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166ª Reunião

Sumário
Evolução recente da economia
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
Implementação da política monetária
Inflação
Atividade econômica
Expectativas e sondagens
Mercado de trabalho
Crédito e inadimplência
Ambiente externo
Comércio exterior e reservas internacionais
Mercado monetário e operações de mercado aberto
 
Data: 17 e 18/4/2012
 
Local: Sala de reuniões do 8º andar (17/4) e do 20º andar (18/4) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF
Horário de início: 16h15 (17/4) e 16h48 (18/4)
Horário de término: 19h26 (17/4) e 19h58 (18/4)
 
Presentes:
Membros do Copom
Alexandre Antonio Tombini – Presidente
Aldo Luiz Mendes
Altamir Lopes
Anthero de Moraes Meirelles
Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo
Luiz Awazu Pereira da Silva
Sidnei Corrêa Marques
 
Chefes de Departamento (presentes no dia 17)
Adriana Soares Sales – Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente no dia 18)
Bruno Walter Coelho Saraiva – Departamento de Assuntos Internacionais
João Henrique de Paula Freitas Simão – Departamento de Operações do Mercado Aberto
Márcio Barreira de Ayrosa Moreira – Departamento das Reservas Internacionais
Renato Jansson Rosek – Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais
Rodrigo Collares Arantes – Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
Tulio José Lenti Maciel – Departamento Econômico
 
Demais participantes (presentes no dia 17)
Gustavo Paul Kurrle – Assessor de Imprensa
Otávio Ribeiro Damaso – Chefe de Gabinete da Presidência
 
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
 
Evolução recente da economia
 
1. A inflação, medida pela variação mensal do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), alcançou 0,21% em março (0,45% em fevereiro e 0,56% em janeiro), determinando o sexto recuo consecutivo da inflação acumulada em doze meses, que se deslocou de 5,85% em fevereiro para 5,24% em março (6,30% em março de 2011). Os preços livres variaram 5,49% em doze meses até março (7,04% em março de 2011), e os preços administrados, 4,58% (4,53% em março de 2011). Em relação aos preços livres, cabe destacar que os dos bens comercializáveis aumentaram 3,41% em doze meses até março e os dos não comercializáveis, 7,37%, ante altas de 6,04% e 7,93%, respectivamente, em igual período de 2011. Especificamente sobre serviços, a inflação nesse segmento foi de 0,52% em março, após variação de 1,25% em fevereiro. Dessa forma, a inflação de serviços acumulada em doze meses atingiu 7,75% (ante 8,53% registrados até março de 2011). Em síntese, o conjunto de informações disponíveis sugere tendência declinante da inflação acumulada em doze meses em direção à meta de inflação, apesar de a inflação de serviços ainda seguir em níveis elevados.
 
2. As medidas de inflação subjacente calculadas pelo Banco Central têm apresentado evolução similar à da inflação plena. A média das variações mensais passou de 0,52% em janeiro para 0,46% em fevereiro e 0,25% em março. Por sua vez, no acumulado em doze meses, a variação média das cinco medidas de núcleo se deslocou de 6,41% em janeiro para 6,10% em fevereiro e 5,69% em março, sexto recuo consecutivo. O núcleo do IPCA por médias aparadas com suavização deslocou-se de 0,47% em janeiro para 0,41% em fevereiro e para 0,28% em março, enquanto o núcleo por médias aparadas sem suavização passou de 0,36% para 0,28% e para 0,27% no mesmo período. De modo similar, o núcleo por dupla ponderação, após registrar 0,59% em janeiro, recuou para 0,47% em fevereiro e para 0,26% em março. Ao mesmo tempo, o núcleo por exclusão, que descarta dez itens de alimentação no domicílio e combustíveis, avançou de 0,59% em janeiro para 0,60% em fevereiro, antes de recuar para 0,21% em março; e o núcleo por exclusão de monitorados e de alimentação no domicílio passou de 0,57% em janeiro para 0,54% em fevereiro e para 0,22% em março.
 
3. O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) avançou 0,56% em março, após variar 0,07% em fevereiro e 0,30% em janeiro. Dessa forma, no acumulado em doze meses, março registrou o décimo quinto recuo consecutivo da inflação medida pelo IGP-DI, para 3,32%, 7,77 pontos percentuais (p.p.) abaixo da registrada em março de 2011. O principal componente desse indicador, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), variou 1,80% em doze meses até março, refletindo aumento de 2,53% no IPA industrial e recuo de 0,14% no IPA agrícola. Na desagregação segundo o estágio da produção, observou-se, na mesma base de comparação, avanço de 0,02% nos preços de matérias-primas brutas, de 2,17% nos preços de bens intermediários e de 2,96% nos preços de bens finais. Já a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), segundo componente mais importante do IGP-DI, ficou em 5,50% em doze meses até março (5,86% em março de 2011). O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), componente de menor peso no IGP‑DI, variou 8,10%. Por sua vez, o Índice de Preços ao Produtor/Indústria de Transformação (IPP/IT), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), recuou 0,38% em fevereiro, após deflação de 0,43% em janeiro. Em doze meses, a variação desse índice deslocou-se de 1,75% em janeiro para 0,76% em fevereiro. De forma geral, a evolução recente dos índices de preços no atacado e ao produtor sinaliza redução das pressões inflacionárias nesses segmentos.
 
4. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) incorpora estimativa para a produção mensal dos três setores da economia, bem como para os impostos sobre produtos, e constitui importante indicador coincidente da atividade econômica. Considerando os dados ajustados sazonalmente, o IBC-Br recuou 0,2% em fevereiro, mesma variação observada em janeiro, ante incremento de 0,4% em dezembro. Dessa forma, o indicador registrou crescimento de 0,9% no trimestre dezembro/fevereiro, em relação ao período setembro/novembro de 2011. Já a taxa de crescimento acumulada em doze meses vem desacelerando desde novembro de 2010 e alcançou 1,9% em fevereiro. Por sua vez, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getulio Vargas (FGV), registrou a segunda alta consecutiva em março. Da mesma forma, o Índice de Confiança do Setor de Serviços (ICS) apresentou a segunda elevação sucessiva em março, após seis resultados negativos.
 
5. Os Indicadores de Condições de Crédito, construídos pelo Banco Central com base em consulta trimestral realizada com instituições representativas de cada segmento do mercado de crédito evidenciam, em geral, condições mais flexíveis no segundo trimestre de 2012 em comparação ao primeiro. Especificamente sobre crédito às grandes empresas, a análise sugere cenário ainda restritivo (no que se refere à aprovação de crédito), mas em intensidade menor. Para micro, pequenas e médias empresas, os indicadores indicam aumento na aprovação de crédito no segundo trimestre em relação ao anterior, com demanda moderadamente mais forte e oferta ainda moderadamente restritiva, mas em intensidade menor. Em relação ao crédito voltado ao consumo, a expectativa para o segundo trimestre indica redução no percentual de aprovação de crédito, ante o verificado no trimestre anterior. Para o crédito habitacional, apesar de oferta em níveis similares aos observados de janeiro a março de 2012, a expectativa de expansão da demanda tende a confirmar cenário com elevação do percentual de aprovação.
 
