Sumário
Data: 19 e 20/7/2011
Local: Sala de reuniões do 8º andar (19/7) e do 20º
andar (20/7) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF
Horário de início: 16h24 (19/7) e 16h15 (20/7)
Horário de término: 19h33 (19/7) e 18h47
(20/7)
Presentes:
Membros do Copom
Alexandre Antonio
Tombini – Presidente
Aldo
Luiz Mendes
Altamir
Lopes
Anthero
de Moraes Meirelles
Carlos
Hamilton Vasconcelos Araújo
Luiz
Awazu Pereira da Silva
Sidnei
Corrêa Marques
Chefes de Departamento (presentes no dia 19)
Adriana Soares Sales
– Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente no dia 20)
Daso Maranhão Coimbra
– Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
João Henrique de
Paula Freitas Simão – Departamento de Operações do Mercado Aberto
Márcio Barreira de
Ayrosa Moreira – Departamento de Operações das Reservas Internacionais
Renato Jansson Rosek
– Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais
Tulio José Lenti
Maciel – Departamento Econômico
Wagner Thomaz de
Aquino Guerra Júnior – Departamento de Assuntos Internacionais
Demais participantes (presentes no dia 19)
Alexandre Pundek
Rocha – Assessor do Gabinete do Presidente
André Minella – Consultor do Departamento de Estudos e Pesquisas
Emanuel Di Stefano Bezerra Freire – Chefe de Gabinete da Diretoria
Gustavo Paul Kurrle –
Assessor de Imprensa
Nelson Ferreira Souza
Sobrinho – Consultor do Departamento de Estudos e Pesquisas
Os membros do Copom
analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e
para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária,
cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
Evolução recente da
economia
1.
A
inflação medida pela variação mensal do Índice Nacional de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA) situou-se em 0,15% em junho, após registrar alta de 0,47% em maio.
Assim, a inflação acumulada em doze meses até junho alcançou 6,71% (6,55% em
maio e 6,51% em abril), 1,87 ponto percentual (p.p.) acima da observada em
igual período de 2010. O aumento da inflação nesse período reflete tanto o
comportamento dos preços livres, que variaram 7,14% (5,11% em doze meses até
junho de 2010), quanto o dos preços administrados, que se elevaram em 5,70%
(4,21% no mesmo período de 2010). Especificamente sobre preços livres, cabe
destacar que a variação dos preços dos bens comercializáveis alcançou 6,26% (2,98%
em igual período de 2010), e a dos não comercializáveis, 7,89% (7,06% em igual
período de 2010). A inflação no setor de serviços segue elevada, com variação mensal
de 0,60% em junho, depois de alta de 0,59% em maio. No acumulado em doze meses
até junho, a inflação de serviços atingiu 8,75% – maior nível desde setembro de
1997. Em síntese, o conjunto de informações disponíveis sugere
persistência da alta de preços observada em 2010, processo liderado pelos
preços livres, que, em parte, se reflete no fato de a inflação de serviços, que
se caracteriza por inércia significativa, seguir em níveis elevados.
2.
No
primeiro semestre de 2011, o IPCA acumulou alta de 3,87%, 0,78 p.p. acima da
inflação observada em igual período de 2010, com variação de 3,71% dos preços
livres e de 4,25% dos administrados. Os grupos com maiores elevações foram Educação,
Despesas pessoais e Vestuário, com variações de 7,45%, 5,10% e 4,36%, respectivamente,
nos primeiros seis meses de 2011, ante 5,56%, 4,17% e 3,26%, respectivamente, em
igual período de 2010. Esses grupos foram responsáveis por 1,35 p.p. da
inflação plena no período. Já a alta de preços no grupo Alimentação e bebidas,
de 3,11%, ficou 1,43 p.p. abaixo da observada no primeiro semestre de 2010. No
acumulado em doze meses, entretanto, a trajetória dos preços desse grupo
desempenha papel relevante na dinâmica da inflação plena, com variação de 8,90%
em junho (8,20% em maio), refletindo, em parte, choques de oferta, domésticos e
externos, potencializados pelo ambiente de elevada liquidez nos mercados
financeiros internacionais e pelo aumento da demanda global.
3.
As
três principais medidas de inflação subjacente calculadas pelo Banco Central
registraram evolução similar à da inflação plena: enquanto houve alta na
variação acumulada em doze meses, a média das variações mensais recuou entre
abril e junho. O núcleo do IPCA por médias aparadas com suavização deslocou-se
de 0,60% em abril para 0,64% em maio e 0,54% em junho. O núcleo por dupla
ponderação, após registrar 0,68% em abril, recuou para 0,59% em maio e para
0,42% em junho, enquanto o núcleo por exclusão passou de 0,52% em abril para
0,54% em maio, e para 0,56% em junho. Dessa forma, a média da variação dos três
núcleos deslocou-se de 0,60% em abril para 0,59% em maio, recuando para 0,51%
em junho. No acumulado em doze meses até junho, as três medidas de núcleo
alcançaram 6,01%, 6,82% e 6,51%, respectivamente, ante
5,86%, 6,68% e 6,30% em maio, e 5,84%, 6,66% e 6,32% em abril. O índice de difusão
do IPCA, que havia alcançado 59,38% em abril, aumentou para 64,84% em maio e
recuou para 58,85% em junho, indicando, na margem, menor disseminação da alta
de preços.
4.
O
Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou deflação de
0,13% em junho, ante inflação de 0,01% em maio e de 0,50% em abril. No
acumulado em doze meses até junho, a inflação, de acordo com esse índice, ficou
em 8,63%, ante 5,07% em junho de 2010. Nesse critério, o índice vem
desacelerando desde dezembro de 2010, quando registrou variação
de 11,30%.
O principal componente do indicador, o Índice de Preços ao Produtor Amplo
(IPA), variou 9,61% em doze meses até junho, refletindo alta de 6,54% no IPA
industrial e de 19,38% no IPA agrícola. Na desagregação segundo o estágio da
produção, observou-se variação acumulada de 22,68% nos preços de
matérias-primas brutas, 5,44% nos preços de bens intermediários e 4,58% nos preços
de bens finais, na mesma base de comparação. Já a inflação medida pelo Índice
de Preços ao Consumidor (IPC), outro componente do IGP-DI, registrou alta de
6,40% no acumulado em doze meses até junho, superior aos 4,93% registrados nos
doze meses até junho de 2010. Na mesma base de comparação, o Índice Nacional de
Custo da Construção (INCC), componente de menor peso no IGP‑DI, variou
7,75% (6,48% em junho de 2010). Já o Índice de Preços ao Produtor/Indústria de
Transformação (IPP/IT), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), que mede o nível de preços na indústria excluindo o valor
de fretes e impostos, registrou deflação de 0,55% em maio, após alta de 0,28%
em abril e 0,39% em março. Em doze meses, a variação desse índice recuou para 5,60%
em maio, de 6,68% em abril. Conforme destacado em Notas de reuniões anteriores,
o Copom avalia que os efeitos do comportamento dos preços no atacado sobre os
preços ao consumidor dependerão, entre outros fatores, das condições atuais e
prospectivas da demanda, da exposição de cada setor à competição externa e
interna e das expectativas dos formadores de preços em relação à trajetória
futura da inflação.
5.
