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I - Evolução dos agregados monetários A base monetária atingiu saldo médio diário de R$167,4 bilhões em dezembro, registrando crescimentos de 12,6% no mês e de 14,9% em doze meses, mantendo-se, assim como os demais agregados, dentro do intervalo definido pela programação monetária para o quarto trimestre de 2009. O resultado no mês retratou a elevação sazonal da demanda por moeda, a partir de elevações de 12,7% no saldo médio do papel-moeda emitido e de 12,2% nas reservas bancárias. Os fluxos mensais dos fatores de emissão monetária refletiram os impactos expansionistas decorrentes das compras líquidas de divisas pelo Banco Central no mercado interbancário de câmbio, R$6,3 bilhões, e das operações com títulos públicos federais, incluindo a atuação do Banco Central no ajuste de liquidez do mercado monetário, R$19,5 bilhões. Em sentido contrário, as operações do Tesouro Nacional foram contracionistas em R$15,2 bilhões, assim como as variações dos recolhimentos compulsórios sobre depósitos de poupança, R$1,8 bilhão, e dos depósitos prévios para compensações de cheques, R$292 milhões. Os meios de pagamento restritos (M1) alcançaram saldo médio diário de R$240,3 bilhões em dezembro, após aumentos de 11,8% no mês e de 10,1% em 12 meses. O comportamento em dezembro decorreu dos incrementos de 12,7% no saldo médio do papel-moeda em poder do público e de 11,1% nos depósitos à vista. Em doze meses, tais componentes apresentaram expansões de 14% e 7,3%, respectivamente. Os meios de pagamento no conceito M2, que compreendem o M1, os depósitos para investimentos, os depósitos de poupança e os títulos privados, atingiram saldo de R$1,2 trilhão no final de 2009, registrando altas de 3,4% em dezembro e de 9% em 2009. O saldo total dos depósitos de poupança aumentou 3,2% em dezembro e 17,7% em doze meses, alcançando R$319,1 bilhões. Os títulos privados totalizaram R$598,7 bilhões, registrando estabilidade em relação ao mês anterior. O M3, conceito que agrega ao M2 as quotas de fundos de renda fixa e os títulos públicos que lastreiam as operações compromissadas entre o público e o setor financeiro, registrou alta de 2,6% em dezembro e de 16,3% em 2009, totalizando R$2,2 trilhões. O saldo dos fundos de renda fixa alcançou R$938,5 bilhões, a partir de elevações de 2,3% no mês e de 21,5% no ano. O M4, que corresponde ao M3 mais os títulos públicos de detentores não financeiros, cresceu 2,4% em relação a novembro e 16,6% em doze meses, atingindo R$2,6 trilhões. Em reunião de 16.12.2009, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou a programação monetária para o primeiro trimestre de 2010, contemplando estimativas para os principais agregados monetários, conforme tabela abaixo. As projeções são consistentes com cenário de crescimento da renda e trajetória de taxas de juros compatível com a política econômica em curso. ![]() II - Operações de crédito do sistema financeiro As operações de crédito do sistema financeiro totalizaram R$1.410 bilhões em dezembro, registrando crescimentos de 1,6% no mês e de 14,9% em doze meses. Com esse resultado, o estoque total de empréstimos passou a representar 45% do PIB, ante 45,1% em novembro e 39,7% em dezembro de 2008. O desempenho no ano configura significativa recuperação do mercado de crédito, após a contração verificada no final de 2008 e início de 2009. A retomada das contratações ocorreu primeiramente no crédito a pessoas físicas, que ao final do ano se apresenta em condições semelhantes às observadas em 2007 e 2008, tanto com respeito aos volumes negociados, quanto em relação às taxas de juros e de inadimplência. As operações destinadas às empresas seguem em recuperação gradual, registrando trajetórias favoráveis de redução de juros e de inadimplência, requisitos fundamentais para o restabelecimento