Logomarca BCB

Política Monetária e Operações de Crédito do SFN

NOTA PARA A IMPRENSA - 26.8.2015

Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro
 ZIP - 222 Kb

 Ajuda


I - Operações de crédito do sistema financeiro

O saldo das operações de crédito do sistema financeiro, incluindo recursos livres e direcionados, atingiu R$3.111 bilhões em julho, com expansões de 0,3% no mês e 9,9% em doze meses (comparativamente a 0,6% e 9,8% em junho). As carteiras destinadas a pessoas físicas e jurídicas totalizaram R$1.469 bilhões e R$1.642 bilhões, respectivamente, com aumentos mensais de 0,4% e 0,3%, na ordem. A relação crédito/PIB alcançou 54,5%, ante 54,6% em junho e 52,7% em julho do ano anterior.

A carteira com recursos livres somou R$1.595 bilhões em julho, apresentando estabilidade no mês e aumento de 5,2% em doze meses. No mês, o saldo das operações com pessoas físicas, saldo de R$794 bilhões, cresceu 0,4%, com ênfase no crédito consignado e nas operações com cartão de crédito à vista. Em sentido inverso, a carteira das pessoas jurídicas registrou declínio de 0,5%, ao totalizar R$801 bilhões, destacando-se as retrações em capital de giro e desconto de duplicatas.

O crédito com recursos direcionados atingiu R$1.516 bilhões em julho, com aumentos de 0,8% no mês e 15,3% em doze meses. No segmento de famílias, o saldo aumentou 0,4%, para R$675 bilhões, com destaque para o crédito imobiliário. Nas contratações das empresas, o saldo alcançou R$841 bilhões (+1%), influenciado, em parte, pelo efeito da variação cambial nos financiamentos para investimentos do BNDES.

Na classificação do crédito segundo a atividade econômica dos tomadores, incluindo pessoas jurídicas dos setores privado e público, os setores com maior crescimento foram administração pública, transportes (aquaviário, aéreo e dutoviário) e indústria de transformação (principalmente petróleo e combustíveis), com saldos respectivos de R$111 bilhões (+2,9%), R$162 bilhões (+1,4%) e R$453 bilhões (+0,4%). Em sentido oposto, o crédito ao comércio declinou 1,9%, repercutindo a redução no segmento varejista, situando-se em R$297 bilhões.



Nas estatísticas de crédito regionais, que computa apenas as operações acima de R$1 mil, as maiores expansões ocorreram nas regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste, com saldos respectivos de R$1.665 bilhões (+0,4% no mês, +10,3% em doze meses), R$395 bilhões (+0,7% e +9,8%) e R$320 bilhões (+0,5% e +13,6%). Na Região Norte, a carteira totalizou R$116 bilhões, após aumentos de 0,2% no mês e 7,5% em doze meses. O saldo com tomadores da Região Sul apresentou retração pelo segundo mês consecutivo, somando R$540 bilhões (-0,6% no mês e +6,9% em doze meses).


I.1 - Taxas de juros e inadimplência

A taxa média de juros das operações de crédito do sistema financeiro, computadas as contratações com recursos livres e direcionados, atingiu 28,4% a.a. em julho, aumentos de 0,8 p.p. no mês e de 4,2 p.p. em doze meses. No crédito livre, o custo médio situou-se em 44,2% a.a., após elevações de 0,8 p.p. e 7,2 p.p., nos mesmos períodos. No crédito direcionado, a taxa média alcançou 10,1% a.a., com aumentos de 0,8 p.p. no mês e 1,9 p.p. em doze meses.

No segmento de pessoas físicas, o custo médio subiu 0,9 p.p. no mês e 4,8 p.p. em doze meses, situando-se em 36,3% a.a. Nas contratações com recursos livres, a taxa alcançou 59,5% a.a (+1,1 p.p. no mês), com destaque para os aumentos em crédito pessoal não consignado (1,1 p.p.), cartão de crédito rotativo (23,2 p.p.) e cheque especial (5,6 p.p.). No crédito direcionado, o custo médio das operações com as famílias avançou 0,8 p.p. no mês, para 10% a.a., sobressaindo-se as elevações em crédito rural (2,2 p.p.) e em financiamentos imobiliários com taxas reguladas (0,4 p.p.).

