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Setor Externo

NOTA PARA A IMPRENSA - 22.8.2014

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I - Balanço de pagamentos - Julho de 2014

O balanço de pagamentos apresentou superavit de US$5,2 bilhões em julho. As transações correntes foram deficitárias em US$6 bilhões em julho, acumulando US$78,4 bilhões em doze meses, equivalentes a 3,45% do PIB. Na conta financeira, destacaram-se os ingressos líquidos de investimentos estrangeiros diretos (IED), US$5,9 bilhões.

A conta de serviços registrou deficit de US$4,5 bilhões em julho, 12,2% acima do valor registrado no mesmo mês de 2013. O gasto líquido com viagens internacionais alcançou US$1,6 bilhão, recuo de 1,7%, relativamente ao verificado no mesmo mês de 2013. O resultado decorreu de elevações de 46,1% nos gastos de viajantes estrangeiros ao Brasil, e de 10,1% nos gastos de turistas brasileiros em viagens ao exterior. As despesas líquidas com transportes somaram US$680 milhões em julho, decréscimo de 30,8% comparativamente ao mesmo mês de 2013. Dentre os demais itens da conta de serviços, destacaram-se as elevações nas despesas líquidas de aluguel de equipamentos, 53,2%, computação e informações, 22,8%; royalties e licenças, 21,1%; e seguros, 15,2%, na mesma base de comparação.

As remessas líquidas de renda para o exterior somaram US$3,2 bilhões no mês, 2,4% inferiores ao resultado de julho de 2013. As remessas líquidas de lucros e dividendos somaram US$1,1 bilhão, recuo de 9% na comparação a igual período de 2013. As despesas líquidas de juros alcançaram US$2,1 bilhões, mantendo-se estáveis em relação ao mesmo período do ano anterior. As saídas líquidas de renda de investimento direto atingiram US$717 milhões, ante US$1,1 bilhão registrado no mês equivalente de 2013. As remessas líquidas de renda de investimentos em carteira totalizaram US$2 bilhões, aumento de 31,2% na mesma base de comparação, enquanto as despesas de renda de outros investimentos atingiram US$512 milhões, recuo de 28,8%.

No mês, as transferências unilaterais registraram ingressos líquidos de US$170 milhões, 38,4% inferiores ao resultado de julho de 2013, US$276 milhões. O ingresso bruto de manutenção de residentes somou US$165 milhões, redução de 7% no mesmo período comparativo.

Os investimentos brasileiros diretos no exterior registraram retornos líquidos de US$2,4 bilhões, em julho. A aquisição líquida de participação no capital de empresas no exterior somou US$775 milhões, enquanto os ingressos líquidos provenientes de empréstimos intercompanhias somaram US$3,2 bilhões.

O ingresso líquido de IED atingiu US$5,9 bilhões no mês, compreendendo US$3,5 bilhões de ingressos líquidos em participação no capital de empresas no País, e US$2,4 bilhões referentes a desembolsos líquidos de empréstimos intercompanhias. Nos doze meses encerrados em julho, os ingressos líquidos de IED somaram US$64 bilhões, equivalentes a 2,82% do PIB.

Os investimentos estrangeiros em carteira apresentaram saídas líquidas de US$2,1 bilhões em julho, compostos por saídas líquidas de US$5 milhões em ações e de US$2,1 bilhões em títulos de renda fixa. Os investimentos em títulos de renda fixa negociados no País somaram ingressos líquidos de US$680 milhões. Os bônus públicos negociados no exterior apresentaram amortizações líquidas de US$465 milhões. As amortizações líquidas de notes e commercial papers atingiram US$2,4 bilhões no mês, com desembolsos de US$559 milhões e amortizações de US$2,9 bilhões. Os desembolsos em títulos de renda fixa de curto prazo negociados no exterior atingiram US$97 milhões.

Os outros investimentos brasileiros registraram retornos líquidos no exterior de US$2,1 bilhões, em julho, compreendendo, dentre outros, redução de US$9,9 bilhões no saldo de depósitos mantidos por bancos brasileiros no exterior, e expansão de US$1,1 bilhão nos depósitos de empresas não financeiras. As concessões líquidas de empréstimos e créditos comerciais de curto prazo ao exterior somaram US$6,7 bilhões no mês.

Os outros investimentos estrangeiros no País apresentaram ingressos líquidos de US$3 bilhões em julho. O crédito comercial de fornecedores registrou amortizações líquidas de US$1,7 bilhão, concentrados em operações de curto prazo. Os empréstimos de longo prazo somaram ingressos líquidos de US$568 milhões, com destaque para a modalidade empréstimo direto, US$1 bilhão.


II - Reservas internacionais

As reservas internacionais no conceito liquidez totalizaram US$379 bilhões em julho, redução de US$1,5 bilhão em relação ao mês anterior. No mês, o estoque de linhas com recompra atingiu US$2,3 bilhões, recuo de US$4,8 bilhões em relação à posição de junho. A receita de remuneração das reservas somou US$256 milhões. As variações por preços e paridades reduziram o estoque de reservas, respectivamente, em US$354 milhões e US$1,6 bilhão. No conceito caixa, o estoque de reservas atingiu US$376,8 bilhões em julho, aumento de US$3,3 bilhões em relação ao mês anterior.


III - Dívida externa

A posição da dívida externa bruta estimada para julho totalizou US$328,4 bilhões, acréscimo de US$8,3 bilhões em relação ao montante apurado para março de 2014. A dívida externa estimada de longo prazo atingiu US$287,7 bilhões, elevação de US$5,6 bilhões, enquanto o estoque de curto prazo totalizou US$40,8 bilhões, acréscimo de US$2,7 bilhões em relação ao apurado na posição do primeiro trimestre de 2014.

A variação da dívida externa de longo prazo é explicada por captações líquidas de empréstimos tomados pelos setores financeiro e não financeiro de US$1,9 bilhão e US$3,5 bilhões, respectivamente; e emissões líquidas de títulos de dívida emitidos efetuadas por governo e setor não financeiro, US$868 milhões e US$647 milhões, respectivamente. A variação por paridades reduziu o estoque em US$446 milhões. A variação da dívida externa de curto prazo decorreu de empréstimos tomados pelo setor financeiro e não financeiro, US$1,9 bilhão e US$801 milhões, respectivamente.