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Política Monetária e Operações de Crédito do SFN

NOTA PARA A IMPRENSA - 25.2.2015

Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro
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Operações de crédito do sistema financeiro

Decorridos dois anos da reformulação da base estatística da Nota para a Imprensa - Política Monetária e Operações de Crédito, esta edição incorpora ajustes e revisões de ordem metodológica, ao tempo que disponibiliza novo conjunto de informações. Ressalte-se que esses avanços inserem-se no processo permanente de aprimoramento das estatísticas econômico-financeiras do Banco Central do Brasil, a exemplo dos observados nos últimos anos na área fiscal (estatísticas regionais), monetária (reformulação das estatísticas sobre crédito) e das já anunciadas para o setor externo (adoção do novo padrão metodológico internacional, "BPM6"), entre outros.

Entre as alterações apresentadas, destaque-se a disponibilização de novas informações, em especial das taxas de juros do cartão de crédito. Adicionalmente, passa-se a apresentar a desagregação dos saldos de crédito por setor de atividade econômica com maior nível de detalhamento e em conformidade com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), adotada pelo Sistema Estatístico Nacional, coordenado pelo IBGE. Ressalte-se, ainda, a divulgação das estatísticas de crédito regionais e a ampliação do escopo das informações referentes às modalidades cheque especial e conta garantida, que passam a incorporar os excessos sobre os limites contratuais dos correntistas.

Faz-se necessário mencionar que as revisões das estatísticas de crédito, particularmente daquelas que fazem referência à consolidação das operações, refletiram ajustes conceituais, reclassificações de operações entre modalidades e, sobretudo, a incorporação de novas informações, em especial, das taxas de juros do cartão de crédito, afetando os cálculos consolidados para as taxas de juros e os spreads.

Informações mais detalhadas sobre as revisões e alterações introduzidas na Nota para a Imprensa podem ser consultadas na Nota Metodológica disponível no endereço http://www.bcb.gov.br/?ECOIMPMET.

O crédito total do sistema financeiro, incluindo as operações com recursos livres e direcionados, atingiu R$3.013 bilhões em janeiro, redução de 0,2% no mês e aumento de 11% em doze meses, após expansões de 2,1% e 11,3% no mês anterior, nas mesmas bases de comparação. A relação crédito/PIB alcançou 58,5%, ante 58,9% em dezembro e 55,7% em janeiro de 2014. A evolução mensal foi influenciada pela retração de 1,1% no saldo destinado a pessoas jurídicas, que somou R$1.588 bilhões, enquanto a carteira contratada pelas pessoas físicas cresceu 0,9%, totalizando R$1.425 bilhões.

As operações com recursos livres alcançaram volume de R$1.566 bilhões em janeiro, variações de -0,7% no mês e 5,1% em doze meses. A retração mensal foi determinada pela redução sazonal na demanda de crédito às empresas, que registrou saldo de R$778 bilhões, após declínio de 1,9%. As modalidades com maior redução foram aquelas relacionadas às atividades mercantis, como desconto de duplicatas, compror e outros créditos (principalmente aquisição de recebíveis). Na carteira de pessoas físicas, o crédito livre cresceu 0,4%, atingindo R$788 bilhões, destacando-se as operações de crédito pessoal e cheque especial.

O crédito direcionado totalizou R$1.447 bilhões, crescimentos de 0,5% no mês e 18,2% em doze meses. A variação mensal refletiu a expansão de 1,4% nos financiamentos a pessoas físicas, saldo de R$637 bilhões, determinada pela manutenção no ritmo de concessões do crédito imobiliário. A carteira destinada às empresas somou R$810 bilhões, redução de 0,2%, influenciada pela redução sazonal das contratações com recursos do BNDES para investimentos.

Consideradas as operações com recursos livres e direcionados, a evolução mensal da carteira de crédito por atividade econômica, incluindo pessoas jurídicas dos setores privado e público, evidencia retração, principalmente nos segmentos do comércio, da indústria de transformação e de construção, com saldos respectivos de R$297 bilhões (-3,3%), R$439 bilhões (-1,7%) e R$114 bilhões (-2,1%). Em sentido inverso, observou-se expansão nos créditos para indústria extrativa, com saldo de R$37 bilhões e variação de 6,8%. Segmentadas as operações por tipo de cliente, o volume de crédito ao setor privado alcançou R$2.803 bilhões, após declínio de 0,3%, determinado pela redução de 1,5% nas operações com empresas. O crédito para o setor público somou R$210 bilhões, com aumento mensal de 1,7%, refletindo expansões respectivas de 3,4% e 0,4% nas carteiras com entidades do governo federal e vinculadas a estados e municípios.

Quanto à distribuição da carteira de crédito conforme a região geográfica, incluindo operações com valor superior a R$1 mil, o saldo da região Sudeste atingiu R$1.601 bilhões em janeiro, com estabilidade em relação a dezembro e acréscimo de 12,7% em doze meses. Na Região Sul, houve variações de -0,1% no mês e 11% em doze meses, totalizando R$536 bilhões. No Nordeste, o volume de crédito alcançou R$387 bilhões, com expansões de 0,3% no mês, e de 9,4% em doze meses, enquanto no Centro-Oeste, ocorreram crescimentos de 0,5% e 17,6%, nos mesmos períodos, com a carteira situando-se em R$308 bilhões. Na Região Norte, o saldo atingiu R$113 bilhões em janeiro, registrando variações de -0,1% no mês e 9,2% em doze meses.


