
enfatiza, também, que taxas de inflação elevadas subtraem o poder de compra de
salários e de transferências, com repercussões negativas sobre a confiança e o
consumo das famílias. Por conseguinte, taxas de inflação elevadas reduzem o
potencial de crescimento da economia, bem como de geração de empregos e de
renda.
31. O Copom destaca que,
em momentos como o atual, a política monetária deve se manter especialmente
vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como
o observado nos últimos doze meses, persistam no horizonte relevante para a
política monetária. Ao mesmo tempo, o Comitê pondera que a transmissão dos
efeitos das ações de política monetária para a inflação ocorre com defasagens.
32. Ao final da reunião,
foi registrado que o Comitê voltará a se reunir em 25 de fevereiro de 2014,
para as apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar sobre a
política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado nº 24.064, de 12 de
junho de 2013.
SUMÁRIO
DOS DADOS ANALISADOS PELO COPOM
33. O IPCA variou 0,92%
em dezembro, ante 0,54% em novembro, alta de 5,91% em 2013, ante 5,77% nos doze
meses até novembro e 5,84% em 2012, de acordo com o IBGE. A aceleração mensal
refletiu os avanços de 0,36 p.p., para 0,92%, na variação dos preços livres e
de 0,43 p.p., para 0,91%, na dos preços monitorados. A evolução dos preços
livres refletiu as acelerações dos preços dos bens não comercializáveis, de
0,61% para 1,13%, com destaque para serviços, com variação de 1,16%, ante 0,65%
no mês anterior, e dos produtos comercializáveis, de 0,50% para 0,68%. A
aceleração mensal do IPCA foi favorecida, principalmente, pelos avanços de
0,36% para 1,85% nos preços do grupo transportes, com contribuição de 0,35 p.p.
para o índice, ante 0,07 p.p. em outubro, e de 0,56% para 0,89% no grupo
alimentação e bebidas, com contribuição de 0,22 p.p., ante 0,14 p.p. no mês
anterior. O índice de difusão atingiu 69,32% em dezembro, ante 68,22% em
novembro.
34.
Considerados
períodos de doze meses, os preços livres desaceleraram de 7,31%, em novembro,
para 7,29% em dezembro, reflexo da evolução de 6,20% para 6,01% na variação dos
preços dos bens comercializáveis, enquanto os preços dos bens não
comercializáveis aceleraram de 8,29% para 8,43%. A elevação dos preços monitorados
atingiu 1,54%, ante 0,95% no período de doze meses encerrado em novembro. Os
preços dos serviços aumentaram 8,75%, ante variações de 8,55% e 8,74%, nos
períodos de doze meses finalizados em novembro e outubro, respectivamente.
35.
O
IGP-10 variou 0,58% em janeiro, após alta de 0,44% em dezembro, de acordo com a
FGV, refletindo acelerações nos seus três componentes. O indicador acumula
aumento de 5,55% em doze meses, comparativamente a 5,39% até dezembro.
36.
O
IPA-10 avançou 0,55% em janeiro, ante 0,38% em dezembro, acumulando alta de
5,19% em doze meses. Os preços dos produtos industriais aumentaram 0,81% no
mês, ante 0,35% em dezembro, acumulando alta de 8,00% em doze meses. Os preços
dos produtos agropecuários recuaram 0,14% em janeiro, ante alta de 0,45% no mês
anterior, acumulando queda de 1,68% em doze meses. O desempenho mensal dos
preços dos produtos industriais evidenciou o aumento dos derivados de petróleo
e álcool, 3,58%, com contribuição de 0,29 p.p. para o
índice. Em relação aos produtos agropecuários, ressaltem-se as variações dos
itens café, 13,37%, e bovinos, 2,62%, exercendo contribuições de 0,11 p.p. e 0,10 p.p.,
respectivamente.
37.
O
IPC-10 variou 0,76% em janeiro, ante 0,68% em dezembro, acumulando alta de
5,48% em doze meses. A aceleração do IPC-10 em janeiro refletiu especialmente
as elevações nos grupos transportes, 1,17% ante 0,41% em dezembro, e educação,
leitura e recreação, 1,72% ante 0,48%, com contribuições respectivas de 0,20 p.p. e 0,13 p.p. O INCC-10 variou
0,36% em janeiro, ante 0,26% em dezembro, com aceleração nos preços de
materiais, equipamentos e serviços, de 0,20% para 0,26%, e alta de 0,45% nos
custos de mão de obra, ante 0,32% no mês anterior. O INCC-10 acumulou variação
de 8,18% em doze meses.