O
Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) incorpora estimativa
para a produção mensal dos três setores da economia, bem como para os impostos
sobre produtos e, portanto, constitui importante indicador coincidente da
atividade econômica. Considerando os dados ajustados sazonalmente, o IBC-Br
apresentou crescimento de 0,2% em maio, após registrar elevações de 0,4% por
três meses consecutivos (fevereiro a abril). Dessa forma, a taxa de crescimento
no trimestre de março a maio, em relação ao trimestre anterior, foi de 1,3%. Persiste
a tendência de moderação da taxa de crescimento do indicador no acumulado em
doze meses, reduzindo-se de 5,7% em abril para 5,3% em maio. O Índice de
Confiança de Serviços (ICS), da Fundação Getulio Vargas (FGV), recuou 1,4% em
junho, após igual redução em maio e aumento de 3,0% em abril. O nível do
indicador em junho ficou 0,1% acima do valor de junho de 2010, e 0,7% abaixo do
nível médio de 2010.
6.
A
atividade fabril apresentou alta em maio, com avanço de 1,3% na produção
industrial, de acordo com a série geral dessazonalizada pelo IBGE, após
registrar recuo de 1,2% em abril e avanço de 0,3% em março. Dessa forma, a
produção industrial atingiu novo recorde em maio. A taxa de crescimento da
média móvel trimestral ficou em 0,2% no período de março a maio, patamar
inferior ao crescimento de 0,4% medido entre fevereiro e abril. Na comparação
com o mesmo mês do ano anterior, a produção apresentou avanço de 2,7% em maio,
enquanto no acumulado em doze meses a produção industrial mostrou expansão de
4,5% em maio, ante 5,4% registrados em abril, continuando em processo de
moderação do ritmo de crescimento. Na comparação com dezembro de 2008, mês de
menor medição da produção industrial durante a crise de 2008/2009, o
crescimento acumulado até maio foi de 26,8%. O faturamento real da indústria
vem apresentando evolução similar. A dinâmica de recuperação pós-crise foi
amparada, parcialmente, pelo crescimento do financiamento da atividade
industrial por parte de instituições financeiras públicas.
7.
Entre
as categorias de uso da indústria, segundo dados dessazonalidados pelo IBGE,
houve avanço de 1,7% na produção de bens de capital em maio, de 1,5% na
produção de bens intermediários e de 2,7% na produção de bens de consumo
duráveis, enquanto a produção de bens de consumo não duráveis e semiduráveis
ficou estável. Já no acumulado em doze meses até maio, a produção de bens
intermediários registrou expansão de 4,7%, a produção de bens de consumo
duráveis, 2,4%, e a produção de bens não duráveis e semiduráveis avançou 2,3%.
Na mesma base de comparação, o crescimento da atividade da indústria de bens de
capital é o maior entre as categorias de uso, com expansão de 11,5%. Tal
comportamento evidencia a robustez do investimento, fator relevante na retomada
econômica do período pós-crise.
8.
A
taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa
Mensal de Emprego (PME), sem ajuste sazonal, passou de 6,4% em maio para 6,2%
em junho (7,0% em junho de 2010). Após registrar 9,0% em março de 2009, a taxa
observada não apenas recuou significativamente, como também atingiu o mínimo
histórico para o mês de junho, na série iniciada em março de 2002. A taxa de
desocupação dessazonalizada registrou 6,1% em junho, com aumento de 0,1 p.p.
comparativamente à de maio. O emprego, medido pelo número de ocupados nas seis
maiores regiões metropolitanas, na comparação com o mesmo mês do ano anterior,
apresentou elevação de 2,3% em junho, depois de ter expandido 2,5% em maio.
Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indicam que houve
criação de 215,4 mil postos de trabalho em junho (213,0 mil em junho de 2010),
com expansão do número de empregos formais em todos os oito setores de
atividade econômica. Os setores que mais contribuíram para o aumento do número
de empregos formais, em junho, foram o agrícola e o de serviços. De acordo com
a PME, o rendimento médio real habitual observado em junho avançou 0,5% em
relação a maio e 4,0% em relação a junho de 2010. Como consequência, a taxa de
crescimento da massa salarial real, considerando o rendimento médio real
habitual da população ocupada remunerada nas seis regiões metropolitanas,
atingiu 6,2% em junho, ante o mesmo mês de 2010, depois de registrar alta de
6,6% em maio, e permanece como fator-chave para a sustentação do crescimento da
demanda doméstica.
9.
De
acordo com dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) divulgada pelo IBGE, o
volume de vendas do comércio ampliado cresceu 12,8% em maio, na comparação com
o mesmo mês do ano anterior, depois de registrar alta de 12% em abril e queda
de 2,7% em março, na mesma base de comparação. Na série com ajuste sazonal, a
variação mensal do volume de vendas do comércio ampliado foi de 1% em maio,
após ter atingido altas de 1,2% em abril e de 1,9% em março. Note-se, ainda,
que a taxa de crescimento acumulada em doze meses ficou em 10,5% em maio (ante
10,2% nos dois meses anteriores). No acumulado em doze meses, todos os dez
segmentos pesquisados mostraram expansão no volume de vendas, com destaques, em
termos de crescimento, para Móveis e eletrodomésticos (17,2%), Equipamentos e
materiais para escritório, informática e comunicação (16,7%) e Materiais de
construção (13,9%). Nos próximos meses, a trajetória do comércio continuará a
ser influenciada pelas transferências governamentais, pelo ritmo de crescimento
da massa salarial real, pela confiança dos consumidores e pela expansão do
crédito.
10.
O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na
indústria de transformação, calculado pela FGV, sem ajuste sazonal, permaneceu
inalterado em junho (84,1%), em relação a maio. Esses valores de maio e de junho
situam-se 0,5 p.p. e 1,0 p.p., respectivamente, abaixo dos valores observados
no mesmo período de 2010. Com o ajuste sazonal, calculado pela FGV, o valor do
Nuci recuou
para 84,3% em junho (igual valor de março de 2011), após registrar 84,4% nos
dois meses anteriores. A utilização de capacidade é maior no setor de materiais
de construção (87,2%) e no de bens intermediários (86,3%). Na
margem, o setor de materiais de construção manteve-se estável, o setor de bens
intermediários apresentou elevação de 0,2 p.p., o de bens de consumo, de 0,3
p.p., enquanto o setor de bens de capital apresentou queda de 0,1 p.p. Segundo os dados da
Confederação Nacional da Indústria (CNI), dessazonalizados pelo Banco Central,
o Nuci atingiu 82,4% em maio, ante 82,1% observados no mês de abril. De fato,
as taxas de utilização da capacidade instalada têm se mostrado relativamente
estáveis, em patamares elevados, refletindo a expansão recente da atividade
econômica, cujos efeitos ainda não foram compensados totalmente pela maturação
dos investimentos. A propósito, a absorção de bens de capital apresentou
crescimento de 18,7% no acumulado em doze meses até maio, enquanto a produção
de insumos para a construção civil cresceu 6,7%. Conforme assinalado em Notas
anteriores das reuniões do Copom, a trajetória da inflação mantém estreita
relação com os desenvolvimentos correntes e prospectivos no tocante à ampliação
da oferta de bens e de serviços para o adequado atendimento da demanda.
11.
O
saldo da balança comercial acumulado em doze meses aumentou de US$23,1 bilhões
em maio para US$25,3 bilhões em junho. Esse resultado adveio de exportações de
US$231 bilhões e importações de US$205,8 bilhões, ou variações de 34,1% e 34,5%,
respectivamente, no acumulado em doze meses até junho. O déficit em transações
correntes acumulado em doze meses passou de US$48,9 bilhões em abril para US$51
bilhões em maio, equivalente a 2,29% do PIB. Por sua vez, os investimentos
estrangeiros diretos totalizaram US$64,1 bilhões em doze meses até maio,
equivalente a 2,88% do PIB, superando a necessidade de financiamento externo.
