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Política Monetária e Operações de Crédito do SFN

NOTA PARA A IMPRENSA - 23.6.2015

Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro
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I - Operações de crédito do sistema financeiro

O crédito total do sistema financeiro, incluindo as operações com recursos livres e direcionados, atingiu R$3.081 bilhões em maio, com expansões de 0,7% no mês e de 10,1% em doze meses. No mês, o crédito a pessoas jurídicas cresceu 0,8% e alcançou R$1.627 bilhões, enquanto o saldo de operações com pessoas físicas cresceu 0,6%, somando R$1.454 bilhões. A relação crédito/PIB atingiu 54,4%, ante 54,3% em abril e 52,5% em maio do ano anterior.

A carteira de operações com recursos livres totalizou R$1.583 bilhões em maio, aumentos de 0,6% no mês e 4,7% em doze meses. No segmento de empresas, saldo de R$794 bilhões (+0,7% no mês), as modalidades com variações mais relevantes foram os adiantamentos sobre contratos de câmbio (ACC) e os repasses externos. O crédito livre das pessoas físicas alcançou R$789 bilhões (+0,5% no mês), com destaque para crédito consignado e cartão de crédito à vista.

O crédito direcionado atingiu R$1.498 bilhões, após expansões de 0,8% no mês e de 16,5% em doze meses. Nas operações com empresas, saldo de R$833 bilhões e variação de 0,9%, sobressaíram os financiamentos para investimentos com recursos do BNDES, enquanto nos financiamentos às famílias, saldo de R$665 bilhões, o aumento mensal de 0,6% foi determinado pelo crédito imobiliário.

Na segmentação do crédito segundo a atividade econômica dos tomadores, incluindo pessoas jurídicas dos setores privado e público, apresentaram crescimento os segmentos da indústria de transformação (metalurgia, principalmente), administração pública, serviços industriais de utilidade pública (destaque para eletricidade e gás) e transportes (notadamente, aquaviário e aéreo), com saldos respectivos de R$451 bilhões (+0,7%), R$107 bilhões (+2,7%), R$147 bilhões (+1,7%) e R$160 bilhões (+1,5%). A carteira destinada ao setor comercial declinou 0,5%, ao situar-se em R$296 bilhões, refletindo retração no comércio atacadista e de veículos. O crédito ao setor privado cresceu 0,6% no mês, somando R$2.854 bilhões, enquanto o crédito para o setor público aumentou 2,3%, alcançando R$227 bilhões, após avanços de 1,6% e 2,9% nas carteiras das entidades vinculadas ao governo federal e a estados e municípios, respectivamente.

Nas estatísticas de crédito regionais, consideradas as operações acima de R$1 mil, destacaram-se as regiões Sudeste (55% do total nacional) e Nordeste (parcela de 13%), com saldos respectivos de R$1.646 bilhões (+0,8% no mês e +10,5% em doze meses) e R$392 bilhões (+0,6% e 10,9%, nos mesmos períodos). No Centro-Oeste, saldo de R$316 bilhões, registraram-se expansões de 0,5% no mês e 13,8% em doze meses, enquanto na Região Sul, saldo de R$544 bilhões, observaram-se aumentos respectivos de 0,2% e 8,9%. O menor crescimento foi observado na Região Norte, com 0,1% no mês e 7,5% em doze meses, saldo de R$114 bilhões.


I.1 - Taxas de juros e inadimplência

A taxa média de juros das operações de crédito do sistema financeiro, computadas as contratações com recursos livres e direcionados, atingiu 27,1% a.a. em maio, registrando aumento de 0,6 p.p. no mês e de 3 p.p. em doze meses. No crédito livre, o custo médio situou-se em 42,5% a.a., aumento de 0,7 p.p. no mês e 5,9 p.p. em doze meses, enquanto no crédito direcionado, o indicador atingiu 9,3% a.a., após altas de 0,4 p.p. e 1 p.p. nos mesmos períodos.