6. A atividade fabril avançou 1,3% em fevereiro, de acordo com a série da produção industrial geral dessazonalizada pelo IBGE, após registrar recuo de 1,5% em janeiro e avanço de 0,5% em dezembro. Houve crescimento da produção em dezoito dos 27 ramos de atividade em fevereiro, com destaque para a recuperação no setor de veículos automotores (13,1%), após forte recuo em janeiro. Sob o critério da média móvel trimestral, houve avanço de 0,1% na produção industrial de dezembro a fevereiro, a primeira leitura positiva nessa base de comparação desde julho de 2011. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção recuou 3,9% em fevereiro e, no acumulado em doze meses, 1,0%. Por outro lado, em relação a dezembro de 2008, mês que registrou a menor medição da produção industrial durante a crise de 2008/2009, o crescimento acumulado até fevereiro atinge 22,1%. Já em termos de faturamento da indústria de transformação, segundo dados dessazonalizados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), houve crescimento real de 1,5% em fevereiro em relação ao mês anterior, com o número de horas trabalhadas avançando 2,2% na mesma base de comparação.
 
7. Entre as categorias de uso da indústria, segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, houve recuo de 4,3% na produção de bens de consumo duráveis em fevereiro e expansão de 1,1% na de não duráveis e semiduráveis. A produção de bens intermediários cresceu 2,3%, e a produção de bens de capital, 5,7%, após diminuir 16,1% em janeiro. No acumulado em doze meses até fevereiro, a produção de bens de consumo duráveis recuou 6,1%; a de bens não duráveis e semiduráveis, 0,5%; a de bens intermediários, 0,3%; e a de bens de capital, 1,0%. 
 
8. A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), sem ajuste sazonal, foi a 5,7% em fevereiro, após 5,5% em janeiro e 4,7% em dezembro. A taxa de fevereiro foi 0,7 p.p. inferior à do mesmo mês do ano anterior. Já os dados dessazonalizados pelo Banco Central apontam taxa de desocupação se deslocando de 5,6% em janeiro para 5,5% em fevereiro, o mínimo da série iniciada em março de 2002. Em doze meses, houve expansão de 1,9% na população ocupada e de 1,3% da população economicamente ativa. Na população ocupada, a proporção de empregados do setor privado com carteira de trabalho assinada – que vem crescendo de forma consistente nos últimos anos – atingiu 49,7% em fevereiro, mas dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indicam moderação desse processo. De fato, em março, houve criação de 111,7 mil postos de trabalho formais (ante 150,6 mil em fevereiro) e expansão do número de empregos formais em seis dos oito setores de atividade econômica, com as principais contribuições vindo dos setores de serviços e de construção civil. De acordo com a PME, o rendimento médio real habitual cresceu 1,2% em fevereiro e 4,4% em doze meses. Como consequência, a massa salarial real, considerando o rendimento médio da população ocupada nas seis regiões metropolitanas, cresceu 6,4% em relação a fevereiro de 2011. Em suma, o conjunto de dados disponíveis indica que, embora o mercado de trabalho continue robusto, há sinais de moderação na margem.
 
9. De acordo com dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE, o volume de vendas do comércio ampliado cresceu 2,5% em fevereiro, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, após registrar alta de 8,3% em janeiro e de 4,3% em dezembro, na mesma base de comparação. Já na comparação mês a mês, a série com ajuste sazonal indica que o volume de vendas do comércio ampliado recuou 1,1% em fevereiro, após crescer 1,8% em janeiro e 1,6% em dezembro. Assim, a taxa de crescimento acumulada em doze meses ficou em 5,5% em fevereiro. Os dez segmentos pesquisados mostraram expansão no volume de vendas no acumulado em doze meses, com destaque para equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (22,1%) e móveis e eletrodomésticos (15,5%). Desde outubro, a FGV, em parceria com o Banco Central, vem divulgando o Índice de Confiança do Comércio (ICOM). Esse indicador fornece informação adicional importante, à medida que retrata o estado atual e sinaliza a evolução da atividade comercial de forma mais tempestiva. Em março o índice evoluiu positivamente, após cinco leituras negativas, impulsionado pela melhora nas expectativas em relação ao futuro. Nos próximos meses, a trajetória do comércio continuará a ser influenciada pelas transferências governamentais, pelo ritmo de crescimento da massa salarial real, pela melhora no nível de confiança dos consumidores e pela expansão moderada do crédito.
 
10. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação, calculado pela FGV, sem ajuste sazonal, passou de 82,9% em fevereiro para 83,0% em março, 0,5 p.p. abaixo do observado em março de 2011. Na série com ajuste sazonal calculada pela FGV, o Nuci ficou em 83,8% em março – 2,9 p.p. abaixo do máximo registrado em junho de 2008. A utilização da capacidade apresenta-se mais intensa no setor de materiais de construção (86,0%), embora tenha havido recuo de 4,5 p.p. nesse setor desde novembro de 2011. Já no setor de bens intermediários, o Nuci ficou em 84,4%, ante 82,7% registrados no setor de bens de capital e 82,4% no setor de bens de consumo. Segundo dados da CNI, dessazonalizados pelo Banco Central, o Nuci ficou estável em 82,3% em fevereiro. Note-se, ainda, que a diferença entre a proporção de empresas que reportavam excesso de estoques e aquelas que reportavam estoques insuficientes apresentou a terceira queda consecutiva em março.
 
11. O saldo da balança comercial acumulado em doze meses aumentou para US$29,1 bilhões em março, de US$28,6 bilhões em fevereiro. Esse resultado adveio de exportações de US$259,9 bilhões e de importações de US$230,8 bilhões, associadas a variações de 21,5% e de 20,5%, respectivamente, no acumulado em doze meses até março. O deficit em transações correntes acumulado em doze meses passou de US$54,1 bilhões em janeiro para US$52,4 bilhões em fevereiro, equivalente a 2,09% do PIB. Por sua vez, os investimentos estrangeiros diretos totalizaram US$65,0 bilhões em doze meses até fevereiro, equivalente a 2,60% do PIB.
 
12. A economia mundial continua a enfrentar período de incerteza acima da usual, apesar de certa estabilidade no nível de aversão ao risco, e com perspectivas de baixo crescimento. Desde a última reunião do Copom, consolidou-se percepção mais positiva em relação à atividade nos Estados Unidos (EUA) e no Japão, mas persistem riscos como os associados ao preço do petróleo e ao cenário de contenção fiscal. O provimento ilimitado de liquidez pelo Banco Central Europeu (BCE) reduziu a probabilidade de ocorrência de eventos extremos, mas persistem riscos elevados para a estabilidade financeira global, entre outros, devido à exposição de bancos internacionais às dívidas soberanas de países com desequilíbrios fiscais. Taxas de desemprego elevadas por longo período, aliadas a necessidades de ajustes fiscais, ao limitado espaço para ações de política anticíclicas e à incerteza política, têm contribuído para projeções de baixo crescimento em economias maduras, embora com heterogeneidade entre países. De fato, tanto o indicador antecedente composto divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), referente a fevereiro, como os indicadores desagregados do Purchasing Managers Index (PMI) referentes a março apontam atividade frágil na Zona do Euro. Ao mesmo tempo, a atividade na China desacelerou no primeiro trimestre, e registrou a menor taxa de crescimento desde o primeiro trimestre de 2009. No que se refere à política monetária, as economias avançadas persistem com posturas fortemente acomodatícias e, em alguns casos, com iniciativas não convencionais de política. Mesmo assim, os núcleos de inflação continuaram em níveis moderados tanto nos EUA como na Zona do Euro e no Japão, haja vista as perspectivas relativamente moderadas para o nível de atividade. Nas economias emergentes, de modo geral, o viés da política monetária se apresenta expansionista.
 