12.
A
recuperação da economia global segue em velocidades distintas e com pressões
inflacionárias assimétricas. As evidências apontam moderação da atividade na
margem, em parte refletindo o aumento da incerteza global, a perda de dinamismo
da recuperação norte-americana, o elevado preço do petróleo, bem como os
efeitos do aperto monetário em importantes economias emergentes. De fato, o
indicador antecedente composto divulgado pela Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE), por exemplo, sinalizou continuidade da
recuperação mundial em maio, mas com moderação, ainda que potencial, nas
principais economias. Já o Purchasing
Managers Index (PMI) para a economia global, um indicador do nível de
atividade na indústria e no setor de serviços, passou de 52,7 em maio para 52,2
em junho, o que representa o segundo menor valor desde o início da recuperação
mundial (agosto de 2009). Os indicadores PMI desagregados indicam menor
dinamismo nos Estados Unidos da América (EUA) e na Zona do Euro (com contração
da atividade na Itália e na Espanha). As perspectivas macroeconômicas para a
Zona do Euro continuam apresentando fortes assimetrias, pois, enquanto algumas
economias permanecem impactadas por riscos de insolvência e sujeitas a fortes
ajustes fiscais, o ritmo da expansão continua sustentado em outras regiões,
como na Alemanha. Em relação à reunião anterior do Copom, a percepção do
mercado sobre a situação fiscal na Zona do Euro e, em particular, suas
implicações sobre o sistema financeiro regional – mesmo após a divulgação dos
testes de estresse – apresentaram deterioração relevante, e permanecem incertezas
em relação a questões da dívida americana. No que se refere à política
monetária, as economias maduras continuaram com posturas acomodatícias. Sobre
inflação, apesar da aceleração recente, os núcleos persistem em níveis
moderados no grupo de países do G3 (EUA, Zona do Euro e Japão). Nos países
emergentes, observam-se pressões inflacionárias disseminadas e, desde a última reunião
do Copom, houve continuidade dos apertos das condições monetárias em diversas
economias. Em particular, o banco central chinês elevou novamente as taxas de
referência para depósitos e empréstimos, totalizando, desde outubro de 2010,
nove aumentos de requerimentos compulsórios e cinco elevações nas taxas de
juros.
13. O preço do barril de
petróleo do tipo Brent mostrou-se
volátil e permanece acima de US$115. Esse nível de preços é consistente com um
quadro de aparente fortalecimento da demanda global, bem como de elevada
instabilidade política em alguns países do Oriente Médio e do norte da África,
a despeito da intensidade decrescente dos conflitos. Cabe ressaltar que a
complexidade geopolítica que envolve o setor do petróleo tende a acentuar o
comportamento volátil dos preços, que é reflexo, também, da baixa
previsibilidade de alguns componentes da demanda global e do fato de o
crescimento da oferta depender de projetos de investimentos de longa maturação
e de elevado risco. Em relação às demais commodities,
destaca-se a moderação dos preços internacionais das agrícolas e metálicas,
após sucessivos meses com elevações relevantes. Em particular, os preços a vista
do minério de ferro negociado na China oscilaram em patamares semelhantes aos
do início do ano. O Índice de Preços de Alimentos, calculado pela Organização
das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que compreende 55
itens, vem apresentando certa estabilidade nos últimos meses, mas continua em
patamares elevados. No passado recente, a alta volatilidade dos preços das commodities foi fortemente influenciada
pela ampla liquidez global, em contexto no qual os mercados financeiros se
ajustam às novas expectativas de crescimento da demanda e à volatilidade nos
mercados de câmbio.
Avaliação
prospectiva das tendências da inflação
14.
Os
choques identificados, e seus impactos, foram reavaliados de acordo com o novo
conjunto de informações disponível. O cenário considerado nas simulações contempla
as seguintes hipóteses:
a)
a
projeção de reajuste no preço da gasolina para o acumulado de 2011 permaneceu
em 4,0%, considerados na reunião do Copom de junho, contemplando, portanto,
reversão parcial da elevação de 6,1% ocorrida até junho; e a projeção para o
reajuste no preço do gás de bujão, para o acumulado de 2011, foi mantida em 0%;
b)
a
projeção de reajuste das tarifas de telefonia fixa, para o acumulado em 2011, reduziu-se
para 0,9%, ante 2,9% considerados na reunião de junho, enquanto a de eletricidade
elevou-se para 4,1%, ante 2,8% considerados na reunião de junho;
c)
a
projeção de reajuste, construída item a item, para o conjunto de preços
administrados por contrato e monitorados para o acumulado de 2011, segundo o
cenário de referência, elevou-se para 4,9%, ante os 4,6% considerados na
reunião de junho. Esse conjunto de preços, de acordo com os dados publicados
pelo IBGE, correspondeu a 29,08% do total do IPCA de junho;
d)
a
projeção de reajustes para o conjunto de preços administrados por contrato e
monitorados para o acumulado de 2012, conforme o cenário de referência,
elevou-se para 4,4%, ante 4,3% considerados na reunião do Copom de junho. Essa
projeção se baseia em modelos de determinação endógena de preços administrados,
que consideram, entre outros, componentes sazonais, variações cambiais,
inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP);
e
e)
a
trajetória estimada para a taxa do swap
pré-DI de 360 dias indica spread
sobre a taxa Selic, no cenário de referência, de 44 pontos base (p.b.) e de -46
p.b. para o quarto trimestre de 2011 e de 2012, respectivamente.
15. Em
relação à política fiscal, considera-se o cumprimento da meta de superávit
primário de R$117,9 bilhões (ou cerca de 2,9% do PIB), sem ajustes, em 2011,
conforme parâmetros constantes da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) – 2011.
Além disso, admite-se, como hipótese de trabalho, superávit primário de R$139,8
bilhões (ou cerca de 3,1% do PIB) em 2012, conforme parâmetros constantes do
Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) – 2012, inclusive no que se
refere ao aumento projetado para o salário mínimo em 2012.
16. No
conjunto das projeções, foram incorporados os efeitos estimados das alterações
dos recolhimentos compulsórios anunciadas em dezembro de 2010.
17. Desde
a última reunião do Copom, a mediana das projeções coletadas pelo Departamento
de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) para a variação
do IPCA em 2011 elevou-se para 6,31%, de 6,22%. Para 2012, a mediana das
projeções de inflação se deslocou de 5,10% para 5,20%. Nos casos específicos de
bancos, gestoras de recursos e demais instituições (empresas do setor real,
distribuidoras, corretoras, consultorias e outras), a mediana das projeções
para 2011 se deslocou de 6,21%, 6,22% e 6,27%, para 6,28%, 6,38% e 6,31%,
respectivamente. Para 2012, a mediana das projeções se deslocou de 5,00%, 5,40%
e 5,00%, para 5,01%, 5,40% e 5,05%, na mesma ordem.
