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Política Monetária e Operações de Crédito do SFN

NOTA PARA A IMPRENSA - 30.10.2014

Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro
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I - Operações de crédito do sistema financeiro

O saldo das operações de crédito do sistema financeiro atingiu R$2.901 bilhões em setembro, com crescimentos de 1,3% no mês e de 11,7% em doze meses, comparativamente a 0,9% e 11,1% em agosto, nessa ordem. A elevação mensal resultou dos acréscimos respectivos de 1,6% e 0,9% nas carteiras de pessoas jurídicas e físicas, que somaram, respectivamente, R$1.540 bilhões e R$1.361 bilhões. A relação crédito/PIB atingiu 57,2%, ante 56,7% em agosto e 55% em setembro de 2013.

O saldo das operações com recursos livres (participação de 52,9% do total de crédito do sistema financeiro) alcançou R$1.534 bilhões, após expansões de 0,7% no mês e 4,8% em doze meses. A variação mensal foi impulsionada pelo incremento de 0,9% nas carteiras de pessoas jurídicas, saldo de R$767 bilhões, assinalando-se o crescimento de operações vinculadas à atividade mercantil, como desconto de duplicatas e vendor, e de repasses externos e financiamentos a exportações. Por outro lado, registrem-se as reduções de 0,2% e 4,3% nas carteiras de capital de giro e adiantamentos de contratos de câmbio. O volume de empréstimos referentes a pessoas físicas aumentou 0,6% no mês, com destaque para os aumentos de 0,6% e 1,5% nas modalidades de crédito pessoal consignado e de cartão de crédito à vista.

O crédito direcionado totalizou R$1.366 bilhões em setembro, com evoluções de 2% no mês e 20,6% em doze meses, refletindo variações de 2,4% nos financiamentos a pessoas jurídicas e 1,4% nos relativos a pessoas físicas. No segmento corporativo, a principal expansão foi registrada na carteira para investimentos com recursos do BNDES, crescimento de 2,3%, influenciada, em parte, pela depreciação cambial do período. Nas operações com as famílias, ocorreu aumento sazonal de 2,5% no crédito rural e expansão de 1,4% na carteira de financiamentos imobiliários.

As operações de crédito com o setor privado, incluindo recursos livres e direcionados, alcançaram R$2.716 bilhões em setembro, variação mensal de 1,1%, com ênfase para a carteira de outros serviços, saldo de R$431 bilhões e aumento de 2%, destacando-se serviços financeiros, transportes e consultoria. A carteira de financiamentos imobiliários cresceu 1,4%, situando-se em R$474 bilhões. Os créditos ao setor comercial elevaram-se 2,1%, somando R$242 bilhões, impulsionados, principalmente, pelo segmento atacadista. As operações com o segmento rural, saldo de R$248 bilhões e expansão de 1,9%, foram beneficiadas pela demanda para investimentos com recursos do BNDES e para o custeio da safra de verão 2014/2015. Os financiamentos do sistema financeiro ao setor público totalizaram R$185 bilhões, aumento mensal de 4,4%, como resultado do avanço de 5,3% nas operações com estados e municípios e de 3,3% nos créditos ao governo federal.


I.1 - Taxas de juros e inadimplência

A taxa média de juros das operações de crédito do sistema financeiro, computadas as contratações com recursos livres e direcionados, atingiu 21% a.a. em setembro, recuo de 0,1 p.p. no mês e aumento de 1,5 p.p. em doze meses. O custo médio do crédito livre situou-se em 31,9% a.a., com queda de 0,3 p.p. no mês e elevação de 3,5 p.p. em doze meses. No crédito direcionado, a taxa média alcançou 8,1% a.a., após elevações de 0,1 p.p. e 0,8 p.p., nas mesmas bases de comparação.

No segmento de pessoas físicas, o custo médio reduziu-se 0,4 p.p. no mês, com alta de 1,9 p.p. em doze meses, situando-se em 27,5% a.a. A variação mensal refletiu as reduções de 0,3 p.p. e 0,2 p.p. nas contratações com recursos livres e direcionados, respectivamente, cujas taxas médias situaram-se em 42,8% a.a. e 7,9% a.a.

