Logomarca BCB

Política Monetária e Operações de Crédito do SFN

NOTA PARA A IMPRENSA - 28.4.2016

Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro
 ZIP - 194 Kb

 Ajuda


I - Operações de crédito do sistema financeiro

O saldo das operações de crédito do sistema financeiro alcançou R$3.161 bilhões em março, com retração de 0,7% no mês e elevação de 3,3% em doze meses (ante variações respectivas de -0,5% e 5,2% em fevereiro). A variação mensal refletiu o declínio de 1,6% no crédito a pessoas jurídicas, saldo de R$1.640 bilhões, e o crescimento de 0,3% na carteira de pessoas físicas, cujo saldo atingiu R$1.520 bilhões. A relação crédito/PIB recuou de 53,6% para 53,1% (53,2% em março de 2015).

O crédito com recursos livres situou-se em R$1.592 bilhões, com redução de 0,6% no mês e expansão de 0,9% em doze meses. A carteira de pessoas jurídicas declinou 1,1% no mês, para R$793 bilhões, sobressaindo as reduções em modalidades cujos saldos foram influenciados pela apreciação cambial do período (repasses externos e financiamentos a exportações), e em capital de giro. O segmento de pessoas físicas recuou 0,2% no mês, para R$800 bilhões, com destaque para as contrações de 1% e de 0,5% nos saldos respectivos de aquisição de veículos e de cartão de crédito e para o aumento de 0,8% no crédito consignado.

O crédito direcionado totalizou R$1.568 bilhões em março, declínio de 0,7% no mês e aumento de 5,8% em doze meses. O resultado mensal foi determinado pela retração de 2% no saldo das operações com pessoas jurídicas, que somaram R$848 bilhões, refletindo o efeito da apreciação cambial nos financiamentos para investimentos do BNDES. O saldo referente a pessoas físicas aumentou 0,9%, para R$721 bilhões, com acréscimos de 1,1% no crédito rural e de 0,8% nos financiamentos imobiliários.

Entre os setores de atividade econômica, as retrações mais significativas ocorreram em transportes (-3,6%, saldo de R$162 bilhões), indústria de transformação (-1,9%, R$449 bilhões) e comércio (-1,1%, R$287 bilhões). Em sentido contrário, destacou-se o crescimento dos saldos destinados a Serviços Industriais de Utilidade Pública (+0,5%, para R$201 bilhões).

Consideradas as operações de crédito acima de R$1 mil, por região, os saldos recuaram 0,8% no Sudeste (R$1.701 bilhões), 0,6% no Norte (R$117 bilhões), 0,5% no Centro-Oeste (R$328 bilhões) e 0,3% no Nordeste (R$402 bilhões), permanecendo estáveis na Região Sul, em R$552 bilhões.


Taxas de juros e inadimplência

A taxa média de juros das operações de crédito do sistema financeiro, incluindo operações com recursos livres e direcionados, atingiu 32% a.a. em março, maior patamar da série histórica iniciada em março de 2011, crescendo 0,2 p.p. no mês e 6,1 p.p. em doze meses. A taxa alcançou 50,9% a.a. no crédito livre (+0,3 p.p. no mês e +10 p.p. em doze meses) e 10,9% a.a. no crédito direcionado (+0,3 p.p. e +2,4 p.p., respectivamente).

A taxa média nos créditos às famílias situou-se em 40,6% a.a., aumentando 0,7 p.p. no mês e 7,3 p.p. em doze meses. No mês, a taxa de juros aumentou 1,3 p.p. nas contratações com recursos livres (cheque especial, +6,9 p.p.; cartão rotativo, +5,2 p.p.) e 0,5 p.p. nas operações com recursos direcionados (financiamentos imobiliários, +0,6 p.p.), alcançando, respectivamente, 69,2% a.a. e 10,1% a.a.

No segmento de pessoas jurídicas, a taxa média de juros atingiu 22,2% a.a., declinando 0,4 p.p. no mês e aumentando 4,1 p.p. em doze meses. A redução mensal foi determinada pelas contratações com recursos livres (-0,9 p.p., para 31% a.a.), destacando-se os empréstimos de capital de giro (-1,1 p.p.) e os financiamentos a exportações (-3,4 p.p.). No crédito direcionado, a taxa aumentou 0,1 p.p., para 11,9% a.a.

O spread bancário referente às operações com recursos livres e direcionados situou-se em 21,6 p.p. em março (+0,8 p.p. no mês e +5,2 p.p. em doze meses). O avanço mensal refletiu a elevação de 1,5 p.p., para 37,3 p.p., nas operações com recursos livres, e o aumento de 0,2 p.p., para 4,1 p.p., nas contratações com recursos direcionados. O indicador atingiu 30 p.p. no segmento de famílias e 12 p.p. no de empresas, aumentando 1,1 p.p. e 0,3 p.p., respectivamente, no mês.

A taxa de inadimplência das operações de crédito do sistema financeiro, computados atrasos superiores a noventa dias, atingiu 3,5% em março, mantendo-se estável no mês e crescendo 0,7 p.p. em doze meses. O índice de atrasos se manteve em 4,3% na carteira de pessoas físicas e atingiu 2,9% na de pessoas jurídicas (+0,1 p.p. no mês). A inadimplência elevou-se 0,1 p.p., para 5,6%, no crédito livre e permaneceu estável em 1,5%, no crédito direcionado.


II - Evolução dos agregados monetários

A média dos saldos diários da base monetária totalizou R$241,1 bilhões em março, com redução de 1,3% no mês e aumento de 0,2% em doze meses. A variação mensal refletiu decréscimo de 1,5% no papel-moeda emitido e elevação de 0,1% nas reservas bancárias.

Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, destacaram-se os ajustes nas operações com derivativos, com impacto contracionista de R$42,7 bilhões, e as operações com títulos públicos federais, que apresentaram expansão de R$34,8 bilhões, a partir de compras líquidas de R$78,8 bilhões no mercado secundário e colocações líquidas de R$44 bilhões, no mercado primário.

O saldo médio diário dos meios de pagamento restritos (M1) atingiu R$304,4 bilhões em março, com retração mensal de 1,9%, resultante dos declínios de 1,2% no papel-moeda em poder do público e de 2,8% nos depósitos à vista. Em doze meses, o M1 recuou 3,7%. O saldo dos meios de pagamento no conceito M2, que corresponde ao M1 mais depósitos de poupança e títulos privados, avançou 0,2% em março, situando-se em R$2,2 trilhões. Essa evolução refletiu os recuos de 2% no M1 e de 0,3% nos depósitos de poupança, cujo saldo totalizou R$647,3 bilhões, e o crescimento de 0,9% no saldo dos títulos privados, que atingiu R$1,3 trilhão. No mês, ocorreram resgates líquidos de R$5,4 bilhões nos depósitos de poupança e de R$3,3 bilhões em depósitos a prazo.

O conceito M3, que compreende o M2, as quotas de fundos de renda fixa e os títulos públicos que lastreiam as operações compromissadas entre o público e o setor financeiro, registrou expansão de 1,3% no mês, somando R$4,9 trilhões, reflexo do crescimento de 2,5% no saldo das quotas de fundos de renda fixa, que alcançou R$2,4 trilhões. O M4, que agrega o M3 e os títulos públicos de detentores não financeiros, cresceu 1,5% em março e 10,9% nos últimos doze meses, totalizando R$5,7 trilhões.