38. O IPP/IT variou 0,62%
em novembro, ante -0,45% em outubro, acumulando variação de 5,04% no ano, ante
6,84% no mesmo período de 2012. O resultado mensal do IPP/IT refletiu,
especialmente, as elevações de 1,22%, 1,20% e 0,72% nos preços dos segmentos
alimentos, metalurgia e veículos automotores, reboques e carrocerias, com
contribuições respectivas para o índice de 0,25 p.p.,
0,09 p.p. e 0,08 p.p. Em
doze meses, o IPP/IT aumentou 5,47% em novembro, ante 5,09% no mês anterior,
destacando-se as contribuições dos itens alimentos, 1,42 p.p.;
metalurgia, 0,61 p.p.; e coque, derivados do petróleo
e biocombustíveis, 0,47 p.p.
39. O Índice Commodities – Brasil (IC-Br) avançou 2,49% em dezembro, após alta de 2,73% em
novembro, com avanços respectivos de 1,53%, 3,31% e 6,10% nos segmentos de commodities agropecuárias, metálicas e
energéticas. Em 2013, o IC-Br avançou 3,12%,
resultado de valorizações de 0,23%, 4,88% e 14,70%, na ordem, nas commodities agropecuárias, metálicas e
energéticas.
40. O PIB recuou 0,5% no
terceiro trimestre de 2013, em relação ao trimestre anterior, quando havia
crescido 1,8% (revisado), de acordo com dados dessazonalizados do IBGE. Em
relação ao terceiro trimestre de 2012, o PIB cresceu 2,2%. Pela ótica da
oferta, considerados dados dessazonalizados, o resultado refletiu variações de
-3,5% na agropecuária, 0,1% na indústria e 0,1% nos serviços. O componente
doméstico da demanda registrou elevações no consumo das famílias, 1,0%, e do
governo, 1,2% contrastando com a queda de 2,2% na FBCF, enquanto no âmbito do
setor externo as exportações e as importações retraíram 1,4% e 0,1%,
respectivamente. No acumulado do ano, o PIB elevou-se 2,4%, com crescimentos de
8,1% na agropecuária, 2,1% nos serviços e 1,2% na indústria. A análise da
demanda revela, no mesmo período, contribuições de 3,6 p.p. do componente
doméstico, com ênfase nas variações respectivas de 6,5%, 2,4% e de 1,8% na FBCF
e nos consumos das famílias e do governo, respectivamente; e de -1,2 p.p. do
setor externo, reflexo de elevações de 1,4% nas exportações e de 9,6% nas
importações.
41.
O
IBC-Br cresceu 0,77% em outubro em relação a setembro, quando registrara
estabilidade, considerados dados dessazonalizados. O indicador variou 0,43% no
trimestre encerrado em outubro, ante o finalizado em julho, quando havia
aumentado 0,16% no mesmo tipo de comparação. Na série com dados observados, o
IBC-Br cresceu 2,74%, em relação a outubro de 2012, ante 3,33% em setembro, na
mesma base de comparação, e acumulou elevações de 2,81% no ano e de 2,44% no
período de doze meses terminado em outubro.
42.
As
vendas do comércio ampliado, que inclui veículos e materiais de construção,
cresceram 1,8% em outubro em relação ao mês anterior, de acordo com dados
dessazonalizados da PMC do IBGE, após queda de 0,7% em setembro e alta de 0,3%
em agosto. As vendas aumentaram 1,2% no trimestre finalizado em outubro, em
relação ao encerrado em julho, quando haviam crescido 0,5%, no mesmo tipo de
comparação. Ocorreram elevações mensais nas vendas de sete dos dez segmentos
pesquisados, com destaque para veículos e motos, partes e peças, 6,2%;
equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, 3%; e
livros jornais, revistas e papelaria, 1,5%. Em oposição, ressaltem-se as
retrações de 0,4% nas vendas de hipermercados, supermercados e produtos
alimentícios e nas de tecidos, vestuários e calçados. As vendas do comércio
varejista cresceram 0,2% em outubro, comparativamente ao mês anterior, após
altas de 0,5% em setembro e de 0,9% em agosto, acumulando expansão de 2,8% no
trimestre encerrado em outubro, em relação ao finalizado em julho.