18. O
cenário de referência leva em conta as hipóteses de manutenção da taxa de
câmbio em 1,60 R$/US$ e da taxa Selic em 12,25% ao ano (a.a.) em todo o
horizonte relevante. Nesse cenário, a projeção para a inflação de 2011 se
elevou ligeiramente em relação ao valor considerado na reunião do Copom de
junho, e se encontra acima do valor central de 4,5% para a meta fixada pelo
Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, que leva em conta as
trajetórias de câmbio e de juros coletadas pelo Gerin, com analistas de
mercado, no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de
inflação para 2011 também se elevou ligeiramente e se encontra acima do valor
central da meta para a inflação. Para 2012, a projeção se manteve estável no
cenário de referência e no de mercado, acima do valor central da meta nos dois
casos. No que se refere ao primeiro semestre de 2013, a projeção de inflação se
elevou, no cenário de referência, e permaneceu estável, no cenário de mercado,
posicionando-se ao redor do centro da meta em ambos os cenários. Em um cenário
alternativo, que leva em conta a manutenção da taxa de câmbio, no horizonte
relevante, em patamares semelhantes aos observados no passado recente; e a
trajetória de juros coletada pelo Gerin, a projeção de inflação se encontra
acima da meta para 2011 e para 2012, e em torno da meta no primeiro semestre de
2013.
Implementação
da política monetária
19.
O
Copom avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um
ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Nesse sentido, reitera
que, no regime de metas para a inflação, orienta suas decisões de acordo com os
valores projetados para a inflação pelo Banco Central e com base na análise de
cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a
dinâmica dos preços. O Comitê entende, também, que riscos baixos para a
inflação subjacente no curto prazo tendem a reduzir incertezas em relação ao
comportamento futuro da inflação plena, facilitam a avaliação de cenários por
parte da autoridade monetária, assim como auxiliam no processo de coordenação
de expectativas dos agentes econômicos, em particular, dos formadores de
preços. Note-se, adicionalmente, que riscos baixos para a inflação subjacente
no curto prazo tendem a potencializar os efeitos das ações de política
monetária, fazendo com que elas possam afetar de forma mais duradoura a
dinâmica da inflação plena no futuro. Embora reconheça que outras ações de
política macroeconômica podem influenciar a trajetória dos preços, o Copom
reafirma sua visão de que cabe especificamente à política monetária manter-se
especialmente vigilante para garantir que pressões detectadas em horizontes
mais curtos não se propaguem para horizontes mais longos.
20.
A
evidência internacional, no que é ratificada pela experiência brasileira,
indica que taxas de inflação elevadas levam ao aumento dos prêmios de risco,
tanto para o financiamento privado quanto para o público, e ao encurtamento dos
horizontes de planejamento, tanto das famílias quanto das empresas.
Consequentemente, taxas de inflação elevadas reduzem os investimentos e o
potencial de crescimento da economia, além de terem efeitos regressivos sobre a
distribuição de renda. De outra forma, taxas de inflação elevadas não trazem
qualquer resultado duradouro em termos de crescimento da economia e do emprego,
mas, em contrapartida, trazem prejuízos permanentes para essas variáveis no
médio e no longo prazos. Assim, a estratégia adotada pelo Copom visa assegurar
a convergência da inflação para a trajetória de metas, o que exige a pronta
correção de eventuais desvios em relação a essa trajetória. Tal estratégia leva
em conta as defasagens do mecanismo de transmissão e é a mais indicada para
lidar com a incerteza inerente ao processo de formulação e de implementação da
política monetária.
21.
Como
consequência da estabilização e da correção de desequilíbrios, as quais
determinaram mudanças estruturais importantes, o processo de amadurecimento do
regime de metas se encontra em estágio avançado, e isso se reflete
favoravelmente na dinâmica da taxa de juros neutra e na potência da política
monetária. Evidências a esse respeito são oferecidas, entre outros, pelo
cumprimento das metas para a inflação nos últimos sete anos, ao mesmo tempo em
que as taxas reais de juros recuaram. Progressos na estrutura dos mercados
financeiros, redução do prêmio de risco cambial e do inflacionário, entre
outros, parecem ter determinado redução significativa da taxa neutra. Também
contribuiu para isso a geração de superávits primários consistentes com a
manutenção de tendência decrescente para a relação entre dívida pública e PIB.
Em outra perspectiva, alguns desses desenvolvimentos, combinados a outros, como
o alargamento de prazo dos contratos, também sugerem que o poder da política
monetária no Brasil vem aumentando ao longo dos últimos anos, não obstante a
substancial incerteza que envolve o dimensionamento de variáveis não
observáveis. O Comitê também pondera que há evidências de que a tração da
política monetária aumentou no passado recente e, comparativamente ao que se
observava há alguns anos, atualmente pressões inflacionárias são contidas com
mais eficiência por meio de ações de política monetária.
22.
O
Copom observa que, desde sua última
reunião, houve deterioração adicional dos mercados internacionais, com a volatilidade e a aversão ao risco se
elevando, em grande parte,
alimentadas por extraordinários níveis de liquidez e por incertezas crescentes
quanto ao ritmo de recuperação da atividade global. Nesse período, aumentaram as
preocupações com dívidas de países e de bancos europeus, inclusive de economias centrais, e com a possibilidade de
desaceleração da atividade econômica na China. Observou-se recuo nos preços de
importantes commodities, notadamente das
agrícolas e, ao mesmo tempo, certa estabilidade na cotação da moeda norte‑americana.
De modo geral, entretanto, as
perspectivas para o financiamento externo da economia brasileira seguem
favoráveis. Em outra frente, a trajetória dos índices de preços mostra clara disseminação
de pressões inflacionárias nas principais economias.
23.
O
Copom pondera que, embora esteja em curso moderação da expansão da demanda
doméstica, são favoráveis as perspectivas para a atividade econômica. Essa avaliação encontra suporte em
sinais que, apesar de indicarem certo arrefecimento, apontam que a expansão da
oferta de crédito tende a persistir tanto para pessoas físicas quanto para
pessoas jurídicas; e no fato de a confiança de consumidores e de empresários se
encontrar em níveis historicamente elevados, a despeito de acomodação na margem,
entre outros fatores. O Comitê entende, adicionalmente, que o dinamismo da
atividade doméstica continuará a ser favorecido pelo vigor do mercado de
trabalho, que se reflete em taxas de desemprego historicamente baixas e em
substancial crescimento dos salários.
24.
O
Copom entende que o cenário prospectivo para a inflação, desde sua última
reunião, mostra sinais mais favoráveis. No último trimestre de 2010 e no
primeiro deste ano, a inflação foi forte e negativamente influenciada por
choques de oferta domésticos e externos. As evidências sugerem que os preços ao
consumidor já incorporaram os
efeitos diretos desses choques. Também foram relevantes efeitos diretos da
concentração atípica de reajustes de preços administrados ocorrida no primeiro
trimestre deste ano, que, em casos específicos, mostram sinais de reversão. O
Comitê pondera que esses efeitos ainda deverão impactar indiretamente a
dinâmica dos preços ao consumidor, entre outros mecanismos, via inércia. Ao
mesmo tempo, avalia como relevantes os riscos derivados da persistência do
descompasso entre as taxas de crescimento da oferta e da demanda, apesar dos
sinais de que esse descompasso tende a diminuir. Destaca, além disso, a
estreita margem de ociosidade dos fatores de produção, especialmente de mão de
obra, e pondera que, em tais circunstâncias, um risco muito importante reside
na possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o
crescimento da produtividade e suas repercussões negativas sobre a dinâmica da
inflação. No final do ano passado e início deste ano, os riscos associados à
trajetória dos preços das commodities
nos mercados internacionais foram chave para o cenário prospectivo, entretanto,
desde abril esses preços mostram certa acomodação.
25.
