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152ª Reunião

Sumário
Evolução recente da economia
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
Implementação da política monetária
Inflação
Atividade econômica
Expectativas e sondagens
Mercado de trabalho
Crédito e inadimplência
Ambiente externo
Comércio exterior e reservas internacionais
Mercado monetário e operações de mercado aberto
 
Data: 20 e 21/07/2010
 
Local: Sala de reuniões do 8º andar (20/07) e do 20º andar (21/07) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF
Horário de início: 17h50 (20/07) e 17h30 (21/07)
Horário de término: 19h55 (20/07) e 20h15 (21/07)
 
Presentes:
Membros do Copom
Henrique de Campos Meirelles – Presidente
Aldo Luiz Mendes
Alexandre Antonio Tombini
Alvir Alberto Hoffmann
Anthero de Moraes Meirelles
Antonio Gustavo Matos do Vale
Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo
Luiz Awazu Pereira da Silva
 
Chefes de Departamento (presentes no dia 20)
Adriana Soares Sales – Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente no dia 21)
Altamir Lopes – Departamento Econômico
João Henrique de Paula Freitas Simão – Departamento de Operações do Mercado Aberto
José Antonio Marciano – Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
Márcio Barreira de Ayrosa Moreira – Departamento de Operações das Reservas Internacionais
Renato Jansson Rosek – Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores
 
Demais participantes (presentes no dia 20)
Alexandre Pundek Rocha – Assessor da Diretoria
Eduardo José Araújo Lima – Chefe-Adjunto do Departamento de Estudos e Pesquisas
Fabio Araujo – Consultor do Departamento de Estudos e Pesquisas
Sonia Rabello Filgueiras Lima – Assessora de Imprensa
 
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
 
 
Evolução recente da economia
 
1. A inflação medida pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), após recuar de 0,57% em abril para 0,43% em maio, reduziu-se novamente para 0,0% em junho. Com isso, a inflação acumulada no primeiro semestre de 2010 alcançou 3,09%, taxa 0,52 ponto percentual (p.p.) acima da observada em igual período do ano anterior. O aumento da inflação em 2010 reflete, em grande parte, o comportamento dos preços livres, que aumentaram 3,67% no primeiro semestre. Especificamente sobre preços livres, note-se que os preços dos bens comercializáveis e não comercializáveis mostraram aceleração, com variações de 2,43% e 4,79%, respectivamente nos primeiros seis meses de 2010, ante 2,08% e 3,29% em igual período de 2009. Por sua vez, os preços administrados desaceleraram, com alta de 1,71% nos seis primeiros meses do ano, ante 2,23% em 2009. A variação dos preços dos serviços, cuja dinâmica tende a exibir maior persistência do que a dos preços dos bens, atingiu 4,75% até junho e 6,82% em doze meses, entretanto, recuou na margem. Em síntese, o conjunto das informações disponíveis confirma que houve deterioração da dinâmica inflacionária no início deste ano, mas, por outro lado, houve melhora acentuada na margem.
 
2. As três principais medidas de inflação subjacente calculadas pelo Banco Central do Brasil (BCB) tiveram comportamento homogêneo entre maio e junho. O núcleo por médias aparadas com suavização reduziu-se de 0,62% em maio para 0,40% em junho, assim como os núcleos por dupla ponderação (de 0,56% para 0,29%) e por exclusão (de 0,56% para 0,36%), respectivamente. No acumulado até junho, o núcleo por exclusão elevou-se em 3,08%, enquanto os núcleos por médias aparadas com suavização e por dupla ponderação registraram elevações de 2,88% e de 2,78%, respectivamente. Essas variações situam-se, respectivamente, 0,30 p.p., 0,63 p.p. e 0,23 p.p. acima das taxas vigentes no mesmo período de 2009. Por sua vez, em junho, as taxas de variação acumuladas em doze meses se posicionaram em 5,03%, 5,02% e 4,97% para o índice por exclusão, por médias aparadas com suavização e por dupla ponderação, respectivamente, portanto, ainda acima do centro da meta. Após seis meses se posicionando acima de 60%, em junho o índice de difusão do IPCA recuou para 57,3%. Adicionalmente, note-se que, no caso do IPCA-15, na margem (em julho), núcleos e índice de difusão também recuaram.  
 
3. A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) deslocou-se de 1,57% em maio para 0,34% em junho. No ano até junho, a variação do IGP-DI atingiu 5,48% (-1,06% no mesmo período de 2009). Sob esse critério, a aceleração do IGP-DI manifestou-se em seus três componentes. O principal, o Índice de Preços no Atacado – Disponibilidade Interna (IPA-DI), atingiu 6,18% no acumulado do ano até junho (-2,91% no mesmo período de 2009). Por sua vez, o Índice de Preços ao Consumidor – Brasil (IPC-Br) variou 3,64% no mesmo período (2,66% em 2009), ao passo que o Índice Nacional da Construção Civil (INCC) variou 5,62% (2,42% em 2009). No que se refere ao IPA-DI, a aceleração derivou tanto do comportamento dos preços agrícolas como dos industriais. A variação do IPA industrial atingiu 6,31% (-4,40% no mesmo período de 2009) e a dos preços agrícolas no atacado chegou a 5,75% (1,57% em 2009). Por outro lado, cabe enfatizar que a dinâmica dos preços no atacado mostra melhora na margem, em particular dos preços agrícolas. De qualquer maneira, o Copom avalia que os efeitos do comportamento dos preços no atacado sobre a inflação para os consumidores dependerão, dentre outros fatores, das condições atuais e prospectivas da demanda, da exposição de cada setor à competição externa e interna, e das expectativas dos formadores de preços em relação à trajetória futura da inflação.
 
4. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) incorpora estimativa para a produção mensal dos três setores da economia, bem como para os impostos sobre produto e, portanto, e constitui importante indicador coincidente da atividade. Após registrar crescimento por dezesseis meses consecutivamente, o IBC-Br apresentou estabilidade em maio, ante uma elevação de 0,3% no mês anterior, quando havia desacelerado em relação ao crescimento de 1,2% anotado em março. A evolução do IBC-Br, bem como de outros indicadores de atividade, sugere que a economia pode haver entrado em ritmo mais condizente com taxas de crescimento avaliadas como sustentáveis em longo prazo, ao contrário do verificado no primeiro trimestre.  
 
