BM&FBOVESPA - Câmara de Ativos
Em 14.05.2004, a Câmara de Ativos entrou em operação para compensação e liquidação de operações com títulos públicos federais. Além das operações contratadas no âmbito do Sisbex, que é uma plataforma eletrônica de negociação operada pela própria BM&FBOVESPA, a Câmara de Ativos pode liquidar também operações do mercado de balcão. Em todos os casos, a liquidação é feita com compensação multilateral e a entidade atua como contraparte central (CPC). É observado o modelo 3 de entrega contra pagamento, sendo que a transferência dos resultados líquidos é efetuada por intermédio do STR e do Selic, respectivamente no que diz respeito à movimentação financeira e à movimentação dos títulos.
Podem ser objeto de compensação e liquidação na câmara as operações definitivas (à vista e a termo), operações compromissadas, de empréstimo e de troca. As operações à vista podem ser liquidadas no próprio dia (D), se negociadas até determinado horário-limite (11h). As operações a termo, a seu turno, são liquidadas na data futura contratada pelas contrapartes iniciais da operação (até 23 dias úteis após a data da contratação), sendo mais comuns as operações para liquidação no dia útil seguinte (D+1). Nas operações compromissadas, a “operação de ida” é geralmente contratada para liquidação em D+0 e a “operação de volta”, para liquidação em D+1 (admitido até D+23)¹. A entidade oferece o Serviço de Empréstimo de Títulos (SET), por intermédio do qual os participantes podem oferecer títulos para empréstimo².
Sujeitas a limites quantitativos estabelecidos pela Câmara, são admitidas vendas a descoberto (short) para títulos que se enquadram no SET ou no programa de empréstimo de títulos do Selic.
Os participantes da Câmara de Ativos se sujeitam a limites operacionais, que são fixados com base nas garantias por eles previamente depositadas e nos ativos transacionados. Os limites operacionais são verificados em tempo real, sendo que os ativos (garantias e ativos transacionados) são marcados a mercado no mínimo diariamente. No gerenciamento do risco das posições em aberto, a Câmara de Ativos adota a abordagem de risco de portfólio, considera diversos cenários (stress testing) e a agregação intertemporal de riscos. Para mensurar sua exposição ao risco, a BM&FBOVESPA, seguindo a mesma metodologia geral observada na Câmara de Derivativos, decompõe os ativos em fatores primitivos de risco.
Como mecanismo complementar, a Câmara de Ativos conta com um fundo operacional constituído com recursos da própria BM&FBOVESPA, que pode ser usado para concluir o processo de liquidação em caso de inadimplência de participante, bem como para cobrir eventuais prejuízos de terceiros causados por erros no registro de suas operações pelas corretoras participantes do Sisbex.
¹As operações compromissadas podem ter lastro específico (o pertinente título é indicado, em cada operação, no momento da negociação) ou genérico (a especificação do lastro é feita para o valor correspondente ao resultado da compensação multilateral dessas operações e deve compreender título integrante de um conjunto previamente definido).
²As operações correspondentes são realizadas na forma de operações compromissadas.