O
Copom prevê dois momentos distintos para a trajetória de inflação, segundo o
cenário central para 2011. Neste trimestre, a inflação acumulada em doze
meses tende a permanecer em patamares superiores àquele observado no segundo trimestre. Isso, em grande parte,
explica-se pela elevada inércia trazida de 2010, pela duração de choques que
atingiram a economia no final do ano passado, que se estenderam para o primeiro
trimestre deste ano, que se refletem no fato de as projeções de inflação para o
bimestre julho/agosto de 2011 apontarem
taxas médias mensais superiores às registradas no mesmo período de 2010.
Entretanto, a partir do quarto trimestre, o cenário central indica tendência
declinante para a inflação acumulada em doze meses, ou seja, deslocando-se na
direção da trajetória de metas.
26.
O
Copom reafirma que o cenário central para a inflação leva em conta a
materialização das trajetórias com as quais trabalha para as variáveis fiscais.
Importa destacar que a geração de superávits primários compatíveis com as
hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação, além de
contribuir para arrefecer o descompasso entre as taxas de crescimento da
demanda e da oferta, solidificará a tendência de redução da razão dívida
pública sobre produto. A propósito, cabe enfatizar que, desde o início deste
ano, importantes decisões foram tomadas e executadas, e reforçam a visão de que
está em curso um processo de consolidação fiscal.
27.
O
Copom destaca que o cenário central também contempla moderação na expansão no mercado
de crédito, para a qual contribuem ações macroprudenciais e ações convencionais
de política monetária recentemente adotadas. Ainda sobre esse mercado, o Comitê
considera oportuna a introdução de iniciativas no sentido de moderar concessões
de subsídios por intermédio de operações de crédito.
28.
Em
suma, o Copom reconhece um ambiente econômico em que prevalece nível de
incerteza crescente e acima do usual, e identifica riscos à concretização de um
cenário em que a inflação convirja tempestivamente para o valor central da
meta. Desde a última reunião, no âmbito externo, as evidências apontam moderação adicional no processo de recuperação em
que se encontram as economias do G3 e, em outra perspectiva, ainda revelam
influência ambígua sobre o comportamento da inflação doméstica. No âmbito
interno, ações macroprudencias e, principalmente, ações convencionais de
política monetária recentemente implementadas ainda terão seus efeitos
incorporados à dinâmica dos preços,
processo que tende a se acentuar neste semestre. Embora incertezas elevadas e crescentes que cercam o cenário
global e, em escala marcadamente
menor, o cenário doméstico, não permitam identificar com clareza o grau de
perenidade de pressões inflacionárias recentes, o Comitê avalia que o cenário
prospectivo para a inflação mostra sinais mais favoráveis.
29.
Nesse
contexto, avaliando o cenário prospectivo e
o balanço de riscos para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, neste momento, elevar a taxa Selic para
12,50% a.a., sem viés.
30.
A
demanda doméstica se apresenta robusta, em grande parte devido aos efeitos de
fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a expansão do crédito. Além
disso, em que pese iniciativas recentes apontarem contenção das despesas do
setor público no primeiro semestre, impulsos
fiscais e creditícios haviam sido
aplicados na economia anteriormente, e ainda deverão contribuir para a expansão
da atividade e, consequentemente, para que o nível de ociosidade dos fatores se
mantenha em patamares baixos. Aos efeitos desses estímulos, entretanto, contrapõem-se
os efeitos da reversão de iniciativas tomadas durante a crise financeira de
2008/2009, os das recentes ações macroprudenciais e, principalmente, os das
ações convencionais de política monetária implementadas neste ano. Esses
elementos e os desenvolvimentos no âmbito fiscal e parafiscal são parte
importante do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão
tomadas, com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a
trajetória de metas.
31. Ao
final da reunião, foi registrado que o Comitê voltará a se reunir em 30 de agosto
de 2011, para as apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar
sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado nº 20.223, de
15 de outubro de 2010.
SUMÁRIO DOS DADOS ANALISADOS PELO COPOM
32. O IPCA variou 0,15% em junho, ante 0,47%
em maio, de acordo com os dados divulgados pelo IBGE. No primeiro semestre do ano, o IPCA acumulou variação de 3,87%,
ante 3,09% em igual período de 2010. No acumulado em doze meses até junho, o índice variou 6,71%, comparativamente a 6,55% até maio. A variação dos preços livres
recuou de 0,44% em maio para 0,26% em junho, refletindo
desaceleração tanto nos preços de comercializáveis, de 0,36% para 0,19%, quanto nos de não comercializáveis, de 0,50% para 0,32%. Os preços monitorados variaram 0,12% em junho, ante 0,55% em
maio, influenciados, principalmente,
pela redução de 3,94% no item gasolina. Os grupos Transportes e Alimentação e bebidas foram os principais responsáveis pela
desaceleração do índice no mês, com
contribuições respectivas de -0,12
p.p. e -0,06 p.p. O índice de difusão situou-se em 58,85% em junho, ante 64,84% em maio.
33. Os preços livres aumentaram 7,14%
no acumulado em doze meses até junho,
ante 6,80% em maio, enquanto os monitorados apresentaram desaceleração de 5,96% para 5,70% nos períodos considerados. Entre os preços livres, a variação
em doze meses de produtos
comercializáveis acelerou de 5,96% em maio, para 6,26% em junho, e a de produtos não comercializáveis, de 7,53% para 7,89%. Os preços do segmento de
serviços, que apresentam maior grau de persistência, aumentaram 8,75% em junho, ante 8,54% em maio e 6,82% em junho do ano anterior.
34. As três medidas de núcleo
do IPCA calculadas pelo Banco Central registraram
aceleração no acumulado de doze meses encerrado em junho, na comparação com o mês anterior. Na
comparação mensal, entretanto, apenas o núcleo por exclusão, que exclui dez
itens de alimentação no domicílio e combustíveis, registrou elevação, atingindo 0,56% em junho, ante 0,54% em maio, e acumulando elevação de 6,51% nos doze
meses até junho, ante 6,30% no mês
anterior. O núcleo pelo critério de médias aparadas com suavização
variou 0,54% em junho, ante 0,64% em
maio, acumulando 6,01% em doze meses, contra 5,86% em maio. O núcleo de
dupla ponderação cresceu 0,42% em junho, contra 0,59% em maio, tendo acumulado
6,82% em doze meses, ante 6,68% no mês anterior.
35. O IGP-DI variou -0,13% em junho, após alta de 0,01%
em maio, acumulando elevações de 2,95% no ano e de 8,63% nos
últimos doze meses, comparativamente a 9,14% em maio, de
acordo com a FGV. No mês, a queda do IGP-DI
refletiu as variações negativas do
IPC e do IPA e a desaceleração do INCC.
36. O IPA apresentou variação de -0,19% no mês, após -0,63% em maio,
acumulando variações de 2,22%
no ano e de 9,61% em doze meses. Os
preços dos produtos agropecuários variaram
-1,11% em junho, após variação de -3,19%
em maio, acumulando aumento de 0,51%
no ano e de 19,38% em doze meses. Os
preços dos produtos industriais apresentaram
elevação de 0,13% no mês, ante 0,32% em maio, acumulando altas de 2,84%
no ano e de 6,54% em doze meses.
Relativamente aos produtos agropecuários, a retração
no mês foi mais fortemente influenciada
pelas quedas dos preços da laranja, -16,20%
em junho, ante -22,47% em maio; e de suínos, aves e bovinos, -12,57%, -4,93% e -2,17% em junho,
respectivamente, ante -5,49%, -5,22% e -2,33% no mês anterior. Entre os
produtos industriais, as principais
contribuições para a desaceleração da
inflação foram carnes, produtos de carnes
e pescados, -0,10 p.p., e açúcar, -0,07
p.p.