13. O preço do barril de petróleo do tipo Brent manteve-se acima de US$115, refletindo, em parte, instabilidade política em importantes países produtores e defasagens no processo de retomada de produção. Cabe ressaltar que a complexidade geopolítica que envolve o setor do petróleo tende a acentuar o comportamento volátil dos preços, que é reflexo, também, da baixa previsibilidade de alguns componentes da demanda global e do fato de o crescimento da oferta depender de projetos de investimentos de longa maturação e de elevado risco. Em relação às demais commodities, destaca-se o movimento de redução dos preços internacionais das agrícolas e das metálicas desde a última reunião do Copom, de 4,6% e de 2,8%, respectivamente, quando medidos pelo Commodity Research Bureau (CRB). Em relação aos picos de abril de 2011, as duas categorias recuaram 17,5% e de 20,0%, respectivamente. O Índice de Preços de Alimentos, calculado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que compreende 55 itens, acumula recuo de 6,5% até março, desde o pico observado em fevereiro de 2011. No passado recente, a alta volatilidade dos preços das commodities foi influenciada pela ampla liquidez global, em contexto no qual os mercados financeiros se ajustam às novas expectativas de crescimento e à volatilidade nos mercados de câmbio. Prospectivamente, é plausível afirmar que o recente anúncio por autoridades chinesas de redução nas metas para crescimento tende a gerar algum impacto sobre preços de commodities.
 
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
 
14. Os choques identificados, e seus impactos, foram reavaliados de acordo com o novo conjunto de informações disponível. O cenário considerado nas simulações contempla as seguintes hipóteses:
a) as projeções para o reajuste nos preços da gasolina e do gás de bujão, para o acumulado de 2012, foram mantidas em 0%, valor considerado na reunião do Copom de março;
b) a projeção de reajuste das tarifas de telefonia fixa, para o acumulado em 2012, foi mantida em 1,5%, valor considerado na reunião de março, enquanto, no caso da eletricidade, reduziu-se para 1,3%, ante 2,3% considerados na reunião de março;
c) a projeção de reajuste, construída item a item, para o conjunto de preços administrados por contrato e monitorados para o acumulado de 2012, foi mantida em 4,0%, valor considerado na reunião de março;
d) a projeção de reajuste para o conjunto de preços administrados por contrato e monitorados para o acumulado de 2013 foi mantida em 4,5%, valor considerado na reunião do Copom de março. Essa projeção baseia-se em modelos de determinação endógena de preços administrados, que consideram, entre outras variáveis, componentes sazonais, variações cambiais, inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP); e
e) a trajetória estimada para a taxa do swap pré-DI de 360 dias indica spread sobre a taxa Selic, no cenário de referência, de 23 pontos base (p.b.) e 11 p.b. para o quarto trimestre de 2012 e 2013, respectivamente.
 
15. Em relação à política fiscal, considera-se o cumprimento da meta de superávit primário de R$139,8 bilhões (cerca de 3,10% do PIB), sem ajustes, em 2012 (conforme parâmetros constantes da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) – 2012). Além disso, admite-se, como hipótese de trabalho, a geração de superávit primário de R$155,9 bilhões (cerca de 3,10% do PIB), sem ajustes, em 2013 (conforme parâmetros constantes do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) – 2013). Para 2014, admite-se como hipótese de trabalho a geração de superávit primário de 3,10% do PIB, sem ajustes.
 
16. No conjunto das projeções, estão incorporadas as estimativas de redução da taxa de juros neutra identificada nos últimos anos.
 
17. Admite-se, ainda, a hipótese de que a atual deterioração do cenário internacional cause um impacto sobre a economia brasileira equivalente a um quarto do observado durante a crise internacional de 2008/2009. Note-se que parte desse impacto estimado se manifesta em indicadores recentes de atividade econômica.
 
18. Desde a última reunião do Copom, a mediana das projeções coletadas pelo Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) para a variação do IPCA em 2012 reduziu-se de 5,24% para 5,08%. Para 2013, a mediana das projeções de inflação aumentou de 5,20% para 5,50%. Nos casos específicos de bancos, gestoras de recursos e demais instituições (empresas do setor real, distribuidoras, corretoras, consultorias e outras), a mediana das projeções para 2012 deslocou-se de 5,21%, 5,24% e 5,27% para 5,08%, 5,06% e 5,08%, respectivamente. Para 2013, a mediana das projeções deslocou-se de 5,20%, 5,40% e 5,00% para 5,50%, 5,73% e 5,30%, na mesma ordem.
 
19. O cenário de referência leva em conta as hipóteses de manutenção da taxa de câmbio em R$1,85/US$ e da taxa Selic em 9,75% ao ano (a.a.) em todo o horizonte relevante. Nesse cenário, a projeção para a inflação de 2012 se elevou em relação ao valor considerado na reunião do Copom de março e se encontra em torno do valor central de 4,5% para a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros coletadas pelo Gerin com analistas de mercado, no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para 2012 também se elevou e se encontra em torno do valor central da meta para a inflação. Para 2013, a projeção de inflação aumentou no cenário de referência e se manteve estável no de mercado, nos dois casos posicionando-se acima do valor central da meta. 
 
Implementação da política monetária
 
20. O Copom avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Nesse sentido, reitera que, no regime de metas para a inflação, orienta suas decisões de acordo com os valores projetados para a inflação pelo Banco Central e com base na análise de cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica dos preços. O Comitê entende, também, que riscos baixos para a inflação subjacente no curto prazo tendem a reduzir incertezas em relação ao comportamento futuro da inflação plena, facilitam a avaliação de cenários por parte da autoridade monetária, assim como auxiliam no processo de coordenação de expectativas dos agentes econômicos, em particular, dos formadores de preços. Note-se, adicionalmente, que riscos baixos para a inflação subjacente no curto prazo tendem a potencializar os efeitos das ações de política monetária, fazendo com que elas possam afetar de forma mais duradoura a dinâmica da inflação plena no futuro. Embora reconheça que outras ações de política macroeconômica podem influenciar a trajetória dos preços, o Copom reafirma sua visão de que cabe especificamente à política monetária manter-se especialmente vigilante para garantir que pressões detectadas em horizontes mais curtos não se propaguem para horizontes mais longos.
 
21. A evidência internacional, no que é ratificada pela experiência brasileira, indica que taxas de inflação elevadas levam ao aumento dos prêmios de risco, tanto para o financiamento privado quanto para o público, e ao encurtamento dos horizontes de planejamento, tanto das famílias quanto das empresas. Consequentemente, taxas de inflação elevadas reduzem os investimentos e o potencial de crescimento da economia, além de terem efeitos regressivos sobre a distribuição de renda. Dito de outra forma, taxas de inflação elevadas não trazem qualquer resultado duradouro em termos de crescimento da economia e do emprego, mas, em contrapartida, trazem prejuízos permanentes para essas variáveis no médio e no longo prazos. Assim, a estratégia adotada pelo Copom visa assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas, o que exige a pronta correção de eventuais desvios em relação a essa trajetória. Tal estratégia leva em conta as defasagens do mecanismo de transmissão e é a mais indicada para lidar com a incerteza inerente ao processo de formulação e de implementação da política monetária.
 
22. O Copom considera que, desde sua última reunião, os riscos para a estabilidade financeira global se mantiveram elevados, em particular, os derivados do processo de desalavancagem em curso nos principais blocos econômicos. O Comitê entende que, de modo geral, pouco se alteraram as restrições às quais estavam expostas diversas economias maduras. Nota ainda que, nessas economias, parece limitado o espaço para utilização de política monetária e prevalece um cenário de restrição fiscal, neste e nos próximos anos. Além disso, em importantes economias emergentes, apesar da resiliência da demanda doméstica, o ritmo de atividade tem moderado, em parte, consequência de ações de política e do enfraquecimento da demanda externa, via canal do comércio exterior. Em casos específicos, antecipam-se mudanças no padrão de crescimento, um desenvolvimento que tende a ser permanente. Dessa forma, até agora, o Comitê avalia que o cenário internacional tem manifestado viés desinflacionário.
 