5. A taxa de crescimento da série de produção industrial geral, segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, na comparação mês a mês, recuou 0,8% em abril e apresentou estabilidade em maio. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, em maio a produção exibiu elevação de 14,8%, ante avanço de 17,2% em abril. No acumulado em doze meses, após declínios consecutivos desde fevereiro de 2009, pela segunda vez seguida, a produção industrial mostra expansão (2,3% e 4,5% em abril e maio, respectivamente). Por sua vez, a taxa de crescimento da média móvel trimestral da série de produção industrial geral, segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, recuou de 1,3% em abril para 0,8% em maio. O comportamento da série da indústria geral e de seus componentes mostrou estabilidade ao redor dos níveis verificados antes da crise de 2008/2009. Nos primeiros meses deste ano, o dinamismo da atividade fabril tem sido influenciado pela conjuntura internacional, pelas expectativas de empresas e famílias, bem como pelas condições financeiras domésticas, fatores estes que impulsionaram a demanda doméstica. Esse processo foi amparado também pela recomposição de estoques e pela antecipação do consumo, que, por sua vez, decorreu em parte das perspectivas de retirada de estímulos fiscais. Apesar da estabilidade na comparação mensal verificada em maio, o comportamento da série da indústria geral e de seus componentes retornou a níveis próximos aos de antes da crise de 2008/2009.. Esse processo também tem sido amparado, além das fontes de crédito tradicionais, pela recuperação do mercado de capitais e pela ação de instituições financeiras públicas.
 
6. Entre as categorias de uso, segundo dados dessazonalizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a maior contribuição positiva em maio adveio das indústrias de bens de capital, com crescimento de 1,2% na margem. As indústrias de bens de consumo duráveis e intermediários apresentaram estabilidade (0,1% nos dois casos). Por sua vez, a indústria de bens de consumo semiduráveis contraiu 0,9% no mês, contribuindo para que a produção da indústria de bens de consumo declinasse 0,5% no mês, mesmo após haver recuado 1,9% em abril. Considerando a média móvel trimestral, todas as categorias, exceto a de bens semiduráveis (-0,3%), registram expansão: bens de capital (2,6%), bens de consumo duráveis (0,1%) e bens intermediários (0,8%). Vale ressaltar que a indústria de bens de capital apresentou crescimento de 30,6% até junho, maior expansão entre as categorias de uso, evidenciando a retomada consistente da economia doméstica. Após a crise de 2008/2009, a recuperação do dinamismo da produção industrial foi inicialmente liderada pela produção de bens duráveis, mas se disseminou posteriormente, refletindo medidas de desoneração tributária, que a rigor se encontram em processo avançado de reversão, bem como distensão nas condições financeiras e aumento da renda. O comportamento futuro da produção industrial dependerá também da evolução da confiança dos consumidores e dos empresários, que devem continuar sendo fontes de dinamismo, dentre outros fatores.
 
7. A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE passou de 7,3%, em abril, para 7,5% em maio, taxa 1,3 p.p. inferior àquela observada no mesmo mês de 2009. Na série dessazonalizada, a taxa atingiu 7,1% em maio, taxa 0,3 p.p. superior à do mês anterior. Após recuar substancialmente após a crise de 2008/2009, a taxa de desemprego mostra certa estabilidade. O rendimento médio habitual real retraiu 0,9% no mês em relação ao mês anterior, após apresentar estabilidade (0,1%) em abril. O emprego, por sua vez, teve elevação de 4,3% tanto em abril como em maio, em relação aos mesmos meses do ano anterior, com destaque para o setor de construção civil. Em consequência, a expansão da massa salarial real atingiu 6,8% na comparação interanual em maio, e permanece como fator-chave para a sustentação da demanda doméstica. Ainda sobre o mercado de trabalho, dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indicam continuidade da geração de vagas no setor formal. De fato, em junho foram criados 213 mil postos de trabalho e, nos seis primeiros meses do ano, 1,47 milhão, registrando o segundo melhor mês de junho e o maior saldo acumulado no mesmo período da série histórica iniciada em 1985. De forma idêntica, a indústria de transformação, o comércio, os serviços e a construção civil geraram os maiores saldos acumulados desde 1985. Também no que se refere ao emprego formal, o setor mais dinâmico continua sendo a construção civil, no qual o emprego se expandiu 13,7% frente aos primeiros cinco meses de 2009.
 
8. O volume de vendas do comércio ampliado, de acordo com os dados dessazonalizados pelo IBGE, apresentou estabilidade (0,1%) em maio, após queda de 6,1% em abril e alta de 6,8% em março. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve elevação de 9,5% em maio. A média móvel trimestral da taxa de crescimento do comércio ampliado foi de 4,4% em maio, na série com ajuste sazonal. Na comparação com o mês anterior, pela série com ajuste sazonal, foram destaques positivos as vendas de material de construção (2,4%), combustíveis e lubrificantes (2,0%) e de livros, jornais, revistas e papelaria (1,7%). Os dados do comércio ampliado têm evidenciado expansão influenciada, principalmente, pela alta nas vendas de duráveis, em resposta à melhora no acesso ao crédito, à expansão da renda e a incentivos setoriais temporários concedidos pelo governo. O comércio varejista indica que o ritmo de crescimento da demanda doméstica se mantém robusto e, assim, continua a registrar tendência favorável, embora os números recentes sugiram alguma acomodação. Nos próximos meses espera-se que a trajetória do comércio continue sendo beneficiada por transferências governamentais, pelo crescimento da massa salarial real, pela expansão do crédito e pela confiança dos consumidores.
 
9. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), sem ajuste sazonal, registrou 85,1% em junho, próximo aos níveis verificados antes da crise de 2008/2009. Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), dessazonalizados pelo Banco Central, o Nuci reduziu-se para 82,4% em maio (82,7% em abril), enquanto aquele calculado pela FGV, com ajuste sazonal, atingiu 85,5% em junho (84,9% no mês anterior). Entre as quatro categorias de uso, as indústrias de bens de consumo (85,6% ante 85,4% no mês anterior) e as de bens de capital (83,2% ante 82,8% no mês anterior) registraram aumento em junho frente ao mês anterior. Por outro lado, a indústria de bens intermediários (86,3% ante 86,5% no mês anterior) registrou retração ante o mês anterior e a de materiais de construção (91,7% ante 91,6% no mês anterior) apresentou estabilidade, e mantém-se em níveis historicamente recordes. A reduzida margem de ociosidade é resultado da expansão da atividade, não integralmente compensada pela maturação de projetos de investimento. Por sua vez, os dados sobre absorção de bens de capital mostram recuperação na comparação com os mesmos períodos do ano anterior. A absorção de bens de capital apresentou crescimento de 4,1% em maio ante o mês imediatamente anterior e de 40,9% em relação a maio de 2009. No acumulado do ano o aumento atinge 30,7%. A produção de insumos para a construção civil registrou estabilidade (0,1%) em maio na margem, pelo segundo mês consecutivo (0,0% em abril). Pela série observada, houve alta de 18,3% em relação a maio de 2009, com aumento de 4,1% em doze meses. Em síntese, os dados evidenciam que as taxas de utilização da capacidade instalada se acomodaram em patamares elevados, a despeito da retomada dos investimentos. A propósito, como assinalado em Notas anteriores das reuniões do Copom, a trajetória da inflação mantém estreita relação com os desenvolvimentos correntes e prospectivos no tocante à ampliação da oferta de bens e de serviços para o adequado atendimento da demanda.
 