37. O IPC variou -0,18% em junho, após elevação de 0,51% em
maio, acumulando 3,80% no ano e 6,40% em doze meses. No mês, os grupos alimentação e transportes foram os responsáveis pela queda do
índice, com contribuições de -0,30 p.p. e -0,14 p.p., respectivamente. O
INCC variou 0,37% no mês, ante 2,94%
em maio, consequência da desaceleração do
aumento dos preços de mão de obra,
de 5,48% em maio para 0,36% em
junho, e de materiais, equipamentos
e serviços, de 0,51% para 0,38%, na
mesma base comparativa. O INCC acumulou
variações de 5,60% no ano e de 7,75% em doze meses.
38. O IPP/IT recuou -0,55% em maio, ante alta
de 0,28% em abril, acumulando aumento de 1,13% no ano e de 5,60%
nos doze encerrados em maio, 6,68% no mês anterior. O resultado do mês foi influenciado pela contração dos preços nos setores de alimentos e de produção de derivados de petróleo, coque e biocombustíveis, que
contribuíram com variações de -0,36 p.p. e -0,23 p.p., respectivamente, para o
IPP/IT no mês. No acumulado do ano, a variação do índice refletiu especialmente
a queda dos preços de alimentos, com contribuição de -0,66 p.p ao
indicador.
39. O Índice de Commodities Brasil (IC-Br) recuou 1,56% em junho, terceiro mês consecutivo de desvalorização, em meio aos recuos
respectivos de 1,25%, 3,55% e 0,15% dos subíndices referentes aos segmentos agropecuária, metal
e energia. No trimestre encerrado em junho, houve variação negativa de 7,51%, com retrações de 10,43%, 7,08% e 0,44% em agropecuária, metal e
energia, respectivamente. No ano e em doze meses, o índice acumula aumentos de
1,43% e 31,65%, na ordem.
40. O IBC-Br cresceu 0,2% em maio ante abril,
considerados dados dessazonalizados. Pela série observada, o IBC-Br aumentou
4,2% em relação a maio de 2010, acumulando elevações de 4% no ano e de 5,3% em
doze meses.
41. As vendas do comércio ampliado, que inclui veículos e materiais de
construção, aumentaram 1% em maio em
relação a abril, segundo dados
dessazonalizados da PMC, do IBGE, após elevação
de 1,2% em abril. Em consequência, a média do trimestre encerrado em maio cresceu 2,7% relativamente ao trimestre encerrado em fevereiro. Na comparação
mensal, houve alta em oito dos dez segmentos pesquisados, com ênfase na expansão de 11,6% em
Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação. O volume de vendas do comércio varejista cresceu 0,6% em maio, comparativamente ao
mês anterior, na série com ajuste sazonal, após contração de 0,2% em abril, enquanto a média trimestral
registrou elevação de 1,6% em relação ao trimestre finalizado em fevereiro.
42. Considerados os dados
observados, as vendas do comércio ampliado apresentaram
aumento interanual de 12,8% em maio,
influenciadas principalmente pelos aumentos de 25,9% nas vendas de Veículos e motos, partes e peças, e de 20,4% nas
de Móveis e eletrodomésticos. No acumulado de doze meses, o comércio
ampliado registrou crescimento de
10,5%, favorecido pela elevação das vendas nos segmentos
relativos a Móveis e eletrodomésticos,
17,2%, Equipamento e material para escritório, informática e
comunicação, 16,7%, e Material de
construção, 13,9%.
43. As vendas de autoveículos pelas concessionárias, incluindo automóveis,
comerciais leves, caminhões e ônibus, registraram aumento mensal de 1% em junho,
de acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos
Automotores (Fenabrave), dessazonalizados pelo Banco Central, acumulando queda de 1,3% no segundo trimestre, em comparação com o primeiro. As vendas
de autoveículos aumentaram 10% no
acumulado do ano, influenciadas pelas altas
em ônibus, 23,7%, comerciais leves, 18,7%, caminhões, 17%, e automóveis, 7,2%. No acumulado nos doze meses encerrados em junho, foi registrada elevação de 12,3%, com ênfase no crescimento de 26,4% em caminhões, de 23,7% em
comerciais leves e de 22,5% em
ônibus.
44. O índice de quantum das
importações de bens de capital, divulgado pela Fundação Centro de Estudos do
Comércio Exterior (Funcex) e ajustado sazonalmente pelo Banco Central,
registrou retração de 1,8% em junho, ante maio. A
análise dos dados observados indicou crescimento
de 17,8% na comparação com junho de 2010, de 26% no acumulado do ano até junho e de 39,2% no acumulado em doze meses.
45. A produção de bens de capital registrou expansão
de 1,7% em maio, acumulando alta de 4,4%
no trimestre, relativamente ao finalizado em fevereiro, de acordo com dados dessazonalizados da Pesquisa
Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), do IBGE. O resultado mensal foi influenciado principalmente pelas elevações
de 10,1% na produção de bens de capital para o setor agrícola e de 8%
para construção, enquanto as maiores
contrações foram registradas nos segmentos de equipamentos para fins industriais não seriados, -5%, e para o
setor de energia elétrica, -4%. A
produção de bens de capital cresceu 7,1%
na comparação com maio de 2010,
acumulando aumentos de 6,4% no ano e de 11,5% no período de doze meses encerrados
em maio.
46. A produção de insumos típicos da construção civil cresceu 3,6% em maio, ante abril,
e recuou 0,2% no trimestre encerrado
em maio, em relação ao finalizado em
fevereiro, pela série com ajuste
sazonal. O segmento registrou elevação
de 3,9% em relação a maio de 2010, acumulando aumentos de 3,5% no ano e de 6,7% nos últimos doze meses.
47. Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES) somaram R$166,5 bilhões no
acumulado dos últimos doze meses encerrados em abril, aumento de 13,8%
em relação a igual período de 2010, com ênfase na expansão de 26,1%
dos recursos direcionados à indústria de transformação e de 5,23% naqueles direcionados ao setor de comércio
e serviços. No primeiro quadrimestre
do ano, os desembolsos decresceram 5,4%
na comparação com igual período de 2010,
com 40% do valor total destinado ao setor de infraestrutura, seguido por indústria,
31%, comércio e serviços, 20%, e
agropecuária, 9%.
48. A produção da indústria geral cresceu 1,3% em maio
em relação ao mês anterior, pela série com ajuste sazonal da PIM-PF, do IBGE,
com ênfase para a expansão de 2,7% em bens de consumo duráveis. Em relação a maio de 2010, a produção da indústria apresentou expansão de 2,7%, destacando-se o
aumento de 7,1% em bens de capital. As elevações no acumulado do ano e
no período de doze meses encerrado em maio
alcançaram 1,8% e 4,5%, respectivamente, em relação a iguais
períodos do ano anterior, sobressaindo os
aumentos da indústria de bens de capital, de 6,4% e de 11,5%, nas
mesmas bases de comparação.
49. O Nuci da indústria de transformação, calculado pela FGV, recuou 0,1 p.p. em junho ante maio, para
84,3%, segundo dados
dessazonalizados. O resultado refletiu elevação
de 0,2 p.p. em bens intermediários, estabilidade em material de construção e
retrações de 0,3 p.p., 0,2 p.p. e 0,1 p.p. em bens de consumo duráveis, não duráveis e em bens de capital,
respectivamente, na comparação
mensal. Considerada a série observada, o Nuci recuou 1 p.p. em relação a junho
de 2010, influenciado pelas quedas nos indicadores das indústrias de material
de construção, -3 p.p., e de bens de consumo, -2 p.p., e considerados os aumentos de 1,4 p.p. em bens de capital e de 0,1 p.p. em bens intermediários.
