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Política Monetária e Operações de Crédito do SFN

NOTA PARA A IMPRENSA - 27.5.2015

Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro
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I - Operações de crédito do sistema financeiro

O crédito total do sistema financeiro, incluindo as operações com recursos livres e direcionados, atingiu R$3.061 bilhões em abril, com expansões de 0,1% no mês e de 10,5% em doze meses. No mês, o crédito a pessoas físicas, saldo de R$1.447 bilhões, cresceu 0,6%, refletindo as expansões dos financiamentos imobiliários e do crédito pessoal, enquanto o saldo das operações a pessoas jurídicas, condicionado pelo efeito da apreciação cambial nas carteiras referenciadas em moedas estrangeiras, recuou 0,4%, ao totalizar R$1.614 bilhões. A relação crédito/PIB atingiu 54,5%, ante 54,8% em março e 52,3% em abril do ano anterior.

A carteira de operações com recursos livres totalizou R$1.575 bilhões em abril, após redução mensal de 0,2% e expansão de 4,9% em doze meses. A retração mensal foi mais pronunciada no crédito às empresas, saldo de R$789 bilhões (-0,3% no mês), destacando-se o declínio em repasses externos e financiamentos a exportações e a expansão nos adiantamentos sobre contratos de câmbio (ACC). As operações com pessoas físicas registraram estabilidade em abril, somando R$786 bilhões, com expansão do crédito consignado e redução no saldo de cartão de crédito à vista.

O crédito direcionado atingiu R$1.486 bilhões, aumentos de 0,3% no mês e de 17,1% em doze meses. Os financiamentos a pessoas físicas cresceram 1,4% no mês, somando R$661 bilhões, com destaque para o crédito imobiliário. O saldo de crédito direcionado às empresas declinou 0,6%, situando-se em R$825 bilhões, refletindo a redução dos desembolsos e o impacto da apreciação cambial nos financiamentos para investimentos com recursos do BNDES.

Na evolução mensal das operações de crédito classificadas segundo a atividade econômica dos tomadores, incluindo pessoas jurídicas dos setores privado e público, sobressaíram as reduções destinadas aos segmentos de transportes e indústria de transformação, com saldos respectivos de R$158 bilhões (-2%) e R$448 bilhões (-0,5%). Em sentido oposto, destacaram-se as expansões dos créditos para serviços industriais de utilidade pública, volume de R$145 bilhões (+0,7%), com destaque para eletricidade e gás, e comércio (notadamente atacadista, exceto veículos), saldo de R$298 bilhões (+0,3%). O crédito ao setor privado manteve-se estável no mês, somando R$2.839 bilhões, ao passo que o crédito para o setor público cresceu 1% e somou R$222 bilhões, traduzindo as variações de 3,1% e -0,8% nas carteiras das entidades vinculadas ao governo federal e a estados e municípios, respectivamente.

Na segmentação regional do mercado de crédito, consideradas as operações com valor superior a R$1 mil, o saldo relativo ao Sudeste (55% do total nacional) cresceu 0,2% no mês e 10,7% em doze meses, atingindo R$1.632 bilhões em abril. No Sul, o crédito registrou elevações de 0,1% e 9,5% nos mesmos períodos, totalizando R$543 bilhões. No Nordeste, o saldo total de crédito recuou 0,2% no mês e cresceu 11,7% em doze meses, ao somar R$389 bilhões. No Centro-Oeste, saldo de R$314 bilhões, registraram-se expansões de 0,2% no mês e de 14,9% em doze meses, enquanto na Região Norte, saldo de R$114 bilhões, observaram-se aumentos respectivos de 0,1% e 8,3%.


I.1 - Taxas de juros e inadimplência

A taxa média de juros das operações de crédito do sistema financeiro alcançou 26,4% a.a. em abril, com elevações de 0,5 p.p. no mês e 2,5 p.p. em doze meses. No crédito livre, o custo médio atingiu 41,8% a.a., com altas respectivas de 0,9 p.p. e 5,4 p.p. Nas contratações com recursos direcionados, a taxa situou-se em 8,7% a.a., após aumentos de 0,3 p.p. e 0,7 p.p.