10. O saldo da balança comercial acumulado em doze meses totalizou US$19,3 bilhões em junho, valor US$8,3 bilhões inferior ao observado no mesmo período do ano passado. Esse resultado adveio de US$172,2 bilhões em exportações e de US$153,0 bilhões em importações, o que representa variações de -2,8% e 2,2%, respectivamente, em relação a junho de 2009. De fato, o maior dinamismo da demanda doméstica frente à externa é relevante para a redução do superávit comercial. O comportamento das remessas de lucros e dividendos contribuiu para elevar o déficit em conta corrente acumulado em doze meses, que aumentou de US$36,2 bilhões em abril para US$36,4 bilhões em maio, equivalente a 1,9% do PIB. Por sua vez, os investimentos estrangeiros diretos totalizaram US$26,1 bilhões em doze meses até maio, equivalente a 1,4% do PIB.
 
11. A recuperação da economia global continua sendo liderada pelas economias emergentes, mas acumulam-se indícios de que a intensidade desse processo poderá ser menor do que se antecipava, em cenário no qual a observância de dinamismo nas economias do G3 (Estados Unidos, Europa e Japão) ainda em 2011 se torna menos provável. A economia americana oferece sinais de retomada, mas de maneira ambígua e mais lenta do que se vislumbrava anteriormente. De fato, os níveis de confiança dos consumidores ainda permanecem em patamares inferiores aos vigentes antes da crise de 2008/2009 e, embora o mercado de trabalho mostre alguma melhora, o desemprego continua em patamar elevado e deverá recuar lentamente, fato comum em períodos pós-crise. Indicadores recentes sugerem perda de potência da economia americana, o que poderia ser atribuído a efeitos da antecipação do consumo superior ao esperado. Por sua vez, a economia japonesa não consegue se desvencilhar da deflação e continua em lenta recuperação, liderada pelas exportações. Dados recentes sobre consumo apresentam taxas negativas no Japão, bem como na Área do Euro. A propósito, nessa região a recuperação se mostra bastante incerta, além de lenta e desigual entre as economias do bloco, em parte devido à consolidação fiscal e às dificuldades por que passa o mercado de crédito. Em suma, aumentou a incerteza quanto à sustentabilidade e ao ritmo da expansão nas economias maduras, de modo especial nos Estados Unidos e Europa, em cenário em que medidas de estímulos são substituídas por medidas contracionistas. Como as economias do G-3 apresentam elevada ociosidade dos fatores de produção, processo esse agravado por preocupações fiscais, os bancos centrais mantêm o caráter acomodatício da política monetária. Nesse contexto, após período de flexibilização agressiva, a política monetária segue inalterada em diversos países, mas, nas economias menos afetadas pela crise de 2008/2009 e que se recuperaram mais rápida e intensamente, a adoção de posturas de política monetária restritivas continua.
 
12. Os preços do petróleo, tanto no mercado a vista quanto no futuro, mostraram certa estabilidade desde a última reunião deste Comitê. Embora a volatilidade tenha diminuído nesse período, a incerteza que envolve esses preços segue elevada, uma vez que o cenário prospectivo depende da evolução da demanda, em contexto de retomada assimétrica da economia mundial, das incertezas quanto à recuperação da economia européia, da perspectiva de evolução da oferta global, condicionada pelo ritmo de maturação de investimentos no setor, além das questões geopolíticas que atuam sobre os preços dessa mercadoria. Não obstante, o cenário central de trabalho adotado pelo Copom prevê preços domésticos da gasolina inalterados em 2010. Cabe assinalar, entretanto, que, independentemente do comportamento dos preços domésticos da gasolina, a evolução dos preços internacionais do petróleo pode, eventualmente, se transmitir à economia doméstica tanto por meio de cadeias produtivas, como a petroquímica, quanto pelo efeito potencial sobre as expectativas de inflação. Registre-se, ainda, que os preços de commodities agrícolas, que têm impacto particularmente importante na evolução dos custos alimentares, registraram elevação desde a reunião anterior do Comitê, com destaque para o trigo. Com relação às cotações de commodities industriais,  as de alumínio e de cobre aumentaram, enquanto as do níquel se mantiveram relativamente estáveis.
 
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
 
13. Os choques identificados, e seus impactos, foram reavaliados de acordo com o novo conjunto de informações disponível. O cenário considerado nas simulações contempla as seguintes hipóteses:
a) as projeções de reajuste para a gasolina e para o gás de bujão permaneceram iguais a 0% para o acumulado em 2010;
b) as projeções de reajuste das tarifas de telefonia fixa e de eletricidade, para o acumulado em 2010, foram mantidas em 1,6% e em 1,5%, respectivamente;
c) a projeção de reajuste, construída item a item, para o conjunto de preços administrados por contrato e monitorados para o acumulado de 2010 foi mantida em 3,6%, mesmo valor considerado na reunião de junho, segundo o cenário de referência. Esse conjunto de preços, de acordo com os dados publicados pelo IBGE, correspondeu a 29,24% do total do IPCA de junho;
d) a projeção de reajustes dos itens administrados por contrato e monitorados para 2011 foi mantida em 4,4%, segundo o cenário de referência. Essa projeção baseia-se em modelos de determinação endógena de preços administrados, que consideram, entre outros, componentes sazonais, variações cambiais, inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP); e
e) a trajetória estimada para a taxa do swap pré-DI de 360 dias indica spread sobre a taxa Selic, no cenário de referência, de 114 p.b. e de 26 p.b. para o quarto trimestre de 2010 e de 2011, respectivamente.
 
14. Em relação à política fiscal, a hipótese de trabalho levada em conta nas projeções é o cumprimento da meta para o superávit primário de 3,3% do PIB em 2010. Considera-se ainda a possibilidade de que esse percentual seja reduzido em até 0,90 p.p., em virtude da implementação dos projetos vinculados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), dos quais 0,44 p.p. corresponde à conta de restos a pagar de 2009. Além disso, admite-se que o superávit primário em 2011 retornaria, sem ajustes, ao patamar de 3,3% do PIB. As demais hipóteses consideradas na reunião anterior foram mantidas.
 
15. Desde a última reunião do Copom, a mediana das expectativas coletadas pela Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores (Gerin) para a variação do IPCA em 2010 deslocou-se de 5,64% para 5,42%. Para 2011, a mediana das expectativas de inflação se manteve em 4,80%.
 