I.1 - Taxas de juros e inadimplência

A taxa média de juros das operações de crédito do sistema financeiro, computados os recursos livres e direcionados, atingiu 25,1% a.a. em janeiro, aumentos de 1,2 p.p. no mês e de 1,8 p.p. em doze meses. No crédito livre, o custo médio situou-se em 39,4% a.a., crescimentos de 1,8 p.p. no mês e 4,5 p.p. em doze meses. No crédito direcionado, registrou-se taxa média de 8,4% a.a. em janeiro, variação de 0,6 p.p. no mês e em doze meses.

No segmento de pessoas físicas, o custo médio cresceu 1,4 p.p. no mês e 2,3 p.p. em doze meses, situando-se em 32,4% a.a. Nas contratações com recursos livres, a taxa alcançou 52,6% a.a, após crescimento mensal de 2,5 p.p. No crédito direcionado, o custo médio das operações com as famílias avançou 0,3 p.p. no mês, para 8,2% a.a.

No crédito com empresas, a taxa média de juros alcançou 17,4% a.a., após crescimento de 0,9 p.p. no mês e em doze meses. Nas operações com recursos livres, o indicador aumentou 1 p.p. no mês, situando-se em 25,2% a.a., enquanto no crédito direcionado, atingiu 8,5% a.a., com acréscimo de 0,9 p.p.

O spread bancário referente às operações com recursos livres e direcionados aumentou 1,1 p.p. no mês e 1,8 p.p. em doze meses, ao alcançar 16,2 p.p. em janeiro. Os indicadores relativos aos segmentos de pessoas físicas e jurídicas situaram-se em 23,2 p.p. e 8,8 p.p., respectivamente. No crédito livre, o spread cresceu 1,9 p.p., fechando o mês em 27,5 p.p., enquanto no crédito direcionado, avançou 0,2 p.p., ao registrar 2,9 p.p. no final do mês.

A inadimplência das operações de crédito do sistema financeiro, referente a atrasos superiores a noventa dias, crescimento de 0,1 p.p. no mês e estabilidade em doze meses, situando-se em 2,9%. No crédito às famílias, registrou-se nível de atrasos de 3,8%, enquanto nas operações com empresas, o indicador situou-se em 2%, ambos com variação mensal de 0,1 p.p. Nos segmentos livre e direcionado, a inadimplência cresceu 0,1 p.p. no mês, respectivamente para 4,5% e 1,1%.


II - Evolução dos agregados monetários

A média dos saldos diários da base monetária alcançou R$253,1 bilhões em janeiro, com recuo de 2,3% no mês e aumento de 7,4% em doze meses. A evolução mensal refletiu declínio de 4,1% no papel-moeda emitido e acréscimo de 6,9% nas reservas bancárias.

A trajetória mensal da base monetária foi condicionada, em especial, pelos impactos contracionistas de R$30,3 bilhões das operações com títulos públicos federais (resultado de vendas líquidas de R$103,3 bilhões no mercado secundário e de resgates líquidos de R$73 bilhões no mercado primário) e de R$10,8 bilhões dos ajustes nas operações com derivativos. Em sentido inverso, as operações do Tesouro Nacional proporcionaram impacto expansionista de R$18 bilhões.

O saldo médio diário dos meios de pagamento restritos (M1) atingiu R$332 bilhões em janeiro, com variações de -5,2% e de 2,7% em doze meses. A evolução mensal do M1 repercutiu contrações de 4,0% no papel-moeda em poder do público e de 6,5% nos depósitos à vista.

O saldo dos meios de pagamento no conceito M2 (M1 mais depósitos de poupança e títulos privados) totalizou R$2,1 trilhões em janeiro, com recuo mensal de 1,1%. Essa variação refletiu, principalmente, a retração de 8,5% no saldo do M1. O estoque dos títulos privados em poder do público atingiu R$1,1 trilhão, com resgates líquidos de R$17,3 bilhões nos depósitos a prazo. O saldo dos depósitos de poupança cresceu 0,1% no mês, para R$663,7 bilhões, com resgates líquidos de R$5,5 bilhões.

Os meios de pagamento no conceito M3 (M2 mais quotas de fundos de renda fixa e títulos públicos que lastreiam as operações compromissadas entre o público e o setor financeiro) aumentaram 0,3% no mês. O saldo das quotas de fundos de renda fixa e as operações compromissadas com títulos federais cresceram, respectivamente, 1,3% e 6,1% no período, totalizando R$2 trilhões e R$205,8 bilhões, na ordem. O M4 (M3 mais títulos públicos de detentores não financeiros) somou R$5,1 trilhões, com expansões de 0,9% no mês e de 14,7% em doze meses. O resultado mensal refletiu o crescimento de 4,5% nas operações com títulos federais.