I - Operações de crédito do sistema financeiro
As operações de crédito do sistema financeiro apresentaram, em abril, expansão menos acentuada do que no mês anterior, em linha com as condições similares prevalecentes ao longo do ano, evidenciadas pela moderação da atividade econômica e contenção das expectativas de empresários e consumidores. A evolução do mercado de crédito, mais intensa nas operações com recursos direcionados, transcorreu em ambiente de estabilização das taxas de juros,
spreads bancários e inadimplência.
Nesse contexto, o estoque total das operações de crédito do sistema financeiro, computadas as operações com recursos livres e direcionados, alcançou R$2.453 bilhões em abril, após crescimentos de 1,1% no mês e 16,4% em doze meses. A variação mensal refletiu as elevações respectivas de 1,5% e 0,7% nas carteiras de pessoas físicas e de pessoas jurídicas, que totalizaram R$1.124 bilhões e R$1.329 bilhões, nessa ordem. A relação crédito/PIB atingiu 54,1%, comparativamente a 53,9% em março e a 49,7% em abril de 2012.
As concessões de crédito, que incluem recursos livres e direcionados e correspondem aos valores desembolsados no mês, cresceram 5,7% em abril, ao atingir R$297 bilhões. Esse desempenho traduziu o aumento de 7,7% observado nos desembolsos a pessoas físicas, que somaram R$147 bilhões, assinalando-se os aumentos verificados nas modalidades de cartão de crédito à vista, crédito pessoal e cheque especial, ao passo que, no segmento de pessoas jurídicas, crescimento de 3,9% e volume de R$150 bilhões, a variação decorreu principalmente dos acréscimos nas concessões referentes à conta garantida e aos financiamentos para investimento com recursos do BNDES.
O estoque de crédito com recursos livres, correspondente a 31,3 % do PIB e a 57,8% do total da carteira do sistema financeiro, atingiu R$1.417 bilhões, avançando 0,5% no mês e 11,1% em relação a abril de 2012. As concessões de crédito livre alcançaram R$257 bilhões, após crescer 5,3% no mês, decorrente das elevações de 7,4% em pessoas físicas e de 3,3% em pessoas jurídicas. Destacaram-se nos desembolsos às famílias as modalidades de cartão de crédito à vista, cheque especial e crédito consignado e, no segmento empresarial, cheque especial e conta garantida.
O saldo dos empréstimos livres a pessoas físicas totalizou R$707 bilhões, após incremento mensal de 1%, destacando-se as modalidades cheque especial, crédito consignado a servidores públicos e cartão de crédito à vista, em oposição à retração em financiamentos para aquisição de veículos e cartão de crédito rotativo. As operações contratadas com pessoas jurídicas revelaram estabilidade no mês, com o saldo mantendo-se em R$710 bilhões.
As operações de crédito concedidas com recursos direcionados, 22,8% do PIB, atingiram saldo de R$1.035 bilhões em abril, avançando 1,9% no mês e 24,6% em doze meses. As operações destinadas a pessoas físicas aumentaram 2,4% no mês, para R$417 bilhões, assinalando-se o dinamismo das modalidades crédito imobiliário e rural, cujos saldos cresceram 2,7% e 1,6%, nessa ordem. O saldo dos empréstimos a pessoas jurídicas, equivalente a 59,7% do total do segmento, elevou-se 1,5% no mês, para R$618 bilhões, assinalando-se as expansões respectivas de 2,6% e 1,4% nas modalidades capital de giro e investimento com recursos do BNDES e do aumento de 1,7% no crédito imobiliário, concentrado em financiamentos à construção de unidades habitacionais. As concessões do BNDES ao setor produtivo - que não incluem os desembolsos realizados pelo BNDESPAR - somaram R$15,7 bilhões em abril, após crescer 21,9% no mês, ressaltando-se os financiamentos destinados a investimento em infraestrutura. Com esse resultado, o valor acumulado das concessões do BNDES alcançou R$48 bilhões no primeiro quadrimestre do ano, superando em 60,7% o montante registrado em igual período de 2012.
As operações concedidas pelos bancos públicos seguiram mantendo desempenho mais acentuado, ao ampliar, em abril, sua representatividade para 49,2% do total de crédito do sistema financeiro, ante 44,4% em igual período do ano anterior. As participações relativas das instituições privadas nacionais e estrangeiras, por sua vez, recuaram, na ordem, 3,3 p.p. e 1,5 p.p., para 35,1% e 15,7%, nas mesmas bases comparativas.
Os empréstimos contratados com o setor privado totalizaram R$2.328 bilhões, com acréscimo de 1% no mês. Os financiamentos imobiliários, que compreendem as operações a pessoas físicas e a pessoas jurídicas, mantiveram expressivo desempenho, ao atingirem saldo de R$327 bilhões, após expansões de 2,6% no mês e 33,3% em doze meses, passando a representar 7,2% do PIB, comparativamente a 5,8% em abril de 2012. O crédito ao setor rural, impulsionado por financiamentos de custeio e investimento agrícolas, cresceu 1,2% no mês, alcançando saldo de R$175 bilhões, Os créditos ao setor público somaram R$125 bilhões, avançando 3,1% no mês, resultante dos aumentos respectivos de 5,2% e 0,8% nas carteiras relativas ao governo federal e a estados e municípios.