do seu ritmo de expansão. A representatividade dos bancos públicos, ainda em elevação, alcançou 41,4% da carteira total do sistema, enquanto as das instituições privadas nacionais e estrangeiras situaram-se, respectivamente, em 40,4% e em 18,2%. No fim de 2008, essas participações corresponderam a 36,2%, 42,8% e 21%, na mesma ordem. A evolução dos empréstimos, em dezembro, foi sustentada pelo desempenho das carteiras com recursos direcionados, impulsionadas pelo crescimento dos financiamentos do BNDES e pela manutenção da trajetória expansionista do crédito habitacional. O crédito a pessoas físicas apresentou desaceleração, associada à disponibilidade adicional de recursos provenientes do décimo terceiro salário, favorável à quitação de dívidas de curto prazo. No segmento de pessoas jurídicas, a recuperação manteve-se em passo moderado, com continuidade da retração nas operações referenciadas em moeda estrangeira. Os financiamentos contratados com recursos direcionados totalizaram R$457,2 bilhões em dezembro, ampliando-se 3,2% no mês e 28,4% no ano. A evolução mensal foi impulsionada pelo aumento de 4,5% nas operações do BNDES, cujo saldo atingiu R$280,4 bilhões, cabendo destaque aos empréstimos realizados sob a forma direta, que aumentaram 6,1%. Os desembolsos efetuados pelo BNDES entre janeiro e novembro de 2009 somaram R$117,5 bilhões, volume 49,6% superior ao registrado em igual período de 2008. Esse desempenho refletiu, preponderantemente, a expansão de 76,5% nos financiamentos concedidos à indústria, que totalizaram R$57,1 bilhões, destinados, principalmente, ao ramo de coque, petróleo e combustível. O fluxo de recursos alocados ao segmento de comércio e serviços alcançou R$54,3 bilhões, representando elevação de 32%, ressaltando-se os setores de transporte terrestre e de eletricidade e gás. As consultas ao BNDES, que correspondem a potenciais desembolsos, somaram R$200,6 bilhões nos primeiros onze meses do ano, revelando expansão de 22,8% em relação ao mesmo período de 2008. Essa variação foi determinada pelo aumento de 50,6% na demanda do setor industrial, sobressaindo o segmento de coque, petróleo e combustível. As solicitações vinculadas ao comércio e serviços elevaram-se 4,1%, com relevância para as atividades relacionadas à administração pública e a telecomunicações. O saldo de empréstimos e financiamentos com recursos livres, correspondente a 67,6% do total de crédito do sistema financeiro, atingiu R$953,1 bilhões em dezembro, resultado de elevações de 0,8% no mês e de 9,4% no ano. O desempenho mensal foi condicionado pelo aumento de 1,2% nos empréstimos destinados a pessoas físicas, cujo saldo totalizou R$470,7 bilhões. As carteiras de crédito das pessoas jurídicas cresceram 0,5% no mês, ao somar R$482,4 bilhões, evolução condizente com o comportamento observado nos financiamentos referenciados em recursos domésticos, que registraram alta de 1,1% no período. II.1 - Distribuição setorial do crédito As operações de crédito destinadas ao setor privado, computados os recursos livres e direcionados, atingiram R$1.352 bilhões em dezembro, apresentando expansão de 1,5% no mês. Destacaram-se as operações com o segmento outros serviços, com saldo de R$246,2 bilhões e incremento de 3,7% relativamente a novembro. Os empréstimos concedidos à indústria evoluíram 0,6%, totalizando R$304,6 bilhões, enquanto os relativos ao comércio cresceram 2,1%, atingindo R$136,7 bilhões. Os financiamentos destinados ao setor habitacional mantiveram desempenho aquecido, alcançando saldo de R$89 bilhões, com expansões de 2,5% no mês e de 40,6% no ano. Por sua vez, as operações voltadas à atividade agropecuária totalizaram R$112,4 bilhões, registrando declínio de 0,5% no mês e crescimento de 5,7% em doze meses. Os financiamentos contratados com o setor público somaram R$58,4 bilhões em