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Setor Externo

NOTA PARA A IMPRENSA - 26.1.2016

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I - Balanço de pagamentos - Dezembro de 2015

As transações correntes apresentaram deficit de US$2,5 bilhões no mês. No ano, o resultado em conta corrente foi negativo em US$58,9 bilhões, equivalentes a 3,32% do PIB, comparativamente a deficit de US$104,2 bilhões, 4,31% do PIB, em 2014. Na conta financeira, as captações líquidas superaram as concessões líquidas em US$2,6 bilhões, com destaque para os ingressos líquidos de investimentos diretos no País (IDP), US$15,2 bilhões. No ano, a conta financeira acumulou captações líquidas de US$56,7 bilhões, destacando-se novamente os ingressos líquidos de IDP, US$75,1 bilhões.

No mês, a conta de serviços foi deficitária em US$2,5 bilhões, comparativamente a deficit de US$4,8 bilhões em dezembro do ano anterior. Em 2015, as despesas líquidas de serviços somaram US$37 bilhões, redução de 23,1% na comparação com 2014. As despesas líquidas com aluguel de equipamentos atingiram US$2,1 bilhões no mês e US$21,5 bilhões no ano, decréscimos respectivos de 23,2% e 4,8%, em relação a 2014. A conta de viagens internacionais apresentou deficit de US$653 milhões no mês, influenciado pelo recuo de 42,3% dos gastos de brasileiros no exterior, e elevação de 9,9% dos gastos de estrangeiros no Brasil, ambos na comparação com dezembro de 2014. No ano, as despesas líquidas de viagens internacionais recuaram 38,5%, em relação ao ano anterior, para US$11,5 bilhões, com receitas e despesas atingindo US$5,8 bilhões e US$17,4 bilhões, respectivamente. As despesas líquidas com transportes somaram US$262 milhões em dezembro, acumulando deficit de US$5,7 bilhões no ano, ante US$8,7 bilhões registrados em 2014, recuo de 34,2%. As remessas líquidas com serviços de propriedade intelectual somaram US$416 milhões no mês e US$4,7 bilhões no ano, 15,8% abaixo do resultado de 2014. As despesas líquidas com telecomunicação, computação e informações atingiram US$67 milhões em dezembro e US$1,8 bilhão no ano, recuo de 20,5%, comparativamente ao ano anterior.

As despesas líquidas de renda primária totalizaram US$6,5 bilhões no mês, 10,1% inferiores ao observado em dezembro de 2014, acumulando US$42,4 bilhões em 2015, decréscimo de 18,8% na comparação com o ano anterior. Em dezembro, as saídas líquidas de renda de investimento direto totalizaram US$4,2 bilhões, recuo de 24,1%, na comparação com dezembro de 2014. As despesas líquidas de renda de investimentos em carteira somaram US$1,9 bilhão, incluindo despesas líquidas de lucros e dividendos, US$469 milhões, e juros de títulos negociados no mercado externo, US$1,4 bilhão. A despesa líquida de renda de outros investimentos atingiu US$697 milhões, 10,5% superior ao registrado em dezembro do ano anterior, enquanto as receitas de reservas totalizaram US$230 milhões. Em dezembro, as saídas líquidas de lucros e dividendos totais somaram US$4 bilhões, ante US$5,2 bilhões em período correspondente de 2014. As despesas líquidas com juros totalizaram US$2,5 bilhões, 26,8% acima do resultado de dezembro do ano anterior. No ano, os pagamentos líquidos de juros alcançaram US$21,9 bilhões, estáveis ante US$21,3 bilhões ocorridos no ano anterior, e as remessas totais líquidas de lucros e dividendos somaram US$20,8 bilhões, redução de 33,3% na comparação com 2014.

No mês, a conta de renda secundária apresentou ingressos líquidos de US$459 milhões. A receita bruta de transferências pessoais atingiu US$216 milhões no mês, 2,2% inferiores ao observado em dezembro de 2014. No ano, os ingressos líquidos em renda secundária acumularam US$2,7 bilhões, estáveis na comparação com 2014. O ingresso bruto referente a transferências pessoais atingiu US$2,5 bilhões em 2015, situando-se 15,6% acima do resultado do ano anterior.

Os investimentos diretos no exterior somaram, em dezembro, aplicações líquidas de US$2,7 bilhões, acumulando US$13,5 bilhões em 2015, redução de 48,2% comparativamente ao observado em 2014. As aplicações líquidas de investimento direto no exterior em 2015 compreenderam US$14,3 bilhões em aquisições líquidas de participação no capital de empresas no exterior, já incluídos US$4,5 bilhões de lucros reinvestidos no exterior, e US$839 milhões de ingressos líquidos na modalidade operações intercompanhias.

