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Setor Externo

NOTA PARA A IMPRENSA - 22.6.2015

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Desde abril de 2015 o Banco Central do Brasil (BCB) passou a publicar as estatísticas do setor externo da economia brasileira em conformidade com o a sexta edição do Manual de Balanço de Pagamentos e Posição Internacional de Investimento do Fundo Monetário Internacional (BPM6). Anteriormente, essas estatísticas eram divulgadas pelo BCB de acordo com a quinta edição do Manual de Balanço de Pagamentos (BPM5). As séries históricas de balanço de pagamentos sob o BPM5 foram descontinuadas.

Os padrões metodológicos internacionais oferecem recomendações para a compilação e apresentação das contas macroeconômicas. O objetivo é assegurar não apenas a consistência entre as várias estatísticas macroeconômicas, mas também permitir a comparabilidade entre os países. Ao mesmo tempo, o BPM6 contempla desenvolvimentos econômicos e financeiros da economia mundial nos últimos quinze anos.

O BPM6 define Balanço de Pagamentos (BP) como a estatística macroeconômica que sumariza transações entre residentes e não residentes ao longo de um período. Compreende a conta de bens e serviços, conta de renda primária, conta de renda secundária (que compõem as transações correntes), conta capital e conta financeira. Dentre as modificações, incluem-se o formato da apresentação do BP; nomenclatura de algumas contas; convenções de sinais e conceitos. Maiores detalhes a respeito das estatísticas do setor externo brasileiro sob o padrão metodológico definido pelo BPM6 estão disponíveis em http://www.bcb.gov.br/?6MANBALPGTO.


I - Balanço de pagamentos - Maio de 2015

Em maio, as transações correntes apresentaram deficit de US$3,4 bilhões, acumulando, nos últimos doze meses, saldo negativo de US$95,7 bilhões, equivalente a 4,39% do PIB. Na conta financeira, as captações líquidas superaram as concessões líquidas em US$3,2 bilhões, destacando-se a elevação dos ingressos líquidos de US$6,6 bilhões em investimento direto no país, e de US$3,1 bilhões em investimento em carteira passivos.

A conta de serviços registrou despesas líquidas de US$3,4 bilhões no mês, recuo de 23,1% na comparação com o resultado de maio de 2014. As despesas líquidas com transportes recuaram 42,5%, na mesma base de comparação, atingindo US$489 milhões. O item viagens internacionais registrou despesas líquidas de US$998 milhões, contração de 42,5%, comparativamente ao ocorrido em maio do ano anterior, resultado de reduções de 37,4% e de 20,6%, na ordem, nos gastos de turistas brasileiros em viagens ao exterior, e nas despesas de viajantes estrangeiros ao Brasil. Destacaram-se a elevação na despesa líquida com aluguel de equipamentos, 20,3%, e as contrações em despesas líquidas com serviços de propriedade intelectual, 32,5%, e telecomunicação, computação e informações, 23,7%.

As despesas líquidas de renda primária atingiram US$2,7 bilhões no mês, retração de 34,3% na comparação com maio de 2014. As despesas líquidas de lucros e dividendos somaram US$1,9 bilhão, ante US$3,3 bilhões em mês correspondente do ano anterior, recuo de 41,1%, enquanto as despesas líquidas de juros totalizaram US$796 milhões, 5,9% inferiores ao resultado do período comparativo. As saídas líquidas de renda de investimento direto atingiram US$1,8 bilhão, redução de 35,9%, na comparação com maio de 2014. As despesas líquidas de renda de investimentos em carteira somaram US$868 milhões, compostas por despesas líquidas de lucros e dividendos, US$472 milhões; de juros de títulos negociados no mercado externo, US$323 milhões; e no mercado interno, US$73 milhões. A despesa líquida de renda de outros investimentos recuou para US$306 milhões, 22% abaixo do registrado em maio do ano anterior, enquanto as receitas de reservas atingiram US$214 milhões.

A conta de renda secundária apresentou ingressos líquidos de US$165 milhões. A receita de transferências pessoais atingiu US$211 milhões em maio, 28,4% acima do resultado observado em mesmo mês do ano anterior.

Os investimentos diretos no exterior somaram remessas líquidas de US$857 milhões ao exterior, compreendendo US$867 milhões em participação no capital, incluídos US$311 milhões decorrentes do reinvestimento de lucros, e retornos de US$10 milhões, proveniente de operações intercompanhias.

Os investimentos diretos no país aumentaram US$6,6 bilhões, dos quais US$6 bilhões em participação no capital, incluídos US$675 milhões decorrentes de reinvestimento de lucros, e US$618 milhões em operações intercompanhias. Em doze meses, os ingressos líquidos dos investimentos diretos no país somaram US$83 bilhões, equivalentes a 3,81% do PIB.

Os investimentos em carteira passivos apresentaram ingressos líquidos de US$3,1 bilhões em maio, compostos por ingressos líquidos de U$794 milhões em ações, US$1,3 bilhão em fundos de investimento, e US$1,1 bilhão em títulos de renda fixa. Os investimentos em títulos de renda fixa negociados no país somaram ingressos líquidos de US$1,1 bilhão. As operações com títulos soberanos negociados no exterior totalizaram amortizações de US$47 milhões. Os demais títulos de renda fixa de longo prazo negociados no exterior apresentaram amortizações líquidas de US$27 milhões, enquanto os de curto prazo registraram ingressos líquidos de US$63 milhões.

Os outros investimentos ativos elevaram-se US$237 milhões, compreendendo expansão de US$785 milhões em depósitos de propriedade de empresas não financeiras, e redução de US$1,6 bilhão em depósitos mantidos por bancos brasileiros no exterior. Os créditos comerciais e adiantamentos cresceram US$988 milhões em maio.

Os outros investimentos passivos registraram amortizações líquidas de US$250 milhões. Os ingressos líquidos decorrentes de créditos comerciais e adiantamentos atingiram US$915 milhões, concentrados em operações de curto prazo. Os empréstimos totalizaram saídas de US$1 bilhão.


II - Reservas internacionais

As reservas internacionais no conceito liquidez totalizaram US$371,7 bilhões em maio de 2015, diminuição de US$1,3 bilhão em relação ao mês anterior. Em maio, o estoque de linhas com recompra atingiu US$5,1 bilhões, decréscimo de US$3,5 bilhões em relação à posição do mês anterior. A receita de remuneração das reservas somou US$214 milhões. As variações por preços e paridades reduziram o estoque, na ordem, em US$63 milhões e US$1,5 bilhão. No conceito caixa, o estoque de reservas atingiu US$366,6 bilhões em maio, elevação de US$2,2 bilhões em relação ao mês anterior.


III - Dívida externa

A posição da dívida externa bruta estimada para maio totalizou US$351 bilhões, aumento de US$2,4 bilhões em relação ao montante apurado para março de 2015. A dívida externa estimada de longo prazo atingiu US$290,4 bilhões, elevação de US$123 milhões, enquanto o endividamento de curto prazo somou US$60,6 bilhões, acréscimo de US$2,2 bilhões no mesmo período.

Dentre os determinantes da variação da dívida externa de longo prazo no período, destacaram-se os empréstimos tomados pelo setor não financeiro, US$1,7 bilhão, as amortizações do setor financeiro, US$1,6 bilhão, bem como o aumento decorrente da variação por paridades, US$295 milhões. A variação da dívida externa de curto prazo no período foi explicada, principalmente, por empréstimos de curto prazo tomados pelo setor financeiro e não financeiro, US$1,1 bilhão e US$915 milhões, respectivamente.