16. O cenário de referência leva em conta as hipóteses de manutenção da taxa de câmbio em 1,75 R$/US$ e da taxa Selic em 10,25% ao ano (a.a.) em todo o horizonte relevante. Nesse cenário, a projeção para a inflação de 2010 reduziu-se em relação ao valor considerado na reunião do Copom de junho, mas se mantém sensivelmente acima do valor central de 4,50% para a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros apuradas pela Gerin junto a analistas no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para 2010 também se reduziu, e se mantém sensivelmente acima do valor central da meta para a inflação. Para 2011, no cenário de referência, a projeção reduziu-se em relação ao valor considerado na reunião de junho, mas ainda se encontra acima do valor central da meta. No cenário de mercado, a projeção também se reduziu e agora se posiciona ao redor do valor central da meta. No que se refere ao primeiro semestre de 2012, tanto no cenário de referência quanto no de mercado a projeção recuou, posicionando-se no primeiro caso em torno do centro da meta, e, no segundo, abaixo. A dinâmica das projeções de inflação vai ao encontro da visão expressa no último Relatório de Inflação, no sentido de que, apesar de as mesmas haverem se elevado entre março e junho, na margem, ou seja, em junho, havia sinais de reversão desse movimento.
 
Implementação da política monetária
 
17. O Copom avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Nos mercados internacionais, embora ainda elevadas, a volatilidade e a aversão ao risco recuaram desde a última reunião do Comitê e a percepção de risco de crise sistêmica mostrou arrefecimento. Talvez porque esses sinais ainda sejam vistos com cautela, possivelmente como movimentos temporários, a liquidez permanece limitada. Persistem preocupações com dívidas soberanas de países europeus, surgem dúvidas quanto à sustentabilidade da recuperação da economia americana e aparecem indícios de desaceleração na China. Ainda assim, os preços de certas commodities e de ativos brasileiros se elevaram e, de modo geral, as perspectivas para o financiamento externo da economia brasileira seguem favoráveis. Em outra frente, a trajetória dos índices de preços evidencia arrefecimento das pressões inflacionárias em algumas economias relevantes, enquanto ressurgiram preocupações com a perspectiva de deflação em outras. Nessa conjuntura, aumentou a probabilidade de que se observe alguma influência desinflacionária do ambiente externo sobre a inflação doméstica, conquanto persista incerteza sobre o comportamento de preços de ativos e de commodities em contexto de substancial volatilidade nos mercados financeiros internacionais. Independentemente de como evoluírem esses aspectos da conjuntura internacional, o Comitê reafirma sua visão de que o principal desafio da política monetária é garantir que os resultados favoráveis obtidos nos últimos anos sejam preservados.
 
18. O Copom considera importante ressaltar, mais uma vez, que há defasagens entre a implementação da política monetária e seus efeitos tanto sobre o nível de atividade como sobre a inflação. Dessa forma, a análise de decisões alternativas de política monetária deve se concentrar, necessariamente, no cenário prospectivo para a inflação e nos riscos a ele associados, em vez de privilegiar valores correntes e passados para essa variável. O cenário prospectivo, a rigor, sofreu deterioração substancial no início deste ano, uma dinâmica que se reverteu, com sinais mais claros desde a última reunião. A esse respeito, cabe mencionar que, tanto para 2010 como para 2011, houve redução significativa na dispersão das expectativas para a inflação plena; bem como nas próprias expectativas para a inflação de preços livres – o componente mais sensível e que mais rapidamente responde às ações de política monetária.    
 
19. As perspectivas para a evolução da atividade econômica doméstica continuam favoráveis, a rigor, em compasso menos intenso do que observado no início deste ano, como evidenciam, dentre outros, dados sobre comércio, estoques e produção industrial. Essa avaliação é sustentada pelos sinais de expansão mais moderada da oferta de crédito, em especial para pessoas físicas; pelo fato de a confiança de consumidores e de empresários se encontrar em níveis historicamente elevados, mas com alguma acomodação na margem; e pela trajetória recente dos níveis de estoques em alguns setores industriais. De qualquer maneira, o dinamismo da atividade doméstica continuará a ser favorecido, entre outros fatores, pelos efeitos remanescentes dos estímulos fiscais, pelas políticas dos bancos oficiais e, em escala menor do que a esperada anteriormente, pela atividade global que, de resto, apresenta sinais de moderação.
 
20. Em linha com ações de política implementadas no primeiro semestre, desde a última reunião, o recuo nas projeções de inflação consideradas pelo Comitê mostrou melhora no cenário prospectivo. O Copom considera que esse processo deva ser intensificado e, para tanto, precisam ser revertidos os sinais de persistência do descompasso entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta agregadas, que, em última instância, tendem a aumentar o risco para a dinâmica inflacionária. Nesse sentido, a postura de política monetária deve ser ajustada, haja vista que essa iniciativa contribui para a convergência entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta.
 
21. A evidência internacional, no que é ratificada pela experiência brasileira, indica que taxas de inflação elevadas levam ao aumento dos prêmios de risco, tanto para o financiamento privado quanto para o público; ao encurtamento dos horizontes de planejamento, tanto das famílias quanto das empresas. Conseqüentemente, taxas de inflação elevadas reduzem os investimentos e o potencial de crescimento da economia, além de terem efeitos regressivos sobre a distribuição de renda. De outra forma, taxas de inflação elevadas não trazem qualquer resultado duradouro em termos de crescimento da economia e do emprego, mas, em contrapartida, trazem prejuízos permanentes para essas variáveis no médio e no longo prazo. Assim sendo, a estratégia adotada pelo Copom visa assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas neste e nos próximos anos, o que exige que eventuais desvios em relação à trajetória de metas sejam prontamente corrigidos. Tal estratégia leva em conta as defasagens do mecanismo de transmissão e é a mais indicada para lidar com a incerteza inerente ao processo de formulação e implementação da política monetária.
 
22. Para o Copom, são decrescentes os riscos para a consolidação de um cenário inflacionário benigno e se circunscrevem ao âmbito interno, por exemplo, os derivados da expansão da demanda doméstica, em contexto de virtual esgotamento da margem de ociosidade na utilização dos fatores de produção. A propósito, evidências do estreitamento do mercado de fatores vêm dos ganhos reais de salários em alguns segmentos e de maiores pressões de preços ao produtor no passado recente. É plausível afirmar, entretanto, que os fatores de sustentação desses riscos mostram desaceleração na margem. Note-se ainda, que há sinais de que a economia tem se deslocado para uma trajetória mais condizente com o equilíbrio de longo prazo, onde os efeitos desses desenvolvimentos sobre o balanço de riscos para inflação tendem a arrefecer.    
 