No segmento de pessoas físicas, a taxa subiu 0,8 p.p. no mês e 3,5 p.p. em doze meses, situando-se em 34,8% a.a. Nas contratações com recursos livres, a taxa alcançou 57,3% a.a, alta mensal de 1,2 p.p., com elevações de 0,3 p.p. no crédito consignado, 13,1 p.p. no cartão de crédito rotativo e 6 p.p. no cheque especial. No crédito às famílias com recursos direcionados, o custo médio avançou 0,3 p.p. no mês, alcançando 9% a.a., com variação de 0,4 p.p. na taxa de juros dos financiamentos imobiliários.

Nos empréstimos às empresas, a taxa média de juros atingiu 18,9% a.a., variações de 0,4 p.p. no mês e 2 p.p. em doze meses. Nas operações com recursos livres, o custo médio avançou 0,3 p.p. no mês, para 26,9% a.a., com destaque para capital de giro acima de 365 dias (+0,4 p.p.) e repasses externos (+1,3 p.p.). Nas contratações com recursos direcionados, a taxa aumentou 0,6 p.p., para 9,6% a.a., refletindo principalmente a elevação de 0,5 p.p. no custo dos financiamentos com recursos do BNDES para investimentos.

O spread bancário referente às operações com recursos livres e direcionados cresceu 0,3 p.p. no mês e 1,9 p.p. em doze meses, atingindo 17,4 p.p. Os indicadores relativos aos segmentos de pessoas físicas e jurídicas situaram-se em 24,9 p.p. e 9,5 p.p., respectivamente. No crédito livre, o spread aumentou 0,5 p.p., atingindo 29,8 p.p., enquanto no crédito direcionado, avançou 0,1 p.p., para 3,2 p.p.

A inadimplência das operações de crédito do sistema financeiro, referente a atrasos superiores a noventa dias permaneceu em 3%, apresentando estabilidade nas comparações mensal e interanual. No crédito às famílias, o nível de atrasos situou-se em 3,8% (+0,1 p.p. no mês), permanecendo estável em 2,3% nos créditos às empresas. No crédito livre, a inadimplência atingiu 4,7% (+0,1 p.p. no mês), enquanto, no direcionado, manteve-se em 1,2%.


II - Evolução dos agregados monetários

A média dos saldos diários da base monetária alcançou R$232,1 bilhões em maio, com declínio de 2,6% no mês, resultante das retrações de 9,3% nas reservas bancárias e de 1,3% no papel-moeda emitido. A expansão em doze meses atingiu 4,1%.

Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, sobressaíram os impactos expansionistas dos ajustes nas operações com derivativos, R$22,1 bilhões, e das compras líquidas de divisas no mercado interbancário, R$9,7bilhões. Em contraponto, as operações com títulos públicos federais apresentaram contração de R$22,8 bilhões, resultado de colocações líquidas no mercado primário e vendas líquidas no mercado secundário, ambas de R$11,4 bilhões.

Os meios de pagamento restritos (M1) registraram saldo médio diário de R$306,3 bilhões em maio, com redução mensal de 1,6%, decorrente dos recuos de 2,3% nos depósitos à vista e de 1% no papel-moeda em poder do público. Em doze meses, o indicador se manteve estável.

O M2, que corresponde ao M1, mais depósitos de poupança e títulos privados situou-se em R$2,1 trilhões, registrando estabilidade em maio. Os títulos privados avançaram 0,2%, alcançando R$1,2 trilhão, a despeito de resgates líquidos de R$7,5 bilhões em depósitos a prazo. O saldo dos depósitos de poupança permaneceu em R$650 bilhões, com resgates líquidos de R$3,2 bilhões.

O M3, que compreende o M2, as quotas de fundos de renda fixa e os títulos públicos que lastreiam as operações compromissadas entre o público e o setor financeiro, expandiu-se 1,3% em maio, somando R$4,5 trilhões. O saldo das quotas de fundos de renda fixa cresceu 2,3%, atingindo R$2,1 trilhões, após captações líquidas de R$17,6 bilhões. O M4, que compreende o M3 e os títulos públicos de detentores não financeiros, apresentou elevação de 1,4% no mês e de 13,3% em doze meses, totalizando R$5,2 trilhões.