Nos empréstimos às empresas, o custo médio alcançou 15,8% a.a., estabilidade no mês e elevação de 1,1 p.p. em doze meses. Nas operações com recursos livres, a taxa média permaneceu em 22,8% a.a., enquanto, no crédito direcionado, subiu 0,3 p.p. no mês, situando-se em 8,3% a.a.

O spread bancário referente às operações com recursos livres e direcionados se manteve estável no mês em 12,7 p.p., e com crescimento de 1,4 p.p. em doze meses. Os spreads relativos aos segmentos de pessoas físicas e jurídicas alcançaram 18,8 p.p. e 7,9 p.p., respectivamente. No crédito livre, o indicador diminuiu 0,3 p.p. no mês, situando-se em 20,9 p.p., enquanto, nas operações com recursos direcionados, encerrou o mês em 3 p.p., com crescimento de 0,2 p.p.

A inadimplência do sistema financeiro, correspondente às operações com atrasos superiores a noventa dias, diminuiu 0,1 p.p. no mês e 0,3 p.p, em doze meses, situando-se em 3%. No crédito às empresas, o nível de atrasos permaneceu estável em 2%, enquanto, nas operações para as famílias, reduziu-se 0,2 p.p., para 4,2%. Nas contratações com recursos livres, a inadimplência permaneceu em 5%, enquanto no crédito direcionado diminuiu 0,2 p.p. no mês, situando-se em 0,9%.


II - Evolução dos agregados monetários

A média dos saldos diários da base monetária atingiu R$231,8 bilhões em setembro, refletindo crescimento de 2,4% no mês, correspondente às elevações de 2,5% no papel-moeda emitido e de 2,2% nas reservas bancárias. Em doze meses, a base monetária cresceu 7,8%.

Os fluxos mensais dos fatores condicionantes da emissão monetária foram expansionistas em R$18,6 bilhões nas operações do Tesouro Nacional, em R$18,4 bilhões nos ajustes nas operações com derivativos e em R$19,3 bilhões nos depósitos de instituições financeiras, os quais incluem os recolhimentos compulsórios. Esses impactos foram parcialmente neutralizados pelas operações com títulos públicos federais, contracionistas em R$48,1 bilhões, que refletiram vendas líquidas de R$65 bilhões no mercado secundário e resgates líquidos de R$16,9 bilhões no mercado primário.

O saldo médio diário dos meios de pagamento restritos (M1) alcançou R$315,8 bilhões em setembro, com aumento mensal de 3,1%, resultante dos acréscimos de 3,3% no papel-moeda em poder do público e de 2,8% nos depósitos à vista. A expansão acumulada do M1 em doze meses situou-se em 4,1%.

O saldo dos meios de pagamento no conceito M2, que compreende o M1 mais depósitos de poupança e títulos privados variou 0,4% em setembro, totalizando R$2,1 trilhões. A poupança registrou captação líquida de R$1,4 bilhão, elevando o saldo dos depósitos a R$643,4 bilhões, com crescimento de 0,4% em relação a agosto. O saldo dos títulos privados, no entanto, cresceu 0,1% no período, somando R$1,1 trilhão, influenciado por resgates líquidos de R$6,1 bilhões em depósitos a prazo.

O conceito M3, que compreende o M2, as quotas de fundos de renda fixa e os títulos públicos que lastreiam as operações compromissadas entre o público e o setor financeiro, cresceu 0,7% no mês, totalizando R$4,2 trilhões, ao refletir crescimento de 0,9% no saldo das quotas de fundos de renda fixa, que somaram R$1,9 trilhão. O M4, conceito que compreende o M3 e os títulos públicos de detentores não financeiros, registrou elevação de 0,5% no mês e 11,9% nos últimos doze meses, atingindo o montante de R$4,9 trilhões.