50. A produção de autoveículos atingiu 295,6
mil unidades em junho, de acordo com
dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea),
representando expansão de 0,6% em relação a maio, considerados dados dessazonalizados
pelo Banco Central. A produção do setor aumentou
4,1% em relação a junho de
2010 e 3,8% no acumulado do ano.
51. O licenciamento de autoveículos
nacionais registrou crescimento de 0,5% em junho, ante maio, pela
série dessazonalizada pelo Banco Central, e de 8,6% em relação a junho
de 2010. As exportações apresentaram variações de 4,2% e de -10,9% nas
mesmas bases de comparação. No acumulado do ano e em doze meses, o licenciamento aumentou 3,9% e 7,3%, enquanto as exportações variaram 2,8% e 12,1%,
respectivamente.
52. O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do IBGE, referente ao mês de junho, projetou safra
de grãos para 2011 de 161,5 milhões
de toneladas, 8% superior à registrada em 2010. Considerando-se as três principais culturas, estimam-se elevações de 18,1% na safra de
arroz, de 9,3% na de soja e de 3,2% na de milho.
53. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), considerados dados
dessazonalizados da Sondagem de Expectativas do Consumidor, da FGV, de
abrangência nacional, elevou-se 2,3% em junho,
situando-se em 118 pontos, revertendo tendência de queda observada nos
últimos três meses. O resultado mensal
decorreu de elevações de 1% no
Índice da Situação Atual (ISA) e de
3,2% no Índice de Expectativas (IE). Na comparação interanual, o ICC
apresentou recuo de 1,1% em relação a junho de 2010, influenciado pelo declínio de 4,9% no IE, enquanto o ISA cresceu 4,9%.
54. O Índice de Confiança da Indústria (ICI), considerados dados dessazonalizados
da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, da FGV, declinou 2,5% em junho,
atingindo 107,1 pontos. O resultado foi
influenciado pelas quedas de 3,5%
no ISA e de 1,7% no IE. O ICI apresentou desempenho desfavorável
pelo sexto mês consecutivo na
comparação interanual, com recuo de 7,3% em relação a junho de 2010, resultado de variações de -9,8% no ISA e de -4,6%
no IE.
55. O ICS, da FGV, registrou retração
mensal de 1,4% em junho, dados livres de influência sazonal, mesmo desempenho do mês anterior, refletindo reduções de 2,8% no ISA e de 0,3% no IE. O ICS apresentou elevação de
0,1% em relação a junho de 2010,
resultado de queda de 3,3% no ISA e de expansão
de 2,9% no IE.
56. Segundo dados divulgados pelo
Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados (Caged) do MTE, foram criados 215,4 mil empregos formais em junho, representando expansão de 0,4% em
relação a maio, considerados dados
dessazonalizados. Desse total, 75,2 mil
postos foram criados na agropecuária, 53,5 mil no setor de serviços, 30,5 mil na construção civil,
30 mil no comércio e 22,6 mil na indústria. No acumulado no
ano, o saldo atingiu 1,3 milhão de postos,
ante 1,5 milhão de vagas geradas em
igual período de 2010. Consideradas as
estatísticas acumuladas em doze meses até junho, foram abertos 1,9
milhão de empregos formais,
comparativamente a 2 milhões de
postos acumulados até março.
57. A taxa de desemprego aberto recuou 0,2
p.p. em relação a maio, atingindo 6,2%, a menor taxa histórica para o mês, e
0,8 p.p. menor que a taxa registrada no mesmo mês do ano anterior, resultado de quedas de 0,2% na ocupação e de 0,4% na População
Economicamente Ativa (PEA), de acordo com os dados da PME do IBGE,
realizada nas seis principais regiões metropolitanas do país. Considerando dados dessazonalizados, o
desemprego situou-se em 6,1%, 0,1
p.p. acima do resultado do mês anterior. Segundo a mesma pesquisa,
o rendimento médio real habitualmente recebido pelos trabalhadores registrou aumentos de 0,5% em relação ao mês anterior, de 4% comparativamente a junho de 2010 e de 3,8% no acumulado do ano. Em consequência, a
massa salarial, calculada pelo produto entre rendimento real e população
ocupada, apresentou variações de 0,4% no
mês, de 6,4% na comparação com mesmo mês do ano anterior e de 6,2% no acumulado
do ano.
58. O saldo dos empréstimos do sistema financeiro totalizou R$1.804,5 bilhões em maio, correspondendo a 46,9%
do PIB, com elevações de 1,6% no mês, de 5,8% no ano e de 20,4%
em doze meses. A carteira de recursos livres registrou aumentos de 1,6%, de 5,7% e de 18,1%, respectivamente, nas mesmas bases de comparação, refletindo expansões respectivas de 1,7%, de 5,9% e de 18,4% no
saldo das operações com pessoas físicas, e de 1,4%, de 5,5% e de 17,8%
no relativo a operações com pessoas jurídicas. Os financiamentos com recursos
direcionados cresceram 1,6% no mês, 6% no ano e 25,1% em doze meses, com destaque para os acréscimos de 3,5%, de 15,5%
e de 48,2% nos financiamentos
habitacionais, nas mesmas bases de comparação.
59. A taxa média anual de juros incidente sobre as operações de crédito
referencial aumentou 0,1 p.p. em maio, para 40%. As taxas relativas ao segmento de pessoas jurídicas atingiram 31,1%, variação 0,1 p.p.
em relação a abril, enquanto as
relativas ao segmento de pessoas físicas permaneceram
estáveis, em 46,8%.
60. O prazo médio das operações de crédito referencial permaneceu estável em 476 dias em maio, na comparação com o mês anterior. O prazo relativo ao
segmento de pessoas jurídicas apresentou
redução de três dias, enquanto o referente ao de pessoas físicas aumentou três dias, sempre considerado o período
comparativo, atingindo 388
dias e 570 dias, respectivamente.
61. A taxa de inadimplência nas operações de crédito referencial,
correspondente a atrasos superiores a noventa dias, cresceu 0,2 p.p., atingindo
5,1% em maio. As taxas relativas às operações com pessoas jurídicas
aumentaram 0,2 p.p. e as referentes às
operações com pessoas físicas, 0,3 p.p., alcançando 3,9% e 6,4%,
nessa ordem.
62. Com a inflação ainda impactando negativamente o poder
de compra das famílias e com perda de tração nos setores manufatureiro e de
serviços em nível mundial, o PMI global continuou indicando desaceleração da
atividade econômica ao término do segundo trimestre. O índice de encomendas
também apresenta desaceleração, indicando aumento de incerteza com relação às
perspectivas de recuperação da atividade. Nos EUA, não obstante a revisão do
PIB do primeiro trimestre, de 1,8% para 1,9%, o mercado de trabalho permanece
fraco, com a criação de postos de trabalho abaixo das expectativas de mercado
por dois meses consecutivos. Em junho, houve criação de apenas 18 mil vagas,
com taxa de desemprego avançando para 9,2%. De forma distinta, as economias
asiáticas voltam a mostrar sinais de recuperação. No Japão, onde as linhas de
fornecimento de peças voltam rapidamente à normalidade, a produção industrial
cresceu pelo segundo mês, 5,7% em maio na comparação com abril. A pesquisa
Tankan do Banco do Japão (BoJ) apontou revisão positiva nos planos de
investimento em bens de capital em praticamente todos os segmentos
empresariais, enquanto sete das nove regiões do país apresentaram melhora em
investimento, produção e consumo. Nesse ambiente, a taxa de desemprego recuou
para 4,5% em maio, com vendas no varejo elevando-se 2,4% no mês. Na China, a
variação trimestral anualizada do PIB do segundo trimestre indicou crescimento
de 9,1%, frente a 8,7% no trimestre anterior.
