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Política Monetária e Operações de Crédito do SFN

NOTA PARA A IMPRENSA - 30.7.2015

Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro
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I - Operações de crédito do sistema financeiro

A evolução do mercado de crédito no primeiro semestre de 2015 evidencia a desaceleração nos segmentos livre e direcionado, em cenário de elevação de taxas de juros e contenção da demanda por consumo e investimento. O saldo das operações de crédito do sistema financeiro, com recursos livres e direcionados, atingiu R$3.102 bilhões em junho, após expansões de 0,6% no mês e 9,8% em doze meses (0,7% e 10,2% em maio). As carteiras destinadas a pessoas físicas e jurídicas totalizaram R$1.465 bilhões e R$1.637 bilhões, com variações mensais de 0,7% e 0,6%, na ordem. A relação crédito/PIB alcançou 54,5%, ante 54,4% no mês anterior e 52,8% em junho de 2014.

O crédito com recursos livres somou R$1.598 bilhões em junho, variações de 0,9% no mês e 4,9% em doze meses. No mês, as operações com pessoas jurídicas cresceram 1,3%, saldo de R$805 bilhões, sobressaindo os financiamentos às exportações e outros créditos (notadamente, aquisição de recebíveis). No crédito às famílias, volume de R$794 bilhões e expansão de 0,5%, destacaram-se o crédito consignado e cartão de crédito à vista. O crédito com recursos direcionados atingiu R$1.504 bilhões em junho (+0,4% no mês), totalizando R$672 bilhões (+0,9%) no segmento de pessoas físicas e R$833 bilhões, mesmo patamar de maio, na carteira de pessoas jurídicas.

Na classificação do crédito segundo a atividade econômica dos tomadores, incluindo pessoas jurídicas dos setores privado e público, os setores com maior crescimento foram o comércio (principalmente, atacadista de combustíveis) e os serviços industriais de utilidade pública (destaque para eletricidade e gás), com saldos respectivos de R$302 bilhões (+2%) e R$149 bilhões (+1,6%). O crédito ao setor privado cresceu 0,6% no mês, alcançando R$2.872 bilhões, enquanto o crédito para o setor público aumentou 1,4%, para R$231 bilhões, refletindo aumentos de 2,5% e 0,4% nas operações destinadas a entidades do governo federal e a estados e municípios, respectivamente.

Nas estatísticas de crédito regionais, consideradas as operações acima de R$1 mil, destacaram-se as regiões Sudeste (55% do total nacional) e Centro-Oeste (parcela de 11%), com saldos respectivos de R$1.659 bilhões (+0,7% no mês e +10,1% em doze meses) e R$319 bilhões (+0,9% e 13,4%, nos mesmos períodos). Na Região Norte, saldo de R$115 bilhões, registraram-se expansões de 0,8% no mês e 7,5% em doze meses, enquanto no Nordeste, saldo de R$392 bilhões, as variações respectivas foram 0,1% e 9,9%. Em sentido inverso, a carteira da Região Sul apresentou retração de 0,1% (aumento de 7,6% em doze meses), somando R$544 bilhões.


I.1 - Taxas de juros e inadimplência

A taxa média de juros das operações de crédito do sistema financeiro, computadas as contratações com recursos livres e direcionados, atingiu 27,6% a.a. em junho, aumento de 0,5 p.p. no mês e de 3,7 p.p. em doze meses. Durante o primeiro semestre do ano, o custo médio cresceu 3,9 p.p., ante 1,5 p.p. no mesmo período do ano anterior. No crédito livre, a taxa situou-se em 43,5% a.a. (+1 p.p. no mês e +6,7 p.p. em doze meses), enquanto no crédito direcionado alcançou 9,3% a.a. (+0,1 p.p. e +1,5 p.p, respectivamente).