Nos empréstimos às empresas, a taxa média de juros situou-se em 19,8% a.a., com elevações de 0,6 p.p. no mês e 3,1 p.p. em doze meses. Nas operações com recursos livres, o custo médio subiu 0,4 p.p. no mês, para 27,9% a.a., refletindo aumentos em capital de giro (0,5 p.p.) e desconto de duplicatas (2,6 p.p.). No crédito direcionado, a taxa de juros alcançou 10,2% a.a., após aumento de 0,7 p.p., destacando-se a elevação de 0,8 p.p. nos financiamentos para investimentos com recursos do BNDES.

O spread bancário referente às operações com recursos livres e direcionados aumentou 0,6 p.p. no mês e 2,6 p.p. em doze meses, alcançando 18,4 p.p. Os spreads relativos aos segmentos de pessoas físicas e jurídicas situaram-se em 26,1 p.p. (+0,8 p.p.) e 10,2 p.p. (+0,4 p.p.), respectivamente. No crédito livre, o spread aumentou 0,8 p.p., atingindo 31,4 p.p., enquanto no crédito direcionado avançou 0,5 p.p., situando-se em 3,5 p.p.

A inadimplência das operações de crédito do sistema financeiro, referente a atrasos superiores a noventa dias, correspondeu a 3% da carteira (+0,1 p.p. no mês, estável em doze meses). No crédito às famílias, o nível de atrasos alcançou 3,8% (+0,2 p.p. no mês), enquanto nas operações com empresas situou-se em 2,4% (+0,1 p.p. no mês). No segmento livre, a inadimplência subiu 0,2 p.p, para 4,8%, enquanto no direcionado aumentou 0,1 p.p., alcançando 1,2%.


II - Evolução dos agregados monetários

A média dos saldos diários da base monetária situou-se em R$234,1 bilhões em julho, com expansões de 0,4% no mês e 3,6% em doze meses. No mês, foram registrados acréscimos de 1,9% nas reservas bancárias e de 0,1% no papel-moeda emitido.

Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, destacaram-se as operações com títulos públicos federais, que incluem a atuação do Banco Central no ajuste da liquidez do mercado monetário, com efeito contracionista de R$40,2 bilhões, resultante de vendas líquidas de R$61,3 bilhões no mercado secundário e resgates líquidos de R$21,1 bilhões no mercado primário. Em contrapartida, os ajustes nas operações com derivativos e as operações do Tesouro Nacional provocaram expansões respectivas de R$23,9 bilhões e de R$10,3 bilhões.

O saldo médio diário dos meios de pagamento restritos (M1) atingiu R$305,6 bilhões em julho, com avanço de 0,5% no mês, decorrente das elevações de 0,7% nos depósitos à vista e de 0,3% no papel-moeda em poder do público. Em doze meses, o M1 declinou 1,1%.

O saldo dos meios de pagamento no conceito M2, que corresponde ao M1 mais depósitos de poupança e títulos privados, recuou 0,1% em relação a julho, totalizando R$2,1 trilhões. A variação refletiu, sobretudo, a redução de 0,3% nos depósitos de poupança, cujo saldo alcançou R$648,9 bilhões, após resgates líquidos de R$2,5 bilhões. O saldo dos títulos privados elevou-se 0,5%, somando R$1,2 trilhão, com captações líquidas de R$1,8 bilhão em depósitos a prazo.

O agregado M3, que compreende o M2, as quotas de fundos de renda fixa e os títulos públicos que lastreiam as operações compromissadas entre o público e o setor financeiro, cresceu 0,4% no mês, alcançando R$4,5 trilhões, reflexo do aumento de 1,2% nas quotas de fundos de renda fixa, que somaram R$2,2 trilhões. O M4, conceito que compreende o M3 e os títulos públicos de detentores não financeiros, registrou elevação de 0,9% no mês e de 12,7% em doze meses, atingindo R$5,3 trilhões.