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Setor Externo

NOTA PARA A IMPRENSA - 24.10.2014

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I - Balanço de pagamentos - Setembro de 2014

O balanço de pagamentos apresentou superavit de US$339 milhões em setembro. O deficit em transações correntes somou US$7,9 bilhões no mês e US$62,7 bilhões no ano. Nos doze meses encerrados em setembro, as transações correntes acumularam deficit de US$83,6 bilhões, equivalente a 3,7% do PIB. Na conta financeira, destacaram-se os ingressos líquidos de investimentos estrangeiros em carteira, US$5,2 bilhões, e investimentos estrangeiros diretos (IED), US$4,2 bilhões.

A conta de serviços apresentou deficit de US$4,7 bilhões em setembro, 4,4% acima do observado no mesmo mês de 2013. O gasto líquido com viagens internacionais alcançou US$1,9 bilhão, elevação de 15,2% relativamente ao verificado em setembro do ano anterior. O saldo decorreu de recuo de 2,4% nos gastos de viajantes estrangeiros ao Brasil e expansão de 11,1% nos gastos de residentes brasileiros em viagens ao exterior. As despesas líquidas com transportes somaram US$809 milhões, acréscimo de 0,7% sobre o resultado de mês equivalente, em 2013. Dentre os demais itens da conta de serviços, destacaram-se, em setembro, as elevações nas despesas líquidas relativas a aluguel de equipamentos e royalties e licenças, na ordem, 31,3%, e 11,6%; e a redução nos gastos líquidos de serviços de computação e informações, 12,2%, na mesma base de comparação.

As remessas líquidas de renda para o exterior alcançaram US$2,4 bilhões no mês, superiores ao resultado de setembro de 2013, US$407 milhões. As remessas líquidas de lucros e dividendos atingiram US$1,7 bilhão no mês, ante ingressos líquidos de US$274 milhões, ocorridos no mesmo período de 2013. A receita de lucros e dividendos somou US$82 milhões em setembro de 2014, ante US$3 bilhões observados em período correspondente do ano anterior. Em 2014, até setembro, as remessas brutas de lucros e dividendos totalizaram US$19,3 bilhões, recuo de 10,2% em relação aos nove primeiros meses de 2013. As despesas líquidas de juros somaram US$733 milhões no mês, comparadas a remessas de US$714 milhões ocorridas em setembro de 2013.

No mês, as transferências unilaterais atingiram ingressos líquidos de US$132 milhões, inferiores ao resultado de setembro de 2013, US$161 milhões. O ingresso bruto de manutenção de residentes somou US$160 milhões, elevação de 15,1% na mesma base de comparação.

Os investimentos brasileiros diretos no exterior registraram retornos líquidos de US$1,9 bilhão em setembro. A participação no capital de empresas no exterior somou liquidamente aplicações de US$1,2 bilhão, enquanto os ingressos líquidos provenientes de empréstimos intercompanhias de filiais no exterior às matrizes brasileiras atingiram US$3,1 bilhões.

O ingresso líquido de IED totalizou US$4,2 bilhões no mês, composto por US$3,7 bilhões na modalidade participação no capital, e US$554 milhões em desembolsos líquidos de empréstimos intercompanhias. Nos doze meses encerrados em setembro, os ingressos líquidos de IED somaram US$66,5 bilhões, equivalentes 2,94 % do PIB.

Os investimentos estrangeiros em carteira apresentaram ingressos líquidos de US$5,2 bilhões em setembro, compostos por entradas líquidas de US$660 milhões em ações e de US$4,6 bilhões em títulos de renda fixa. Os investimentos em títulos de renda fixa negociados no País somaram ingressos líquidos de US$3,6 bilhões. Os bônus públicos negociados no exterior apresentaram ingressos líquidos de US$990 milhões, decorrentes de receita da reabertura do Global 25 B, US$1,1 bilhão, e amortizações em operações de recompra no mercado secundário, US$60 milhões. As amortizações líquidas de notes e commercial papers atingiram US$32 milhões no mês, formadas por desembolsos de US$313 milhões e amortizações de US$344 milhões. Os desembolsos líquidos em títulos de renda fixa de curto prazo negociados no exterior somaram US$67 milhões.

Os outros investimentos brasileiros atingiram aplicações líquidas no exterior de US$7,2 bilhões em setembro. As concessões líquidas de empréstimos e créditos comerciais de curto prazo ao exterior totalizaram US$3,1 bilhões. As elevações nos depósitos mantidos no exterior por bancos residentes no Brasil, e pelo setor não financeiro, atingiram US$4,1 bilhões.

Os outros investimentos estrangeiros no País apresentaram ingressos líquidos de US$3,8 bilhões em setembro. O crédito comercial de fornecedores registrou desembolsos líquidos de US$2,2 bilhões, concentrados em operações de curto prazo. Os empréstimos de médio e longo prazos somaram ingressos líquidos de US$865 milhões, enquanto as operações de curto prazo geraram desembolsos líquidos de US$769 milhões.


II - Reservas internacionais

As reservas internacionais no conceito liquidez totalizaram US$375,7 bilhões em setembro, redução de US$3,6 bilhões em relação ao mês anterior. Em setembro, o estoque de linhas com recompra manteve-se no mesmo patamar de agosto, US$200 milhões. A receita de remuneração das reservas somou US$241 milhões. As variações por preços e por paridades reduziram o estoque em US$730 milhões e US$3,3 bilhões, respectivamente. No conceito caixa, o estoque de reservas atingiu US$375,5 bilhões em setembro, redução de US$3,6 bilhões em relação ao mês anterior.

III - Dívida externa

A posição da dívida externa bruta estimada para setembro totalizou US$338,6 bilhões, elevação de US$5,4 bilhões em relação à posição de junho de 2014. A dívida externa estimada de longo prazo atingiu US$288,2 bilhões, redução de US$2,6 bilhões, enquanto o endividamento de curto prazo somou US$50,4 bilhões, aumento de US$8 bilhões em relação ao estoque do segundo trimestre de 2014.

Dentre os determinantes da variação da dívida externa de longo prazo no período, merecem destaque as emissões líquidas de títulos de longo prazo efetuadas pelo governo, US$2,5 bilhões, as amortizações líquidas de títulos realizadas pelo setor bancário, US$3,8 bilhões, desembolsos líquidos de empréstimos e financiamentos recebidos pelo setor não financeiro, US$1,3 bilhão, e variação por paridades, que reduziu o estoque em US$3,1 bilhões. A variação da dívida externa de curto prazo no período é explicada por empréstimos de curto prazo tomados pelo setor financeiro e não financeiro, US$6,7 bilhões e US$1 bilhão, respectivamente.