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Setor Externo

NOTA PARA A IMPRENSA - 20.4.2016

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I - Balanço de pagamentos - Março de 2016

Em março, as transações correntes apresentaram deficit de US$855 milhões, acumulando, nos últimos doze meses, saldo negativo de US$41,4 bilhões, equivalente a 2,39% do PIB. Na conta financeira, as captações líquidas superaram as concessões líquidas em US$355 milhões, destacando-se o ingresso líquido de US$5,6 bilhões em investimento direto no país.

A conta de serviços registrou despesas líquidas de US$2,9 bilhões no mês, redução de 23,1% na comparação com o resultado de março de 2015. As despesas líquidas com transportes recuaram 37,6%, na mesma base de comparação, atingindo US$348 milhões. O item viagens internacionais registrou despesas líquidas de US$694 milhões, redução de 27,3%, comparativamente ao ocorrido em mesmo mês do ano anterior. O resultado foi influenciado pela retração de 14,1% nos gastos de turistas brasileiros em viagens ao exterior e aumento de 8,8% nas despesas de viajantes estrangeiros ao Brasil. Destacaram-se os recuos nas despesas líquidas com aluguel de equipamentos, 27%; telecomunicação, computação e informações, 29,1%; e serviços de propriedade intelectual 2,5%.

As despesas líquidas de renda primária atingiram US$2,4 bilhões no mês, elevação de 6,2% na comparação com março de 2015. As despesas líquidas de lucros e dividendos atingiram US$1,4 bilhão, ante US$1,2 bilhão em mês correspondente do ano anterior, expansão de 17,6%, enquanto as despesas líquidas de juros somaram US1,1 bilhão, recuo de 7,6% no período comparativo. As saídas líquidas de renda de investimento direto totalizaram US$1,5 bilhão, 41,9% acima do observado em março de 2015. As despesas líquidas de renda de investimentos em carteira atingiram US$725 milhões, compostas por despesas líquidas de lucros e dividendos, US$464 milhões; de juros de títulos negociados no mercado externo, US$261 milhões; e no mercado interno US$1 milhão. A despesa líquida de renda de outros investimentos somou US$537 milhões, elevação de 0,4% comparado ao mês equivalente do ano anterior, enquanto as receitas de reservas aumentaram 19,6%.

A conta de renda secundária registrou ingressos líquidos de US$240 milhões, elevação de 42,3% em relação a março de 2015. A receita de transferências pessoais atingiu US$206 milhões em março, 4,3% acima do observado em mesmo mês do ano anterior.

Os investimentos diretos no exterior apresentaram elevação de US$1,5 bilhão, compreendendo aumento em participação no capital em US$1,9 bilhão, incluídos reinvestimento de lucros, e redução proveniente de operações intercompanhias, US$385 milhões.

Os investimentos diretos no país aumentaram US$5,6 bilhões, dos quais US$3,1 bilhões em participação no capital, incluídos US$611 milhões decorrentes do reinvestimento de lucros, e US$2,5 bilhões em operações intercompanhias. Em doze meses, os ingressos líquidos dos investimentos diretos no país somaram US$78,9 bilhões, equivalentes a 4,56% do PIB.

Os ingressos líquidos em investimento em carteira passivo somaram US$1,7 bilhão em março. Os investimentos em ações e em fundos de investimentos registraram, na ordem, ingressos líquidos de US$1,8 bilhão e US$203 milhões. Destacam-se saídas líquidas de títulos de renda fixa, US$375 milhões, compostas por saídas líquidas de US$2 bilhões em títulos negociados no mercado doméstico; ingressos líquidos de operações com títulos soberanos negociados no exterior, US$1,4 bilhão, incluída a emissão do Global 2026 pela República, US$1,5 bilhão. Os demais títulos de renda fixa de longo prazo negociados no exterior apresentaram ingressos líquidos de US$308 milhões, enquanto os de curto prazo registraram amortizações líquidas de US$89 milhões.

Os outros investimentos ativos elevaram-se US$8,7 bilhões, compreendendo expansão de US$3,4 bilhão em depósitos de propriedade de empresas não financeiras e de US$2 bilhões em depósitos de bancos brasileiros no exterior. Os créditos comerciais e adiantamentos aumentaram US$3,4 bilhões em março.

Os outros investimentos passivos registraram amortizações líquidas de US$1,1 bilhão. Os créditos comerciais e adiantamentos cresceram US$1,5 bilhão, concentrados em operações de curto prazo. As amortizações líquidas de empréstimos de longo prazo atingiram US$6,4 bilhões, enquanto os ingressos líquidos de empréstimos de curto prazo totalizaram US$3,8 bilhões no mês.


II - Reservas internacionais

As reservas internacionais no conceito liquidez totalizaram US$375,2 bilhões em março de 2016, aumento de US$3,5 bilhões em relação ao mês anterior. Em março, o estoque de linhas com recompra atingiu US$17,5 bilhões, aumento de US$5,2 bilhões em relação à posição de fevereiro de 2016. A receita de remuneração das reservas somou US$249 milhões no mês, as variações por preços e por paridades aumentaram o estoque em US$337 milhões e US$2,7 bilhões, respectivamente. No conceito caixa, o estoque de reservas atingiu US$357,7 bilhões em março, redução de US$1,7 bilhão em relação ao mês anterior.


III - Dívida externa

A posição da dívida externa bruta estimada para março de 2016 totalizou US$333,6 bilhões, diminuição de US$1 bilhão em relação ao montante apurado para dezembro de 2015. A dívida externa estimada de longo prazo atingiu US$274,6 bilhões, redução de US$9 bilhões, enquanto o endividamento de curto prazo somou US$59 bilhões, aumento de US$8 bilhões.

Dentre os determinantes da variação da dívida externa de longo prazo no trimestre, destacam-se as amortizações de empréstimos e de títulos do setor financeiro de US$11,2 bilhões e US$1,5 bilhão, respectivamente; além dos aumentos decorrentes das variações cambiais, US$1,6 bilhão, e de preço, US$2,5 bilhões. A variação da dívida externa de curto prazo no período é explicada, principalmente, pelos desembolsos líquidos de empréstimos pelos setores financeiro e não financeiro de US$6,6 bilhões e US$1,4 bilhão, respectivamente.