Nas operações com as famílias, a taxa média apresentou elevações de 0,7 p.p. no mês e 2,8 p.p. em doze meses, alcançando 33,9% a.a. No segmento livre, a taxa situou-se em 56,1% a.a., após elevação mensal de 1,7 p.p., com destaque para a alta de 8,8 p.p. no crédito pessoal não consignado. No crédito direcionado, registrou-se custo médio de 8,4% a.a., redução mensal de 0,1 p.p., refletindo o declínio de 0,2 p.p. nas taxas dos financiamentos imobiliários.

Nos empréstimos às empresas, a taxa média alcançou 18,5% a.a. em abril, aumentos de 0,4 p.p. no mês e 1,9 p.p. em doze meses. Nas contratações com recursos livres, o custo médio situou-se em 26,6% a.a. (+0,1 p.p. no mês), enquanto no segmento direcionado, a taxa média atingiu 9% a.a., aumento de 0,6 p.p. no mês, com destaque para a alta de 0,8 p.p. nos financiamentos com recursos do BNDES para investimentos.

O spread bancário das operações de crédito situou-se em 17 p.p., após aumentos de 0,6 p.p. no mês e 1,7 p.p. em doze meses, com maior elevação nas.operações praticadas com as famílias, cujo spread alcançou 24,3 p.p, (+0,9 p.p. no mês). No crédito às empresas, o spread atingiu 9,3 p.p. (+0,3 p.p. no mês). Nos segmentos livre e direcionado, o spread atingiu 29,3 p.p. e 2,9 p.p., respectivamente, com altas mensais de 1,1 p.p. e 0,2 p.p.

A inadimplência do sistema financeiro, referente a operações com atrasos superiores a noventa dias, alcançou 3%, ao elevar-se 0,2 p.p. no mês e 0,1 p.p. em doze meses. No mês, o indicador permaneceu estável no segmento de pessoas físicas e aumentou 0,2 p.p. no de pessoas jurídicas, situando-se, respectivamente, em 3,7% e 2,3%. No crédito livre, o nível de atrasos situou-se em 4,6%, alta de 0,2 p.p., enquanto no crédito direcionado, alcançou 1,2%, ao elevar-se 0,1 p.p.


II - Evolução dos agregados monetários

A base monetária atingiu saldo médio diário de R$238,3 bilhões em abril, após recuo de 1% no mês, resultante das reduções de 4,2% nas reservas bancárias e 0,3% no papel-moeda emitido. Em doze meses, o agregado acumulou expansão de 5,9%.

Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, destacaram-se os resultados dos ajustes das operações com derivativos e das operações do Tesouro Nacional, com impactos contracionistas respectivos de R$31,8 bilhões e R$10,2 bilhões. Em contraponto, as operações com títulos públicos federais, que incluem a atuação do Banco Central no ajuste da liquidez do mercado monetário, registraram expansão de R$35,6 bilhões, resultado de compras líquidas de R$25,1 bilhões no mercado secundário e resgates líquidos de R$10,5 bilhões no mercado primário.

O saldo médio diário dos meios de pagamento restritos (M1) alcançou R$311,3 bilhões em abril, com declínios de 1,6% no mês e de 0,3% em doze meses. A variação mensal resultou das retrações de 2,3% nos depósitos à vista e de 0,9% no papel-moeda em poder do público.

O saldo dos meios de pagamento no conceito M2, que corresponde ao saldo do M1 mais depósitos de poupança e títulos privados, totalizou R$2,1 trilhões, com avanço de 0,3% em abril. Esse resultado refletiu, sobretudo, o crescimento de 2,2% no saldo dos títulos privados, que alcançou R$1,2 trilhão, a despeito de resgates líquidos de R$12,4 bilhões em depósitos a prazo. O saldo nos depósitos de poupança recuou 1,4%, para R$650,5 bilhões, refletindo resgates líquidos de R$5,9 bilhões.

O M3, conceito que compreende o M2, as quotas de fundos de renda fixa e os títulos públicos que lastreiam as operações compromissadas entre o público e o setor financeiro, elevou-se 0,7% no mês, atingindo R$4,4 trilhões, reflexo dos acréscimos de 1,2% nos fundos de renda fixa e de 0,3% nas operações compromissadas, que somaram, respectivamente, R$2,1 trilhões e R$174,9 bilhões. O M4, que compreende o M3 e os títulos públicos de detentores não financeiros, cresceu 0,4% no mês e 13,3% em doze meses, totalizando R$5,2 trilhões.