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Política Monetária e Operações de Crédito do SFN

NOTA PARA A IMPRENSA - 26.3.2014

Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro
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I - Operações de crédito do sistema financeiro

A carteira de crédito do sistema financeiro, computadas as operações com recursos livres e direcionados, atingiu R$2.733 bilhões em fevereiro, após crescimento de 0,6% no mês e de 14,7% em doze meses. O resultado mensal decorreu de expansões de 0,6% nos saldos dos segmentos de crédito a pessoas físicas e a pessoas jurídicas e refletiu, principalmente, a retomada sazonal da demanda de crédito livre pelas empresas e a continuidade do crescimento do crédito imobiliário. A relação crédito/PIB permaneceu no mesmo patamar de janeiro, 55,8%, comparativamente a 53,4% em fevereiro do ano anterior. As taxas de juros e spreads seguiram em elevação, permanecendo os indicadores de inadimplência estáveis em níveis moderados.

As concessões totais com recursos livres e direcionados somaram R$296 bilhões em fevereiro, 1,8% acima do registrado em janeiro. As concessões para as famílias recuaram 0,7%, influenciadas pela menor utilização de cartão de crédito na modalidade à vista e pela retração nos financiamentos de veículos. As concessões para empresas elevaram-se 4,6%, destacando-se os empréstimos de capital de giro e os adiantamentos sobre contratos de câmbio (ACC).

O saldo de empréstimos com recursos livres alcançou R$1.493 bilhões em fevereiro, após acréscimos de 0,1% no mês e 7,4% em doze meses. No mês, houve elevação de 0,4% no estoque de operações com pessoas jurídicas, que totalizou R$745 bilhões, e recuo de 0,3% no saldo destinado a pessoas físicas, R$747 bilhões. O crédito direcionado somou R$1.241 bilhões em fevereiro, após elevações de 1,2% no mês e 24,9% em doze meses, destacando-se os financiamentos imobiliários. Os saldos das operações destinadas às empresas e às famílias cresceram 0,8% e 1,8%, respectivamente, alcançando, na ordem, R$717 bilhões e R$524 bilhões.

Consideradas as operações com recursos livres e direcionados, o crédito ao setor privado cresceu 0,5% no mês e 13,7% em doze meses, atingindo R$2.575 bilhões em fevereiro. Os saldos relativos aos segmentos imobiliário, rural e industrial registraram expansões de 2,4%, 1,4% e 0,6%, enquanto os referentes a outros serviços e a pessoas físicas recuaram 0,6% e 0,2%, respectivamente. O crédito ao setor público expandiu-se 2,4%, com ênfase na variação de 4,4% no saldo das operações com entidades do governo federal.


I.1 - Taxas de juros e inadimplência

A taxa média de juros das operações de crédito do sistema financeiro, computadas as operações com recursos livres e direcionados, atingiu 20,9% em fevereiro, após altas de 0,2 p.p. no mês e 2,2 p.p. em relação a fevereiro de 2013. A taxa média do crédito livre situou-se em 31,5%, ao refletir elevações de 0,8 p.p. no mês e 5 p.p. em doze meses, enquanto, no crédito direcionado, o custo médio alcançou 7,6%, apresentando variações de -0,3 p.p. e 0,4 p.p. nas mesmas bases de comparação.

Nas operações para pessoas físicas, a taxa média de juros situou-se em 27,2% em fevereiro, registrando elevações de 0,4 p.p. no mês e 2,3 p.p. em doze meses. No segmento livre, o custo médio alcançou 41,2%, após alta mensal de 1,3 p.p., refletindo, principalmente, as altas de 3,4 p.p. e 2,6 p.p. nas modalidades crédito pessoal não consignado e cheque especial. Nas operações com recursos direcionados, a taxa média de juros recuou 0,5 p.p. no mês, situando-se em 7,2%, influenciada pela retração de 0,8 p.p. nos financiamentos imobiliários.