23. Para o Copom, acumulam-se evidências que apoiam a visão de que a transmissão dos desenvolvimentos externos para a economia brasileira se materializa por intermédio de diversos canais, entre outros, moderação da corrente de comércio, moderação do fluxo de investimentos e condições de crédito mais restritivas. O Comitê entende que os efeitos da complexidade que cerca o ambiente internacional se somaram aos da moderação da atividade doméstica. Dito de outra forma, o processo de moderação em que se encontrava a economia brasileira já no primeiro semestre do ano passado foi potencializado pela fragilidade da economia global.
 
24. O Copom pondera, entretanto, que, embora a expansão da demanda doméstica também tenha moderado, são favoráveis as perspectivas para a atividade econômica neste e nos próximos semestres, com alguma assimetria entre os diversos setores. Essa avaliação encontra suporte em sinais que apontam expansão moderada da oferta de crédito tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas; e no fato de a confiança de consumidores e empresários se encontrar em níveis elevados. O Comitê entende, adicionalmente, que a atividade doméstica continuará a ser favorecida pelas transferências públicas, bem como pelo vigor do mercado de trabalho, que se reflete em taxas de desemprego historicamente baixas e em crescimento dos salários, apesar de certa acomodação na margem.
 
25. O Copom reafirma sua visão de que a inflação acumulada em doze meses, que começou a recuar no último trimestre de ano passado, tende a seguir em declínio e, assim, a se deslocar na direção da trajetória de metas. O Comitê avalia que a inversão na tendência da inflação contribuirá para melhorar as expectativas dos agentes econômicos, em especial dos formadores de preços, sobre a dinâmica da inflação nos próximos trimestres. Adicionalmente, o Comitê entende que essa melhora no sentimento tende a ser potencializada pelo processo, ora em curso, de moderação na dinâmica dos preços ao produtor e no mercado atacadista.
 
26. O Copom observa que o cenário central para a inflação leva em conta a materialização das trajetórias com as quais trabalha para as variáveis fiscais. Importa destacar que a geração de superávits primários compatíveis com as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação, além de contribuir para arrefecer o descompasso entre as taxas de crescimento da demanda e da oferta, solidificará a tendência de redução da razão dívida pública sobre produto.
 
27. O Copom destaca que o cenário central também contempla expansão moderada do crédito. Ainda sobre esse mercado, o Comitê considera oportunas iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito.
 
28. O Copom avalia como decrescentes os riscos derivados da persistência do descompasso, em segmentos específicos, entre as taxas de crescimento da oferta e da demanda. Destaca, entretanto, a estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho, apesar dos sinais de moderação nesse mercado, e pondera que, em tais circunstâncias, um risco importante reside na possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade e suas repercussões negativas sobre a dinâmica da inflação. Por outro lado, observa que o nível de utilização da capacidade instalada tem se estabilizado e se encontra abaixo da tendência de longo prazo, ou seja, está contribuindo para a abertura do hiato do produto e para conter pressões de preços.
 
29. O Copom avalia que a desaceleração da economia brasileira no segundo semestre do ano passado foi maior do que se antecipava, que eventos recentes indicam postergação de uma solução definitiva para a crise financeira europeia, e que continuam elevados os riscos associados ao processo de desalavancagem – de bancos, de famílias e de governos – ora em curso nos principais blocos econômicos. Esses e outros elementos, portanto, compõem um ambiente econômico em que prevalece nível de incerteza muito acima do usual. Para o Comitê, o cenário prospectivo para a inflação, desde sua última reunião, manteve sinais favoráveis. O Comitê ressalta também que, no cenário central com que trabalha, a taxa de inflação posiciona-se em torno da meta em 2012.  
 
30. Em suma, o Copom considera que, neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação. O Comitê nota ainda que, até agora, dada a fragilidade da economia global, a contribuição do setor externo tem sido desinflacionária.
 
31. Diante disso, dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 9,00% a.a., sem viés.
 
32. O Copom avalia que a demanda doméstica tende a se apresentar robusta, especialmente o consumo das famílias, em grande parte devido aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a expansão moderada do crédito. Esse ambiente tende a prevalecer neste e nos próximos semestres, quando a demanda doméstica será impactada pelos efeitos das ações de política recentemente implementadas, que, de resto, são defasados e cumulativos. Por outro lado, o Comitê pondera que iniciativas recentes reforçam um cenário de contenção das despesas do setor público. Também se apresenta como importante fator de contenção da demanda agregada o ainda frágil cenário internacional. Esses elementos e os desenvolvimentos no âmbito parafiscal são parte importante do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas.
 
33. O Copom entende que ocorreram mudanças estruturais significativas na economia brasileira, as quais determinaram recuo nas taxas de juros em geral, e, em particular, na taxa neutra. Apoiam essa visão, entre outros fatores, a redução dos prêmios de risco, consequência direta do cumprimento da meta de inflação pelo oitavo ano consecutivo, da estabilidade macroeconômica e de avanços institucionais. Além disso, o processo de redução dos juros foi favorecido por mudanças na estrutura dos mercados financeiros e de capitais, pelo aprofundamento do mercado de crédito bem como pela geração de superávits primários consistentes com a manutenção de tendência decrescente para a relação entre dívida pública e PIB. Para o Comitê, todas essas transformações caracterizam-se por um elevado grau de perenidade – embora, em virtude dos próprios ciclos econômicos, reversões pontuais e temporárias possam ocorrer – e contribuem para que a economia brasileira hoje apresente sólidos indicadores de solvência e de liquidez.
 
34. O Copom também pondera que têm contribuído para a redução das taxas de juros domésticas, inclusive da taxa neutra, o aumento na oferta de poupança externa e a redução no seu custo de captação, as quais, na avaliação do Comitê, em grande parte, são desenvolvimentos de caráter permanente.
 
35. Diante do exposto, mesmo considerando que a recuperação da atividade vem ocorrendo mais lentamente do que se antecipava, o Copom entende que, dados os efeitos cumulativos e defasados das ações de política implementadas até o momento, qualquer movimento de flexibilização monetária adicional deve ser conduzido com parcimônia.
 
36. Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltará a se reunir em 29 de maio de 2012, para as apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado nº 21.213, de 29 de junho de 2011.
 
 
SUMÁRIO DOS DADOS ANALISADOS PELO COPOM
 
Inflação
 
37. O IPCA registrou elevação de 0,21% em março, ante 0,45% em fevereiro, acumulando alta de 1,22% no ano e de 5,24% em doze meses, ante 5,85% em fevereiro, de acordo com os dados divulgados pelo IBGE. O resultado do mês refletiu desaceleração dos preços livres e monitorados. Em relação aos preços livres, que variaram 0,22% em março ante 0,51% em fevereiro, o movimento repercutiu desaceleração significativa dos preços de bens não comercializáveis, de 1,17% para 0,49%, influenciados principalmente pela desaceleração na taxa referente a serviços, que passou de 1,25% para 0,52%, enquanto os preços de produtos comercializáveis variaram -0,08% ante -0,21% no mês anterior. Os preços monitorados apresentaram alta de 0,18% em março, ante 0,26% em fevereiro. A variação mensal do IPCA decorreu, principalmente, do aumento dos preços dos grupos habitação, alimentação e bebidas, e despesas pessoais, com contribuições respectivas de 0,07 p.p., 0,06 p.p. e 0,05 p.p., enquanto o grupo educação foi o principal responsável pela desaceleração do índice em março, com contribuição de 0,02 p.p., ante 0,26 p.p. em fevereiro. O índice de difusão situou-se em 57,26% em março, ante 59,11% em fevereiro.
 