I.1 - Taxas de juros e inadimplência
A taxa média geral de juros das operações de crédito, computadas as operações com recursos livres e direcionados, manteve-se em 18,5% a.a. em abril, registrando redução acumulada de 4,1 p.p. nos últimos doze meses. Nos empréstimos às famílias, a taxa média de juros recuou 0,1 p.p. no mês e 5 p.p. em doze meses, situando-se em 24,3% a.a. A variação mensal decorreu da retração de 0,1 p.p. no crédito livre, taxa de 34,4% a.a., destacando-se os declínios em cheque especial e crédito pessoal, e do aumento de 0,1 p.p. nas operações envolvendo recursos direcionados, taxa de 6,7% a.a., para a qual contribuíram as elevações nas taxas médias dos créditos imobiliário e rural.
A taxa média de juros nos financiamentos a empresas manteve-se em 14% a.a., nível que vem se repetindo desde janeiro, assinalando, no entanto, diminuição de 3,4 p.p. em relação a abril de 2012. Nas operações com recursos livres, a taxa média para pessoas jurídicas cresceu 0,4 p.p., ao atingir 19,2% a.a., refletindo, principalmente, o aumento nas contratações de capital de giro.
O
spread bancário referente ao total de crédito do sistema financeiro, computadas as operações com recursos livres e direcionados, acompanhou a trajetória das taxas ativas, registrando estabilidade no mês e recuo de 3,1 p.p. nos últimos doze meses, situando-se em 11,7 p.p. em abril. Os
spreads relativos aos créditos livres e direcionados corresponderam a 17,9 p.p. e 2,7 p.p., respectivamente.
A inadimplência do sistema financeiro, referente a operações com atrasos superiores a noventa dias, manteve, pelo terceiro mês consecutivo, a taxa estável em 3,6% do crédito total, menor nível desde janeiro de 2012, acumulando retração de 0,3 p.p. nos últimos doze meses. Nos créditos às famílias, a taxa recuou 0,1 p.p. no mês, para 5,3%, decorrente da queda de 0,1 p.p. no segmento livre e da estabilização em recursos direcionados. No financiamento corporativo, o indicador de atrasos cresceu 0,1 p.p., ao atingir 2,3%, refletindo acréscimos respectivos de 0,1 p.p. e 0,2 p.p. nas contratações com recursos livres e direcionados.
II - Evolução dos agregados monetários
A base monetária registrou saldo médio diário de R$206 bilhões em abril, com aumentos de 0,2% no mês e 8,7% em doze meses. A evolução mensal do agregado resultou da redução de 1% no papel-moeda emitido e da elevação de 5,2% nas reservas bancárias.
Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da emissão monetária, destacaram-se as operações com títulos públicos federais, que incluem a atuação do Banco Central no ajuste da liquidez do mercado monetário, ao apresentarem expansão de R$3,6 bilhões, contrapondo-se às operações do Tesouro Nacional, que foram contracionistas em R$1,9 bilhão. O impacto de títulos públicos refletiu resgates líquidos de R$19,5 bilhões no mercado primário e vendas líquidas de R$15,9 bilhões, no mercado secundário.
O saldo médio diário dos meios de pagamento restritos (M1) atingiu R$290,2 bilhões em abril, após acréscimos de 0,1% no mês e 12,4% em doze meses. Nesses períodos, os depósitos à vista ampliaram 0,9% e 12,2%, respectivamente, enquanto o papel-moeda em poder do público recuou 0,8% no mês, mas cresceu 12,6% em doze meses.
O saldo dos meios de pagamento no conceito M2, que corresponde ao saldo do M1 mais depósitos de poupança e títulos privados, somou R$1,8 trilhão, com recuo de 0,1% em abril. Esse resultado refletiu reduções de 1,9% no saldo do M1 e de 0,1% no saldo dos títulos privados, que alcançou R$947,1 bilhões, após resgates líquidos de R$17,4 bilhões em depósitos a prazo. O saldo dos depósitos de poupança avançou 0,8%, totalizando R$518,7 bilhões, com captações líquidas de R$2,6 bilhões.
O conceito M3, que compreende o M2, as quotas de fundos de renda fixa e os títulos públicos que lastreiam as operações compromissadas entre o público e o setor financeiro, atingiu R$3,6 trilhões, com elevação de 0,6% no mês, reflexo do crescimento de 1% nas quotas de fundos de renda fixa, saldo de R$1,7 trilhão, e do incremento de 5,3% nas operações compromissadas, saldo de R$164,8 bilhões. O M4, conceito que abrange o M3 e os títulos públicos de detentores não financeiros, apresentou elevações de 1,1% no mês e 12,3% nos últimos doze meses, alcançando R$4,2 trilhões.
Estatísticas complementares às divulgadas nas Notas para Imprensa estão disponíveis no sistema de séries temporais do Banco Central do Brasil, no endereço
http://www.bcb.gov.br/?sgs.