dezembro, apresentando elevação de 2,9% no mês. Esse desempenho foi impulsionado pelo aumento de 7,1% nas operações assinaladas com os governos estaduais e municipais, cujo volume atingiu R$25,3 bilhões. Em contrapartida, a dívida bancária do governo federal apresentou retração de 0,1%, situando-se em R$33 bilhões. II.2 - Operações com recursos livres - Crédito referencial para taxas de juros No âmbito do crédito referencial para taxa de juros, as operações contratadas pelas famílias apresentaram elevação de 0,5% em dezembro e de 17,4% no ano, totalizando R$319,9 bilhões. Em dezembro, coube destaque aos financiamentos para aquisição de veículos, que observaram alta de 2,2%. Na evolução anual, a principal contribuição foi proveniente das operações de crédito pessoal, cujo saldo aumentou 24,9%. Os empréstimos consignados responderam pela maior parte desse crescimento, registrando expansões de 0,5% no mês e de 34,6% em relação a dezembro de 2008. As modalidades compreendidas no segmento de pessoas jurídicas alcançaram saldo de R$396 bilhões, após elevações de 0,3% no mês e de 1,1% em doze meses, sustentadas pelas operações com recursos domésticos, notadamente o crédito para capital de giro, que registrou expansões de 1,5% no mês e de 26,2% no ano. Os financiamentos lastreados em recursos externos recuaram 4,5% no mês, passando a representar 13,9% do total do crédito referencial para empresas, comparativamente à participação de 23,2% no final de 2008. Contribuiu para essa retração, além da apreciação cambial do período, o arrefecimento nas contratações de adiantamentos sobre contratos de câmbio (ACC) no segundo semestre, associado, entre outros fatores, à maior disponibilidade de alternativas de crédito para financiamento do comércio exterior. A taxa média de juros do crédito referencial atingiu 34,3% a.a. em dezembro, situando-se no menor patamar observado desde dezembro de 2007, após decréscimos de 0,6 p.p. no mês e de 9 p.p. no ano. O spread bancário apresentou evolução semelhante, ao recuar 0,8 p.p. em dezembro e 6,4 p.p. em 2009, posicionando-se em 24,3 p.p. Ao longo de 2009, as taxas de juros das operações com pessoas físicas recuaram de forma mais expressiva do que nas contratações com pessoas jurídicas, reflexo do comportamento das taxas de inadimplência nos dois segmentos. O custo médio do crédito às famílias recuou 0,3 p.p. em dezembro e 15,2 p.p. no ano, situando-se em 42,7% a.a., menor nível da série histórica iniciada em julho de 1994. Nos empréstimos às empresas, a taxa média de juros apresentou retrações de 0,5 p.p. no mês e de 5,2 p.p. no ano, situando-se em 25,5% a.a. em dezembro. Nas modalidades que constituem o crédito referencial, a taxa de inadimplência, que corresponde à participação das operações com atrasos superiores a noventa dias, alcançou 5,6%, após retração mensal de 0,2 p.p. e incremento de 1,2 p.p. no ano. A inadimplência nos segmentos de pessoas físicas e de pessoas jurídicas representou 7,8% e 3,8% das respectivas carteiras, registrando quedas mensais de 0,3 p.p. e de 0,1 p.p., nessa ordem. Assinale-se que os recursos provenientes do décimo terceiro salário contribuíram para a melhora do perfil da carteira de pessoas físicas em dezembro. Ao longo de 2009, o percentual das operações com atrasos superiores a 90 dias decresceu 0,2 p.p. no segmento de pessoas físicas, mas elevou-se 2 p.p. no de pessoas jurídicas. Estatísticas complementares às divulgadas nesta nota podem ser obtidas na página do Banco Central, na internet: * Economia e Finanças - Séries Temporais (http://www.bcb.gov.br/?SERIESTEMP). * Sistema Financeiro Nacional - Informações sobre operações bancárias - Taxas de operações de crédito - Dados Consolidados (mensal) (http://www.bcb.gov.br/?TXCREDMES). | ||||||||||||||||||||||||||||||||
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