Os investimentos diretos no país registraram ingressos líquidos de US$15,2 bilhões em dezembro. No ano, os fluxos líquidos de IDP alcançaram US$75,1 bilhões, redução de US$21,8 bilhões, equivalentes a 22,5%, comparativamente ao resultado de 2014. Os ingressos líquidos em participação no capital no País atingiram US$56,4 bilhões, incluídos US$7,1 bilhões de lucros reinvestidos. O resultado total situou-se US$1,5 bilhão abaixo dos ingressos líquidos de IDP ocorridos em 2014. As operações intercompanhias proporcionaram ingressos líquidos de US$18,7 bilhões em 2015, comparativamente a US$39 bilhões em 2014, recuo de US$20,3 bilhões.

Os investimentos em carteira passivos apresentaram saídas líquidas de US$4,4 bilhões, no mês, e ingressos líquidos de US$18,5 bilhões no ano, comparativamente a US$41,5 bilhões, em 2014. Em 2015, ocorreram ingressos líquidos de US$10 bilhões em ações e em fundos de investimento, e US$8,5 bilhões em títulos de renda fixa. Os investimentos em títulos de renda fixa negociados no país registraram saídas líquidas de US$1,2 bilhão no mês e ingressos líquidos de US$16,3 bilhões no ano. Os títulos de renda fixa de longo prazo negociados no exterior, exceto os soberanos, somaram amortizações líquidas de US$1,8 bilhão em dezembro e de US$4,7 bilhões no ano. A taxa de rolagem para papéis de longo prazo, exceto títulos soberanos, totalizou 12% em dezembro e 69% em 2015. As amortizações líquidas referentes a bônus da República acumularam US$3,4 bilhões em 2015.

Os outros investimentos ativos aumentaram US$6,5 bilhões em dezembro e US$46,2 bilhões no ano, compreendendo concessões líquidas de créditos comerciais e adiantamentos, US$28,4 bilhões; constituição de depósitos no exterior, US$4,6 bilhões para bancos, e US$13,6 bilhões referentes aos demais setores.

Os outros investimentos passivos registraram captações líquidos de US$263 milhões em dezembro e de US$25,7 bilhões no ano. O crédito comercial de fornecedores registrou amortizações líquidas de US$568 milhões no mês, e desembolsos líquidos de US$23,5 bilhões no ano, concentrados em operações de curto prazo. Os empréstimos de longo prazo apresentaram ingressos líquidos de US$1,6 bilhão, em dezembro, e de US$4,6 bilhões no ano. A taxa de rolagem dos empréstimos diretos de médio e longo prazos somou 127% no mês e 113% em 2015. As amortizações líquidas de empréstimos de curto prazo atingiram US$816 milhões no mês e US$2,3 bilhões no ano.


II - Reservas internacionais

As reservas internacionais no conceito liquidez totalizaram US$368,7 bilhões em dezembro de 2015, redução de US$237 milhões em relação ao mês anterior. No mês, o estoque de linhas com recompra atingiu US$12,3 bilhões, acréscimo de US$315 milhões em relação à posição de novembro de 2015. A receita de remuneração das reservas somou US$230 milhões. As variações por preços reduziram o estoque em US$509 milhões. No conceito caixa, o estoque de reservas atingiu US$356,5 bilhões em dezembro, redução de US$552 milhões em relação ao mês anterior.


III - Dívida externa

A posição da dívida externa bruta estimada para dezembro totalizou US$337,7 bilhões, redução de US$7,2 bilhões em relação ao montante apurado para setembro de 2015. A dívida externa estimada de longo prazo atingiu US$281,6 bilhões, recuo de US$4,9 bilhões, enquanto o endividamento de curto prazo somou US$56,1 bilhões, redução de US$2,3 bilhões no mesmo período.

Dentre os determinantes da variação da dívida externa de longo prazo, destacam-se as amortizações de títulos de dívida realizadas pelos setores financeiro e não financeiro, US$1 bilhão e US$746 milhões, respectivamente; amortizações de empréstimos dos setores financeiro e não financeiro, US$1,3 bilhão e US$604 milhões, na ordem; além da redução provocada por variação cambial, US$279 milhões. A variação da dívida externa de curto prazo no período decorreu de amortizações de empréstimos pelos setores financeiro e não financeiro, US$1,5 bilhão e US$995 milhões, respectivamente.