38. Considerados períodos de doze meses até março, os preços livres e monitorados desaceleraram em relação a fevereiro, passando de 5,98% para 5,49%, e de 5,48% para 4,58%, respectivamente. A evolução dos preços livres decorreu de desaceleração nos preços dos produtos comercializáveis, de 3,77% para 3,41%, e dos produtos não comercializáveis, de 7,97% para 7,37%. Os preços do segmento de serviços aumentaram 7,75% no acumulado de doze meses até março, ante 8,10% e 9,20%, em períodos correspondentes até fevereiro e janeiro.
 
39. O IGP-10 variou 0,70% em abril, após alta de 0,27% em março, de acordo com a FGV, com aceleração nos preços ao produtor amplo (IPA), nos preços ao consumidor (IPC) e no INCC. O indicador acumula elevação de 1,09% no ano, ante 2,95% no mesmo período de 2011, e de 3,43% em doze meses, comparativamente a 3,29% nos doze meses encerrados em março. 
 
40. O IPA-10 variou 0,76% no mês, ante 0,24% em março, acumulando alta de 0,54% no ano e de 2,17% em doze meses. Os preços dos produtos agropecuários variaram 1,23% em abril, ante 0,56% no mês anterior, acumulando elevação de 2,54% no ano e de 0,64% em doze meses. Os preços dos produtos industriais variaram 0,59% no mês, ante 0,12% em março, acumulando queda de 0,18% no ano e aumento de 2,74% em doze meses. O desempenho mensal dos preços dos produtos agropecuários evidenciou, em especial, o impacto da variação do preço da soja, de 12,43%, com contribuição de 0,50 p.p. para o IPA-10. Entre os preços dos produtos industriais, a principal influência foi exercida por óleos e gorduras vegetais, com aumento de 6,97%, e contribuição para o índice mensal de 0,17 p.p.
 
41. O IPC-10 registrou elevação de 0,53% em abril, ante 0,40% em março, acumulando aumento de 2,29% no ano, comparativamente a 3,21% em igual período de 2011, e de 5,21% em doze meses. A aceleração em abril foi favorecida pela variação no grupo alimentação, de 0,25% para 0,51%. O INCC variou 0,71% no mês, ante 0,19% no mês anterior, resultado de aceleração nos custos de mão de obra, de 0,06% para 0,98%, e nos preços de materiais, equipamentos e serviços, de 0,32% para 0,42%. O INCC acumulou altas de 2,00% no ano e de 7,96% em doze meses.
 
42. Todas as cinco medidas de núcleo do IPCA calculadas pelo Banco Central apresentaram desaceleração no mês e no período de doze meses finalizado em março. O núcleo por exclusão, que exclui dez itens de alimentação no domicílio e combustíveis, variou 0,21% no mês, ante 0,60% em fevereiro, acumulando alta de 5,61% no período de doze meses encerrado em março, ante 6,12% no mês anterior. O núcleo por exclusão de monitorados e alimentação no domicílio aumentou 0,22% ante 0,54% em fevereiro, com elevação de 5,64% em doze meses, ante 6,14% em fevereiro. O núcleo de médias aparadas com suavização variou 0,28% em março, ante 0,41% em fevereiro, acumulando, em doze meses, 6,38% e 6,60%, respectivamente. O núcleo de médias aparadas sem suavização cresceu 0,27% contra 0,28% em fevereiro, acumulando, em doze meses, 4,80% e 5,15%, na ordem. O núcleo de dupla ponderação aumentou 0,26% em março, após alta de 0,47% em fevereiro, registrando variação acumulada em doze meses de 6,02%, ante 6,48% no mês anterior.
 
43. O IPP/IT recuou 0,38% em fevereiro, após retração de 0,43% em janeiro e elevação de 0,60% em fevereiro de 2011. O IPP/IT acumulou queda de 0,81% no ano em comparação com 1,01% no mesmo período do ano passado e alta de 0,76% em doze meses encerrados em fevereiro contra 1,75% no mês anterior. O resultado mensal do IPP/IT foi influenciado, principalmente, pelas quedas dos preços associados às indústrias de produtos alimentícios e outros produtos químicos, com contribuições respectivas de -0,24 p.p. e -0,11 p.p. para o índice. A variação do índice no período de doze meses encerrado em fevereiro refletiu, especialmente, elevações associadas às contribuições das indústrias de veículos automotivos, 0,27 p.p., alimentos, 0,26 p.p., e calçados e artigos de couro, 0,25 p.p., contrabalançadas pelo desempenho da indústria de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, com contribuição de -0,26 p.p. 
 
44. O Índice Commodities – Brasil (IC-Br) avançou 2,67% em março, refletindo as variações de 1,94%, 2,60% e 6,45% dos subíndices agropecuária, metal e energia, respectivamente. No último trimestre, a variação acumulada do IC-Br alcançou 0,20%. Em doze meses, no entanto, o índice permanece apresentando sensível redução, variando -9,34% até março. 
 
Atividade econômica
 
45. O IBC-Br registrou queda de 0,23% em fevereiro, ante janeiro, considerados dados dessazonalizados. No trimestre encerrado nesse mês, o índice apresenta elevação de 0,87% em relação ao terminado em novembro, quando havia registrado retração de 0,37% no mesmo tipo de comparação. Pela série com dados observados, o IBC-Br registrou expansão de 0,86% no mês em relação a fevereiro de 2011, ante alta de 1,44% registrada em janeiro na mesma base de comparação. O IBC-Br acumula crescimento de 1,15% no ano e de 1,91% nos últimos doze meses finalizados em fevereiro.
 
46. As vendas do comércio ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, registraram retração de 1,1% em fevereiro em relação ao mês anterior, de acordo com dados dessazonalizados da PMC do IBGE, após altas (revisadas) de 1,8% em janeiro e de 1,6% em dezembro. Com o resultado, o trimestre finalizado em fevereiro apresentou crescimento de 3,4% em relação ao trimestre encerrado em novembro. Por segmento, observou-se queda nas vendas de 5 dos 10 segmentos pesquisados, com destaque para o recuo de 3,6% em tecidos, vestuários e calçados; 2,7% em livros, jornais, revistas e papelaria; e 2,1% em hipermercados, supermercados, produtos alimentícios. Por outro lado, o crescimento mais expressivo foi registrado nas vendas de equipamentos e materiais para escritório, 3,1%; combustíveis e lubrificantes, 1,9%; e outros artigos de uso pessoal e doméstico, 1,6%. No ano, o comércio ampliado variou 5,4%. As vendas do comércio varejista apresentaram recuo de 0,5% em fevereiro, comparativamente ao mês anterior, dados com ajuste sazonal, após altas de 3,3% em janeiro (revisada) e de 0,5% em dezembro, na mesma base de comparação. Observou-se expansão de 3,4% no trimestre em relação ao trimestre anterior, dados dessazonalizados, de 8,7% no ano e de 6,7% no acumulado de doze meses.
 
47. Considerados os dados observados, as vendas do comércio ampliado apresentaram aumento interanual de 2,5% em fevereiro, com destaque para a expansão nos segmentos equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, 26,6%; móveis e eletrodomésticos, 13,3%; hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, 11,8%; e artigos farmacêuticos e médicos, 9,5%; contrabalançadas pela redução de 10% em veículos e motos, partes e peças. No período de doze meses encerrado em fevereiro, o comércio ampliado registrou crescimento de 5,5%, com ênfase no aumento das vendas de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, 22,1%; móveis e eletrodomésticos, 15,5%; artigos farmacêuticos e médicos, 9,3%; e material de construção, 8,3%.
 
