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Política Monetária e Operações de Crédito do SFN

NOTA PARA A IMPRENSA - 25.3.2015

Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro
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I - Operações de crédito do sistema financeiro

O crédito total do sistema financeiro, incluindo as operações com recursos livres e direcionados, atingiu R$3.026 bilhões em fevereiro, registrando expansões de 0,5% no mês e de 11% em doze meses. O crédito a pessoas jurídicas alcançou R$1.599 bilhões, com crescimento de 0,6%, enquanto a carteira relativa às pessoas físicas cresceu 0,3%, ao totalizar R$1.428 bilhões. A relação crédito/PIB permaneceu estável em 58,6%, ante 55,5% em fevereiro de 2014.

As operações com recursos livres alcançaram volume de R$1.568 bilhões em fevereiro, aumentos de 0,1% no mês e 5,2% em doze meses. A evolução mensal foi determinada pelo crédito às empresas, que registrou saldo de R$783 bilhões, aumento de 0,6%, destacando-se as modalidades de conta garantida, repasses externos e financiamento a exportações - essas duas últimas, influenciadas pela depreciação cambial do período. Na carteira de pessoas físicas, ocorreu retração de 0,3%, ao totalizar R$784 bilhões, determinada, principalmente, pela diminuição das operações de cartão à vista.

O crédito direcionado alcançou saldo de R$1.459 bilhões, após crescimentos de 0,8% no mês e de 18,1% em doze meses. Os financiamentos a pessoas físicas totalizaram R$644 bilhões, com expansão mensal de 1%, determinada pela evolução da carteira de crédito imobiliário. As operações destinadas às empresas somaram R$815 bilhões, crescimento de 0,6%, refletindo, principalmente, a variação no saldo dos financiamentos para investimentos com recursos do BNDES, influenciada parcialmente pela depreciação cambial verificada no período.

Considerada a segregação das operações de crédito segundo a atividade econômica dos tomadores, que inclui pessoas jurídicas dos setores privado e público, evidencia-se recuperação mensal nos saldos relativos à indústria de transformação, aos serviços de transportes e à administração pública, com saldos respectivos de R$446 bilhões (+0,9%), R$157 bilhões (+1,4%) e R$101 bilhões (+2,1). Permanece a retração nos créditos destinados ao comércio, com saldo de R$294 bilhões e redução de 0,7%. Segmentadas as operações por tipo de cliente, o crédito ao setor privado alcançou R$2.812 bilhões, após aumento de 0,4%, com maior contribuição das operações destinadas às empresas. O crédito para o setor público somou R$214 bilhões, variação mensal de 1,8%, traduzindo aumentos de 1,9% e 1,7% nas operações com entidades vinculadas ao governo federal e a estados e municípios, respectivamente.

Quanto à distribuição da carteira de crédito conforme a região geográfica, considerando as operações com valor superior a R$1 mil, o saldo relativo ao Sudeste (54% do total nacional), atingiu R$1.609 bilhões em fevereiro, após aumentos de 0,4% no mês e de 12,2% em doze meses. Na Região Sul, o crédito registrou elevações de 0,2% e 10,6% nos mesmos períodos, totalizando R$538 bilhões. No Nordeste, o saldo alcançou R$387 bilhões, com expansões de 0,2% no mês e de 8,9% em doze meses, enquanto no Centro-Oeste ocorreram crescimentos de 0,5% e 16,7%, nos períodos respectivos, com saldo de R$309 bilhões. Na Região Norte, saldo de R$113 bilhões, foram verificadas retração de 0,2% no mês e expansão de 8,8% em doze meses.


I.1 - Taxas de juros e inadimplência

A taxa média de juros das operações de crédito do sistema financeiro, computadas as contratações com recursos livres e direcionados, atingiu 25,6% a.a. em fevereiro, após elevações de 0,7 p.p. no mês e de 1,7 p.p. em doze meses. No crédito livre, o custo médio situou-se em 40,6% a.a., com altas de 1,5 p.p. no mês e de 4,4 p.p. em doze meses. No crédito direcionado, a taxa média situou-se em 8,2% a.a., após declínio de 0,2 p.p. no mês e aumento de 0,6 p.p. relativamente ao mesmo período do ano anterior.