43.
Considerados
os dados observados, as vendas do comércio ampliado apresentaram expansão
interanual de 2,2% em outubro, com ênfase no crescimento de outros artigos de
uso pessoal e doméstico, 11,9%; artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de
perfumaria e cosméticos, 11,4%; e equipamentos e materiais para escritório,
informática e comunicação, 10,5%. Em oposição, ressalte-se o recuo de 4,2% nas
vendas de veículos e motos, partes e peças, no mesmo tipo de comparação. O
comércio ampliado cresceu 3,9% no período de doze meses encerrado em outubro,
destacando-se o aumento das vendas de outros artigos de uso pessoal e
doméstico, 10,9%; artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e
cosméticos, 9,2%; e material de construção, 7%. Na comparação interanual e no
período de doze meses encerrado em outubro, o comércio varejista cresceu 5,3% e
4,5%, respectivamente.
44.
As
vendas de autoveículos pelas concessionárias, incluindo automóveis, comerciais
leves, caminhões, e ônibus, atingiram 353,9 mil unidades em dezembro, elevação
de 5,2% em relação a novembro, de acordo com dados da Federação Nacional da
Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), dessazonalizados pelo Banco
Central. Essas vendas recuaram 0,9% no quarto trimestre, em relação ao
terceiro, quando decresceram 4,3% no mesmo tipo de comparação. Em 2013, as
vendas de autoveículos diminuíram 1,6% relativamente ao ano anterior,
refletindo, principamente, a retração de 4% na venda
de automóveis. Em oposição, as vendas de ônibus, caminhões e comerciais leves
aumentaram 20,6%, 13% e 3,6%, respectivamente.
45.
O
índice de quantum das importações de
bens de capital, divulgado pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior
(Funcex) e ajustado sazonalmente pelo Banco Central, recuou 0,8% em novembro,
na comparação com o mês anterior. A análise dos dados observados indicou
variações de -5,1% em relação a novembro de 2012, de 2,7% no ano e de 2,8% no
intervalo de doze meses terminado em novembro.
46.
A
produção de bens de capital recuou 2,6% em novembro, acumulando expansão de
2,9% no trimestre encerrado em novembro, relativamente ao finalizado em agosto,
de acordo com dados dessazonalizados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção
Física (PIM-PF), do IBGE. O resultado mensal refletiu, sobretudo, as retrações
na produção das indústrias de bens de capital para fins industriais, 6,5%; e de
equipamentos de uso misto, 2,9%. Em oposição, ressalte-se o crescimento de
11,9% da indústria de peças agrícolas. Considerando dados observados, a
expansão de 9,6%, em relação a novembro de 2012, repercutiu, especialmente, a
elevação da produção de bens de capital para construção, 55,7%; de equipamentos
agrícolas, 18,3%; e de equipamentos de transporte, 9%.
47.
A
produção de insumos típicos da construção civil retraiu 1,9% em novembro,
acumulando elevação de 0,2% no trimestre encerrado em novembro, em relação ao
finalizado em agosto, considerando dados dessazonalizados. No período de doze
meses encerrado em novembro, a produção do segmento cresceu 1,7%.
48.
Os
desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
somaram R$194,4 bilhões no intervalo de doze meses encerrado em outubro,
elevação de 35,1% em relação a igual período de 2012. Aumentaram os recursos
destinados a todos os segmentos: agropecuária, 71%; comércio e serviços, 66%;
infraestrutura, 30%; e indústria, 11%. No período, o setor de infraestrutura
absorveu 33% do total dos recursos liberados, seguido pelo comércio e serviços,
30%; indústria, 28%; e agropecuária, 9%.
49.