No segmento de pessoas físicas, a taxa média de juros subiu 0,7 p.p. no mês e 4,1 p.p. em doze meses, para 35,5% a.a. Nas contratações com recursos livres, a taxa alcançou 58,6% a.a. (+1,3 p.p. no mês), destacando-se elevações em cheque especial (+9,3 p.p) e cartão de crédito rotativo (+11,5 p.p.). No crédito direcionado, o custo médio das operações com as famílias aumentou 0,2 p.p. no mês, para 9,2% a.a, com destaque para os financiamentos imobiliários (+0,3 p.p.).

Nos empréstimos às empresas, a taxa média de juros alcançou 19,2% a.a., variações de 0,4 p.p. no mês e 2,9 p.p. em doze meses. No crédito livre, o indicador avançou 0,6 p.p. no mês, para 27,5% a.a., destacando-se elevações em capital de giro (+0,9 p.p.) e conta garantida (+0,6 p.p.). Nas operações com recursos direcionados, a taxa fechou o mês em 9,5% a.a. (+0,1 p.p.), com maior avanço nos financiamentos imobiliários (+0,5 p.p.).

O spread bancário referente às operações com recursos livres e direcionados situou-se em 17,8 p.p., após aumentos de 0,4 p.p. no mês e 2,3 p.p. em doze meses. Os indicadores relativos aos segmentos de pessoas físicas e jurídicas situaram-se em 25,4 p.p. e 9,8 p.p., respectivamente. No crédito livre, o spread aumentou 0,9 p.p., alcançando 30,7 p.p., enquanto no crédito direcionado, recuou 0,1 p.p., situando-se em 3 p.p.

A inadimplência das operações de crédito do sistema financeiro, referente a atrasos superiores a noventa dias, correspondeu a 2,9% da carteira, registrando redução de 0,1 p.p. no mês e estabilidade em doze meses. No crédito às famílias, o indicador recuou para 3,7% (-0,1 p.p. no mês), enquanto nas operações com empresas situou-se em 2,3%, mesmo patamar de maio. No segmento livre, a inadimplência permaneceu estável em 4,7%, ao passo que, no crédito direcionado, decresceu 0,1 p.p. no mês, para 1,1%.

II - Evolução dos agregados monetários

A média dos saldos diários da base monetária atingiu R$233,2 bilhões em junho, após expansão de 0,5% no mês, correspondente aos aumentos de 1,5% nas reservas bancárias e de 0,3% no papel-moeda emitido. O crescimento em doze meses alcançou 4,4%.

Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, destacou-se o resultado das operações com títulos públicos federais, que incluem a atuação do Banco Central no ajuste da liquidez do mercado monetário, com impacto contracionista de R$18,9 bilhões, resultante de colocações líquidas de R$63,5 bilhões no mercado primário e de compras líquidas de R$44,6 bilhões no mercado secundário. Em contraponto, os depósitos de instituições financeiras, que compreendem as variações nos saldos de recolhimentos compulsórios, provocaram expansão de R$6,8 bilhões.

O saldo médio diário dos meios de pagamento restritos (M1) atingiu R$304,2 bilhões em junho, com redução mensal de 0,7%, que resultou do recuo de 2% nos depósitos à vista e da elevação de 0,5% no papel-moeda em poder do público. Em doze meses, o M1 declinou 1%.

O M2, que corresponde ao M1 mais depósitos de poupança e títulos privados, somou R$2,2 trilhões e cresceu 0,8% em junho. Esse resultado refletiu a elevação de 1,4% no saldo dos títulos privados, que totalizou R$1,2 trilhão, e a estabilidade observada nos depósitos de poupança, que se mantiveram em R$650 bilhões.

O agregado M3, que compreende o M2, as quotas de fundos de renda fixa e os títulos públicos que lastreiam as operações compromissadas entre o público e o setor financeiro somou R$4,5 trilhões, com expansão de 0,4% no mês. O saldo das quotas de fundos de renda fixa avançou 0,9%, situando-se em R$2,2 trilhões. O M4, que compreende o M3 e os títulos públicos dos detentores não financeiros, apresentou elevações de 0,9% no mês e de 13% em doze meses, totalizando R$5,3 trilhões.