48. As vendas de autoveículos pelas concessionárias, incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, registraram retração mensal de 5,5% em março, após queda de 2,1% em fevereiro, de acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), dessazonalizados pelo Banco Central. No trimestre encerrado em março, houve recuo de 0,6%, ante variação de -0,4% no terminado em dezembro. No acumulado do ano, as vendas de autoveículos declinaram 0,7%, resultado de queda de 5,6% e de 0,8% nos segmentos caminhões e automóveis, respectivamente, e de expansão de 4,4% e de 0,6%, nessa ordem, em ônibus e em comerciais leves.
 
49. O índice de quantum das importações de bens de capital, divulgado pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) e ajustado sazonalmente pelo Banco Central, registrou retração mensal de 2,5% em março. A análise dos dados observados indicou queda de 3,5% em relação a março do ano anterior e elevação de 4,3% no acumulado do ano e de 8,2% em doze meses encerrados em março.
 
50. A produção de bens de capital cresceu 5,7% em fevereiro, acumulando queda de 5,4% no trimestre, relativamente ao finalizado em novembro, de acordo com dados dessazonalizados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), do IBGE. A principal contribuição para o desempenho positivo da categoria no mês decorreu da expansão de 21,9% na produção de equipamentos de transporte, em oposição a queda de 12% e de 7,3% na produção de equipamentos agrícolas e de bens de capital para fins industriais não seriados, respectivamente.
 
51. A produção de insumos típicos da construção civil registrou elevação mensal de 1,3% em fevereiro, acumulando retração de 0,9% no trimestre, em relação ao finalizado em novembro, considerados dados dessazonalizados. A produção do segmento aumentou 1,2% em relação a fevereiro de 2011, com altas acumuladas de 2,2% no ano e de 3% em doze meses.
 
52. A produção física da indústria geral apresentou elevação mensal de 1,3% em fevereiro, de acordo com dados dessazonalizados do IBGE, após variação revisada de -1,5% em janeiro, refletindo expansão de 1,3% na indústria de transformação e de 9,3% na indústria extrativa. Por categorias de uso, destacou-se a produção de bens de capital, com aumento de 5,7% no mês, seguida pela elevação de 2,3% e de 1,1% na produção de bens intermediários e de bens de consumo semi e não duráveis, respectivamente, enquanto a produção de bens de consumo duráveis recuou 4,3%. Das 26 atividades da indústria de transformação consideradas na pesquisa, dezessete apresentaram crescimento no mês, com ênfase para os segmentos de equipamentos de instrumentação médico-hospitalar, 23,8%; veículos automotores, 13%; e máquinas para escritório e equipamentos de informática, 9,5%. A produção da indústria recuou 0,2% no trimestre encerrado em fevereiro, em relação ao terminado em novembro, quando havia decrescido 2,2%, refletindo retração de 2,1% na indústria extrativa, enquanto a indústria de transformação registrou expansão de 0,5%. A evolução trimestral decorreu, em parte, do desempenho das atividades das indústrias de veículos automotores, de máquinas para escritório e equipamentos de informática, e de fumo, com queda de 11,1%, 10,6% e 9,9%, nessa ordem. Considerados dados observados, a produção física da indústria registrou retrações de 3,9% no mês, ante igual mês do ano anterior, de 3,4% no acumulado do ano e de 1% em doze meses, influenciadas, sobretudo, pelo desempenho desfavorável das indústrias de bens de consumo duráveis e de capital.
 
53. O Nuci da indústria de transformação atingiu 83,8% em março, com expansão de 0,1 p.p. em relação a fevereiro, segundo dados dessazonalizados da FGV. Os segmentos de bens de capital e de material de construção apresentaram recuo de 1,3 p.p. em relação ao mês anterior, enquanto os referentes a bens intermediários e bens de consumo, elevações de 0,5 p.p. Considerada a série observada, o Nuci apresentou queda 0,5 p.p. em relação a março de 2011, resultado de decréscimos nos indicadores referentes às indústrias de material de construção, 3,2 p.p.; de bens de capital, 2,3 p.p.; de bens intermediários, 1,1 p.p.; e de bens de consumo, de 0,3 p.p.
 
54. A produção de autoveículos montados atingiu 308,5 mil unidades em março, representando variações de 6,2% em relação a fevereiro e de -3,1% no trimestre, de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), dessazonalizados pelo Banco Central. Considerando dados observados, a produção apresentou crescimento de 4,5%, em relação a março de 2011, e queda de 10,9% e de 3,1% nos acumulados do ano e em doze meses, respectivamente.
 
55. Ainda segundo a Anfavea, o licenciamento de autoveículos nacionais registrou retração de 6% em relação a fevereiro e crescimento de 1,7% no trimestre encerrado em março ante o trimestre anterior, dados com ajuste sazonal. Considerados dados observados, ocorreu decréscimo de 5,8% em relação a março de 2011, de 3,9% no ano e de 3,6% no acumulado de doze meses. As exportações de autoveículos montados somaram 42,2 mil unidades em março, representando variações de -1% em relação a igual mês do ano anterior, de -6,7% no acumulado do ano e de 6,6% no acumulado em doze meses. Considerada a série dessazonalizada pelo Banco Central, as exportações recuaram 1,1% no mês e 10,2% no trimestre.
 
56. De acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do IBGE, referente a março, a safra de grãos do país deverá totalizar 158,6 milhões de toneladas em 2012, o que representa redução de 0,9% em relação à de 2011 e elevação de 0,7% em relação ao último levantamento divulgado em fevereiro. O novo prognóstico apresentou perspectiva mais favorável para as culturas de milho e feijão, com acréscimo de 4,3% e de 0,7%, respectivamente, em comparação à estimativa do mês anterior, contrastando com as previsões para o cultivo de soja e arroz, que projetam retração de 1,8% e de 1,2%, respectivamente, em igual base de comparação. Em relação à safra de grãos de 2011, o novo levantamento estima expansão de 17,3% para milho, de 1,5% para caroço de algodão e de 0,2% para feijão, em oposição ao decréscimo de 14,2%, 11,1% e 9,9% nas colheitas de arroz, soja e trigo, respectivamente.
 
Expectativas e sondagens
 
57. O ICC, considerados os dados dessazonalizados da Sondagem de Expectativas do Consumidor, da FGV, de abrangência nacional, registrou expansão de 2,8% em março, em relação a fevereiro, alcançando 122,7 pontos, melhor resultado desde julho de 2011, influenciado pelos aumentos de 1,6% no Índice da Situação Atual (ISA) e de 3,6% no Índice de Expectativas (IE). Em relação a março de 2011, o ICC cresceu 2,2%, resultado de variação de -1,2% no ISA e de 4,8% no IE.
  
58. O ICS, calculado pela FGV, recuou 1% em março, em relação ao mesmo mês do ano anterior, atingindo 130 pontos, refletindo retração de 2,7% no ISA, enquanto o IE registrou alta de 0,3%. Na comparação com fevereiro, o ICS apresentou elevação de 0,3% em março, sem ajuste sazonal, resultado de variações respectivas de 1,6% e -0,6% no ISA e no IE.
 