63. Desde a última reunião do Copom, os mercados
financeiros refletiram o agravamento da crise grega, e seus impactos na Europa
e os receios sobre o ritmo da recuperação nos EUA. Após melhora
decorrente da aprovação de novas medidas
fiscais na Grécia, os rebaixamentos nos ratings
de crédito de Portugal e Irlanda devolveram volatilidade aos mercados,
provocando aumento da aversão ao risco, elevação dos prêmios soberanos dos
países europeus com problemas fiscais a patamares recordes, e valorização do
dólar. Nos mercados de commodities,
os preços internacionais seguiram em tendência declinante, ainda que em ritmo
mais moderado, em meio ao aumento da oferta, à continuidade da desaceleração da
economia mundial e à elevação da aversão ao risco nos mercados financeiros. Em
especial, o recuo nas cotações das commodities
agropecuárias refletiu condições climáticas mais favoráveis no Hemisfério Norte
e divulgação de dados melhores que o esperado para estoques e área plantada na
safra dos EUA.
64. Ainda
refletindo a forte alta dos preços de commodities
registrada até abril do corrente ano, alguns índices anuais de inflação seguem
pressionados, a exemplo dos IPCs nos EUA, Reino Unido, Área do Euro e China,
que, em junho, atingiram, pela ordem, 3,6%, 4,2%, 2,7% e 6,4%. Os núcleos dos
índices de preço mantiveram-se em níveis relativamente confortáveis, inclusive
no Reino Unido, onde desacelerou pelo segundo mês consecutivo, para 2,7%. Nas
economias emergentes da América Latina, a inflação permaneceu em trajetória de
alta moderada no Chile e na Colômbia, mas registrou recuo no Peru e manteve tendência
de redução no México. Na Ásia emergente, destaque-se a acentuada desaceleração
da inflação na Indonésia.
65. Nesse cenário, enquanto as autoridades monetárias dos
EUA, Japão e Reino Unido mantiveram inalteradas suas respectivas taxas básicas
de juros em julho, o Banco Central Europeu promoveu novo ajuste das condições
de liquidez, aumentando a taxa de refinanciamento em 0,25 p.p., para 1,5% a.a.,
e o banco central chinês efetuou a terceira elevação no ano da taxa de
empréstimo, situando-a em 6,56% a.a. Nas demais economias emergentes, houve
continuidade do movimento de normalização gradual da política monetária, com
elevações dos juros básicos no Chile, Colômbia, Polônia, Índia e Tailândia.
Comércio
exterior e reservas internacionais
66. A balança comercial brasileira registrou superávit de US$4,4 bilhões em junho. As exportações somaram US$23,7 bilhões e as importações, US$19,3 bilhões. O saldo acumulado no
semestre alcançou US$13
bilhões, 63,1% superior ao
registrado em igual período de 2010, pelo critério de média diária, refletindo aumentos de 31,6% nas exportações e de 28,5% nas importações. A corrente de comércio cresceu 30,1% no acumulado do ano, somando US$223,6 bilhões, comparativamente a US$170,5 bilhões em igual
período de 2010.
67. As reservas internacionais atingiram US$335,8
bilhões em junho, US$2,8 bilhões acima da posição de maio e US$47,2 bilhões superiores ao
estoque registrado em dezembro de
2010. As compras líquidas do Banco Central,
no mercado a vista de câmbio, totalizaram US$2,3 bilhões no mês.
Mercado
monetário e operações de mercado aberto
68.
Desde
a reunião do Copom de junho, a curva de juros doméstica apresentou elevação em
toda a sua extensão. No âmbito doméstico, esse movimento foi influenciado pela
perspectiva de um ciclo mais prolongado de ajuste na meta para a taxa Selic,
pela divulgação de índices de inflação corrente próximos aos tetos das
estimativas e pelo aumento das expectativas inflacionárias. O cenário externo,
permeado por grandes incertezas, contribuiu para a oscilação das taxas ao longo
de toda a curva de juros. Entre 6 de junho e 18 de julho, as taxas de juros de
um, de três e de seis meses elevaram-se em 0,24 p.p., 0,19 p.p. e 0,14 p.p.,
respectivamente. As taxas para os prazos de um, de dois e de três anos subiram
0,10 p.p., 0,15 p.p. e 0,19 p.p., respectivamente. A taxa real de juros, medida
pelo quociente entre a taxa nominal de um ano e a expectativa de inflação
(suavizada) para os próximos doze meses, recuou de 7,10%, em 6 de junho, para
6,84%, em 18 de julho, resultado, principalmente, do ajuste para cima na
expectativa de inflação doze meses à frente.
69.
Entre
7 de junho e 18 de julho, o Banco Central realizou três leilões de contratos de
swap cambial reverso, sendo que o
leilão de 28 de junho foi destinado à rolagem dos contratos de vencimento em 1º
de julho. Essas operações totalizaram o equivalente a US$2,3 bilhões em valor
nocional.
70.
Na
administração da liquidez do mercado de reservas bancárias, o Banco Central
realizou, semanalmente, de 7 de junho a 18 de julho, operações compromissadas
com prazo de seis meses, tomando recursos no valor total de R$48,4 bilhões. Com
isso, o saldo diário médio do estoque das operações de longo prazo subiu para
R$166,9 bilhões. No mesmo período, realizou operações compromissadas com prazos
entre 13 e 29 dias úteis, elevando o saldo diário médio das operações tomadoras
de curto prazo para R$160,7 bilhões. O Banco Central atuou, ainda, em trinta oportunidades
como tomador de recursos por meio de operações compromissadas de curtíssimo
prazo. Essas operações, incluídas as de nivelamento, tiveram saldo diário médio
tomador de R$65,0 bilhões no período. O saldo diário médio do estoque total dos
compromissos de recompra do Banco Central subiu de R$361,3 bilhões, entre 19 de
abril e 6 de junho, para R$392,6 bilhões, entre 7 de junho e 18 de julho.
Considerando-se o período mais recente, houve elevação do saldo dos
compromissos de recompra em R$92,0 bilhões, com o estoque total passando de
R$351,4 bilhões, em 6 de junho, para R$443,4 bilhões em 18 de julho. O
principal fator condicionante para a expansão da liquidez no período foi o
resgate líquido de títulos pelo Tesouro Nacional.
71.
Entre
7 de junho e 18 de julho, as emissões de títulos pelo Tesouro Nacional,
decorrentes dos leilões tradicionais, somaram R$52,3 bilhões. A venda de
títulos com remuneração prefixada alcançou R$33,4 bilhões, sendo R$29,6 bilhões
em Letras do Tesouro Nacional (LTN) com vencimentos em 2011, 2012, 2013, 2014 e
2015, e R$3,8 bilhões em Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) com
vencimentos em 2017 e 2021. As vendas de Letras Financeiras do Tesouro (LFT)
totalizaram R$5,5 bilhões, com emissão de títulos com vencimentos em 2017 e
2018. Nos leilões de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), foram
vendidos títulos com vencimentos em 2014, 2016, 2020, 2030, 2040 e 2050, em
montante total de R$13,4 bilhões.