23. Em suma, desde a última reunião, reduziram-se os riscos à concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual a inflação seguiria consistente com a trajetória de metas; o que, em parte, se deveu à reversão de parcela substancial dos estímulos introduzidos durante a crise financeira internacional de 2008/2009, bem como à mudança na postura de política monetária. Também contribuiu para isso o fato de que, nesse mesmo período, se elevou a probabilidade de desaceleração  do já lento processo de recuperação em que se encontram as economias do G3.  Por conseguinte, a influência do cenário internacional sobre o comportamento da inflação doméstica passou a revelar um viés desinflacionário. Apesar das alterações favoráveis à dinâmica da inflação tanto no quadro interno quanto no externo, prevaleceu entre os membros do Comitê o entendimento de que competiria à política monetária potencializar os efeitos dessas mudanças e, nesse sentido, continuar a agir de forma a evitar que incertezas detectadas em horizontes curtos, ainda que menores do que as anteriormente observadas, propaguem‑se para horizontes longos.
 
24. Nesse contexto, avaliando a conjuntura macroeconômica e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 10,75% a.a., sem viés. Considerando o processo de redução de riscos para o cenário inflacionário que se configura desde a última reunião do Copom, e que se deve à evolução recente de fatores domésticos e externos, o Comitê entende que a decisão irá contribuir para intensificar esse processo.
 
25. No regime de metas para a inflação, o Copom orienta suas decisões de acordo com os valores projetados para a inflação, a análise de diversos cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica prospectiva dos preços e o balanço dos riscos associado a suas projeções. A demanda doméstica se apresenta robusta, em grande parte devido aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a expansão do crédito. Além disso, estímulos fiscais e creditícios foram aplicados na economia nos últimos trimestres, e deverão contribuir para a consolidação da expansão da atividade e, conseqüentemente, para que o nível de ociosidade dos fatores se mantenha em patamares historicamente baixos. Aos efeitos desses estímulos, entretanto, contrapõem-se os efeitos da reversão de parcela substancial das iniciativas tomadas durante a recente crise financeira de 2008/2009, os da mudança de postura da política monetária e os da piora nas perspectivas para a economia global. Esses elementos são parte importante do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vista a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas. 
 
26. Houve consenso entre os membros do Comitê sobre a necessidade de eventualmente se adequar o ritmo do ajuste da taxa básica de juros à evolução do cenário inflacionário prospectivo, bem como ao correspondente balanço de riscos. 
 
27. Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltará a se reunir em 31 de agosto de 2010, para as apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado nº 18.927, de 9 de outubro de 2009.
 
SUMÁRIO DOS DADOS ANALISADOS PELO COPOM
 
Inflação
 
28. O IGP-10 variou 0,05% em julho, ante 1,30% em junho, acumulando aumento de 5,60% no ano e de 5,44% em doze meses. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) cresceu 0,02% em julho, ante 1,68% em junho, refletindo o impacto mais acentuado da reversão, de 2,23% para -0,01%, na variação dos preços industriais, em relação ao decorrente do aumento, de -0,04% para 0,15%, na relativa aos preços dos produtos agropecuários. Considerados períodos de doze meses, o IPA aumentou 5,56% em julho, decorrência das elevações respectivas de 6,85% e 1,70% observadas nos preços industriais e agropecuários. O IPC-Br apresentou variação negativa de 0,17% em julho, ante recuo de 0,01% em junho, acumulando 4,66% em doze meses. O INCC variou 0,72% em julho, ante 2,01% em junho, acumulando 6,54% em doze meses.
 
29. O IPCA-15 variou -0,09% em julho, ante 0,19% em junho, acumulando 3,26% no ano e 4,74% em doze meses. A reversão assinalada no mês traduziu, em grande parte, as contribuições exercidas pelos grupos alimentação e bebidas, -0,18 p.p., e transportes, -0,07 p.p., que registraram variações mensais respectivas de -0,80% e -0,36%. O índice de difusão atingiu 48,96%, ante 61,46% em junho. 
 
30. A variação mensal do IPCA-15 evidenciou o impacto da desaceleração registrada na variação dos preços monitorados, de 0,24% para 0,21%, e da reversão, de 0,17% para -0,21%, na relativa aos preços livres, esta refletindo os recuos assinalados nos preços dos itens comercializáveis, 0,35%, e não comercializáveis, 0,09%, que haviam experimentado elevações respectivas de 0,23% e de 0,11% em junho. Os preços livres cresceram 4,97% no período de doze meses encerrado em julho, resultado de elevações de 2,53% no segmento de bens comercializáveis e de 7,14% no relativo a bens não comercializáveis, enquanto os monitorados cresceram 4,18%.
 
31. As três medidas de núcleos de inflação do IPCA-15 apresentaram desaceleração mensal em julho. O núcleo por exclusão variou 0,20% no mês, ante 0,49% em junho, acumulando crescimento de 5,07% em doze meses. O núcleo pelo critério de médias aparadas com suavização registrou taxa de 0,30%, ante 0,50% no mês anterior, acumulando 5,01% em doze meses, enquanto o indicador calculado pelo método de dupla ponderação variou 0,19%, ante 0,43% em junho, totalizando aumento de 5,04% em doze meses.
 
32. O IPCA registrou variação mensal nula em junho, a menor desde junho de 2006, quando recuou 0,21%. A variação acumulada do indicador no primeiro semestre do ano atingiu 3,09%, ante 2,57% em igual período de 2009, enquanto, considerados períodos de doze meses, o IPCA cresceu 4,84% em junho, ante 5,22% em maio e 5,26% em abril.
 
33. A redução da variação do IPCA em relação ao mês anterior, quando o indicador crescera 0,43%, refletiu a reversão, de 0,47% para -0,05%, na variação mensal dos preços livres e a desaceleração, de 0,33% para 0,12%, na relativa aos preços monitorados. A segmentação do IPCA revelou que a estabilidade dos preços no mês traduziu, em especial, a variação negativa de 0,90% nos preços do grupo alimentos e bebidas, representando contribuição de -0,21 p.p. para o índice mensal. O índice de difusão atingiu 57,29%, ante 60,94% em maio, situando-se pela primeira vez, desde novembro de 2009, em patamar abaixo de 60%.
 
34. As variações das três medidas de núcleo do IPCA registraram desaceleração mensal em junho. O núcleo calculado pelo critério de médias aparadas com suavização variou 0,40%, ante 0,62% em maio, acumulando alta de 5,02% no período de doze meses finalizado em junho, ante 4,99% em maio. O núcleo por exclusão, que exclui dez itens de alimentação no domicílio e combustíveis, cresceu 0,36% em junho, ante 0,56% em maio, acumulando 5,03% em doze meses, ante 4,93% em maio. O núcleo de dupla ponderação variou 0,29% em junho, ante 0,56% em maio, acumulando variação de 4,97% em doze meses, ante 5,06% em maio.
 