A
produção física da indústria geral decresceu 0,2% em novembro, em relação ao
mês anterior, de acordo com dados dessazonalizados do IBGE, após alta de 0,6%
em outubro. As indústrias extrativa e a de transformação variaram -3,1% e 0,1%,
respectivamente, no mês. Entre as categorias de uso, destaque para a produção
de bens de capital, que recuou 2,6% em novembro, contrastando com as elevações
em bens intermediários, 1,2%; e em bens de consumo, 0,5%. Treze das 26
atividades da indústria de transformação consideradas na pesquisa aumentaram a
produção, com destaque para a farmacêutica, 9,6%; de fumo, 5,4%; e de refino de
petróleo e álcool, 4%. Em oposição, a produção diminuiu nos segmentos de
equipamentos de instrumentação médico-hospitalar, ópticos e outros, -16%;
edição, impressão e reprodução, -5,3%; perfumaria, sabões, detergentes e outros
produtos de limpeza, -4,6%; vestuário, -3,5%; têxtil, -3,5%; produtos de metal,
-3,4%; e veículos automotores, -3,2%. A produção da indústria aumentou 0,3% no
trimestre encerrado em novembro, ante o finalizado em agosto, quando declinara
0,2%, resultado das expansões de 1,9% na indústria extrativa e de 0,2% na de
transformação. Destacaram-se os aumentos das indústrias de diversos, 12,6%; de
fumo, 9,5%; de perfumaria, sabões, detergentes e outros produtos de limpeza,
7,5%; e de madeira, 5%; e as retrações das indústrias de equipamentos de
instrumentação médico-hospitalar, ópticos e outros, -8%; de edição, impressão e
reprodução, -5,2%; de bebidas, -5,2%, e de vestuário, -5,1%. Considerados dados
observados, a produção física da indústria geral aumentou 0,4%, em relação a
novembro de 2012, refletindo elevações de 0,1% na indústria extrativa e de 0,4%
na de transformação, com destaque para a expansão de 9,6% da produção de bens
de capital, seguida pelo crescimento de 1,3% na indústria de bens
intermediários, em contraposição à redução de 4,1% na produção de bens de
consumo duráveis e de 1,6% na de bens de consumo semi e não duráveis. As
elevações respectivas de 1,1% e 1% registradas no trimestre encerrado em
novembro e no período de doze meses finalizado em novembro, relativamente a
igual período do ano anterior, foram influenciadas, sobretudo, pelo crescimento
de 17% e 11,5%, respectivamente, da indústria de bens de capital.
50.
O
Nuci da indústria de transformação atingiu 84,2% em
dezembro, queda de 0,1 p.p. em relação ao observado
em novembro, segundo dados dessazonalizados pela FGV. Ocorreram retrações de
1,5 p.p. na indústria de bens de capital, de 0,8 p.p. na de bens de consumo não duráveis e de 0,4 p.p. na de material de construção; elevação de 0,1 p.p. na indústria de bens de consumo duráveis; e
estabilidade na relativa a bens intermediários. Considerada a série observada,
o Nuci elevou-se 0,1 p.p.
em relação a dezembro de 2012, atingindo 84,9%, resultado de elevações de 1,7 p.p. em material de construção e de 0,2 p.p.
em bens intermediários, e de reduções respectivas de 3,1 p.p.,
1,6 p.p. e 0,2 p.p. nos
segmentos de bens de consumo duráveis, bens de consumo não duráveis e bens de
capital.
51.
A
produção de autoveículos atingiu 235,9 mil unidades em dezembro, redução de
5,7% em relação a novembro, de acordo com dados da Associação Nacional dos
Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), dessazonalizados pelo Banco
Central. No quarto trimestre, a produção de autoveículos recuou 9,5% em relação
ao terceiro, quando declinara 8,7%, no mesmo tipo de comparação. Considerando
dados observados, a produção variou -12,1% em relação a dezembro de 2012 e 9,9%
no acumulado do ano.
52.
Ainda
segundo a Anfavea, o licenciamento de autoveículos nacionais variou 7,5% em
relação a novembro e -0,1% no trimestre encerrado em dezembro, de acordo com
dados dessazonalizados pelo Banco Central. Considerados dados observados, houve
expansão de 0,1% em relação a dezembro de 2012 e de 1,5% em 2013. As
exportações de autoveículos montados somaram 40,3 mil unidades em dezembro,
variando -2,2% em relação a igual mês do ano anterior e 26,5% no ano. Considerada
a série dessazonalizada pelo Banco Central, as exportações recuaram 8,9% em
relação a novembro, acumulando contração de 25% no quarto trimestre, ante o
terceiro.