No segmento de pessoas físicas, a taxa de juros média subiu 0,8 p.p. no mês e 1,8 p.p. em doze meses, situando-se em 32,8% a.a. Nas contratações com recursos livres, a taxa alcançou 54,3% a.a., após aumento mensal de 2,3 p.p., influenciado pela evolução do custo nas modalidades cartão de crédito (+7,8 p.p), aquisição de veículos (+1 p.p.), crédito pessoal não consignado (+0,6 p.p.) e cheque especial (+5,2 p.p.). No crédito direcionado, a taxa média das operações com as famílias recuou 0,6 p.p. no mês, para 7,6% a.a., refletindo a redução de 1 p.p. no custo médio dos financiamentos imobiliários com taxas reguladas.

Nos empréstimos às empresas, a taxa média de juros alcançou 18,1% a.a., após elevação de 0,7 p.p. no mês e de 1,5 p.p. em doze meses. Nas operações com recursos livres, o indicador avançou 0,9 p.p. no mês, situando-se em 26,1% a.a., com destaque para o aumento de 0,7 p.p. no custo médio tanto do capital de giro quanto dos adiantamentos sobre contratos de câmbio. No crédito direcionado, a taxa média das operações com pessoas jurídicas alcançou 8,7% a.a., após aumento de 0,2 p.p., repercutindo o crescimento de 0,4 p.p. na taxa referente aos financiamentos do BNDES para investimentos.

O spread bancário referente às operações com recursos livres e direcionados aumentou 0,6 p.p. no mês e 1,4 p.p. em doze meses, situando-se em 16,6 p.p. Os indicadores relativos aos segmentos de pessoas físicas e jurídicas situaram-se em 23,6 p.p. e 9,2 p.p., respectivamente. No crédito livre, o spread atingiu 28,3 p.p. (+1,1 p.p.), situando-se, no crédito direcionado, em 3 p.p. (+0,1 p.p.).

A inadimplência das operações de crédito do sistema financeiro, referente a atrasos superiores a noventa dias, apresentou estabilidade no mês e redução de 0,1 p.p. em doze meses, situando-se em 2,8%. No crédito às famílias, o indicador alcançou 3,8% (+ 0,1 p.p. no mês), enquanto, nas operações às empresas, permaneceu estável em 2%. Nos segmentos livre e direcionado, a inadimplência manteve-se estável em 4,4% e 1,1%, respectivamente.


II - Evolução dos agregados monetários

A média dos saldos diários da base monetária atingiu R$241,9 bilhões em fevereiro, após recuo de 4,4% no mês, correspondente aos declínios de 14,2% nas reservas bancárias e 2,2% no papel-moeda emitido. Em doze meses, a base monetária cresceu 6,2%.

Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária sobressaíram as expansões de R$27,3 bilhões, referente aos ajustes das operações com derivativos, e de R$5,4 bilhões nos depósitos de instituições financeiras, os quais refletem as variações nos saldos dos recolhimentos compulsórios. Em contraponto, as operações com títulos públicos federais foram contracionistas em R$23,8 bilhões (compras líquidas de R$23,2 bilhões no mercado secundário e colocações líquidas de R$47 bilhões no mercado primário) e as operações do Tesouro Nacional, em R$11,2 bilhões.

O saldo médio diário dos meios de pagamento restritos (M1) alcançou R$322,3 bilhões em fevereiro, com redução mensal de 2,9%, determinada por retrações de 2,4% no papel-moeda em poder do público e de 3,4% nos depósitos à vista. A expansão do M1 em doze meses atingiu 3,4%.

O saldo dos meios de pagamento no conceito M2, que corresponde ao M1 mais depósitos de poupança e títulos privados, avançou 0,5% em fevereiro, atingindo R$2,1 trilhões. Esse resultado refletiu o aumento de 1,3% no saldo dos títulos privados, que totalizou R$1,1 trilhão, a despeito de resgates líquidos de R$9,2 bilhões em depósitos a prazo. Os depósitos de poupança somaram R$661,4 bilhões, com recuo de 0,3% no mês, após resgates líquidos de R$6,3 bilhões.

O conceito M3, que compreende o M2, as quotas de fundos de renda fixa e os títulos públicos que lastreiam as operações compromissadas entre o público e o setor financeiro, expandiu-se 0,4% no mês, atingindo R$4,3 trilhões, refletindo o crescimento de 1,6% no saldo das quotas de fundos de renda fixa, que totalizou R$2 trilhões. O M4, que agrega o M3 e os títulos públicos de detentores não financeiros, registrou expansões de 0,4% em fevereiro e de 13% nos últimos doze meses, totalizando R$5,1 trilhões.