59. O ICOM, calculado pela Sondagem Conjuntural do Comércio da FGV, atingiu 129,4 pontos em março, representando recuo de 0,1% relativamente a igual mês do ano anterior. O resultado decorreu de variações de 0,7% no Índice de Situação Atual (ISA-COM) e de -0,6% no Índice de Expectativas (IE-COM). No trimestre finalizado em março, o ICOM registrou contração de 4,3% comparativamente ao mesmo período de 2011, influenciado pela retração de 4,1% no ISA-COM e de 4,5% no IE-COM.
 
60. O Índice de Confiança da Indústria (ICI), considerados dados dessazonalizados da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, da FGV, apresentou alta de 0,5% em março, em relação a fevereiro, situando-se em 103 pontos, resultado de aumento de 0,2% no ISA e de 1% no IE. Em relação a março de 2011, o ICI recuou 8%, resultado de retrações de 7,8% no ISA e de 8,3% no IE.
 
61. O Índice de Confiança da Construção (ICST), calculado pela Sondagem Conjuntural da Construção, da FGV, atingiu 129,1 pontos em março, 4,3% inferior ao resultado de igual mês do ano anterior. O resultado refletiu retrações de 6,9% no Índice de Situação Atual (ISA-ICST) e de 2% no Índice de Expectativas (IE-ICST). No trimestre finalizado em março, o ICST registrou contração de 6,6%, comparativamente ao mesmo período de 2011, repercutindo recuos de 9,3% no ISA-ICST e de 4,2% no IE-ICST.
 
Mercado de trabalho
 
62. Segundo dados divulgados no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do MTE, foram criados 111,7 mil empregos formais em março, dos quais 83,2 mil no setor de serviços, 35,9 mil na construção civil, e 6,4 mil no comércio. Em relação ao nível de emprego formal, houve aumento de 0,3% em relação a fevereiro considerando dados dessazonalizados. No acumulado do ano, foram geradas 381,2 mil vagas e, em doze meses, 1,4 milhão, ante 525,6 mil e 2 milhões, nessa ordem, em relação a iguais períodos de 2011.
 
63. De acordo com a PME do IBGE, realizada nas seis principais regiões metropolitanas do país, a taxa de desemprego aberto atingiu 5,7% em fevereiro, representando aumento de 0,2 p.p. em relação a janeiro e redução de 0,7 p.p. comparativamente a fevereiro de 2011. O resultado mensal decorreu de elevação de 0,4% na ocupação e de 0,7% na População Economicamente Ativa (PEA). Considerando dados dessazonalizados, o desemprego atingiu 5,5% em fevereiro, ante 5,6% no mês anterior. Segundo a mesma pesquisa, o rendimento médio real habitualmente recebido pelos trabalhadores registrou crescimento de 1,2% em relação ao mês anterior e de 4,4% comparativamente a fevereiro de 2011. A massa salarial real, definida como o produto do número de pessoas ocupadas pelo rendimento médio real habitual do trabalho principal, apresentou elevação de 1,6% e de 6,4%, respectivamente, para os mesmos tipos de comparação.
 
Crédito e inadimplência
 
64. O saldo dos empréstimos do sistema financeiro totalizou R$2.034,8 bilhões em fevereiro, correspondendo a 48,8% do Produto Interno Bruto (PIB), com elevações de 0,4% no mês, de 0,2% no ano, e de 17,3% em doze meses. A carteira de recursos livres registrou variação de 0,1% no mês, de -0,1% no ano e de 15% em doze meses, decorrente de acréscimos de 0,3%, de 1,3% e de 15,5%, respectivamente, no saldo das operações com pessoas físicas e de variações de -0,1%, de -1,5% e de 14,6%, na mesma ordem, no relativo a operações com pessoas jurídicas. Os financiamentos com recursos direcionados cresceram 0,8% no mês e no ano e 21,4% em doze meses, com ênfase nos aumentos de 2,3%, de 4,9% e de 41,7% nos financiamentos habitacionais, nas mesmas bases de comparação.
 
65. A taxa média anual de juros relativa ao crédito referencial aumentou 0,1 p.p. em fevereiro, para 38,1%. As taxas referentes aos segmentos de pessoas físicas e jurídicas atingiram 45,4% e 28,6%, respectivamente, com variação de 0,3 p.p. e de -0,1 p.p., nessa ordem, em relação a janeiro, e de 1,6 p.p. e de -2 p.p. na comparação com fevereiro de 2011.
 
66. O prazo médio das operações no âmbito do crédito referencial diminuiu de 499 dias, em janeiro, para 498 dias em fevereiro. O prazo para pessoas físicas apresentou redução de dois dias, alcançando 597 dias, e o referente a pessoas jurídicas permaneceu estável em 404 dias.
 
67. A taxa de inadimplência das operações compreendidas no crédito referencial, correspondente a atrasos superiores a noventa dias, permaneceu estável em 5,8% em fevereiro, com manutenção dos patamares referentes às operações com pessoas físicas e jurídicas, em 7,6% e 4,1%, respectivamente. Em relação a fevereiro de 2011, a taxa de inadimplência subiu 1,1 p.p., resultado de elevação de 1,8 p.p. no segmento de pessoas físicas e de 0,5 p.p. no relativo a pessoas jurídicas.
 
Ambiente externo
 
68. As perspectivas para o crescimento da economia mundial seguem sujeitas a significativos riscos de baixa, haja vista a crise europeia em curso, as incertezas quanto ao ritmo de desaceleração na China e a sustentabilidade do crescimento nos EUA, além das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Nesse sentido, a avaliação dos gerentes de compra, depois de assinalar avanço para 55,4 pontos em fevereiro, apontou recuo do PMI global para 54,6 pontos em março. Nos EUA, a despeito da recuperação em curso, a variação anualizada do PIB do quarto trimestre de 2011, mantida em 3% após revisão, e a criação de 120 mil postos de trabalho em março vieram abaixo das expectativas. Entre os riscos de baixa para o crescimento da atividade, destaca-se o fato de que, em fevereiro, os aumentos mensais das vendas no varejo e do consumo, pela ordem, 1,1% e 0,5%, apoiaram-se na diminuição da taxa de poupança, que atingiu 3,7%, menor nível desde janeiro de 2008. Na Área do Euro, em que se destacaram os recuos da produção industrial alemã mensal, -1,1% em fevereiro, e do PMI composto de março, para 49,1 pontos, com aprofundamento da contração nos subíndices de manufatura e encomendas, a taxa de desemprego atingiu 10,8% em fevereiro, o mais alto valor desde a instituição da união monetária. Na China, o crescimento trimestral anualizado do PIB no primeiro trimestre deste ano desacelerou para 7,4%, de 8,2% no trimestre anterior, e, em termos interanuais, passou de 8,9% para 8,1%, marcando o pior desempenho da atividade desde o primeiro trimestre de 2009, com destaque para a desaceleração da formação bruta de capital fixo, 21,1% e 18,2%, na mesma ordem. No Japão, a revisão do PIB anualizado do quarto trimestre apontou menor contração, de -2,3% para -0,7%. Naquele país, o PMI de serviços apresentou valor recorde da série histórica, 53,7 pontos em março, enquanto mantém-se a trajetória de crescimento das vendas no varejo, de 2% em fevereiro.
 