35. O IGP-DI aumentou 0,34% em junho, ante 1,57% em maio, acumulando 5,48% no ano e 5,07% em doze meses. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) registrou variação de 0,43% em junho, ante 2,06% em maio, reflexo da desaceleração, de 2,66% para 0,42%, na variação dos preços dos produtos industriais e da aceleração, de 0,19% para 0,46%, referente aos preços dos produtos agropecuários. O IPA aumentou 4,89% no período de doze meses encerrado em junho, resultado de elevações respectivas de 6,26% e 0,83% nos preços dos produtos industriais e agropecuários. O IPC-Br apresentou variação de -0,21% em junho, ante elevação de 0,21% em maio, acumulando 4,93% em doze meses. O INCC variou 1,09% em junho, ante 1,81% em maio, acumulando 6,48% em doze meses. O núcleo do IPC-Br cresceu 0,37% em junho, ante 0,47% em maio, acumulando 4,30% em doze meses.
 
Atividade econômica
 
36. As vendas do comércio registraram aumento mensal de 0,1% em maio, após recuo de 6,1% em abril e aumento de 6,8% em março, segundo dados dessazonalizados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE. Registraram-se crescimentos das vendas em seis dos dez segmentos pesquisados, com ênfase nos relativos a material de construção, 2,4%; e a combustíveis e lubrificantes, 2%. Em sentido inverso, as vendas de tecidos, vestuário e calçados apresentaram retração mensal de 3,3% em maio. A média das vendas realizadas no trimestre encerrado em maio cresceu 4,4% em relação ao trimestre finalizado em fevereiro.
 
37. As vendas varejistas cresceram 9,5% em relação a maio de 2009, acumulando expansões de 13,6% no ano e de 11,2% nos últimos doze meses. O desempenho em relação a maio do ano anterior refletiu a ampliação das vendas em todos os setores pesquisados, com destaque para as relativas a equipamentos e materiais para escritório, 28,7%; material de construção, 19,9%; e móveis e eletrodomésticos, 19,5%. As expansões acumuladas no ano e em doze meses resultaram de elevações setoriais generalizadas, ressaltando-se, no primeiro tipo de comparação, os crescimentos nos segmentos equipamentos e materiais para escritório, 26,5%; e móveis e eletrodomésticos, 21,3%, enquanto na comparação em doze meses, as elevações nas vendas de veículos e motos, partes e peças, 17,2%; e equipamentos e materiais para escritório, 15,1%.
 
38. O número de consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) e ao Sistema Usecheque registrou variações mensais respectivas de -0,3% e 1,3% em junho, de acordo com dados dessazonalizados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), relativos à capital paulista. Considerados dados observados, os indicadores mencionados registraram aumentos respectivos de 9,4% e 6,3% no primeiro semestre de 2010, em relação a igual período do ano anterior.
 
39. As vendas de autoveículos pelas concessionárias, incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, registraram recuo mensal de 1% em junho, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), dessazonalizados pelo Banco Central, com ênfase na retração de 5,1% nas vendas de automóveis e na elevação de 9,5% nas relativas a ônibus. As vendas totais reduziram-se 12,4% em relação a junho de 2009, ressaltando-se a redução de 20,8% nas referentes a automóveis, enquanto, considerados os seis primeiros meses do ano e o período de doze meses encerrado em junho, assinalaram expansões respectivas de 9% e 14,3%.
 
40. As importações de bens de capital decresceram 6,3% em junho, em relação a maio, de acordo com o índice de quantum da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), dessazonalizado pelo Banco Central. Considerados períodos de doze meses, o indicador registrou expansão de 58,4% em junho, ante 46,7% em maio e 8,3% em abril.
 
41. A produção de bens de capital cresceu 1,2% em maio, de acordo com dados dessazonalizados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), do IBGE, com ênfase nas expansões observadas nos segmentos bens de capital para fins industriais não seriados, 5,5%, e de uso misto, 3,8%, em contraste com o recuo de 18,9% observado na produção de bens de capital para o setor de energia elétrica. A produção de bens de capital aumentou 38,5% em relação a maio de 2009, destacando-se os aumentos nos segmentos de bens destinados à construção, 154,7%; bens agrícolas, 51,2%; bens de uso misto, 46,7%; e bens para fins industriais seriados, 39,5%. A produção de insumos para a construção civil cresceu 0,1% no mês e 18,3% em doze meses. A produção de bens de capital registrou expansão de 30,6% no ano, em relação a igual período de 2009, com ênfase no aumento de 196,4% no segmento para construção.
 
42. Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) atingiram R$150,8 bilhões no período de doze meses encerrado em maio, elevando-se 64% em relação a igual intervalo do ano anterior. No acumulado do ano até maio, os desembolsos mencionados cresceram 41% em relação a igual período de 2009, com o setor de infraestrutura absorvendo 41% do total dos recursos liberados no período, seguindo-se os segmentos industrial, 29%; comércio e serviços, 21%; e agropecuária, 9%.
 
43. A produção industrial registrou estabilidade em maio, em relação ao mês anterior, de acordo com dados dessazonalizados da PIM, do IBGE, após recuar 0,8% em abril, neste tipo de comparação. Além da expansão associada à indústria de bens de capital, o resultado refletiu aumento de 0,1% na produção de bens intermediários e de bens de consumo duráveis, e retração de 0,9% na indústria de bens de consumo semi e não duráveis, ressaltando-se os recuos experimentados pelas indústrias de alimentos, 1,7%, e têxtil, 1,6%, e as expansões registradas nos segmentos material eletrônico e equipamento de comunicação, 6,1%; e máquinas para escritório e equipamento de informática, 5,7%.
 
44. A produção industrial cresceu 14,8% em relação a maio de 2009, com ênfase nas expansões observadas nas produções de bens de capital, 38,5%; bens intermediários, 15,7%; e bens de consumo duráveis, 15,4%. Considerados períodos de doze meses, a indústria assinalou crescimento de 4,5% em maio, em relação a igual intervalo do ano anterior, ressaltando-se o aumento de 11,6% na indústria de bens de consumo duráveis. A produção de bens de capital aumentou 0,8%, no mesmo tipo de comparação.
 
45. O faturamento real da indústria de transformação apresentou crescimento mensal de 1,3% em maio, ante recuo de 0,2% em abril, segundo estatísticas da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), dessazonalizadas pelo Banco Central . No mesmo período, o número de horas trabalhadas e o emprego registraram elevações respectivas de 0,9% e 0,3%. Em comparação com o mesmo mês de 2009, os indicadores mencionados assinalaram aumentos respectivos de 13,9%, 9,9% e 6,1%.
 