53. De acordo com o LSPA,
do IBGE, referente a dezembro, a safra de grãos do país deverá totalizar 188,2
milhões de toneladas em 2013, variando 16,2% em relação a 2012 e 0,7% em
relação ao levantamento de novembro. A projeção para o ano reflete,
principalmente, o aumento de 24,3% estimado para a produção de soja,
seguindo-se os prognósticos de crescimento de 30,4%, 13,0%, 4,1% e 3,2% para as
culturas do trigo, milho, feijão e arroz, respectivamente. Projeta-se,
adicionalmente, elevação de 10,0% na safra de cana-de-açúcar e retrações
respectivas de 14,8% e 4,7% nas de laranja e de café, na mesma base de comparação.
Ainda segundo o instituto, que elaborou o terceiro prognóstico para a safra de
2014, estima-se que a produção de grãos atingirá 189,6 milhões de toneladas,
0,7% superior à projetada para 2013, influenciada principalmente pela expansão
esperada de 10,5% na produção de soja, parcialmente compensada pela retração
estimada de 9,2% para a cultura do milho.
54. De acordo com a
Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do IBGE, a receita nominal do setor cresceu
8,8% em outubro, ante igual mês de 2012, após variações de 9,7% em setembro e
de 6,6% em agosto. O desempenho interanual em outubro repercutiu expansão de
todos os segmentos analisados: serviços prestados às famílias, 12,6%;
transportes e serviços auxiliares aos transportes e correio, 9,9%; serviços de
informação e comunicação, 7,9%; e serviços profissionais, administrativos e
complementares, 7,2%. No acumulado do ano até outubro, a receita nominal do
setor de serviços aumentou 8,5%, com destaque para o segmento de transportes e
serviços auxiliares aos transportes e correio, 10,8%.
55.
O
Índice de Confiança do Consumidor (ICC), considerados os dados dessazonalizados
da Sondagem de Expectativas do Consumidor, da FGV, de abrangência nacional,
atingiu 111,5 pontos em dezembro. A retração de 1,2% em relação a novembro
refletiu recuos de 1,3% no Índice da Situação Atual (ISA) e de 0,4% no Índice
de Expectativas (IE). O ICC variou -6,3% em relação a dezembro de 2012,
resultado das quedas de 10,6% no ISA e de 3,5% no IE.
56.
O
ICS, da FGV, considerados dados dessazonalizados, atingiu 118,9 pontos em
dezembro. A expansão de 2,6% em relação a novembro refletiu acréscimos de 4,1%
no IE e de 0,6% no ISA. O ICS recuou 3,6% em relação a dezembro de 2012,
resultado das reduções de 3,4% no IE e de 3,8% no ISA.
57.
O ICOM, calculado pela Sondagem
Conjuntural do Comércio, da FGV, atingiu 126,9 pontos em dezembro. A expansão
mensal de 1,2%, em relação ao mesmo mês de 2012, decorreu das variações de
2,9%, no Índice de Situação Atual (ISA-COM) e de -0,3% no Índice de
Expectativas (IE-COM). O ICOM registrou contração de 3% no quarto trimestre, em
relação ao mesmo período de 2012, resultado das quedas de 6,4% no ISA-COM e de
0,4% no IE-COM.
58.
O
Índice de Confiança da Indústria (ICI), considerados dados dessazonalizados da
Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, da FGV, atingiu 100,1
pontos em dezembro. A elevação mensal de 1,1% foi resultado dos aumentos de
2,2% no IE e de 0,1% no ISA. O indicador recuou 5,8% em relação a dezembro de
2012, refletindo retrações de 5,5% no IE e de 5,9% no ISA.
59. O Índice de Confiança
da Construção (ICST), calculado pela Sondagem Conjuntural da Construção, da
FGV, atingiu 115,6 pontos em dezembro, retração de 5% em relação a igual mês de
2012. O resultado refletiu reduções de 5% no Índice de Situação Atual
(ISA-ICST) e de 4,9% no Índice de Expectativas (IE-ICST). O ICST também
registrou retração no quarto trimestre de 2013, 3,9%, comparativamente a igual
período de 2012, em decorrência das contrações de 6,2% no ISA-ICST e de 1,6% no
IE-ICST.