69. Desde a última reunião do Copom, os mercados financeiros apresentaram dois momentos. Até meados de março, foi mantida a trajetória ascendente iniciada em dezembro, tendo os índices das bolsas norte-americanas registrado o melhor primeiro trimestre desde 1998. Na Área do Euro, o anúncio de que a Linha (temporária) de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF) funcionará junto com o Mecanismo (permanente) de Estabilidade Europeu (ESM) até julho de 2013, elevando a capacidade de empréstimo contra crises de €500 bilhões para €700 bilhões, bem como a reestruturação da dívida grega e a aprovação pelo FMI e pela União Europeia do segundo pacote de ajuda à Grécia, trouxeram alívio aos mercados. Nesse contexto, a volatilidade, medida pelo índice VIX recuou a 14,3% em 26 de março. Na sequência, essa tendência se inverteu. Os resultados ruins para os PMIs de março na China e nos países europeus, com consequente ampliação do risco de recessão no continente, e os resultados aquém do esperado com o payroll de março nos EUA, com o leilão de títulos da Espanha no início de abril e com a divulgação do PIB chinês do primeiro trimestre de 2012, implicaram diminuição do apetite ao risco, forte queda nas bolsas, elevação do VIX a 20,4% em 10 de abril, redução dos retornos dos títulos de dez anos dos EUA, da Alemanha e do Reino Unido, e elevação dos yields dos bônus governamentais de países europeus, em especial, Itália e Espanha. Destaque-se que, em 13 de abril, o CDS da Espanha alcançou valor recorde, 502 p.b. Nesse cenário de ampliação da aversão ao risco, o dólar se valorizou ante o euro e as moedas de países emergentes exportadores de commodities.
 
70. Desde a última reunião do Copom, os preços internacionais das commodities apresentaram recuo, reagindo às perspectivas favoráveis para as safras de grãos no hemisfério norte, ao aumento da aversão ao risco nos mercados financeiros, ao aumento dos riscos quanto a uma desaceleração mais aguda da economia chinesa, e, no caso do petróleo, ao aumento dos estoques nos EUA.
 
71. Nos EUA, o Federal Reserve manteve os juros básicos entre 0% e 0,25% e ratificou a perspectiva de manutenção deste patamar até o final de 2014, haja vista a trajetória declinante da inflação, a variação anual do índice de preços ao consumidor (IPC), que atingiu 2,7% em março, sexto recuo consecutivo, e a percepção de que a sustentabilidade do crescimento ainda depende de estímulos monetários excepcionais. No Japão, onde o IPC, em alta, atingiu 0,3% em fevereiro, o Banco do Japão (BoJ) conservou a taxa básica de juros entre 0% e 0,1% e, em 13 de março, ampliou de ¥3,5 trilhões para ¥5,5 trilhões a linha de assistência para fortalecer as bases do crescimento (Growth-Supporting Funding Facility), detalhando regras para as modalidades que a integram. Também o BCE não alterou sua taxa de juros de referência de 1%. Segundo a Eurostat, a variação anual da inflação ao consumidor na Área do Euro atingiu 2,7% em março. No Reino Unido, a variação anual do IPC em março avançou a 3,5%, permanecendo em patamar significativamente inferior ao auge de 5,2% registrado em setembro de 2011. Neste cenário, o BoE decidiu pela manutenção da taxa básica de juros, 0,5% a.a., e do montante do programa de compra de ativos, £325 bilhões. Na China, o IPC sofreu ligeiro aumento para 3,6% em março, ante 3,2% em fevereiro, sem comprometer, contudo, sua trajetória de queda após máxima de 6,5% em julho do ano passado. Na maioria das demais economias em desenvolvimento, desde a última reunião do Copom, prevalecem cenário benigno para a inflação e manutenção de políticas monetárias acomodatícias.
 
Comércio exterior e reservas internacionais
 
72. A balança comercial brasileira registrou superávit de US$2 bilhões em março, resultado de exportações de US$20,9 bilhões e importações de US$18,9 bilhões. O saldo acumulado no primeiro trimestre do ano totalizou US$2,4 bilhões, ante US$3,1 bilhões em igual período de 2011, refletindo aumento de 7,5% nas exportações e de 9,5% nas importações. A corrente de comércio cresceu 8,5% no ano, somando US$107,7 bilhões, ante US$99,3 bilhões registrados no primeiro trimestre de 2011.
 
73. As reservas internacionais somaram US$365,2 bilhões em março, com elevação de US$8,9 bilhões em relação a fevereiro. Na comparação com dezembro de 2011, as reservas aumentaram US$13,2 bilhões. O Banco Central comprou US$3 bilhões líquidos no mercado doméstico de câmbio a vista no mês.
 
Mercado monetário e operações de mercado aberto
 
74. Após a reunião do Copom de março, a curva de juros doméstica apresentou queda em toda a sua extensão. Esse movimento foi influenciado, no cenário local, pela perspectiva de continuidade do ciclo de afrouxamento monetário e pela trajetória favorável dos índices de preços. No cenário externo, a possibilidade de recrudescimento da crise de dívida na Europa, a divulgação de indicadores econômicos mais fracos na Europa, nos EUA e na China e o recuo das taxas das treasuries norte-americanas também contribuíram para a redução das taxas futuras. Entre 5 de março e 16 de abril, as taxas de juros de um, três e seis meses recuaram 0,86 p.p., 0,67 p.p. e 0,40 p.p., respectivamente. As taxas para os prazos de um, dois e três anos cederam 0,34 p.p., 0,38 p.p. e 0,39 p.p., respectivamente. A taxa real de juros, medida pelo quociente entre a taxa nominal de um ano e a expectativa de inflação (suavizada) para os próximos doze meses, recuou de 3,54% em 5 de março para 3,10% em 16 de abril, devido, principalmente, a redução das taxas nominais.
 
75. Em 27 de março, o Banco Central realizou leilão de swap cambial reverso destinado à rolagem dos contratos de vencimento em 2 de abril. Essa operação totalizou o equivalente a US$2,1 bilhões em valor nocional.
 
76. Na administração da liquidez do mercado de reservas bancárias, o Banco Central realizou, semanalmente, de 6 de março a 16 de abril, operações compromissadas com prazo de seis meses, tomando recursos no valor total de R$19,9 bilhões. O saldo diário médio do estoque das operações de longo prazo recuou de R$ 161,0 bilhões, entre 17 de janeiro e 5 de março, para R$144,2 bilhões, entre 6 de março e 16 de abril. No mesmo período, realizou operações compromissadas com prazos entre 12 e 29 dias úteis, elevando o saldo diário médio das operações tomadoras de curto prazo para R$283,2 bilhões. O Banco Central atuou, ainda, em 29 oportunidades como tomador de recursos, por meio de operações compromissadas de curtíssimo prazo. Essas operações tiveram saldo diário médio tomador de R$52,0 bilhões no período. O saldo diário médio do estoque total dos compromissos de recompra do Banco Central subiu de R$443,3 bilhões, entre 17 de janeiro e 5 de março, para R$479,4 bilhões, entre 6 de março e 16 de abril. Considerando-se o período mais recente, o estoque dos compromissos de recompra aumentou de R$444,3 bilhões em 5 de março para R$488,4 bilhões em 16 de abril. Os principais fatores que contribuíram para a expansão da liquidez no período foram as intervenções do Banco Central no mercado de câmbio, o resgate líquido de títulos pelo Tesouro Nacional e a liberação de recursos dos depósitos compulsórios.
 
77. Entre 6 de março e 16 de abril, as emissões de títulos decorrentes dos leilões tradicionais do Tesouro Nacional somaram R$39,9 bilhões. A venda de títulos com remuneração prefixada alcançou R$26,4 bilhões, sendo R$22,0 bilhões em Letras do Tesouro Nacional (LTN) com vencimento em 2012, 2013, 2014 e 2016, e R$4,4 bilhões em Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) com vencimento em 2018 e 2023. As vendas de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) totalizaram R$3,2 bilhões, com emissão de títulos com vencimento em 2018. Nos leilões de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), foram vendidos títulos com vencimento em 2016, 2018, 2022, 2030, 2040 e 2050, em montante total de R$10,3 bilhões.