46. Ainda segundo a CNI, o Nuci atingiu 82,9% em maio, aumentando 3 p.p. em relação a igual período de 2009. Considerando dados dessazonalizados, o Nuci de maio registrou redução mensal de 0,3 p.p., enquanto o Nuci médio do trimestre encerrado em maio aumentou 1,6 p.p. em relação ao observado no trimestre finalizado em fevereiro.
 
47. A produção de autoveículos atingiu 306,4 mil unidades em junho, de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e dessazonalizados pelo Banco Central, ressaltando-se que o recuo mensal de 1,7% refletiu, em especial, a retração de 2,4% na produção de veículos leves. A produção do setor apresentou expansões respectivas de 19,1% e 15,8% no primeiro semestre do ano e no período de doze meses encerrado em junho, em relação a intervalos correspondentes do ano anterior.
 
48. As vendas de autoveículos pelas montadoras registraram declínio mensal de 10,7% em junho, resultado de retrações de 9,7% nas vendas ao mercado interno e de 10,3% nas direcionadas ao mercado externo. No acumulado do ano e em doze meses, as vendas no mercado interno registraram elevações respectivas de 6,2% e 14%, e as direcionadas ao exterior, aumentos de 78,1% e 14,1%.
 
49. O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de junho, divulgado pelo IBGE, estimou que a safra de grãos de 2010 deverá registrar aumento anual de 8,9%, totalizando 145,9 milhões de toneladas, previsão 0,1 p.p. superior à realizada em maio. A expansão projetada para o ano considerou as perspectivas de elevações nas produções de soja, 19,4%; trigo, 5,7%; e milho, 4,4%, em oposição aos recuos estimados para as safras de arroz, 10,4%, e feijão 5,5%.
 
Expectativas e sondagens
 
50. O ICC de abrangência nacional, considerados dados dessazonalizados da Sondagem de Expectativas do Consumidor da FGV, assinalou aumento mensal de 1,9% em junho, atingindo 118,5 pontos, segundo melhor resultado da série histórica. O resultado refletiu os crescimentos de 1,6% no Índice da Situação Atual (ISA), que atingiu nível recorde pelo terceiro mês consecutivo, e de 2,1% no Índice de Expectativas (IE). O ICC cresceu 10% em relação a junho de 2009, resultado de aumentos de 21% no ISA e de 4% no IE.
 
51. O Índice de Confiança da Indústria (ICI), da FGV, apresentou recuo mensal de 0,7% em junho, atingindo 115,3 pontos, considerados dados dessazonalizados da FGV, resultado da retração de 1,5% no IE e da elevação de 0,1% no ISA. O ICI cresceu 27,1% em relação a junho de 2009, reflexo de aumentos de 28,6% no ISA e de 25,7% no IE. O Nuci dessazonalizado atingiu 85,5% em junho, elevando-se 0,6 p.p. em relação a maio e 1,7 p.p. comparativamente a janeiro.
 
Mercado de trabalho
 
52. Segundo o Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados (Caged,) do MTE, foram gerados 1.473,3 mil postos de trabalho no primeiro semestre do ano, melhor resultado para o período desde o início da série, em janeiro de 1985. Registraram-se criações líquidas de empregos formais recordes nos principais segmentos da economia, totalizando 490 mil no setor de serviços, 394,1 mil na indústria de transformação, 230 mil na construção civil, 175,1 mil no setor agropecuário e 144,1 mil no comércio. A análise mensal, considerados dados dessazonalizados, revela crescimento de 0,4% no número de postos de trabalho em junho, com ênfase no número de vagas criadas no setor de serviços, 57,5 mil; na agropecuária, 55,4 mil; e na indústria de transformação, 44,5 mil. Considerados períodos de doze meses, foram criados 2.168,9 mil empregos formais em junho, dos quais 549,5 mil na indústria de transformação.
 
53. A taxa de desemprego aberto atingiu 7,5% em maio, registrando variações de 0,2 p.p. em relação a abril e de -1,3 p.p. comparativamente a igual período de 2009, de acordo com a PME do IBGE, realizada nas seis principais regiões metropolitanas do país. Considerados dados dessazonalizados, a taxa de desemprego aumentou 0,3 p.p. no mês, para 7,1%, resultado de aumentos de 0,5% na População Economicamente Ativa (PEA) e de 0,3% na ocupação. Segundo a mesma pesquisa, o rendimento médio real habitualmente recebido pelos trabalhadores recuou 0,9% no mês e aumentou 1,3% no ano, enquanto a massa salarial assinalou variações respectivas de -0,6% e 5%.
 
Crédito e inadimplência
 
54. O saldo dos empréstimos do sistema financeiro atingiu R$1.529 bilhões em junho, 45,7% do PIB, registrando crescimentos de 2% no mês, de 8,1% no ano e de 19,7% em doze meses. A carteira de recursos livres apresentou aumentos respectivos de 1,8%, 6,6% e 13,2%, nas bases de comparação mencionadas, ressaltando-se que o saldo das operações com pessoas físicas cresceu 0,9% no mês, 7,6% no ano e 16,4% em doze meses, e o relativo às operações com pessoas jurídicas, 2,6%, 5,6% e 10,2%, respectivamente. Os financiamentos com recursos direcionados aumentaram 2,4% no mês, 11,3% no ano, e 35,3% em doze meses, ressaltando-se as elevações respectivas de 3,5%, 21,4% e 50,9% observadas nos financiamentos habitacionais.
 
55. A taxa média anual de juros incidente sobre as operações de crédito referencial recuou 0,3 p.p. em junho, para 34,6%. As taxas relativas aos segmentos de pessoas físicas e de pessoas jurídicas atingiram 40,4% e 27,3%, respectivamente, registrando, na ordem, variações mensais de -1,1 p.p. e 0,4 p.p.
 
56. O prazo médio das operações de crédito referencial atingiu 450 dias em junho, ante 435 em maio, decorrência dos aumentos respectivos de nove e de dezenove dias nos prazos relativos aos segmentos de pessoas físicas e de pessoas jurídicas, que atingiram, na ordem, 527 dias e 382 dias.
 
57. A taxa de inadimplência das operações de crédito referencial, correspondente a atrasos superiores a noventa dias, registrou redução mensal de 0,1 p.p. em junho, atingindo 5%. As taxas relativas às operações com pessoas físicas e com pessoas jurídicas apresentaram retrações mensais de 0,2 p.p. e de 0,1 p.p., atingindo 6,6% e 3,6%, respectivamente.
 