60. Segundo dados
divulgados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do MTE,
foram gerados 47,5 mil empregos formais em novembro, ante 46,1 mil em igual mês
de 2012, dos quais 103,3 mil no comércio e 44,8 mil em serviços, parcialmente
compensados pelas contrações de 34,3 mil na indústria de transformação, de 33,2
mil na agropecuária e de 31,8 mil na construção. No acumulado do ano foram abertos
1,2 milhão de postos e no período de doze meses encerrado em novembro, 683,2
mil, ante 1,4 milhão e 957 mil, respectivamente, nos períodos equivalentes em
2012. O nível de emprego formal registrou aumento mensal de 0,1% em relação a
outubro, considerados dados dessazonalizados pelo Banco Central.
61. A taxa de desemprego
atingiu 4,6% em novembro, redução de 0,6 p.p. em relação a outubro e de 0,3
p.p. comparativamente a novembro de 2012, de acordo com a PME do IBGE,
realizada nas seis principais regiões metropolitanas do país. O resultado
mensal refletiu aumento de 0,1% da população ocupada e queda de 0,5% da PEA. Em
relação a novembro de 2012, a ocupação decresceu 0,7%, ante 0,4% em outubro, na
mesma base de comparação. A taxa de desemprego, ajustada sazonalmente, diminuiu
de 5,3% em outubro para 5,1% em novembro. Segundo a mesma pesquisa, o
rendimento médio real habitualmente recebido pelos trabalhadores cresceu 2% no
mês e 3% na comparação interanual, enquanto a massa salarial real – definida
como o produto do número de pessoas ocupadas pelo rendimento médio real
habitual do trabalho principal – variou 2% e 2,2%, respectivamente, nas mesmas
bases de comparação.
62. O saldo total de
crédito do sistema financeiro, incluindo-se as operações com recursos livres e
direcionados, atingiu R$2.647 bilhões em novembro, com expansões de 1,5% no mês
e de 14,5% em doze meses. A relação crédito/PIB aumentou 0,5 p.p. em relação a
outubro, ao alcançar 55,6%, e cresceu 2,7 p.p. comparativamente a novembro de
2012. O saldo de operações com recursos livres, equivalente a 55,9% do estoque
total do sistema financeiro, cresceu 1% no mês e 7,8% em doze meses, refletindo
variações de 0,3% e 7,7%, respectivamente, no saldo das operações com pessoas
físicas e de 1,7% e de 8% no relativo a pessoas jurídicas. Os financiamentos
com recursos direcionados apresentaram acréscimos respectivos de 2,1% e 24,4%,
nas mesmas bases comparativas, com destaque para os aumentos de 2,6% e 28,3%, respectivamente,
do crédito rural, e de 2,3% e 34,2% dos financiamentos imobiliários, destinados
a pessoas físicas, e de 2,5% e 31,1%, na ordem, do crédito rural, entre as
operações destinadas a pessoas jurídicas.
63.
A
taxa média de juros das operações de crédito do sistema financeiro atingiu 20%
a.a. em novembro, elevação de 0,2 p.p. em relação a
outubro e de 1,1 p.p. ante novembro de 2012. A taxa
média atingiu 26,1% nas operações com pessoas físicas, com variações de -0,1 p.p. no mês e de 1 p.p. em doze
meses, e 15,1% no segmento de pessoas jurídicas, com expansões respectivas de
0,3 p.p. e de 0,9 p.p.,
para o mesmo tipo de comparação.
64. O prazo médio geral
das concessões de operações de crédito atingiu 94,8 meses em novembro, recuando
0,8 mês em relação a outubro e aumentando 8,1 meses na comparação com novembro
de 2012. No segmento de pessoas físicas, o prazo médio situou-se em 137,8
meses, elevando-se 1,6 mês e 17 meses, respectivamente. No segmento de pessoas
jurídicas, o prazo médio alcançou 61 meses, com retração de 2,7 meses em
relação a outubro e acréscimo de 0,3 mês relativamente novembro de 2012.
65. A taxa de
inadimplência do sistema financeiro, correspondente às operações com atrasos
superiores a noventa dias, atingiu 3,1% em novembro, recuando 0,1 p.p. em relação a outubro e 0,7 p.p.
ante novembro de 2012. Os indicadores referentes às operações com pessoas
físicas e jurídicas situaram-se em 4,5% e 1,9%, respectivamente, em novembro,
ambos com redução de 0,1 p.p. em relação a outubro e
de 1,2 p.p. e 0,4 p.p., na
ordem, em doze meses.