Nos empréstimos às empresas, o custo médio atingiu 16%, após altas de 0,1 p.p. no mês e 2 p.p. em doze meses. Nas operações com recursos livres, a taxa média subiu 0,3 p.p. no mês, alcançando 23,1%, ao passo que no segmento de recursos direcionados, a taxa média situou-se em 7,9%, após recuo de 0,1 p.p.

O spread bancário referente às operações com recursos livres e direcionados atingiu 12,2 p.p., ao avançar 0,4 p.p. no mês e 0,2 p.p. em doze meses. A variação mensal refletiu a alta de 0,7 p.p. no segmento de pessoas físicas, influenciada pela elevação de 1,3 p.p. nas operações com recursos livres. Os spreads relativos aos segmentos livre e direcionado corresponderam a 19,7 p.p. e 2,9 p.p., respectivamente.

A inadimplência do sistema financeiro, que corresponde às operações com atrasos superiores a noventa dias, manteve-se estável em 3%, menor nível da série histórica iniciada em março de 2011, assinalando recuo de 0,1 p.p. nas operações com pessoas físicas (4,3%) e alta de 0,1 p.p. no crédito a pessoas jurídicas (1,9%). Consideradas apenas as operações com recursos livres, a inadimplência manteve-se em 4,8%, com taxas de 6,5% e 3,3% relativos aos segmentos de pessoas físicas e jurídicas, respectivamente. No âmbito das operações com recursos direcionados, o indicador apresentou alta mensal de 0,1 p.p., ao atingir 1%, refletindo as inadimplências de 1,7% e 0,4% nos segmentos de pessoas físicas e jurídicas, na ordem.


II - Evolução dos agregados monetários

A base monetária alcançou saldo médio diário de R$227,8 bilhões em fevereiro, após declínio de 3,3% no mês, decorrente das reduções de 2,5% no papel-moeda emitido e de 6,9% nas reservas bancárias, e crescimento de 6% em doze meses.

Os fluxos mensais dos fatores condicionantes da emissão monetária foram contracionistas em R$18,8 bilhões nas operações do Tesouro Nacional, em R$8,3 bilhões nos ajustes nas operações com derivativos e em R$2,8 bilhões nos depósitos de instituições financeiras, os quais incluem os recolhimentos compulsórios. Esses impactos foram neutralizados pelas operações com títulos públicos federais, expansionistas em R$32,2 bilhões, que refletiram compras líquidas de R$41,3 bilhões no mercado secundário e colocações líquidas de R$9,1 bilhões no mercado primário.

A média dos saldos diários dos meios de pagamento restritos (M1) atingiu R$311,8 bilhões em fevereiro, com retração mensal de 3,5%, correspondente a decréscimos de 4,6% nos depósitos à vista e de 2,4% no papel-moeda em poder do público. O crescimento acumulado do M1 em doze meses situou-se em 7,3%.

O saldo dos meios de pagamento no conceito M2, que corresponde ao M1 mais depósitos de poupança e títulos privados, avançou 0,5% em fevereiro, atingindo R$1,9 trilhão. Esse resultado refletiu os aumentos observados em todos os componentes do M2, sobretudo, o crescimento de 0,7% registrado nos depósitos de poupança, que totalizaram R$608,1 bilhões, após captação líquida de R$1,9 bilhão. O saldo dos títulos privados cresceu 0,2%, alcançando R$1 trilhão, apesar dos resgates líquidos de R$7,5 bilhões em depósitos a prazo.

O conceito M3, que compreende o M2, as quotas de fundos de renda fixa e os títulos públicos que lastreiam as operações compromissadas entre os detentores de moeda e o setor financeiro, expandiu-se 0,4% no mês, somando R$3,8 trilhões, reflexo do crescimento de 1% no saldo das quotas de fundos de renda fixa, que totalizou R$1,8 trilhão. O M4, que agrega o M3 e os títulos públicos de detentores não financeiros, apresentou acréscimos de 0,6% em fevereiro e de 7,8% nos últimos doze meses, totalizando R$4,5 trilhões.









Estatísticas complementares às divulgadas nas Notas para Imprensa estão disponíveis no sistema de séries temporais do Banco Central do Brasil, no endereço http://www.bcb.gov.br/?sgs.