Setor Externo
I - Balanço de pagamentos - Abril de 2013
O balanço de pagamentos registrou superávit de US$441 milhões em abril. As transações correntes foram deficitárias em US$8,3 bilhões, acumulando, nos últimos doze meses, déficit de US$70 bilhões, equivalente a 3,04% do PIB. A conta financeira apresentou ingressos líquidos de US$8,2 bilhões no mês, destacando-se aqueles proporcionados por investimentos estrangeiros diretos (IED), US$5,7 bilhões.
A conta de serviços registrou déficit de US$4 bilhões em abril, 24,6% superior ao observado no mesmo mês de 2012. As despesas líquidas com transportes somaram US$897 milhões, acréscimo de 16,6%, no mesmo período comparativo. O gasto líquido com viagens internacionais alcançou US$1,5 bilhão, elevação de 22,5% em comparação ao resultado de abril de 2012. O saldo decorreu da expansão de 4,6% nos gastos de viajantes estrangeiros ao Brasil e de 17% nos gastos de turistas brasileiros em viagens ao exterior. Dentre os demais itens da conta de serviços, destacaram-se, na mesma base de comparação, as elevações nas despesas líquidas em royalties e licenças, 67,2%, e nas receitas líquidas de serviços financeiros, 106,6%. As despesas líquidas com aluguel de equipamentos recuaram 10% ante abril de 2012. As receitas líquidas de outros serviços somaram US$770 milhões no mês.
As remessas líquidas de renda para o exterior somaram US$3,6 bilhões no mês, comparativamente a US$3,2 bilhões ocorridos em abril do ano anterior, incremento de 10,6%. As remessas líquidas de lucros e dividendos atingiram US$2,5 bilhões, elevação de 5,1% relativamente a abril de 2012, enquanto as despesas líquidas de juros somaram US$1,1 bilhão, ante US$839 milhões ocorridos no mesmo período do ano anterior. As saídas líquidas de renda de investimento direto totalizaram US$2,4 bilhões, superiores aos US$2,2 bilhões observados no mês equivalente do ano passado. As remessas líquidas de renda de investimentos em carteira atingiram US$617 milhões, crescimento de 8,1% na mesma base de comparação, enquanto as de renda de outros investimentos atingiram US$613 milhões, elevação de 36,1%.
As transferências unilaterais registram ingressos líquidos de US$215 milhões, superiores ao resultado de abril de 2012, US$165 milhões. O ingresso bruto de manutenção de residentes somou US$167 milhões, recuo de 6,8% no mesmo período comparativo.
Os investimentos brasileiros diretos no exterior registraram, no mês, retornos líquidos de US$395 milhões. A aquisição líquida de participação no capital de empresas no exterior somou US$1,5 bilhão, enquanto os ingressos líquidos provenientes de empréstimos intercompanhias, pagos às matrizes brasileiras, somaram US$1,9 bilhão.
Os ingressos líquidos de IED atingiram US$5,7 bilhões, compreendendo US$4,3 bilhões de ingressos líquidos em participação no capital de empresas no País e US$1,4 bilhão referentes a desembolsos líquidos de empréstimos intercompanhias. Nos 12 meses encerrados em abril, os ingressos líquidos de IED somaram US$64,1 bilhões, equivalentes 2,79% do PIB.
Os investimentos estrangeiros em carteira apresentaram ingressos líquidos de US$1,8 bilhão em abril, compostos por US$959 milhões em ações e US$815 milhões em títulos de renda fixa. Os investimentos em títulos de renda fixa negociados no País apresentaram ingressos líquidos de US$1 bilhão. As amortizações líquidas de bônus públicos negociados no exterior, incluindo recompras em mercado secundário, somaram US$103 milhões. As amortizações líquidas de notes e commercial papers atingiram US$105 milhões no mês. Não houve operações em títulos de renda fixa de curto prazo negociados no exterior.
Os outros investimentos brasileiros registraram, no mês, aplicações líquidas de US$2,5 bilhões no exterior. Os depósitos mantidos no exterior, por bancos brasileiros, aumentaram US$1 bilhão, enquanto os depósitos titulados por empresas brasileiras dos demais setores apresentaram elevação de US$638 milhões. Os empréstimos e créditos comerciais ativos totalizaram concessões líquidas ao exterior de US$624 milhões.
Os outros investimentos estrangeiros no País apresentaram ingressos líquidos de US$4,3 bilhões em abril. O crédito comercial de fornecedores registrou desembolsos líquidos de US$4 bilhões, concentrados em operações de curto prazo. Os empréstimos de médio e longo prazos somaram ingressos líquidos de US$607 milhões.
II - Reservas internacionais
O estoque de reservas internacionais atingiu US$378,7 bilhões em abril, incremento de US$1,7 bilhão em relação à posição do mês anterior. A receita de juros que remunera os ativos de reservas somou US$327 milhões. As variações por paridades e por preços elevaram o estoque de reservas internacionais em US$463 milhões e US$827 milhões, respectivamente.
III - Dívida externa
A posição estimada da dívida externa total referente a abril totalizou US$322,2 bilhões, acréscimo de US$711 milhões em relação ao montante estimado para março de 2013. A dívida externa estimada de longo prazo atingiu US$284,7 bilhões, elevação de US$714 milhões no mês, enquanto o estoque de curto prazo manteve-se estável em US$37,5 bilhões.
Dentre os principais fatores de variação da dívida externa estimada de longo prazo destacaram-se as captações líquidas de títulos e empréstimos efetuadas por outros setores, US$195 milhões e US$601 milhões, respectivamente; e as amortizações líquidas de títulos de dívida pelos bancos, US$300 milhões. A variação por paridades aumentou o estoque de endividamento externo estimado de longo prazo em US$222 milhões.