66. Nos EUA, a variação
trimestral anualizada do PIB do terceiro trimestre foi revisada para cima,
4,1%, ante de 2,8% e 3,6%, respectivamente, nas duas estimativas anteriores. A
taxa de desemprego recuou em dezembro para 6,7%, enquanto a geração de postos
de trabalho não rurais desacelerou para 74 mil em dezembro, de 241 mil em
novembro. Os preços dos imóveis residenciais seguem em elevação, o que, junto
com a alta das ações, tem proporcionado elevação da riqueza das famílias. Em
dezembro, a confiança do consumidor, medida pelo índice Thomson
Reuters/Universidade de Michigan, atingiu o maior valor em cinco meses. Na Área
do Euro, a taxa de desemprego mantém-se há oito meses em 12,1%. O índice de
sentimento econômico expandiu-se pelo oitavo mês consecutivo, e o PMI composto
subiu para 52,1 em dezembro, com média de 51,9 no último trimestre de 2013,
ante 51,4 no trimestre anterior. No Japão, as exportações seguem em expansão,
beneficiadas pelo crescimento da atividade econômica global e pela
desvalorização do iene, o que tem favorecido a expansão dos lucros corporativos
e dos investimentos empresariais. A produção industrial média do bimestre
outubro/novembro registrou alta de 1,7% frente à média do terceiro trimestre.
Em dezembro, o PMI manufatura subiu para 55,2, o maior valor desde julho de
2006, quando havia assinalado 55,4. Na China, a atividade econômica permanece
sólida, com as exportações crescendo de forma consistente, impulsionadas pela
alta das vendas para a Área do Euro. A despeito do recuo, na margem, do PMI
composto (51,2 em dezembro), no trimestre encerrado em dezembro, o índice
registrou média de 51,8, ante 50,8 no trimestre anterior.
67.
Desde
o último Copom, os mercados acionários se valorizaram na maior parte das
economias avançadas, enquanto que, nas economias emergentes, o comportamento
foi mais volátil, com altas nos índices da África do Sul, Índia e Indonésia, e
recuos nos índices do Brasil, China, Tailândia e Turquia. Os rendimentos anuais
dos títulos de dez anos do Tesouro dos EUA subiram no período entre reuniões,
tendo registrado trajetória de alta até o final de 2013, e de baixa desde
então. O dólar avançou em relação às moedas da África do Sul,
Canadá, Japão, Tailândia e Turquia; mas recuou frente ao euro e ao dólar
neozelandês.
68.
No
mercado internacional de commodities,
as agropecuárias apresentaram trajetórias distintas, com destaques para as
altas nos preços do café, algodão, milho e da carne bovina, e recuos nos preços
do trigo e do açúcar. Os preços das commodities
metálicas, com exceção de minério de ferro e estanho, avançaram. Dentre as
energéticas, ressalte-se o recuo no preço do barril do tipo Brent, refletindo a retomada da produção
na Líbia.
69. De acordo com o International Financial Statistics, do
Fundo Monetário Internacional (FMI), a variação anual do IPC global declinou
para 3,1% em outubro, de 3,2% em setembro e 3,6% em julho, refletindo a
desaceleração nos aumentos de preços nas economias avançadas, de 1,6% para 1,2%
e 1,0%, respectivamente, enquanto nas em desenvolvimento as taxas foram, na
ordem, de 6,6%, 6,2% e 6,4%. Desde a última reunião do Copom, os bancos
centrais dos EUA, Área do Euro, Japão e Reino Unido conservaram as respectivas
taxas de juros oficiais nas mínimas históricas. Nos EUA, em reunião de 18 de
dezembro, o Fed decidiu reduzir a magnitude de seu programa de compras mensais
de ativos em US$10 bilhões, para US$75 bilhões. As autoridades monetárias da
Tailândia, Hungria, Suécia e Romênia ampliaram a postura expansionista de suas
políticas, reduzindo suas respectivas taxas básicas.