58. A taxa líquida de inadimplência no comércio calculada pela ACSP, após três elevações mensais consecutivas, declinou de 8,4% em abril para 6,6% em maio.
 
Ambiente externo
 
59. O FMI revisou a projeção de crescimento da economia global para 2010 de 4,3%, em abril, para 4,6%, em julho. Essa alteração considerou estimativas de redução, de 1,3% para 1,2%, no crescimento do Reino Unido; manutenção, em 1%, na taxa de expansão da Área do Euro; e revisões favoráveis em relação ao desempenho das economias dos Estados Unidos da América (EUA), Japão e de importantes países emergentes. No entanto, os riscos de baixa dessas taxas voltaram a aumentar, em ambiente de incertezas associadas à crise fiscal na Europa. Nesse sentido, indicadores recentes sugerem relativa desaceleração no ritmo de crescimento dos EUA e da China, enquanto a variação trimestral anualizada do consumo assinalou taxas negativas no Japão e na Área do Euro, e arrefecimento nos EUA. Adicionalmente, assinalem-se a desaceleração da produção manufatureira no Japão e na Área do Euro, a variação negativa no número de trabalhadores em folha de pagamentos nos EUA e a desaceleração das vendas no varejo e na formação bruta de capital fixo na China. Em junho, esse conjunto de indicadores se traduziu em recuo dos Índices de Gerentes de Compras (PMI) nas economias do G-3 e na China.
 
60. Apesar de operarem com volatilidade, os mercados financeiros apresentaram maior consistência desde a última reunião do Copom, em especial no que se refere ao desempenho das principais bolsas de valores. Os rendimentos dos títulos governamentais das maiores economias desenvolvidas recuaram, no período.
 
61. A variação anual dos índices de preços ao consumidor (IPC) atingiu, em junho, 1,1% nos EUA e 1,4% na Área do Euro. No Japão, ratificando a desaceleração do processo deflacionário, a variação anual do índice atingiu -0,9% em maio, ante -2,5% em outubro de 2009. Na medida em que as economias do G-3 registram elevada ociosidade dos fatores de produção e que restrições fiscais se avolumam, os respectivos bancos centrais mantêm o caráter acomodatício da política monetária. Nas economias emergentes da América e da Ásia, e nas economias exportadoras de commodities, como Canadá e Nova Zelândia, em que ocorrem aquecimento da demanda interna, cresce o número de bancos centrais a adotar medidas monetárias mais restritivas.
 
Comércio exterior e reservas internacionais
 
62. A balança comercial brasileira registrou superávit de US$2,3 bilhões em junho, e de US$7,9 bilhões no primeiro semestre do ano. Consideradas médias diárias, o superávit registrado nos seis primeiros meses do ano recuou 43,7% em relação a igual intervalo de 2009, resultado de crescimentos de 43,9% nas importações e de 26,5% nas exportações. A corrente de comércio alcançou o recorde de US$170,5 bilhões no primeiro semestre, elevando-se 34,2% em relação a igual período do ano anterior.
 
63. As reservas internacionais, nos conceitos liquidez e caixa, totalizaram US$253,1 bilhões em junho, assinalando elevações respectivas de US$14,1 bilhões e de US$14,6 bilhões no ano. Os dois conceitos igualaram-se à  liquidação integral do estoque de operações de empréstimos em moedas estrangeiras em maio. As compras líquidas do Banco Central no mercado à vista de câmbio atingiram US$14,1 bilhões nos seis primeiros meses de 2010.
 
Mercado monetário e operações de mercado aberto
 
64. Após a reunião do Copom de junho, continuou-se observando redução na inclinação da curva de juros doméstica. No cenário local, esse movimento foi influenciado pela leitura mais conservadora da ata do Copom, pela divulgação de índices de inflação corrente e de dados de atividade econômica abaixo das estimativas e pela expectativa de um ciclo mais curto de aperto monetário. Do lado externo, novos sinais de enfraquecimento da atividade econômica mundial foram determinantes para o recuo das taxas de longo prazo. Entre 7 de junho e 19 de julho, as taxas de juros de um, de três e de seis meses elevaram-se, respectivamente, em 0,62 p.p., 0,47 p.p. e 0,21 p.p.. A taxa para o prazo de dois anos recuou 0,02 p.p., enquanto as taxas para os prazos de um e de três anos subiram 0,03 p.p. e 0,08 p.p., respectivamente. A taxa real de juros, medida pelo quociente entre a taxa nominal de um ano e a expectativa de inflação (suavizada) para os próximos doze meses, recuou de 6,46% em 7 de junho para 6,30% em 19 de julho.
 
65. Na administração da liquidez do mercado de reservas bancárias, o Banco Central realizou, de 8 de junho e 19 de julho, operações compromissadas de prazo de seis meses, tomando recursos no valor de R$28,3 bilhões. Com isso, o saldo diário médio do estoque das operações de longo prazo alcançou R$95,0 bilhões. No mesmo período, realizou operações compromissadas de prazos entre treze e trinta dias úteis, levando o saldo diário médio das operações tomadoras de curto prazo para R$235,3 bilhões. O Banco Central atuou ainda em 31 oportunidades como tomador de recursos por meio de operações compromissadas de curtíssimo prazo e realizou operações de nivelamento, ao final do dia, com prazos de dois dias úteis. As operações de curtíssimo prazo, incluídas as de nivelamento, tiveram saldo diário médio tomador de R$58,8 bilhões no período. O saldo diário médio do estoque total dos compromissos de recompra do Banco Central subiu de R$340,6 bilhões, entre 27 de abril e 7 de junho, para R$389,1 bilhões, entre 8 de junho e 19 de julho. Considerando o saldo diário das operações no período mais recente, foi registrada uma elevação dos compromissos de recompra no valor de R$48,7 bilhões, com o estoque total passando de R$360,1 bilhões, em 7 de junho, para R$408,8 bilhões, em 19 de julho. Os principais fatores condicionantes da expansão da liquidez no período foram as despesas líquidas da União e o resgate líquido de títulos pelo Tesouro Nacional.
 
66. Entre 8 de junho e 19 de julho, as emissões do Tesouro referentes aos leilões tradicionais somaram R$45,4 bilhões. A colocação de títulos de remuneração prefixada alcançou R$29,9 bilhões, sendo R$25,0 bilhões em Letras do Tesouro Nacional (LTN) com vencimentos em 2010, 2011 e 2012 e R$4,9 bilhões em Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) com vencimentos em 2014 e 2021. As vendas de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) totalizaram R$11,5 bilhões, com emissão de títulos com vencimentos em 2014 e 2016. Nos leilões de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), foram vendidos títulos com vencimentos em 2013, 2015, 2020, 2030, 2040 e 2050, em um montante total de R$4,0 bilhões.