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Setor Externo

NOTA PARA A IMPRENSA - 26.5.2015

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Desde abril de 2015, o Banco Central do Brasil (BCB) passou a publicar as estatísticas do setor externo da economia brasileira em conformidade com o a sexta edição do Manual de Balanço de Pagamentos e Posição Internacional de Investimento do Fundo Monetário Internacional (BPM6). Anteriormente, essas estatísticas eram divulgadas pelo BCB de acordo com a quinta edição do Manual de Balanço de Pagamentos (BPM5). As séries históricas de balanço de pagamentos sob o BPM5 foram descontinuadas.

Os padrões metodológicos internacionais oferecem recomendações para a compilação e apresentação das contas macroeconômicas. O objetivo é assegurar não apenas a consistência entre as várias estatísticas macroeconômicas, mas também permitir a comparabilidade entre os países. Ao mesmo tempo, o BPM6 contempla desenvolvimentos econômicos e financeiros da economia mundial nos últimos quinze anos.

O BPM6 define Balanço de Pagamentos (BP) como a estatística macroeconômica que sumariza transações entre residentes e não residentes ao longo de um período. Compreende a conta de bens e serviços, conta de renda primária, conta de renda secundária (que compõem as transações correntes), conta de capital e conta financeira. Dentre as modificações, incluem-se o formato da apresentação do BP; nomenclatura de algumas contas; convenções de sinais e conceitos. Maiores detalhes a respeito das estatísticas do setor externo brasileiro sob o padrão metodológico definido pelo BPM6 estão disponíveis em http://www.bcb.gov.br/?6MANBALPGTO.


I - Balanço de pagamentos - Abril de 2015

Em abril, as transações correntes apresentaram deficit de US$6,9 bilhões, acumulando, nos últimos doze meses, saldo negativo de US$100,2 bilhões, equivalente a 4,53% do PIB. Na conta financeira, as captações líquidas superaram as concessões líquidas em US$6,8 bilhões, destacando-se os ingressos líquidos de US$6,6 bilhões em investimento em carteira no país, e de US$5,8 bilhões em investimento direto no país.

A conta de serviços registrou despesas líquidas de US$3,5 bilhões no mês, redução de 18,1% na comparação com o resultado de abril de 2014. As despesas líquidas com transportes recuaram 22,4%, na mesma base de comparação, atingindo US$638 milhões. O item viagens internacionais registrou despesas líquidas de US$1,2 bilhão, redução de 33,2%, comparativamente ao ocorrido em mesmo mês do ano anterior. O resultado derivou da retração de 29,7% nos gastos de turistas brasileiros em viagens ao exterior, e redução de 18,4% nas despesas de viajantes estrangeiros ao Brasil. Destacaram-se os recuos nas despesas líquidas com serviços culturais, pessoais e recreativos, 78,7%, serviços de propriedade intelectual, 36,3%, e telecomunicação, computação e informações, 22,4%.

As despesas líquidas de renda primária atingiram US$3,7 bilhões no mês, retração de 29,8% na comparação com abril de 2014. As despesas líquidas de lucros e dividendos atingiram US$2,4 bilhões, ante US$4,1 bilhões em mês correspondente do ano anterior, recuo de 42,1%, enquanto as despesas líquidas de juros somaram US$1,4 bilhão, expansão de 11,4% no período comparativo. As saídas líquidas de renda de investimento direto totalizaram US$2,6 bilhões, 18% inferiores ao observado em abril de 2014. As despesas líquidas de renda de investimentos em carteira atingiram US$829 milhões, compostas por despesas líquidas de lucros e dividendos, US$242 milhões; de juros de títulos negociados no mercado externo, US$578 milhões; e no mercado interno, US$9 milhões. A despesa líquida de renda de outros investimentos somou US$569 milhões, redução de 11,4% comparado ao mês equivalente do ano anterior, enquanto as receitas de reservas atingiram US$204 milhões.

A conta de renda secundária registrou ingressos líquidos de US$81 milhões, recuo de 28% em relação a abril de 2014. A receita de transferências pessoais atingiu US$171 milhões em abril, 0,8% abaixo do observado em mesmo mês do ano anterior.

Os investimentos diretos no exterior somaram remessas líquidas de US$848 milhões ao exterior, compreendendo expansão de US$1,2 bilhão em participação no capital, incluídos US$301 milhões decorrentes do reinvestimento de lucros, e recuo de US$317 milhões proveniente de operações intercompanhias.

Os investimentos diretos no país aumentaram US$5,8 bilhões, dos quais US$4,4 bilhões em participação no capital, incluídos US$952 milhões decorrentes do reinvestimento de lucros, e US$1,4 bilhão em operações intercompanhias. Em doze meses, os ingressos líquidos dos investimentos diretos no país somaram US$86,1 bilhões, equivalentes a 3,89% do PIB.

Os investimentos em carteira passivos apresentou ingressos líquidos de US$6,6 bilhões em abril, compostos por ingressos líquidos de US$3,2 bilhões em ações, US$612 milhões em fundos de investimentos, e US$2,8 bilhões em títulos de renda fixa. Os investimentos em títulos de renda fixa negociados no país somaram ingressos líquidos de US$3,5 bilhões. As operações com títulos soberanos negociados no exterior totalizaram amortizações de US$26 milhões. Os demais títulos de renda fixa de longo prazo negociados no exterior apresentaram amortizações líquidas de US$794 milhões, enquanto os de curto prazo registraram ingressos líquidos de US$163 milhões.

Os outros investimentos ativos elevaram-se US$9,6 bilhões, compreendendo expansão de US$1,3 bilhão em depósitos de propriedade de empresas não financeiras, e de US$7,7 bilhões em depósitos mantidos por bancos brasileiros no exterior. Os créditos comerciais e adiantamentos cresceram US$710 milhões em abril.

Os outros investimentos passivos registraram aumento líquido de US$4,2 bilhões. Os créditos comerciais e adiantamentos cresceram US$809 milhões, concentrados em operações de curto prazo. Os empréstimos ampliaram-se US$3,4 bilhões, divididos igualmente entre curto e longo prazo.


II - Reservas internacionais

As reservas internacionais no conceito liquidez totalizaram US$373 bilhões em abril de 2015, incremento de US$1,9 bilhão em relação a março. Em abril, o estoque de linhas com recompra atingiu US$8,5 bilhões, acréscimo de US$200 milhões em relação à posição mensal anterior. A receita de remuneração das reservas somou US$204 milhões. As variações por preços reduziram o estoque em US$657 milhões, enquanto as variações por paridades o elevaram em US$2,4 bilhões. No conceito caixa, o estoque de reservas atingiu US$364,5 bilhões em abril, elevação de US$1,7 bilhão em relação ao mês anterior.


III - Dívida externa

A posição da dívida externa bruta estimada para abril totalizou US$351,1 bilhões, aumento de US$3,9 bilhões em relação ao montante estimado para março de 2015. A dívida externa estimada de longo prazo atingiu US$288,1 bilhões, elevação de US$2,1 bilhões, enquanto o endividamento de curto prazo somou US$63 bilhões, acréscimo de US$1,9 bilhão no mesmo período.

Dentre os determinantes da variação da dívida externa de longo prazo no período, destacam-se os empréstimos tomados pelo setor não financeiro, de US$1,9 bilhão, e o aumento provocado pela variação por paridades, de US$1,2 bilhão. A variação da dívida externa de curto prazo no período é explicada principalmente por empréstimos líquidos de curto prazo tomados pelos setores financeiro e não financeiro, US$1 bilhão e US$711 milhões, respectivamente.