Comércio
exterior e reservas internacionais
70. A balança comercial
brasileira apresentou superavit
de US$2,7 bilhões em dezembro, resultado de exportações de US$20,8 bilhões e
importações de US$18,2 bilhões. O superavit somou US$2,6 bilhões em 2013, ante superavit de
US$19,4 bilhões em 2012, refletindo retração de 1% das exportações e aumento de
6,5% das importações, consideradas as médias diárias. A corrente de comércio
totalizou US$481,8 bilhões em 2013, expansão de 2,6% na comparação com o ano
anterior, pelo critério de média diária.
71. As reservas
internacionais no conceito de liquidez, que inclui linhas com recompra,
totalizaram US$375,8 bilhões em dezembro, reduções de US$302 milhões no mês e
US$2,8 bilhões na comparação com o final de 2012. No conceito caixa, o estoque
atingiu US$358,8 bilhões, redução de US$3,6 bilhões em relação a novembro e de
US$14,3 bilhões comparativamente a dezembro de 2012. No mês, as liquidações de
operações de linhas com compromisso de recompra somaram vendas de US$3,3
bilhões, enquanto o estoque das operações registrou US$17 bilhões.
Mercado
monetário e operações de mercado aberto
72. Após a reunião do
Copom de novembro, a curva de juros doméstica apresentou significativa
oscilação, terminando o período em alta no trecho curto e com relativa
estabilidade no médio e longo prazo. Os principais fatores que contribuíram
para a elevação das taxas foram a divulgação de índices de inflação acima do
esperado, o movimento de valorização do dólar, as preocupações com a condução
da política fiscal e, no âmbito externo, a decisão do Federal Reserve de iniciar em janeiro a redução dos estímulos
monetários. Entre 25 de novembro de 2013 e 13 de janeiro de 2014, as taxas de
juros de um, três e seis meses aumentaram 0,42 p.p., 0,35 p.p. e 0,14 p.p.,
respectivamente. As taxas para os prazos de um e dois anos recuaram 0,09 p.p. e
0,08 p.p., respectivamente, enquanto a de três anos subiu 0,08 p.p. A taxa real
de juros, medida pelo quociente entre a taxa nominal de um ano e a expectativa
de inflação (suavizada) para os próximos doze meses, apresentou elevação de
4,42%, em 25 de novembro, para 4,46%, em 13 de janeiro, devido, principalmente,
ao recuo das expectativas inflacionárias.
73. No período de 26 de
novembro de 2013 a 13 de janeiro de 2014, o Banco Central realizou leilões de swap cambial tradicional com vencimentos
entre março e setembro de 2014. Essas operações totalizaram o equivalente a
US$22,6 bilhões, dos quais US$12,0 bilhões referentes à rolagem de contratos
com vencimentos em 2 de dezembro de 2013 e 2 de janeiro de 2014. Em 13 de
janeiro, o saldo líquido da posição passiva em câmbio do Banco Central, nesse
instrumento, alcançou o equivalente a US$77,0 bilhões em valor nocional.
74. Na administração da
liquidez do mercado de reservas bancárias, o Banco Central realizou, de 26 de
novembro de 2013 a 13 de janeiro de 2014, diariamente, operações compromissadas
de prazo de três meses, tomando recursos no valor total de R$48,3 bilhões e,
semanalmente, operações compromissadas de prazo de seis meses, tomando recursos
no valor total de R$19,7 bilhões. O saldo diário médio do estoque das operações
de longo prazo recuou de R$267,4 bilhões, entre 8 de outubro e 25 de novembro,
para R$194,3 bilhões, entre 26 de novembro e 13 de janeiro. No mesmo período,
realizou operação compromissada com prazo de 33 dias úteis, no montante de
R$296,6 bilhões. O Banco Central atuou, ainda, por meio de operações
compromissadas tomadoras de recursos de curtíssimo prazo, em 33 ocasiões. O
saldo diário médio tomador dessas operações de curtíssimo prazo foi de R$116,4
bilhões no período. O saldo diário médio do estoque total dos compromissos de
recompra do Banco Central recuou de R$666,7 bilhões, entre 8 de outubro e 25 de
novembro, para R$610,0 bilhões, entre 26 de novembro e 13 de janeiro.
Considerando-se o período de 25 de novembro a 13 de janeiro, o estoque dos
compromissos de recompra aumentou de R$631,9 bilhões para R$705,7 bilhões. O
principal fator que contribuiu para a expansão da liquidez foi o resgate
líquido de títulos pelo Tesouro Nacional.