O Nascimento
Trigueiros, um dos idealizadores do Museu de Valores, assim justifica a denominação e o nascimento: "O que os bancos detêm nas suas reservas, os papéis que circulam e a própria moeda representam valores. Assim, um museu bancário é antes de tudo um museu de valores, pois em seu acervo, além de moedas e cédulas, devem ser recolhidos todos os papéis que representam circulação de riqueza."
O Museu de Valores foi inaugurado em 31 de agosto de 1972, no Rio de Janeiro, como parte das comemorações do Sesquicentenário da Independência do Brasil. As instalações ocupavam parte do pavimento térreo do prédio que anteriormente sediava as Caixas de Conversão, de Estabilização e Amortização. Hoje, nesse edifício inaugurado em 14 de novembro de 1906, e tombado em 1973, pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, funciona o Departamento do Meio Circulante do Banco Central.
Com a construção do edifício-sede do Banco em Brasília, foi reservado espaço para o museu que viria a ser transferido do Rio de Janeiro. Sua inauguração, na capital federal, em 8 de setembro de 1981, ensejou o abrigo e a exposição de seu acervo em local dotado de recursos de segurança, amplitude e beleza.
O Museu de Valores tem-se constituído em um dos guardiães da Memória Nacional, essencialmente no que se refere à evolução dos meios de pagamentos, à História Econômica e à Numismática. Esse objetivo, colocado de modo amplo, é norteado pelos princípios que deram origem ao museu, ou seja, os propósitos do Banco Central na conservação e divulgação de parte da história e cultura de várias sociedades.
A filosofia do Museu de Valores está adequada perfeitamente às atividades do Banco Central. Araken C. Farias, ex-diretor do Banco Central, em prefácio de publicação sobre o Museu, assim se expressou: "Em paralelo ao desempenho de seus encargos específicos, entre eles o de órgão emissor, executando os serviços do meio circulante, o Banco Central cultiva o propósito de divulgar todo um patrimônio cultural. De fato, é significativo que uma organização ainda nova como esta autarquia adote, como símbolo institucional, a marca de um dobrão, moeda antiga de conhecida presença na evolução histórica do País. É um feliz sinal de compromisso com a história.".
Os instrumentos utilizados pelo Museu de Valores com a finalidade de alcançar essas metas são:
recolher, classificar, colecionar, conservar e expor moedas, medalhas, condecorações, cédulas, cheques, ações ou quaisquer outros documentos, ou objetos, que representaram, ou representam, circulação de riqueza, tanto no Brasil, como em outros países;
promover estudos, pesquisas e conferências, relacionados com a história do meio circulante;
acompanhar, por meio da manutenção de arquivo de informações, a evolução da tecnologia do dinheiro, no Brasil e no exterior;
divulgar, sistemática e programadamente, por meio de exposições de longa duração, temporárias ou itinerantes, no País ou no exterior, o acervo do Museu;
promover o intercâmbio com instituições congêneres, no Brasil e no exterior;
manter e conservar livros técnicos sobre assuntos relacionados com cédulas, moedas e valores em geral;
divulgar, utilizando os meios de publicidade e os recursos audiovisuais, a moeda, o meio circulante, o Banco Central e as atividades do Museu;
propor aquisições de peças para seu acervo;
efetuar pesquisas a fim de otimizar o desempenho das atividades de guarda, manuseio, classificação e conservação de peças, bem como para aprimorar o planejamento e realização das exposições.
As Instalações
O Museu de Valores situa-se no 1º. subsolo do Edifício-Sede do Banco Central, em Brasília.
O espaço aberto ao público ocupa uma área de 1.300 m2. onde estão expostas moedas, cédulas e outros valores que circularam, e algumas que estão em circulação, no Brasil e no mundo.
- A Sala Brasil, expõe moedas originais que circularam no sec. XVI - inicio da colonização portuguesa - até as mais recentes cédulas e moedas do Real.
- A Sala Ouro são oito vitrines exibindo as diversas formas do ouro e, entre várias barras e pepitas, está a pepita Canaã, a maior em exposição do mundo. Essa pepita pesa cerca de 60 kg e foi encontrada em Serra Pelada (PA), em 1983.
- Doada pela Casa da Moeda do Brasil ao Museu de Valores, a Máquina de Cunhar de fabricação alemã, com capacidade de cunhagem de até 110 peças por minuto, funcionou de 1937 a 1973.
O Acervo
O acervo do Museu de Valores é composto de cerca de 125.000 peças, brasileiras e estrangeiras, abrangendo dos mais antigos aos mais modernos meios de pagamento. A memória da evolução das diversas formas de riqueza do homem está ali representada. São condecorações, medalhas, documentos históricos. São títulos públicos e particulares, como debêntures, ações, bônus, cheques, apólices, cartões de crédito. Há também os vales impressos ou cunhados, os jetons e os sinetes. O acervo contém, ainda, documentos e objetos que caracterizam o progresso tecnológico da fabricação de dinheiro, como matrizes de cédulas, cunhos, estudo de cores, discos monetários, desenhos originais de cédulas e moedas. O ouro ocupa posição de destaque no acervo, uma vez que o Banco Central, depositário da reserva-ouro do País, tem no Museu o espaço ideal para levar ao conhecimento público a sua beleza, a raridade e a utilização do ouro. A exposição de instrumentais de refino, comercialização e investimento atrai, sobremaneira, a atenção dos visitantes.